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O refechamento das juntas é uma técnica pela qual a argamassa degradada das juntas da alvenaria é removida e substituída por uma de melhores características mecânicas e de durabilidade (Valluzzi et al., 2001), ver Figura 2.18. Este tipo de reforço pode visar o reforço estrutural da alvenaria, através do aumento da sua resistência à compressão e melhoramento da ligação entre unidades e argamassa, ou então aumentar a protecção das fachadas contra a água das chuvas, que é uma das responsáveis pela introdução de humidade nas paredes, culpada de muitas das patologias estruturais e não estruturais, normalmente, encontradas em estruturas de alvenaria.

Obviamente que introdução, numa alvenaria antiga, de um novo material requer, tal como no reforço por injecção, uma escolha cuidada desse material, exigindo-se, acima de tudo, compatibilidade com os materiais originais.

A aplicação desta técnica pressupõe a realização das seguintes tarefas (Roque, 2002):

 Remoção parcial da argamassa das juntas: extracção e limpeza da argamassa existente nas juntas, numa profundidade de 5 a 7 cm. Caso a intervenção seja realizada de ambos os lados da parede, a profundidade máxima da extracção deve ser de cerca de 1/3 da espessura total. Nestes casos, para não prejudicar a estabilidade do muro, as juntas com a argamassa removida devem ser preenchidas antes de se dar início à remoção na face oposta. De facto, um dos problemas que pode surgir durante esta fase, é a remoção da argamassa resultar na instabilidade de algumas unidades;

 Lavagem das juntas abertas com água (a baixa pressão): para limpar as ranhuras abertas e para limitar a absorção da água da argamassa pelo suporte;

 Reposição das juntas: deve efectuar-se cuidadosamente o preenchimento das juntas, com a aplicação de várias camadas de argamassa. A eficácia desta intervenção depende da eficiente compactação das camadas de argamassa para preenchimento (“argamassa bem apertada”). Para garantia do aspecto estético da parede, esta é a operação que requer maior controlo durante a execução. Se a parede apresenta um aparelho com cunhas ou calços deve proceder-se à sua reposição, de modo a restaurar as características tipológico-construtivas da parede.

Figura 2.18 – Refechamento das juntas da torre da Igreja de Jevington (Reino Unido) com uma argamassa de cal (in http://www.jevingtonchurch.co.uk).

O refechamento das juntas pode ser combinado com a introdução de armaduras nas juntas horizontais. Assim, após a remoção da argamassa antiga são colocadas armaduras de aço (com tratamento anticorrosivo) ou varões (ou laminados) de materiais

compósitos (FRPs), sendo posteriormente preenchidas e seladas com uma nova argamassa. Contudo, esta técnica de reforço combinada apenas é possível de aplicar em alvenaria de pedra ou tijolo com juntas regulares exigindo-se, no entanto, uma altura suficiente da junta horizontal para introdução das armaduras. No caso de paredes de grande espessura, as armaduras devem ser aplicadas de ambos os lados das paredes, de forma a aumentar a eficácia da técnica (Valluzzi et al. 2005), sendo aconselhável ligar as armaduras através de conectores transversais às paredes (ver Figura 2.19). Estes conectores, em paredes de múltiplos panos, permitem, ainda, um efeito de confinamento da alvenaria, prevenindo a separação dos panos (Valluzzi et al. 2005).

(a) (b) (c)

Figura 2.19 – Refechamento das juntas com armadura (Valluzzi et al., 2005): (a) parede de um pano; (b) parede de três panos; (c) Parede de múltiplos panos com pano resistente exterior.

Porém, esta técnica tem como objectivo principal, o controlo da dilatância horizontal da alvenaria, associada a problemas de fendilhação difusa, provocados, por exemplo, por fenómenos de fluência, de amplitude térmica ou higrotérmicos.

Podem ser utilizados, como armaduras, materiais como o aço (de preferência inoxidável ou com um outro tipo de tratamento anti-corrosão) ou materiais compósitos (FRPs), sob a forma de varões ou laminados. Estes materiais devem possuir uma superfície nervurada (no caso do aço) ou rugosa (no caso de materiais compósitos), de forma a garantir a necessária aderência entre as armaduras e a argamassa. Pela mesma razão, no caso de varões de aço serem utilizados, a sua superfície deve ser previamente limpa com jacto de areia.

Como material de preenchimento das juntas ou selagem final, podem ser utilizadas argamassas de cal, argamassa hidráulica aditivada ou, eventualmente, argamassas de resinas orgânicas (Roque, 2002). As argamassas de cal apresentam melhor

compatibilidade (química, física e mecânica) com as existentes do que as de resina orgânica. O seu desempenho pode ser melhorado com o uso de aditivos especiais (por exemplo com produtos expansivos anti-retracção). As resinas orgânicas (epoxídicas, acrílicas ou de polyester) devem ser usadas, apenas, quando houver requisitos de elevada resistência e/ou de rápida presa (Roque, 2002).

Uma correcta aplicação desta técnica combinada requer (Valluzzi et al. 2005):  Possível remoção do reboco ou outro, qualquer, tipo de acabamento, para

verificação do estado da alvenaria;

 Inspecção cuidada da alvenaria, procurando vazios que necessitem de ser previamente injectados ou verificar a necessidade de substituição de algum elemento;

 Abertura de ranhuras nas juntas horizontais com ferramentas comuns (por exemplo serra circular). A altura da ranhura deverá ser tal que permita a introdução do material de reforço, mas deverá ter pelo menos 10 mm. A profundidade deverá ser cerca 50 a 80 mm, de forma que as armaduras possam ser colocadas, conjuntamente com a restante argamassa de suporte às cargas aplicadas;

 Remoção do pó resultante e de materiais soltos, com ar ou água, dependendo do material de preenchimento. No caso de uma argamassa de cal ou hidráulica será preferível remover estas partículas com água, para limitar a absorção de água da argamassa por parte dos materiais originais. No caso de uma argamassa de resinas orgânicas, dada à incompatibilidade com água no seu estado fresco, deverá ser realizada a remoção destas partículas com ar comprimido;

 Aplicação da primeira camada do material de enchimento, que deve ser bem compactado;

 Colocação do material de reforço. A introdução de dois varões de menor diâmetro é preferível à introdução de apenas um varão de maior diâmetro, estando-se, todavia, limitado à espessura da junta, normalmente entre 10 e 15 mm, onde apenas varões de pequeno diâmetro (4 a 6 mm) pedem ser inseridos. É conveniente a utilização de espaçadores para separação das armaduras da superfície dos tijolos;

 Aplicação de uma segunda camada de argamassa, cobrindo armadura inserida, e se necessário colocar um novo varão e seguidamente uma nova camada de argamassa cobrindo-o;

 Aplicação de uma ultima camada de argamassa, preenchendo os últimos 15 a 20 mm da junta, para a sua selagem do ambiente exterior. Deverá ser, também, dado especial atenção ao aspecto estético da argamassa, onde, se necessário, poderão ser adicionados pigmentos ou utilizadas areias especiais para se conseguir o efeito desejado.

Esta é uma técnica de fácil execução, sendo necessário, apenas, especial cuidado nas fases da abertura das ranhuras, da limpeza das juntas e da aplicação do material de preenchimento, mas que não tornam o processo complexo. Para além disto é uma técnica que apresenta pequena perturbação das condições existentes, conserva o aspecto estético da alvenaria após intervenção e a adição de massa é desprezável, o que do ponto de vista sísmico é um aspecto importante.

Ensaios experimentais, onde esta técnica foi aplicada, têm demonstrado um efeito de aumento da resistência à compressão da alvenaria, sobretudo em combinação com outras técnicas de reforço (pregagens transversais e injecção) e, de facto, têm demonstrado um controlo efectivo da dilatância horizontal das paredes.

2.4 EXEMPLO DE ERROS DE INTERVENÇÕES ESTRUTURAIS EM