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As concentrações relativas e as quantidades dos macrominerais fósforo, cálcio, magnésio, sódio e potássio na carcaça nos tratamentos encontram-se na Tabela 30 e 31. Não houve efeito de interação entre os tratamentos nos conteúdos dos macrominerais avaliados na carcaça.

Verifica-se que as concentrações relativas dos elementos avaliados, embora tenham tido uma oscilação no grupo dos animais submetidos à restrição alimentar, não se apresentaram como alteração significativa (P>0,05) com os distintos manejos nutricionais (Tabela 30). Alguns trabalhos como Field e Suttle (1967), Braithwait (1978), e Sayed (2009) têm demonstrado efeito da restrição de energia e proteína sobre a retenção de cálcio e fósforo, onde dietas com baixa quantidade de proteína e energia resultaram em menor retenção e/ou absorção de cálcio e de fósforo no animal. A diferença encontrada neste estudo pode ser atribuída à menor restrição imposta neste experimento aos animais, podendo ter sido insuficiente para alterar a absorção ou deposição desses minerais na carcaça das borregas utilizadas, uma vez que as restrições citadas foram em torno de 30 a 50%. Souza (2011) estudando a composição de cálcio na carcaça em ovelhas em diferentes manejos nutricionais, encontrou valores de 67,37 g/Kg MS nos animais restritos e 72,76g/Kg MS nos animais não restritos. Considerando-se que a carcaça contém em média 45% de MS, ao converter os conteúdos de cálcio deste trabalho em g/kg MS, são encontrados 65,52 para animais restritos e 79,29 g/kg MS para animais não restritos, condizendo com os valores encontrados no trabalho citado.

No entanto, ao avaliar os conteúdos absolutos dos macroelementos na carcaça, percebe- se que a restrição nutricional afetou o conteúdo de fósforo, magnésio, sódio e potássio onde os animais submetidos a esse tratamento exibiram os menores valores em relação aos animais com alimentação ad libitum, que foi de 510,20; 24,60; 85,28 e 129,20g, respectivamente. Essa resposta reflete uma depressão no peso vivo, assim como o menor peso da carcaça dos animais impostos a uma quantidade limitada de alimento, possivelmente devido a um decréscimo de massa muscular e uma diminuição do tecido adiposo que compõem essa variável.

Tabela 30.Concentração relativa (percentagem - %) e quantidade (gramas - g) de fósforo, cálcio, magnésio, sódio e potássio na carcaça de borregas da raça Santa Inês submetidas a dois manejos nutricionais Carcaça Macrominerais (%) CV1 (%) Manejo Nutricional Ad libitum Restrito Fósforo 3,51 3,87 17,65 Cálcio 14,56 17,62 48,60 Magnésio 0,18 0,19 19,32 Sódio 0,63 0,65 5,97 Potássio 0,99 0,98 6,38 Macrominerais (g) Fósforo 609,80a 510,20b 21,70 Cálcio 254,86a 233,27b 52,16 Magnésio 31,60a 24,60b 19,35 Sódio 110,12a 85,28b 11,39 Potássio 173,30a 129,20b 16,55

Médias seguidas de letras distintas, na horizontal, diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05); 1CV=coeficiente de variação.

Tabela 31.Concentração relativa (percentagem - %) e quantidade (gramas - g) de fósforo, cálcio, magnésio, sódio e potássio na carcaça de borregas da raça Santa Inês submetidas a diferentes idades gestacionais

Carcaça Macrominerais (%) CV1 (%) Idades Gestacionais2 0 100 130 140 Fósforo 3,54 3,83 3,62 3,78 17,65 Cálcio 11,89 15,13 16,48 20,84 48,60 Magnésio 0,17 0,20 0,18 0,19 19,32 Sódio 0,66 0,63 0,64 0,63 5,97 Potássio 1,01 0,95 1,00 0,97 6,38 Macrominerais (g) Fósforo 491,80 590,20 556,50 601,60 21,7 Cálcio 1798,40 2276,70 2400,50 3287,00 52,16 Magnésio 24,50 28,70 27,20 31,80 19,35 Sódio 94,50 95,80 98,50 102,00 11,39 Potássio 148,80 146,70 153,50 156,00 16,55

Médias seguidas de letras distintas, na horizontal, diferem entre si pelo teste SNK (P<0,05); 1CV=coeficiente de variação; 2em dias.

Bellof et al. (2006), ao analisar as concentrações de cálcio, fósforo, sódio, potássio e magnésio na carcaça de cordeiras alimentadas com alto, médio e baixo concentrado na dieta abatidas com aproximadamente 18, 30, 45 e 55kg de peso vivo, relataram que as concentrações de todos os macrominerais estudados sofreram influência do peso vivo do animal, o que é perceptível com os resultados do trabalho aqui apresentado.

O período gestacional não afetou as concentrações relativas e absolutas dos macroelementos na carcaça (Tabela 31). Para cálcio, fósforo e magnésio, pelo fato destes atuarem associados, principalmente na formação e desenvolvimento dos ossos e por estarem presentes em maiores quantidades nessa variável, é provável que a dieta fornecida, uma vez esta foi formulada para atender as necessidades de cálcio e fósforo dos animais, tenha sido suficiente para atender a demanda destes minerais nas borregas. Já os elementos sódio e potássio, que também atuam suas funções conjuntamente, possivelmente não mostraram diferença por estarem presentes em maiores quantidades nos tecidos moles.

Robinson et al. (1978) ao avaliar o conteúdo de cinzas em ovelhas gestantes não encontraram mudanças significativas na quantidade de cinzas do corpo vazio materno dos animais em função do peso da carcaça, período de gestação ou nível alimentar. De acordos com estes autores, tal achado indica que a desmineralização do esqueleto materno não necessariamente resulta de um substancial aumento na mineralização total do feto, e que um suprimento mineral adequado não é suficiente para evitar a desmineralização, uma vez que outros fatores como a deficiência de proteína, principalmente no final da gestação, pode levar a este fato.

É interessante destacar que alguns macroelementos avaliados na variável, mesmo suas concentrações não apresentando diferenças significativas, foi perceptível os efeitos de sinergismo e antagonismo entre eles, uns com mais intensidade e outros com menos. Nota-se que o conteúdo de magnésio diminuiu à medida que o conteúdo de potássio aumentou, onde estes apresentaram uma correlação negativa de 57,56% (r = -0,5756). Segundo Underwood e Suttle (1999), entre todos os fatores associados à deficiência de magnésio em ruminantes, o potássio da dieta é o fator que mais contribui na redução da absorção do primeiro, sendo que altas concentrações de potássio na dieta, resultam em maior excreção urinária e fecal de magnésio, no entanto, a razão deste comportamento ainda não é muito bem elucidado.

O magnésio ainda atua sinergicamente com o fósforo, onde apresentam um coeficiente de correlação positivo de 52,25% (r = 0,5225). A inter-relação fósforo e magnésio pode estar atribuída a uma consequência da necessidade de magnésio para as reações de transferência de

energia na célula. De acordo com Fageria (2001), interações positivas entre esses minerais são esperadas já que o magnésio é o ativador de enzimas quinases e ativa a maioria das reações, envolvendo transferência de fosfato.

Houve forte correlação negativa entre os macroelementos fósforo e potássio, onde estes apresentaram um coeficiente de correlação de 72,97% (r = -0,7297). Essa resposta pode estar associada à menor absorção de potássio em altas concentrações de fósforo, no entanto, a escassez de informações e pesquisas sobre minerais e a inter-relações entre eles, dificultam a discussão.

As equações geradas para predição dos macrominerais na carcaça apresentaram um coeficiente de determinação baixo e por este motivo foram então desconsideradas deste trabalho.

4.7. Composição corporal de microminerais na carcaça de borregas Santa Inês durante