3. Rettssosiologisk teori
3.1 Rettsbevissthet
Outras das experiências positivas que se podem verificar no funcionamento
humano são as peak performances. Estas são definidas “operacionalmente como o
comportamento que está para além do nível a que a pessoa funciona normalmente, ou de
um comportamento modal. Assim, a peak performance é mais eficiente, mais criativa,
mais produtiva, ou de alguma forma melhor que o comportamento vulgar” (Privette &
Landsman, 1983, p. 195).
Privette (1983), Privette e Landsman (1983), Thornton, Privette e Bundrick
(1999), encontram pessoas que têm este funcionamento óptimo, que possuem este tipo
de desempenhos excepcionais. Para os autores, as peak performances estão também
relacionadas com o movimento de auto actualização. Debruçando-se sobre o conceito,
concluem que uma experiência é menos global do que a personalidade, mas que engloba
mais do que o comportamento. Este facto torna-as pertinentes para a compreensão do
desenvolvimento individual assim como para o progresso dos grupos e organizações.
Para Privette (2001) a peak performance será o momento exacto em que mente,
músculos e movimento se conjugam. Está relacionada com as aptidões utilizadas num
evento atlético, na expressão artística, na força física perante situações de crise, na
aptidão intelectual, nas relações interpessoais poderosas, na coragem moral ou de
excelência e no exercício de qualquer actividade. Para a autora distingue-se das peak
experiences, na medida em que estas últimas serão o preciso momento em que a
resultado. O desempenho num desporto seria exemplo da peak performance e a
música e o sexo da peak experience.
Privette (2001) elabora o Modelo da Experienciação partindo da definição
operacional de um evento. Segundo a autora, um evento pode ser qualquer actividade
como praticar um desporto, fazer um jantar ou dirigir uma orquestra. Terá um nível de
desempenho que vai do mais elevado, até ao falhanço total. Um nível de sentimento
que medeia entre o êxtase total com a mais elevada felicidade, até à máxima depressão
e percepção de miséria.
Na sua perspectiva podem identificar-se dois eixos, um que está ligado aos
sentimentos e outro ao desempenho, resultando desta matriz quatro possibilidades.
Sentimentos negativos/ desempenho negativo, sentimentos positivos/ desempenho
negativo, sentimentos negativos/ desempenho positivo, sentimentos positivos/
desempenho positivo.
O quadrante dos Sentimentos Negativos/ Desempenho Negativo, está ligado à
derrota e à infelicidade. No extremo pode levar a situações de psicopatologia e
criminalidade. Tem graves consequências pessoais e para o funcionamento social. As
dimensões relacionadas a Sentimentos Positivos/ Desempenho Negativo, têm a ver
com sentimentos elevados face a pobres desempenhos. Tal é o que pode acontecer
com os adeptos de uma equipa quando assistem a uma jogada de belo efeito mas que
não atinge os melhores resultados (Privette, 2001).
No quadrante dos Sentimentos Negativos/ Desempenho Positivo, situam-se os
desempenhos positivos associados a sentimentos negativos. Numa realização artística
de uma bela sinfonia surge de um estado de miséria e de dor interna. Sentimentos
produtivo e feliz, captando em simultâneo, momentos de peak experience e de peak
performance. Esta é a relação que se situa perto da descrição de flow de
Csikszentmihalyi (2002), a experiência de pleno prazer e de realização no desempenho
de uma actividade.
Arons e Richards (2001) detectam semelhanças entre as descrições que
Maslow fez do processo de auto actualização, quer de figuras proeminentes quer de
pessoas comuns chamando-lhes “auto-actualizadores”, e a descrição de funcionamento
óptimo de Csikszentmihalyi (2000). Para Maslow (1971), uns e outros, estavam
profundamente envolvidos na realização das tarefas que executavam, considerando
essas experiências por si só, envolventes e auto-realizadoras.
Thornton, Privette e Bundrick, realizaram um estudo em 1999 cujo objectivo era
o de verificar a existência das peak performances em gestores e em universitários. Para
os autores este tipo de experiência tem a seguinte díade – um foco completo no objecto
e um claro sentido do self, distinguindo-se das peak experiences na medida em que estas
últimas se posicionam essencialmente na plenitude de significação e preenchimento do
self. Chegaram também à conclusão, de que os gestores valorizam mais os aspectos
ligados à sociabilidade e à disciplina pessoal, negando o sentido lúdico que estava mais
associado ao grupo dos universitários que valorizavam mais este tipo de fluidez.
Garfield (1996) sugeriu que o comportamento da auto actualização no âmbito da
gestão se caracterizava de forma semelhante ao que Maslow (1971/2000) definiu. Para
estes autores as pessoas em processo de auto-actualização possuem uma maior eficácia.
Conseguem efectuar operações de forma mais clara, compacta, simples, rápida e barata.
peças, menos operações, menor confusão, menor esforço, maior robustez, mais
segurança, mais elegância e de forma menos trabalhosa.
Para Garfield (1992, McClelland, 1961), a peak experience nos executivos, é
motivada por uma drive interna, que os impelia no sentido de utilizarem as suas
capacidades ao máximo com o intuito de atingirem objectivos. Assim para Garfield
(1992) as pessoas que tinham mais peak experiences eram excepcionais, diferentes das
que não tinham, declarando que os gestores que têm desempenhos elevados são pessoas
que colocam a si próprias elevados padrões de exigência e que são movidas por uma
força interna direccionada para atingir resultados significativos para si próprios.
Thornton, Privette e Bundrick (1999) analisaram os processos psicológicos
relativos às peak performances na gestão e a sua afinidade com a personalidade de auto
actualização, a partir de relatos de gestores de topo. Verificaram que estes constructos
se interpenetram o que apresenta relevância para entender os atributos de personalidade
deste tipo de gestores. Constataram também que este tipo de desempenho excepcional
foi despoletado por diversas actividades desafiantes para os participantes deste estudo,
independentemente da sua associação a algumas variáveis sócio-demográficas, o que
indicia o valor do constructo para o estudo da personalidade.
Estes autores perceberam que a díade foco completo no objecto e um claro
sentido do self, e aspectos das peak experiences (alegria, sensação de realização e
significação) foram encontrados consistentemente na amostra do estudo. Estes dados
reforçam a ideia de que tanto as peak experiences, como as peak performances radicam
em processos psicológicos consistentes e estáveis entre amostras e actividades
Os mesmos autores consideram que esta definição experimental é mais
facilmente medível e provavelmente mais relevante para a área dos negócios devido à
maior possibilidade de criar condições no contexto que proporcionem estas
experienciações do que a mutação dos atributos que gravitam à volta da personalidade.
Este facto é da maior relevância para o nosso estudo, em virtude de, com a possibilidade
de alterar os contextos no sentido de os tornar mais desafiantes ao nível macro (do
clima), mezo (da equipa e da natureza do trabalho executado em equipa), e ao nível
micro da realização da tarefa em si, se pode promover a eficácia individual e grupal,
desenvolvendo aspectos de realização das pessoas em simultâneo.
Segundo Privette (1983) a peak performance é um constructo identificável e
mensurável que se refere, como já foi mencionado a um nível de funcionamento
superior independentemente do tipo de actividade realizada. Faz notar a autora, que o
desempenho do indivíduo quando comparado ao de outros não tem de o exceder
necessariamente, ultrapassa sim, o que poderia ser previsto para determinada pessoa em
determinada situação.
No sentido prático, estas conclusões são importantes tanto para peakers (pessoas
com maior frequências de experiências culminantes) como para não peakers, na medida
em que podem ser utilizados métodos estáveis e adaptados a cada indivíduo no sentido
da percepção de como podem ser alcançadas mais peak experiences, ou mantendo a sua
ocorrência. Esta pesquisa reforça a relevância da tomada de consciência e do poder que
pode ser oferecido a todos no mundo do trabalho, não só com implicações para o bem-
estar dos trabalhadores, mas também para a produtividade. Assim, a possibilidade de
conjugação entre o desempenho óptimo e o contentamento no trabalho é
que a produtividade está entroncada com a experiência humana, que inclui sentimentos
tais como alegria, realização e significado (Privette, 1983). A peak performance e,
provavelmente, qualquer desempenho eficiente, ocorre quando a pessoa possui
focalização total na tarefa e um sentimento de poder pessoal, quando existe significado
ou fascínio com a sua execução.
Estas são descobertas que, ao acrescentarem conhecimento à gestão das pessoas,
encerram um acréscimo de responsabilidade a todos quantos trabalham com ela e
organizam o seu trabalho nas diversas áreas de actividade.
Na opinião de Harmison (2006) é nas áreas do desporto, do negócio e nas artes
que os psicólogos, pelas competências que possuem, poderão ajudar a atingir o
desempenho de pico com maior consistência. Harmison (2006) fez investigação sobre
peak experience no desporto, reforçando a ideia de Privette (2001), que afirma que
muita da pesquisa acerca do deste tipo de experienciação tem sido dedicada aos
desportos mas que deve ser mais abrangente. É-nos possível observar que, para além do
desporto, a investigação sobre a peak performance tem sido aplicada a outras
actividades como por exemplo: em casais (Graham, 2008), em situações de combate
(Harari, 2008) e em áreas relacionadas com a gestão (Covey, 1989; Garfield, 1992).
Thornton, Privette e Bundrick (1999), propõem que se continuem a desenvolver
os estudos que relacionam a produtividade nos negócios e o aumento da frequência das
peak experiences e das peak performances suportando a ideia de que se pode integrar a peak experience com a peak performance, ao constatar que estes dois tipos de
experiências se inter-relacionam e que essa complementaridade contribui para a
Igualmente Csikszentmihalyi (1997b, 2002) desenvolve estudos com
experiências positivas chegando ao conceito de fluxo que passaremos a abordar de
seguida. Este tipo de experienciação revela grande importância para o desenvolvimento
do indivíduo e para a eficácia organizacional, na medida que integra em si as
características das experiências positivas abordadas até agora.