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5.0 RESULTS AND ANALYSIS

5.1.1 Results from U.S. mutual funds

A permanência dos moradores na nova cidade foi antecedida por alguns fatos, como: a entrega das chaves, a mudança e a inauguração. Em 26 de julho de 2001, aconteceu a entrega oficial da chave da cidade pelo governador do Ceará, Tasso Ribeiro Jereissati, ao prefeito municipal, Cristiano Peixoto Maia. O evento foi permeado por um discurso político religioso, com a participação de membros da Igreja Católica (padres, bispos, freiras) e políticos (o governador, o prefeito local e de municípios vizinhos, deputados, vereadores, secretários de governo, etc.).

O evento foi antecedido por uma romaria vinda do antigo município, que tinha como objetivo fazer a mudança dos santos padroeiros da cidade (sede) Santa Rosa de Lima e São Gonçalo – e do distrito de Poço Comprido – São Vicente Férrer.

66 Ibid.

A igreja foi um dos primeiros equipamentos a mudar-se; tanto que, em alguns relatos, registrei pessoas afirmando que só acreditaram que a cidade ia mudar com a

transferência dos santos: “Senti que a mudança ia acontecer quando houve a saída dos

santos.”(ENTREVISTADA 8).

Na transposição dos santos de uma cidade para a outra, o percurso foi permeado de simbolismo: em procissão, as pessoas levaram as imagens retiradas do templo a ser destruído para a nova igreja matriz. Após a chegada dos mesmos, ocorreu a solenidade de entrega das chaves da cidade, que se iniciou com as palavras do bispo de Limoeiro do Norte, padres e depois dos políticos presentes.

Em 31 de julho de 2001, iniciou-se a transferência da população de Jaguaribara para Nova Jaguaribara. Nesse momento, teve início a habitação do lugar, as pessoas ocupando suas casas, se apropriando dos espaços, estranhando a maioria deles.

O deslocamento dos moradores se deu em um clima paradoxal, no sentido de que alguns estavam satisfeitos em habitar a terra nova, e outros resistiram até o fim, adiando o máximo possível a transferência. Um fato, digno de menção nesse momento, ocorreu quando do anúncio da mudança (início do ano 2001): parece que as pessoas perderam a esperança de permanecer na cidade antiga e se mostravam mais acomodadas; percebi a influência da Igreja católica no sentido de apaziguar os ânimos, apelando à religiosidade popular, declarando

Nova Jaguaribara como “a terra prometida” , como na fala de uma religiosa local: Enquanto tentam se ajustar à nova vida, os moradores vão se dividindo entre a saudade da terra natal e a

realidade na “terra prometida.” (O POVO, OPINIÃO, 25/09/02).

A idéia da “terra prometida”, na época da mudança estava atrelada a um discurso

político que ligava política e religião. Sobre o assunto, escrevi um artigo que foi publicado no jornal O Povo, fazendo menção aos referidos discursos no dia da entrega das chaves:

Poucos dias antes do início da ocupação da Nova Jaguaribara ocorreu a entrega das chaves da cidade pelo governador do Estado do Ceará ao prefeito municipal, em 26 de julho de 2001, antecedida por uma romaria vinda de Jaguaribara, cujo cortejo litúrgico foi acompanhado por carro de bombeiros, trazendo as imagens dos santos padroeiros: São Vicente Férrer e Santa Rosa de Lima. Algumas pessoas traziam cartazes impressos com o seguinte slogan: “Com São Vicente Férrer, rumo a Terra Prometida”. Na nova cidade também foram afixadas faixas: “Nova Jaguaribara, a Terra Prometida”. Depois veio o ato litúrgico com cânticos e orações. Logo após, a palavra de Dom José, bispo de Limoeiro do Norte. A pregação da igreja, como é tradicional, apelava para a conformação popular, através da submissão a Deus, do

amor ao próximo, do desprendimento material, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, falava em conscientização política pela luta popular, em participação nas decisões políticas e em construção da cidadania. O discurso do governador ligou a política à religião quando pregou a idéia da construção da cidadania, da participação popular apelando para a religiosidade dos habitantes, agradecendo aos jaguaribarenses pelo grande gesto cristão, de deixar sua terra por amor aos outros cearenses, e que estes últimos receberão então a dádiva divina, que é o direito a água (JORNAL O POVO, 25/09/2001)

A relação da Igreja com o Estado é um tema que precisa de um aprofundamento; a análise que realizei no momento aponta a existência de um paradoxo entre os dois discursos: a aceitação alienada e a participação política; o conformismo e a resistência.

Compreendi que a Igreja, na tentativa de diminuir os impactos causados aos

moradores, recorreram a “promessa” existente na bíblia sobre a terra prometida. Porém, o

Estado se apropriou deste discurso para respaldar uma aceitação popular e assim diminuir as resistências.

Para corroborar a aceitação da cidade enquanto local cheio de vantagens para seus habitantes, o que implica também uma sociabilidade urbana. Observei, durante o período da mudança da população que, a cidade foi divulgada na mídia como um lugar moderno, palco de prosperidade.67 Dessa forma, para justificar a mudança, a cidade foi apresentada com muitas vantagens, tentando construir no imaginário popular a imagem de uma cidade maravilhosa parecendo inegável a melhoria que a população ganhou com a mudança.

67 Em propagandas comunicadas pelo Governo do Estado através da televisão, Nova Jaguaribara foi apresentada através de imagens e slogans atrativos, inclusive houve a participação de moradores, afirmando a satisfação de morar na cidade nova.

6 “GAIOLA BONITA NÃO DÁ DE COMER A PÁSSARO”

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Falar de representações sociais envolve toda uma gama de visões elaboradas por sujeitos sociais em diversas localidades. No que tange ao meu trabalho de pesquisa, esboço uma visão de Nova Jaguaribara, bem como de práticas sociais desenvolvidas no referido espaço sob a ótica dos moradores.

Durante a pesquisa na nova cidade, registrei e analisei representações acerca do modo de vida jaguaribarense. As questões que foram abordadas pelos moradores entrevistados recaíram sobre alguns temas relacionados à vida cotidiana como: a ida ao mercado, o uso de fogareiro, os meios de sobrevivência, as distâncias, os "de fora", a vizinhança e o rio.

6.1 AS CONTRADIÇÕES DA CIDADE: O FOGAREIRO A LENHA E SANDÁLIA