Para a recolha de informação foi adoptada como técnica central, o inquérito por questionário e numa técnica paralela, a observação directa. Como técnica central privilegiou-se o questionário pois o seu prestígio relaciona-se, com “o quadro de uma
sociedade e de uma ciência dominadas pelas lógicas formal e burocrático-racional, mais apropriadas à captação dos aspectos contabilizáveis dos fenómenos”51.
O procedimento técnico mais utilizado, em determinadas investigações académicas, segundo Pinto (1995,p.183) “continua a ser o do inquérito por
questionário e amostragem, em que os inquiridos são solicitados a prestar, verbalmente ou por escrito, informações sobre a sua posição, opiniões e atitudes”52. O questionário, segundo Gil (1995), pode definir-se como sendo a técnica de
51
O inquérito por questionário, in Silva e Pinto (orgs.) “Metodologia das Ciências Sociais”, Porto, 6.ª Edição, Afrontamento, p. 167 – 168.
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A televisão no quotidiano das crianças. Tese de Doutoramento em Ciências da Comunicação, apresentado à Universidade do Minho (Pinto, M., 1995, p. 182 – 227).
investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões, apresentadas por escrito aos entrevistados, com o objectivo de conhecer as suas opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas entre outros.
Para que este “instrumento seja capaz de produzir a informação adequada
deverá conter perguntas sobre cada um dos indicadores previamente definidos e formulá-las com o máximo de precisão. Esta precisão não é obtida imediatamente; é necessário testar o instrumento de observação” (Quivy, 1992, p. 183), submetido
previamente a um pré-teste aplicado aos profissionais de Saúde, a crianças dos 11 anos aos treze anos e respectivos acompanhantes com características idênticas às da população em estudo.
“(...) o pré-teste não visa captar qualquer dos aspectos que constituem os
objectivos do levantamento. Não pode trazer nenhum resultado referente a esses objectivos. Ele está centrado na avaliação dos instrumentos enquanto tais, visando garantir que meçam exactamente aquilo que pretendem medir.” (Gil, 1995, p. 95).
Assim, como instrumento de recolha de informação optou-se pela aplicação de um questionário “(…) técnica de colheita de dados em que o pesquisador formula
questões previamente elaboradas (…)” (Gil, 1995, p. 90),o qual possibilita a
formulação de perguntas fechadas e abertas (Azevedo, 1994).
Os questionários utilizados neste estudo dirigidos aos “profissionais” (Anexo VIII) e “acompanhantes” (Anexo IX), apresentam uma folha de rosto onde, a par com algumas explicações sucintas, se garante o anonimato das respostas.
Quando reflectimos sobre o caminho a percorrer, inclinámo-nos para a escolha de uma metodologia quantitativa. Logicamente, o inquérito por questionário, é o instrumento ideal, adaptando-se à pesquisa e possibilitando aos inquiridos flexibilidade na sua concretização, dado que permite o seu preenchimento, tanto aos “profissionais” como aos “acompanhantes”, apenas quando tenham oportunidade de o fazer dado o contexto de inter-acção decorrer no hospital.
Este instrumento pressupõe identificar a realidade social das unidades de Pediatria, através da imagem que os “profissionais” e “acompanhantes” possuíam, quer sobre o serviço onde se encontram a exercer funções, quer face aos direitos e necessidades da criança hospitalizada,
O instrumento de recolha de informação aplicado às crianças consistiu também num inquérito por questionário (Anexo X), o qual possibilita de igual modo, a resposta, logo que as suas condições de saúde o permitam. Este instrumento pretende auxiliar a compreensão do tipo de actividades concretas que as crianças desenvolvem no seu processo de internamento, isto é, na ocupação do seu tempo livre.
Perante a necessidade de explorar um terreno, em que os dados escasseavam53 no que se refere às necessidades e direitos da criança hospitalizada, às actividades quotidianas, à brincadeira, ao acesso (e uso) de certo tipo de equipamentos utilizados na actividade lúdica, às suas preferências de géneros e desejos, etc., optamos pelo recurso, numa primeira fase, ao inquérito por questionário auto-administrado junto dos “profissionais”, crianças e “acompanhantes” nas referidas unidades de pediatria de ambos os hospitais.
Assim, os questionários para os “profissionais” (Médicos, Enfermeiras e Educadoras) foram entregues às Sras. Enfermeiras-Chefe dos respectivos serviços de ambas as Instituições. Os questionários, para as crianças e “acompanhantes” foram entregues às Educadoras dos mesmos serviços, excepto na “Unidade de Pediatria Adolescentes” do “Hospital de São Marcos”, onde foram também entregues à Sra. Enfermeira-Chefe, por não haver aqui educadora fixa, como já foi mencionado.
Em simultâneo, foi distribuído um guia de orientação para o preenchimento dos questionários às crianças (Anexo XI).
O seu preenchimento demorou aproximadamente entre 25 a 45 minutos, foi voluntário e anónimo, respeitando o princípio da confidencialidade (fica assegurado a não revelação da identidade do actor) e o princípio da liberdade para decidir em participar (Polit, 1985); deve assegurar-se que os direitos dos inquiridos sejam protegidos.
Os instrumentos de recolha de dados são meios usados pelo investigador para efectuar a colheita necessária e válida que permite a realização do trabalho. Toda a acção de pesquisa se traduz na pergunta. Por isso, todas as regras metodológicas têm como objectivo exclusivo o de esclarecer o modo de obtenção das respostas. Assim, pensa (Ferreira, 1986, in Silva e Pinto, p. 156). A resposta ao questionário por parte das crianças e “acompanhantes” decorreu ora na sala de actividades, ora na enfermaria.
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Os inquéritos sobre os modos de vida das crianças no hospital, as suas opiniões e aspirações, não são muito falados. De facto, sabe-se pouco como vivem as crianças o seu quotidiano hospitalar, como brincam, como e onde ocupam o seu tempo livre e o que desejam fazer.
O material recolhido foi tratado utilizando-se, para este efeito, uma folha de cálculo no programa estatístico denominado SPSS (“Statistical Package for Social
Sciences”).
O questionário dirigido aos “profissionais” e “acompanhantes”, é constituído, predominantemente por questões fechadas, em número de cinco. É de referir que o questionário quer dos “profissionais” quer dos “acompanhantes”, contêm as mesmas perguntas.
Procedemos à análise de conteúdo, a uma questão de carácter “aberto”, a única do questionário, a questão J nos “profissionais” e a questão D nos “acompanhantes”, de modo a possibilitar que se captasse uma opinião que é de cunho pessoal. Tentamos recolher a análise da informação de maneira a que os resultados que obtivemos correspondessem às inquietações que estiveram na sua proveniência. Entendemos poder ser profícuo considerar os “acompanhantes”, no contexto em apreço, o que dá outra visão complementar do internamento das crianças. Daí que efectuemos um tratamento em tudo semelhante ao que foi realizado para os “profissionais”.
Por outro lado, o questionário dirigido às crianças, é constituído, essencialmente, por questões de carácter fechado em número de doze e em número de três por questões de carácter aberto, que são, as questões número quatro, número sete e número oito do referido questionário. Possibilita-se, por conseguinte, efectuar uma análise de conteúdo relativamente às actividades desejadas, preferidas e preteridas das crianças durante o internamento hospitalar.
O registo dos questionários foi efectuado em duas vertentes, por um lado centramo-nos na particularidade de cada questão colocada e, por outro, nos diversos cruzamentos que as informações recolhidas nos transmitem, de forma a perspectivar os pontos de interligação favoráveis aos nossos objectivos.
O conjunto dos resultados a que chegamos após o estudo estatístico dos inquéritos será continuamente apresentado de forma descritiva e sistemática, apelando à representação gráfica dos dados e das suas, naturais conclusões que eles, espontaneamente possibilitam avançar.
Para finalizar é de referir que não pretendemos com este estudo concluir generalizações ao conjunto das crianças e “acompanhantes” internadas em serviços de pediatria, assim como, globalmente, inferir condições que os serviços de pediatria apresentem face às necessidades e direitos da criança hospitalizada. Pretendemos,
apenas, focalizar a nossa atenção, especificamente, nestes dois hospitais, nos referidos serviços apresentados e comparar a sua realidade, canalizando, em simultâneo, a atenção, no processo de ocupação do tempo, especialmente do tempo livre, por parte das crianças. Foi também nosso intuito que as circunstâncias no momento do preenchimento do questionário às crianças não suscitassem situações passíveis de influenciar as respostas, promovendo que o questionário originasse interesse.
Neste quadro, perante a oportunidade de prestar informações e de emitir opiniões acerca da estrutura hospitalar e de sua organização simbólica, salienta-se que, de um modo geral, logramos obter uma participação activa, positiva e motivada, por parte das crianças internadas.
Segundo Pinto (1995, p. 208), a investigação em ciências sociais, fundada, embora na necessidade de uma “ruptura epistemológica”, em lugar de cavar um fosso entre o investigador e a realidade investigada inaugura, sucessivamente, novos campos de trocas simbólicas. Os actores sociais, grupos e indivíduos, não são objectos “reificados” mas, entidades dotadas de capacidade reflexiva, capazes de incorporar e assimilar as pastas e os significados de pesquisa.