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Utilizamos a análise de conteúdo como forma de tratamento das informações. Segundo Minayo (1999), a análise de conteúdo visa ultrapassar o senso comum e o subjetivismo na interpretação dos dados e produzir uma análise crítica frente aos produtos obtidos durante a pesquisa. Do ponto de vista operacional, busca ultrapassar os sentidos manifestos, atingindo níveis mais profundos de análise. “Articula a superfície dos textos descrita e analisada com fatores que determinam suas características: variáveis psicossociais, contexto cultural, contexto e processo de produção da mensagem” (MINAYO, 1999, p. 203).

Para Bardin (1977, p.38), a análise de conteúdo é considerada:

[...] como um conjunto de técnicas de análises de comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens [...]. A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e de recepção das mensagens, inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não).

De acordo com Franco (2008, p.12), “o ponto de partida da Análise de Conteúdo é a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa, figurativa ou diretamente provocada”. A emissão de mensagens está necessariamente vinculada ao contexto. Nesse sentido, a análise de conteúdo situa-se em uma concepção crítica e dinâmica da linguagem.

Para a autora, um dos primeiros desafios do pesquisador que utiliza a análise de conteúdo é a definição das Unidades de Análise que se dividem em dois tipos: Unidades de Registro e Unidades de Contexto. “A Unidade de Registro é a menor parte do conteúdo, cuja ocorrência é registrada de acordo com as categorias levantadas” (FRANCO, 2008, p. 41). A Unidade de Registro utilizada nessa pesquisa será o Tema.

De acordo com Minayo (1999), a análise temática auxilia na identificação de núcleos de sentido presentes no conjunto do material produzido na pesquisa, cuja presença ou frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado. Para a autora, “[...] a presença de determinados temas denota os valores de referência e os modelos de comportamento presentes no discurso” (p. 209).

A Unidade de Contexto é considerada o “pano de fundo” que vai dando significado às unidades de registro. Ou seja, torna-se fundamental conhecer o contexto a partir do qual as informações foram emitidas, já que a contextualização é um fator imprescindível para que os resultados ganhem relevância e importância de divulgação, bem como para que possam ocorrer transformações e reconstruções (FRANCO, 2008).

Definidas as unidades de análise, este estudo seguiu os seguintes momentos propostos por Franco (2008). Ressaltamos que a análise dos dados dessa investigação foi feita após o término dos grupos e da posterior transcrição dos relatos.

1) Pré-análise: é a fase de organização do material. Suas atividades consistem em: a) Leitura flutuante: estabelecimento de contato com os documentos a serem analisados, conhecimento dos textos e mensagens nele contidas, deixando-se invadir por impressões, representações, emoções, conhecimentos e expectativas (p. 52).

Nessa fase fizemos leituras e releituras dos relatos transcritos e das respostas aos questionários, o que possibilitou a emergência de hipóteses, interpretações e conexões com as teorias. Nesse momento emergiram pontos relevantes dos encontros, dos conteúdos manifestos e latentes.

b) Escolha dos documentos: são definidos os documentos a serem analisados. Foram escolhidos os registros transcritos dos encontros com os grupos, os questionários respondidos pelos participantes, bem como o aprofundamento do contexto contido nas mensagens emitidas.

c) A referência aos índices: consiste na elaboração de indicadores. O índice é a menção de um determinado tema em uma mensagem. Quanto mais mencionado um tema, mais relevância terá. Nesse caso, recorre-se à frequência observada acerca do tema, ou seja, é feita uma análise quantitativa para identificar a frequência do tema escolhido. Franco (2008) considera que “qualquer que seja o tema explicitado, o mesmo passa a ter mais importância para a análise dos dados, quanto mais frequentemente for mencionado” (p. 57 e 58).

Para a análise deste estudo foram elencados os principais temas que emergiram nas transcrições e nas respostas aos questionários e contabilizada a respectiva frequência quantitativa dos mesmos. Nesse momento foram:

 Identificadas as unidades de registro (UR) nas transcrições e nos questionários, ou seja, foi marcado o início e o final de cada verbalização no material analisado;

 Nomeados os temas e associadas cada UR a um tema;

 Quantificados os temas, ou seja, foram contadas as UR de cada tema que apareceram no material analisado.

2) Terminada a pré-análise, iniciamos a definição das categorias. O critério de categorização é considerado procedimento essencial da análise de conteúdo, já que há a interlocução entre os objetivos da pesquisa e seus resultados. A categorização é um procedimento de agrupar dados considerando a parte comum existente entre eles. Classifica- se por semelhança ou analogia, segundo critérios. “A categorização é uma operação de

classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em analogias, a partir de critérios definidos” (FRANCO, 2008, p. 59).

Para a definição das categorias realizamos os seguintes procedimentos:

 Definição e nomeação das categorias: os temas foram agrupados em conjuntos maiores do que o próprio tema, em função de sua quantidade e qualidade. Foram atribuídos nomes para as categorias.

 Descrição das categorias: as categorias serão descritas a seguir, com explicação do que cada categoria significa

 Desmembramento das subcategorias, com exemplos de unidade de registro.  Associação das categorias às características dos grupos estudados.

 Associação das categorias ao conhecimento científico.

Para visualizarmos as especificidades de cada grupo estudado, analisamos os grupos homogêneos por serviço e o grupo misto, sendo definidas categorias e subcategorias respectivas aos grupos em questão.

4 ANÁLISE DOS GRUPOS PESQUISADOS

Neste capítulo serão apresentados e discutidos os dados referentes à análise da implantação do apoio matricial em saúde mental do CAPS III às equipes de Saúde da Família pesquisadas. Para isso, faremos a descrição e análise das categorias analíticas e subcategorias emergentes da pesquisa de campo, relacionadas com os objetivos do estudo. Foram organizadas e analisadas todas as transcrições dos encontros, bem como as respostas aos questionários respondidos pelos participantes no início e no final da pesquisa. Tivemos um grande quantitativo de material para análise, mas apresentaremos os achados que tiveram maior frequência e significação para o estudo.

A ordenação dos dados descritos e obtidos será exposta por categorias temáticas, subcategorias, temas, verbalizações dos profissionais (unidade de registro) e respectivas frequências. Os resultados serão apresentados de acordo com os grupos pesquisados: Saúde da Família, CAPS, Saúde da Família e CAPS. Para identificar os temas mais recorrentes utilizamos a análise quantitativa. Foi verificada a quantidade de unidades de registro - menções nas falas e respostas dos participantes aos questionários - e contabilizada a frequência em cada tema. No quadro das subcategorias optamos por apresentar duas diferentes verbalizações por tema, para melhor exemplificar o conteúdo temático. A escolha das verbalizações foi feita considerando os trechos mais significativos para a realidade exposta nos depoimentos dos participantes.