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RETTIGHETSBESTEMMELSER I FINLANDS GRUNNLOV

Refletindo sobre o projeto de investigação permanecem algumas limitações no estudo, que merecem a devida atenção e que podem contribuir para uma maior aptidão na realização de investigações posteriores.

O tempo destinado ao desenvolvimento prático dos projetos é demasiado curto, cerca de três meses na Educação Pré-Escolar e quatro meses no 1.º Ciclo do Ensino Básico. O pouco tempo disponível impõe limitações que, ainda assim, não põem em causa a validade da investigação. Penso que esta questão do tempo impediu uma maior colaboração com os outros elementos da equipa educativa, especificamente os professores das disciplinas coadjuvadas, bem como a dos pais, no caso do 1.º Ciclo do Ensino Básico. O trabalho individualista é muito presente nas escolas portuguesas e este contexto não foge à regra. Os professores acomodam-se a esta, não procurando um ensino integrado e articulado, havendo assim um ensino compartimentado. Acredito que se a investigação fosse realizada durante um maior tempo, os professores iriam ficar interessados e motivados em participar nesta. Provavelmente, numa investigação mais aprofundada os professores estariam recetíveis em colaborar em conjunto e, quem sabe, verificarem a sua pertinência e continuarem a trabalhar em colaboração. No caso dos pais, estes não estão habituados a este método de desenvolvimento do currículo, pelo que estranham e questionando- se, por vezes, se os alunos estão a aprender os conteúdos dos diversos programas. Com mais tempo, e aos poucos, os pais iriam compreender este método de trabalho, verificando que o conhecimento é trabalhado de forma integrada, sendo motivados ao compreender que os filhos beneficiam de uma aprendizagem construtivista.

Apesar de ter existido uma colaboração por parte da educadora e professora cooperante, por vezes foi difícil gerir a organização do currículo e da prática pedagógica de acordo com as suas ideias e planos. Por vezes existia uma limitação nas atividades a serem realizadas, o que provocou a não concretização de algumas e a alteração de outras. Se existisse uma maior abertura da parte da educadora e da professora, e até dos contextos em si, algumas atividades poderiam ser modificadas e trabalhadas de uma outra forma proporcionando uma aprendizagem ainda mais integradora e globalizadora, explorando de forma diferentes os conteúdos trabalhados. Na atividade de medição das alturas recorrendo a diferentes tipos de colheres, deveria ter sido dado liberdade às crianças para fazerem a medição sozinhos, pois muitos iam utilizar as colheres na horizontal,

outros na vertical, e esta seria uma ótima oportunidade para as crianças desenvolver estratégias cognitivas e metacognitivas. Nas atividades de expressão e análise das conceções prévias dos alunos, no caso do 1.º Ciclo do Ensino Básico, podiam ter sido mais dinâmicas, recorrendo a diferentes estratégias. Isto porque observou-se maioritariamente o registo de informações que estavam no quadro, tornando pouco evidente o papel ativo dos alunos. Assim, grelhas de registo individual ou em grupo, com perguntas metacognitivas, questionários, debates que promovessem a interação, a argumentação e a justificação, são alguns dos exemplos de estratégias alternativas que poderiam ter tornado mais ativa esta atividade. Contudo, a gestão inflexível do currículo e a obrigatoriedade de trabalhar aqueles conteúdos naquele momento, impediu alguma inovação na prática. É essencial que os professores cooperantes tenham uma formação contínua, por forma a estabelecer alguns parâmetros fundamentais para garantir equidade e qualidade nos processos da PES. Do mesmo modo, esta investigação tornou-se limitada na medida em que são raras as investigações que incidem diretamente sobre a cultura e o desenvolvimento curricular. As que existem, a maioria já foi redigida há bastante tempo.

No entanto, acredito que poderia ser realizada uma investigação mais aprofundada. Teria sido relevante analisar o progresso do currículo da Educação Básica ao longo dos anos, bem como as metas de aprendizagem e as brochuras das diferentes áreas curriculares em busca da presença da cultura. Era proveitoso realizar entrevistas a todos os envolvidos no desenvolvimento dos projetos (educadores/professores, crianças, alunos e pais) como síntese do trabalho de pesquisa, da reflexão do trabalho, proporcionando uma avaliação formativa. Todavia, este tema de investigação tinha mais por onde investigar e comprovar. Ficam os desafios para novas etapas. Podia falar da questão dos manuais escolares, que ditam a ordem de trabalho curricular, das atividades pré-elaboradas, dos autores que não dão ênfase à cultura, etc.

Seria interessante realizar um projeto similar, estudando o impacto da presença da cultura no desenvolvimento curricular recorrendo ao PCI, através da realização de uma investigação quantitativa, que nos mostrasse em números os resultados aqui obtidos. É pertinente realizar também uma investigação que permita aferir a posição dos profissionais de educação nas suas práticas, antes e depois de recorrerem ao PCI tendo como tema transversal a cultura local como meio para o desenvolvimento do currículo. É também interessante realizar um estudo comparativo entre profissionais que recorrem a esta prática e profissionais que não as utilizam. Os resultados são diferentes? Em que metodologia as crianças e alunos se mostram mais interessados e motivados? Onde se realizam maiores aprendizagens em que as crianças e alunos consolidam e

mobilizam os conhecimentos de um modo mais simples e verdadeiro? A pertinência da temática justifica um estudo mais alargado.

Exige-se assim uma reflexão profunda sobre a necessidade de uma educação e aprendizagem de maior qualidade, equidade e rigor, reconhecendo que todas e cada uma das crianças podem ser construtoras do seu próprio conhecimento e identidade cultural. Talvez numa próxima investigação possa estudar ainda mais aprofundadamente este tema. Também ele, do ponto de vista da investigação educativa, é uma fonte inesgotável do labor de quem queira se predispor a propor formas de melhorar os processos de ensino e aprendizagem, em última análise, o objetivo central da investigação em educação.

5.4. Processos formativos: construção do conhecimento