4.1 Innledning
4.1.5 Retten til respekt for familieliv EMK artikkel 8
Em toda esta secção quatro temos vindo a apresentar o diagnóstico de necessidades efetuado. Como referimos, baseamos o mesmo em quatro perguntas pertinentes: 1) “o idadismo está presente na instituição?”; 2) “qual a visão que os seniores e os jovens têm sobre si próprios?”; 3) “como se caracteriza o contacto entre seniores e jovens na instituição?”; 4) “qual é a atitude face a relações e atividades intergeracionais?”. Para tal propusemos quatro instrumentos (entrevistas, inquéritos, ST- IAT e Escala de Observação Intergeracional) como métodos de recolha de dados com o intuito de que as perguntas de partida elaboradas fossem respondidas de forma mais próxima possível da realidade.
Para a pergunta “Existe idadismo na instituição?”, podemos perceber, de uma forma geral que, os dados do diagnóstico apontam a existência de idadismo entre as gerações. Os dados qualitativos das entrevistas revelam que os técnicos que acompanham e trabalham com duas gerações se apercebem da existência de conflitos e de comportamentos menos positivos. Através da observação percebemos que o primeiro contacto intergeracional entre estes grupos etários não incidiu sobre a interação. Quando perguntámos a opinião aos seniores e aos jovens através do questionário, surgiram resultados que indicam a existência de idadismo. Atribuir mais afetuosidade do que competência aos seniores é sinal, segundo Fiske e colaboradores (2002) de um idadismo, que de certa forma, é mais indireto, do que perguntarmos diretamente ao indivíduo se gosta do exogrupo. Neste sentido, os dois grupos geracionais afirmam que os seniores são mais afetuosos do que competentes. Outro resultado interessante é que os jovens, apesar de sentirem admiração pelos seniores, sentem também pena e desprezo o que corresponde ao esperado para a população jovem (Fiske et al., 2002). Como esperado é também o facto dos seniores sentirem primordialmente inveja dos jovens, confirmando assim os resultados de estudos, como do European Social Survey (2008) que já referimos, confirmando o baixo estatuto social do sénior. A comprovar ainda estes resultados é o facto dos participantes séniores tenderem a uma preferência pela exogrupo, confirmando a
preferência endogrupal dos jovens. Os seniores demonstram esta preferência quando afirmam que o grupo dos jovens é mais importante para a sociedade portuguesa do que o grupo dos seniores, e quando dizem gostar mais do exogrupo do que do seu próprio grupo.
Apesar disto, podemos perceber uma abertura à mudança os dois grupos etários quando afirmam que veem os seniores e os jovens “apenas como pessoas e não como grupos”. O foco na
individualidade pode ser um indicador positivo de uma visão mais heterogénea e menos idadista. Os resultados para a atribuição de traços também nos parece tendencialmente positiva porque ambos os grupos associaram primeiramente traços positivos do que negativos ao exogrupo, não podemos negligenciar que, ambos os grupos, atribuíram alguns dos estereótipos ao endogrupo e ao exogrupo como se esperava, como é o caso dos participantes seniores associaram mais a
precipitação ao exogrupo e a maturidade ao seu próprio grupo, sendo confirmado pelos participantes jovens.
As respostas automáticas reveladas pelo ST-IAT fazem crer que os jovens, apesar de um favoritismo endogrupal exteriorizado pelas respostas ao questionário, associaram mais rapidamente palavras positivas do que negativas ao exogrupo. No entanto, não sabemos o que aconteceria se estes mesmos jovens tivessem que avaliar também o seu próprio grupo, o que não nos foi possível verificar através deste estudo. Apesar disto, as respostas foram diferentes das dos participantes seniores que parecem tender para uma atitude mais neutra.
Quanto à visão que os participantes seniores e os participantes jovens têm sobre si próprios, percebemos pelos atores chave que existem realidades díspares na freguesia na
população sénior, como também na população juvenil, apesar de mais ténue. No entanto, os dados do inquérito realizado referem que, no geral, os participantes têm uma visão positiva sobre si
próprios, não necessariamente igual à visão que possuem sobre o seu próprio grupo. Esta conclusão parece-nos positiva visto a importância de se ter uma visão e um autoconceito saudável e positivo no estádio de desenvolvimento em que cada um se encontra (Erikson, 1968). Apesar destes seniores tenderem para um favoritismo exogrupal, esperando-se assim que se autoestereotipizassem de forma mais negativa ou ao endogrupo (Kornadt & Rothermund, 2011), este facto parece não ter ocorrido.
Na caracterização do contacto intergeracional, foi revelado que ainda existem conflitos entre as gerações dentro da instituição, embora mais amenizados através de uma estratégia horária que fez com que os jovens não ficasse tanto tempo nas mesmas instalações onde os seniores permanecem com maior frequência. De facto, os seniores afirmam pouca frequência de contacto com jovens que não sejam da sua família, enquanto os jovens se dividem igualmente entre muita e pouca frequência com seniores fora da família. O primeiro contacto registado pela observação, revelou pouca abertura à interação (de qualquer tipo), podendo evidenciar algum desconforto. Estes resultados
correspondem, no geral, ao esperado visto que nas instalações o contacto é evitado e fora desta, não parece ser muito superior.
Finalmente, quanto à atitude relativamente às relações e às atividades intergeracionais, as entrevistadas, de forma geral, defendem que atividades intergeracionais poderão auxiliar na desconstrução das crenças idadistas que as gerações possuem uma sobre a outra, apesar de considerarem que poderá ser uma tarefa difícil. A opinião dos seniores e dos jovens é também positiva considerando que acham bem os dois grupos etários serem bons companheiros e que até se podem divertir juntos
Concluindo, percebemos através deste diagnóstico a prevalência de sinais de idadismo entre as duas gerações, que prejudica o contacto que podem estabelecer na instituição. Apesar disso, os resultados apontam para uma atitude positiva quanto à perspetiva de realização de atividades intergeracionais. Por estas razões é apresentado seguidamente um projeto piloto que tem como intuito testar as variáveis do modelo teórico para trabalhar principalmente o idadismo entre as gerações.