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A classificação proposta no documento do CSTB tem por base sete características que se dividem em dois grupos. O primeiro grupo inclui duas características que estão relacionadas com a gestão técnica dos sistemas ao longo do tempo e que são representadas pelas letras r e

e, em minúsculas. As últimas cinco características formam o 2º grupo e dizem respeito à sua

aptidão de uso tendo em conta a regulamentação e legislação em vigor. São representadas pelas letras V, E, T, I, R, em maiúsculas. [33]

Forma-se assim a sigla reVETIR que, traduzindo do francês, representa o seguinte:

r – réparation  reparação (facilidade de reparar ou substituir); e – entretien  manutenção (frequência de manutenção); V – Vent  Vento (resistência aos efeitos do vento);

E – Etanchéité  Estanquidade (estanquidade à água, impermeabilização); T – Tenue aux chocs  Resistência aos choques (choque e punçoamento);

I – Incendie  Incêndio (reação ao fogo);

R – Résistance thermique  Resistência térmica.

Cada uma destas características é afetada por um índice que pode ser atribuído com base em características conhecidas e verificadas, ou tendo em conta os resultados obtidos em ensaios bem definidos.

Um sistema que não obtém o nível 1 numa das sete características não pode ser classificado. Esta classificação é independente da parede de suporte onde vai ser aplicado. É assim fundamental verificar que a parede é capaz de receber um sistema a nível de: estabilidade, estanqueidade ao ar, planimetria, aderência (caso de colagem), resistência ao arrancamento das fixações. Os níveis das características de classificação são apenas válidos se o sistema for aplicado em conformidade com os documentos de homologação e fichas técnicas.

Um sistema pode apresentar-se sob diversas variantes, sendo cada uma destas suscetível de ser classificada separadamente.

2.7.2.1. Facilidade de reparação

A facilidade de reparação consiste na maior ou menor facilidade de reparar ou de fazer reparar pontualmente um sistema.

De um modo geral, consiste numa reparação idêntica (em termos funcionais e estéticos) que seria executada por uma empresa local, podendo intervir mais de 10 anos após a sua aplicação.

A incapacidade de manter o desempenho inicial pode justificar uma classificação inferior. No caso de reparação localizada de um sistema, pode tornar-se difícil realizar um novo revestimento totalmente idêntico ao anterior (exceto no caso de algumas placas em cerâmica, vidro, porcelana,...) devido à sujidade, envelhecimento das cores e pela dificuldade de encontrar ou fazer exatamente os mesmos tons.

Geralmente, estas diferenças são admissíveis em elementos descontínuos. No entanto, em revestimentos contínuos, a pintura deve ser feita sobre uma zona mais ampla que a área sujeita a reparação. [33]

Em França, de acordo com a classificação do CSTB, o sistema é classificado:

r1  se a reparação é difícil e requer produtos ou componentes específicos do sistema.

sistema em vários m2 à volta do ponto a reparar por uma empresa especializada na aplicação de um sistema deste tipo;

r2  se a reparação é fácil, mas exige produtos ou componentes específicos do sistema,

fornecido num lote mínimo ao executante no momento dos trabalhos, ou se a reparação for difícil (ver r1) mas pode ser feita com produtos disponíveis no mercado diversificado dos produtos de construção;

r3  se a reparação pode ser realizada facilmente com produtos disponíveis no mercado

diversificado dos produtos de construção, mas requer, em resultado de continuidade do sistema e do seu aspeto, aplicação de pintura sobre uma área mais ampla do que a de reparação;

r4  se a reparação pode ser realizada facilmente e localmente com produtos disponíveis no

mercado diversificado dos produtos de construção, sem outras intervenções.

2.7.2.2. Frequência de manutenção

Esta característica tem em conta os trabalhos de manutenção necessários para garantir a durabilidade do sistema (pintura, reparação do revestimento, etc.).

Não tem em conta os trabalhos de manutenção simples relacionados com a estética, como a limpeza normal com uma simples lavagem ou tratamento anti-fúngico.

Os diferentes níveis de classificação incidem sobre a frequência de manutenção do revestimento exterior (revestimentos, elementos planos industrializados, placas de pedra, etc.), a manutenção é realizada sem desmontagem ou remoção completa do sistema. [33] Em França, de acordo com a classificação do CSTB, o sistema é classificado:

e1  se necessita de manutenção num intervalo de tempo reduzido (3 a 10 anos,

aproximadamente);

e2  se necessita de manutenção num período de tempo normal (8 a 20 anos);

e3  se o sistema é suscetível de não necessitar de manutenção, mas a sua aparência não

consegue manter-se (mesmo depois de lavagem) ou se precisa de intervenções em intervalos de tempo alargados (15 anos ou mais);

e4  se a aparência é preservada sem manutenção, além de lavagem periódica.

Os prazos apresentados correspondem à duração antes da primeira manutenção em ambiente urbano normal (segundo a norma P34-301 ou P34-310).

Na realidade, é muitas vezes difícil (por falta de experiência, estado do revestimento no momento da reparação, a natureza da reabilitação), indicar um intervalo de tempo adequado para a realização da próxima manutenção.

Deve notar-se que o período de manutenção é função não apenas das características do sistema, mas também da sua exposição a intempéries e ao meio ambiente da envolvente, podendo o tempo especificado variar dependendo da agressividade da exposição a que está sujeito.

De um modo geral não há ensaios previstos, a frequência de manutenção é avaliada caso a caso, seja por experiência, seja por ensaios específicos ao sistema ou ao revestimento protetor do revestimento exterior.

2.7.2.3. Resistência ao vento

Se os níveis mínimos de resistência útil ao vento normal (segundo a DTU “Règles NV 65”) (em Pa) forem satisfeitos tanto na pressão como depressão, um sistema é classificado segundo o CSTB, em França, como se apresenta na tabela 2.1:

Tabela 2.1 - Classificação da resistência ao vento relativamente aos níveis de pressão e depressão [33]

Geralmente, a resistência não pode ser conhecida por cálculo, obtém-se a partir de ensaios, tendo em conta a representatividade do modelo, a dispersão do desempenho dos produtos implementados e da sua evolução previsível (envelhecimento, fadiga, …). [33]

Em Portugal, o RCCTE [13] classifica o grau de exposição ao vento das fachadas dos edifícios e das frações autónomas de acordo com o quadro IV.2, apresentado na figura 2.33:

Figura 2.33 - Classes de exposição ao vento das fachadas do edifício ou da fração autónoma [13]

2.7.2.4. Estanquidade

Em função da estanquidade relativa que proporciona ao suporte, exposto diretamente à penetração de água da chuva, de acordo com a classificação do CSTB [33], em França, o sistema é classificado:

E1  se não impede completamente que a água da chuva atinja a parede de suporte

(mantendo-se as quantidades de água que atravessam o sistema a um nível reduzido) devido à ausência de corte da capilaridade entre o revestimento do sistema e o isolante e:

 da baixa impermeabilidade à água do seu revestimento final (fissuração ou forte permeabilidade);

 da forte capilaridade ou da pouca impermeabilidade do isolante.

E2  se é capaz de se opor ao caminho da água da chuva até à parede do suporte, devido à

impermeabilidade do revestimento final e do isolante, ou da presença de um corte de capilaridade entre o sistema e o isolante;

E3  se tem, por detrás do revestimento final, dispositivos de recuperação e evacuação de

eventuais infiltrações de água e desde que a infiltração de água não provoque alterações no sistema. O isolamento deve ser, além disso, não hidrófilo segundo a DTU 20.1;

E4  se tem um revestimento final que assegure por si só estanquidade à agua do sistema

devido à estanquidade intrínseca do material e dos dispositivos colocados nas juntas. O isolamento deve ser, além disso, não hidrófilo sob a DTU 20.1;

Em geral, os ensaios não são necessários para decidir a classificação, sendo esta dada pelos conhecimentos adquiridos sobre os principais sistemas. A realização de ensaios pode no entanto tornar-se indispensável para sistemas novos ou pouco conhecidos. [33]

2.7.2.5. Resistência aos choques

Os níveis de resistência aos choques são definidos abaixo e anotados resumidamente, a partir de dois dados principais [33]:

 O 1º corresponde à massa do corpo de choque ou ao diâmetro do Perfotest (ensaio de perfuração);

 O 2º à energia do choque.

Os ensaios de punçoamento do tipo Perfotest aplicam-se apenas aos sistemas com revestimento fino sobre o isolante.

Em França, de acordo com a classificação do CSTB, o sistema é classificado:

T1-  se o sistema resiste ao choque de um corpo duro 0,5 kg/0,35 J e ao choque de um

corpo mole 3 kg/3 J;

T1+  se resiste ao choque de um corpo duro 0,5 kg/1 J e ao choque de um corpo mole 3 kg /

body 3 J;

T2  se resiste ao choque de um corpo duro 0,5 kg/3 J e ao choque de um corpo mole 3

kg/10 J inalterado e ao Perfotest 20 mm/3.75 J, sem perfuração;

T3  se resiste respetivamente:

- ao choque de um corpo duro 0,5 kg/3 J; - ao choque de um corpo mole 3 kg/20 J; - ao choque de um corpo mole 50 kg/130 J; e ao Perfotest 12 mm/3.75 J, sem perfuração. T4  se resiste respetivamente:

- ao choque de um corpo duro 1 kg/10 J; - ao choque de um corpo mole 3 kg/60 J; - ao choque de um corpo mole 50 kg/400 J; e ao Perfotest 6 mm/3.75 J, sem perfuração.

Os ensaios de resistência aos choques são definidos na norma experimental P08-301. Trata-se de ensaios convencionais com esfera de aço de 0,5 e 1 kg, bola esférica de 3 kg e peso esférico-cônico 50 kg.

Os ensaios de punçoamento são definidos no documento “Directives UEAtc pour l’agrément des complexes d’isolation extérieure des façades avec enduit mince sur isolant en polystyrène expansé”. [34]

Nota: Os níveis acima correspondem à classificação seguinte da norma P08-302:  T1+ = Q1 facilmente substituível;

 T2 = Q1 dificilmente substituível;

 T3 = Q4 facilmente substituível;

 T4 = Q4 dificilmente substituível.

2.7.2.6. Comportamento em caso de incêndio

O critério apresentado diz respeito à classificação da reação ao fogo do sistema completo (não apenas do revestimento exterior, a não ser que este esteja em contato direto com o isolante térmico) como definido pelo decreto de 30 de junho de 1983. [33]

Em França, de acordo com a classificação do CSTB, o sistema é classificado:

I1  se é M.4;

I2  se é M.3;

I3  se é M.2 ou M.1;

I4  se é M.0.

Segundo a ETAG [28], a reação ao fogo dos ETICS deverá estar de acordo com as leis, regulamentos e administrativas aplicáveis aos ETICS e destinadas a ser utilizadas na sua aplicação. Este desempenho deve ser expresso na forma de uma classificação especificados em conformidade com a decisão da CE e a classificação padrão CEN.

2.7.2.7. Resistência térmica

A resistência térmica considerada na classificação do sistema é a resistência máxima suscetível de ser obtida com o sistema de isolamento completo. De acordo com a classificação do CSTB [33] o sistema é classificado:

R2  se 1 ≤ R < 2 m2.ºK/W;

R3  se 2 ≤ R < 3 m2.ºK/W;

R4  se R ≥ 3 m2.°K/W.