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Review of ITTC work on manoeuvring simulation and co-operative test programs

A descrição do fenômeno psíquico de preferência foi o principal avanço epistemológico da análise brentaniana acerca da tautologia que envolvia a definição de Bem. Sua posição original na teoria ética explicitava-se a partir do limite encontrado para apresentar a descrição dos fenômenos de sentimentos de ordem superior. É precioso ter em mente que, segundo Brentano, “[...] o conhecimento de que algo é verdadeiramente e indubitavelmente bom origina-se dessas experiências de amor caracterizado como justo, em toda a extensão que tal conhecimento possa ter em nós”347. Isso significava que, orientado pelos fundamentos da Psicologia descritiva, o ponto de partida para a fundamentação da teoria do conhecimento

moral seria sempre a descrição da experiência psíquica individual. Além disso, essa experiência deveria consistir necessariamente na experiência do amor

caracterizado como justo. A saída desse círculo vicioso proposta pela análise

brentaniana recorreu à descrição da relação intencional que estruturava o fenômeno psíquico de sentimento (diploseenergie). Essa análise explicitou que um ato psíquico de sentimento de amor superior pressupunha a sua imediata experiência. O exemplo principal desse tipo de fenômeno psíquico foi a preferência. Vejamos, então, como Brentano desenvolve sua argumentação

347„Hier also und aus solchen Erfahrungen einer als richtig charakterisierten Liebe entspringt uns die

Erkenntnis, daß etwas wahrhaft und unzweifelhaft gut ist, in dem ganzen Umfange, in dem wir einer solchen fähig sind“. Brentano, Franz. Vom Ursprung Sittlicher Erkenntnis, p. 23-24.

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acerca dos fenômenos psíquicos de sentimento superiores e como tal argumentação estabeleceu a evidência do fenômeno psíquico de preferência.

Brentano apresentou alguns exemplos que, analisados a partir da descrição da relação intencional estruturada como relações psíquicas primárias e secundárias (diploseenergie), explicitaram a evidência do fenômeno psíquico de sentimento de amor caracterizado como justo. Vejamos um deles.

O principal exemplo apresentado por Brentano descreveu o amor superior como desejo pelo conhecimento. Suas palavras foram as seguintes:

Temos, dizíamos, por natureza agrado em certos sabores e asco em outros. Ambas as coisas por puro instinto. Mas também por natureza sentimos um agrado na compreensão clara e um desagrado no erro e na ignorância. Todo homem, disse Aristóteles nas famosas palavras preliminares de sua Metafísica, deseja saber por natureza. Este apetite é um exemplo que nos serve muito bem. É um agrado superior deste tipo aquilo que constitui o análogo da evidência na esfera do juízo. Em nossa espécie, esse agrado é universal. Mas, se houvesse outra espécie que de modo oposto ao nosso, além de preferir coisa diferente de nós referentes às sensações, amasse o erro como tal e odiasse a intelecção, não nos limitaríamos a dizer tal qual se diz acerca das sensações que é questão de gosto e de gustibus non est disputandum. Mas, resolutamente declararíamos que semelhante amor e ódio são radicalmente viciosos e dita espécie odeia o que sem dúvida é bom e ama o que sem dúvida é mal em si mesmo. Mas, por que diríamos isto neste caso e no caso anterior diríamos o contrário se o apetite é igualmente forte? Muito simples. No primeiro, nas sensações, o apetite era uma propensão instintiva, mas no segundo, no caso do erro e da intelecção, o agrado natural é um amor superior caracterizado como justo. Assim, ao encontrá-lo em nós, observamos que seu objeto não apenas é amado e amável e que sua privação é odiada e odiável, mas também que aquele é digno de amor e este é digno de ódio, ou seja, aquele é bom e este é mau348.

348 „Wir haben, sagten wir eben, von Natur ein Gefallen an gewissen Geschmäcken und einen

Widerwillen gegen andere; beides rein instinktiv. Wir haben aber auch von Natur ein Gefallen an klarer Einsicht und ein Mißfallen an Irrtum und Unwissenheit. "Alle Menschen", sagt Aristoteles in den schönen Eingangsworten zu seiner Metaphysik3"), "begehren von Natur nach dem Wissen". Dies Begehren ist ein Beispiel, das uns dient. Es ist ein Gefallen von jener höheren Form, die das Analogon ist von der Evidenz auf dem Gebiete des Urteils. In unserer Spezies ist es allgemein; würde es aber eine andere Spezies geben, welche, wie sie in bezug auf Empfindungen anders als wir bevorzugt, im Gegensatz zu uns den Irrtum als solchen liebte und die Einsicht haßte, so würden wir gewiß nicht so wie dort sagen: das ist Geschmackssache, "de gustibus non est disputandum"; nein, wir würden hier mit Entschiedenheit erklären, solches Lieben und Hassen sei grundverkehrt, die Spezies hasse, was unzweifelhaft gut, und liebe, was unzweifelhaft schlecht sei in sich selbst. - Warum hier so und anders dort, wo der Drang gleich mächtig ist? - Sehr einfach! Dort war der Drang ein instinktiver Trieb; hier ist das natürliche Gefallen eine höhere, als richtig charakterisierte Liebe. Wir bemerken also, indem wir sie in uns finden, daß ihr Objekt nicht bloß geliebt und liebbar und seine Privation und sein Gegensatz gehaßt und haßbar sind, sondern auch, daß das eine liebenswert, das andere hassenswert, also das eine gut, das andere schlecht ist“. Brentano, Franz. Vom Ursprung Sittlicher Erkenntnis, p. 22-23.

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Esse exemplo pode ser analisado da seguinte maneira. Toda descrição do domínio afirmativo do sentimento (onde ocorre a valoração de algo como Bom) mostra que ele consiste, por um lado, na justa atribuição de amor à representação (quando ela é uma referência à “coisa” – ao existente) e, por outro lado, na justa atribuição de ódio à representação (quando ela é uma referência à “não coisa” – ao não existente)349. O exemplo citado explicitou que,

tratando-se do domínio afirmativo do sentimento, ocorre a valoração (ato de amar ou odiar, enquanto objeto segundo) da compreensão (ato de representar algo ou não algo, enquanto objeto primeiro) como boa ou má. Assim, tal domínio consiste, por um lado, na justa atribuição de amor à representação (compreensão de algo) e, por outro lado, como na justa atribuição de ódio à representação (compreensão de “não algo”, ou seja, a incompreensão de algo).

Não é o caso de analisar cada um dos outros exemplos350. Importa considerar o propósito de Brentano para com eles. Brentano pretendeu apontar o fato de que, uma vez reconhecida com justa, a experiência do amor caracterizado com justo se impunha de modo análogo ao juízo evidente. Mesmo assim, no entanto, sua argumentação possuía, ainda, outro objetivo. Brentano pretendeu evidenciar a pluralidade daquilo que pode ser conhecido

349 Especificaremos, no próximo ponto, que, no primeiro caso, a justa atribuição do amor à representação

do existente explicita a valoração do puro bem e, no segundo caso, a justa atribuição do ódio à representação do não existente explicita a valoração do bem impuro (mesclado com o mau).

350 O segundo exemplo diz o seguinte: “assim como preferimos a compreensão ao amor, em termos gerais

também preferimos a alegria à tristeza, que não seja precisamente alegria de algo mau. Se houvesse seres que tivessem preferências contrárias, com razão qualificaríamos essa atitude de viciosa. Aqui também nosso ódio e nosso amor se caracterizam como justos”. [„Ein anderes Beispiel! Wir geben, wie der Einsicht vor dem Irrtum, so, allgemein gesprochen, der Freude (wenn es nicht gerade eine Freude am Schlechten ist) vor der Traurigkeit den Vorzug. Wenn es Wesen gäbe, welche hier umgekehrt bevorzugten, so würden wir dies, und mit Recht, als ein verkehrtes Verhalten bezeichnen. Es sind eben auch hier unsere Liebe und unser Haß als richtig charakterisiert“]. “Um terceiro caso é apresentado pela atitude sentimental justa e caracterizada como justa. Assim como a justeza e a evidência do juízo estão computadas entre o bom, pela mesma razão também estão a justeza e o caráter superior da própria atividade sentimental. De modo contrário, o amor ao mal também é mau”. [„Einen dritten Fall bietet die richtige und als richtig charakterisierte Gemütstätigkeit selbst. Wie die Richtigkeit und Evidenz des Urteils, so zählt darum auch die Richtigkeit und der höhere Charakter der Gemütstätigkeit selbst zu dem Guten, während die Liebe zum Schlechten selber schlecht ist“]. Finalmente, o quarto exemplo diz: “e, para não deixar intactas as mesmas experiências referentes à esfera das representações, diremos que nelas se explicitam igualmente que todo representar é algo bom em si mesmo e toda ampliação da vida de representação também aumenta o bom em nós mesmo, independentemente de todo bom ou mau que pode estar enlaçado com ela”. [„Und um auch in bezug auf das Gebiet des Vorstellens die entsprechenden Erfahrungen nicht unberührt zu lassen, so zeigt sich hier auf dieselbe Weise, daß jedes Vorstellen in sich selbst etwas Gutes ist und daß mit jeder Erweiterung des Vorstellungslebens - von allem, was sich von Gutem oder Schlechtem daran knüpfen mag, abgesehen - das Gute in uns vermehrt wird“]. Brentano, Franz. Vom Ursprung Sittlicher Erkenntnis, p. 23.

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como Bom, uma vez que a objetividade do conhecimento acerca do amor justo, circunscrito à esfera psíquica poderia valorar uma infinidade de representações (de “coisas” e “não coisas”) como boas ou más.

Para solucionar este problema Brentano apresentou a última virtude da tautologia que envolvia a definição de Bem. Tratava-se da análise da definição do Bem à luz do fenômeno psíquico de preferir. Em outras palavras, Brentano tomou a tautologia envolvida na definição de Bem como modo de expressão da atividade psíquica de escolha justa. Assim, ele mesmo indagou pela atividade psíquica capaz de reconhecer aquilo que seria melhor. Vejamos suas palavras:

São muitas, e não apenas uma, as coisa que conhecemos como boa desta maneira. Assim, permanece em pé a pergunta: o que é melhor entre o bom e, principalmente, entre o bom exequível? Qual é o bem prático supremo que, como fim, dará a medida para nossas ações? Primeiramente, perguntemos: quando uma coisa é melhor que outra e nós a conhecemos como melhor? O que significa „o melhor‟, de modo geral?351

A resposta para essa questão, que indagou pelo que significa „melhor‟, já estava preparada no âmbito dos pressupostos norteadores da

Psicologia descritiva. Tratava-se, de fato, da descrição de um fenômeno

psíquico de terceira classe, ou seja, a descrição da relação intencional estruturada como relações psíquicas primárias e secundárias (diploseenergie). Não se tratava ali, no entanto, do amor justo ou do ódio justo, enquanto fenômenos que davam origem ao conceito de bem. Tratava-se, especificamente, da preferência justa, ou seja, daquele fenômeno psíquico de terceira classe a partir de onde se originava o conceito de melhor. Em outras palavras, a resposta brentaniana para a questão acerca do que significava „melhor‟ estabeleceu que „melhor‟ seria aquele fenômeno psíquico mais amado. Isso, no entanto, não implicava que existisse qualquer tipo de intensidade no ato de amor, tal como esse pressupunha no contexto da Psicologia do ponto de

vista empírico. Tratava-se, como esclareceu Brentano na citação a seguir, de

351 „Aber nicht eines, vieles ist, was wir so als gut erkennen. Und daher bleiben die Fragen: welches ist

unter dem Guten und insbesondere unter dem erreichbaren Guten das Bessere? und welches das höchste praktische Gut, damit es als Zweck maßgebend werde für unser Handeln? Fragen wir also zunächst: wann ist etwas besser als etwas anderes und wird als besser von uns erkannt? und was heißt das überhaupt: das "Bessere"?“. Brentano, Franz. Vom Ursprung Sittlicher Erkenntnis, p. 23.