6.4 V ERTICAL WAKE DEVELOPMENT BETWEEN TWO WIND TURBINES
6.4.3 Review of vertical wake experiments
Gissele: E essa parte legal a que você se refere....? Alice: Memorando, ofício...tipo ... resoluções... Gissele: E você já está redigindo algum deles?
6 Excerto 12 foi propositalmente reapresentado aqui por ser bastante pertinente à categoria semântica ‘o estagio e
a identidade de ‘o de fora’. Ressalta-se que esse excerto foi também analisado à luz da categoria ‘estágio como transitoriedade’ do Capítulo IV.
85 Alice: Memorando e ofício sim... as resoluções eu só verifico se há algum erro...
erro de formatação, de digitação...
Gissele: E quais expectativas você julga que serão atendidas?
Alice: Então, assim... no estágio a gente tem a expectativa de crescer, né... porque
como estagiário a gente fica no finalzinho da rabiola... querendo chegar na pipa... assim... quero crescer... quero aprende mais... quem sabe ser contratada... né, que é o que a gente quer... ser contratada...
O Excerto 12, já analisado na categoria semântica “Estágio como transitoriedade”, é aqui retomado por julgar extremamente significativa a metáfora lexical construída por Alice sobre o estágio.
Segundo Fairclough (2003, p. 131), metáfora lexical acontece quando se faz uso de palavras que geralmente representam uma parte do mundo sendo estendidas a outro. Assim, a participante representa a posição, o lugar que ocupa o/a estagiário/a naquele espaço institucional, por meio do uso da metáfora da pipa e de sua estrutura, em que a rabiola pressupostamente é representada como um apenso – não como parte integrante da estrutura – e, ainda, como um ponto menos prestigiado, avaliação ativada pelo emprego do diminutivo “finalzinho” e pela escolha lexical do processo mental desiderativo “querendo” em, “querendo chegar na pipa”, ou seja, expressa o desejo de fazer parte da estrutura. Ao fazer essa representação da posição que ocupa o/a estagiário/a, ou melhor, da posição a ele/a imposta, Alice autoconstrói a identidade de ‘o de fora’, daquele que não faz parte efetivamente dos espaços e que por isso tem acesso restrito a esses espaços.
Excerto 31
Gissele: E você conseguiu participar em alguma dessas atividades ou está envolvida
em algum desses temas, que seriam comuns, que teriam relação com o seu curso, com a formação que você está fazendo?
Beatriz: Não que esteja envolvida diretamente, pelo fato de ser estagiária, mas
assim eu consigo ver bem, uma visão externa do que está acontecendo, mas não detalhada.
Do mesmo modo, a representação de Beatriz sobre as atividades desenvolvidas na coordenação em que atua constrói a identidade de ‘o de fora’ para o/a estagiário/a. A estagiária afirma que não está “envolvida diretamente” em tais atividades e apresenta a razão, justifica: “pelo fato de ser estagiária” e atesta que ainda assim, mesmo sendo estagiária – o que é ativado pelo conectivo “mas” – consegue “ver bem, uma visão externa do que está acontecendo, mas não detalhada”. A escolha do processo mental perceptivo “ver” ratifica a representação da não participação direta nas atividades, já que a estagiária “consegue ver
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bem”, ou seja, percebe por meio da visão, contempla, tem “uma visão externa do que está acontecendo” e evidencia que Beatriz não se percebe como ‘de dentro’, como membro daquele espaço. Assim, ao representar suas experiências no estágio autoconstrói, reitera-se, a identidade de ‘o de fora’, o que dá fortes indícios da existência de constrangimentos com os quais os estudantes se deparam no espaço do estágio.
Excerto 32
Gissele E agora você fique muito à vontade para perguntar alguma coisa, pode me
perguntar o que quiser, sobre a minha pesquisa ou sobre o estágio, enfim… ou fazer alguma colocação, alguma sugestão sobre o estágio, por exemplo. Sobre atividades do estágio, sobre o estagiário, ou alguma coisa que a instituição poderia disponibilizar, poderia facilitar…
Miguel: Então, eu acredito assim, que palestras, assim, relacionadas ao estágio seria
uma coisa bem bacana. Palestras que desenvolvam conhecimentos teóricos e práticos dos diversos cursos que têm na instituição. Não só para servidores, ou então terceirizados, mas assim, que os estagiários também participassem, porque a gente também faz parte da instituição, de maneira, digamos assim, um pouco pequena, mas fazemos, né?! Eu acredito que só…
Nesse excerto, que é uma demanda por “palestras” e “cursos”, está pressuposto que não são realizadas palestras voltadas ao estágio e ao/à estagiário/a, ativado pelo uso do tempo verbal no futuro hipotético “seria”, em “Então, eu acredito assim, que palestras, assim, relacionadas ao estágio seria uma coisa bem bacana”. Miguel, então, detalha a demanda “Palestras que desenvolvam conhecimentos teóricos e práticos dos diversos cursos que têm na instituição” para apresentar sua maior demanda, “Não só para servidores ou então terceirizados, mas assim, que os estagiários também participassem (…)”, ativada pelo uso do modo subjuntivo, que ao passo que realiza a demanda, constrói a pressuposição de não existência, já que expressa o desejo de que algo que não acontece, se efetive, ou seja, reivindica para os/as estagiários/as o direito de acesso aos cursos que a instituição oferece, em caráter restrito, aos “servidores” e “terceirizados”, o que é evidenciado pelo uso da circunstância “Não só”.
Assim, a fim de dar legitimidade à demanda apresentada, o estagiário argumenta “porque a gente também faz parte da instituição, de maneira, digamos assim, um pouco pequena, mas fazemos, né?!”, o emprego da circunstância “também” e do conectivo “mas”, em “mas fazemos” sugere o esforço que empreende na tentativa de demarcar um lugar que o legitimaria o direito de acesso aos bens em questão: formação por meio de cursos e palestras.
Está presente nessa demanda, uma avaliação negativa do espaço de participação permitido ao/à estagiário/a, representado como pequeno, limitado, já que “a gente também faz parte da instituição de maneira, digamos assim, um pouco pequena, mas fazemos, né?!” Essa
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limitação percebida pelo estagiário decorrente da restrição dos acessos implica enfraquecimento do sentimento de pertença, o que influencia, sobremaneira, a estruturação de identidades.
Há fortes indícios aqui de construção de identidade enfraquecida, pois, conforme discute Rios (2010c), por meio do uso da linguagem, em relações assimétricas de poder, identidades enfraquecedoras e enfraquecidas são estabelecidas e atores sociais são posicionados assimetricamente a partir dessa construção identitária, cujo efeito ideológico é o inculcamento dessas identidades e, por conseguinte, a manutenção da assimetria e de práticas exploratórias. Assim como efeito dessa estruturação identitária o estagiário se percebe em posição desprestigiada. Contudo, ainda que tenha em algum grau inculcado uma identidade enfraquecida, demonstra postura reflexiva ao reivindicar espaços de participação mais igualitários e acessos mais democráticos a recursos, o que aponta para possibilidades de reestruturação identitária. Diante disso, cabe destacar que o esforço empreendido na tentativa de demarcar um lugar na instituição sugere que há conflitos naquele espaço e que tal empreendimento é uma reação à construção identitária de ‘o de fora’.
5.6 Algumas conclusões sobre construção e autoconstrução de identidades do/a