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A origem da expressão “Educação Patrimonial” é inglesa – Heritage education 12 Foi traduzida no Brasil por Horta (1999 p.06) como: um instrumento de alfabetização cultural, que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido.

A Educação Patrimonial é uma metodologia de ensino-aprendizagem que toma o patrimônio local — natural e cultural material e imaterial — como ponto de partida para a compreensão da realidade. Os pontos de partida são os objetos que pertencem à comunidade — suas “testemunhas materiais” — que são pesquisados, compreendidos, e decodificados em

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www.ipam.org.br 12 Educação de herança.

seus diversos sentidos — materiais, tecnológicos, econômicos, ecológicos, ambientais, afetivos, culturais, religiosos, etc. Na Educação Patrimonial utilizamos também como objetos de estudos os prédios, o meio ambiente, o acervo dos museus, as praças e monumentos históricos, podendo ser utilizados no âmbito da educação formal ou não formal.

A metodologia foi proposta, pela primeira vez, no Brasil por ocasião de um seminário realizado em Petrópolis, no Museu Imperial, sobre “Uso Educacional dos Museus e Monumentos”, em julho de 1983. Teve como objetivo discutir e desenvolver a prática de uma Educação com vistas a uma melhor utilização do patrimônio cultural no processo educacional, contribuindo para o seu conhecimento e proteção. Este foi o início de um relevante movimento para que fosse reconhecido o valor educativo do rico acervo de museus e monumentos brasileiros. Porém, algumas das propostas e práticas sugeridas foram inspiradas no trabalho educacional sobre o Patrimônio Cultural, que vinha sendo desenvolvido na Inglaterra, país que se destaca pela qualidade de seu sistema educacional, pela riqueza de seus museus e de seus monumentos históricos e que faz uso educativo dos mesmos.

A Educação Patrimonial é mais do que uma proposta interdisciplinar de ensino, voltada para questões atinentes ao patrimônio cultural. Compreende desde a inclusão, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, de temáticas ou de conteúdos programáticos que versem sobre o conhecimento e a conservação do patrimônio histórico, até a realização de cursos de aperfeiçoamento e extensão para os educadores e a comunidade em geral, a fim de lhes propiciar informações acerca do acervo cultural, de forma a habilitá-los a despertar, nos educandos e na sociedade, o senso de preservação da memória histórica e o conseqüente interesse pelo tema.

De acordo com Horta (1991 p.02):

A Educação pode ser vista como um processo permanente ao longo da vida de um indivíduo, que lhe permite crescer e desenvolver-se até atingir suas capacidades plenas de maturidade, autoconsciência e auto- determinação, como base necessária para a sua liberdade e bem estar.

A descoberta e a aquisição de conhecimentos é um processo permanente que ocorre ao longo de toda a vida de um indivíduo. A educação deve ter uma visão do homem como parte da natureza, da qual se diferencia, podendo modificar e recriar por intermédio do trabalho.

Organizar um currículo, entendendo os elementos da cultura do aluno e da comunidade da qual ele faz parte, utilizando conteúdos que se inter-relacionam numa característica interdisciplinar e transversal, tem lugar central no processo sócio-educativo, já que estes são instrumentos de compreensão em sua complexidade da realidade. Neste sentido

é utilizado criticamente o patrimônio do conhecimento que é socialmente construído, pertinente a cada tema tratado e suas inter-relações sócio-culturais.

Uma das características da Educação Patrimonial é que nesta metodologia

Não se coloca como objetivo da Educação a apreensão de conteúdos pré-fixados, mas, numa inversão do processo, eles são chamados a contribuir para a compreensão da realidade, que será alcançada através do estudo e da ação sobre o patrimônio. Mais ainda: entender que a realidade tem o objetivo claro de construir os instrumentos para criticá-la e transformá-la (VILLAGRAN, 2000 p.57).

Neste contexto, o papel principal do professor será o de mediador entre o saber escolar e o saber da comunidade, um articulador entre a realidade e o saber, entre saberes tradicionais e sistematizados e entre escola e comunidade através de linhas de ação para comunicação entre escola e meio sociocultural.

O educando se apropriará criticamente dos objetos da sua cultura e aplicará outras leituras da realidade através de seu co-protagonismo, colaborando com o processo de construção do conhecimento na comunidade. Nesse sentido, escola, educação e comunidade se aproximam e estabelecem um relacionamento dialógico, explorando outras formas de aquisição de conhecimento que ultrapassam as práticas escolares tradicionais.

A tarefa proposta pela metodologia é complexa. Porém, acredito que uma orientação específica contribua para o processo de reflexão que possibilite uma ação criadora. Como a aprendizagem não se realiza de forma estática, isto se encaminha para a reelaboração do saber aprendido, associando as experiências do cotidiano.

É importante que a Educação Patrimonial vise à educação como processo que deve atingir não só o aluno mas, através da formação escolar, formar também os membros da comunidade. Este projeto não se limita às paredes da escola; parte da escola com o objetivo de integrar a sociedade na sua ação pedagógica, através da valorização do patrimônio cultural e natural da cidade.

Tais práticas estimulam o crescimento de uma ação pedagógica para a transformação dos espaços de memória em espaços de aprendizagem e diálogos embasados em pressupostos de Paulo Freire, (1983: 43) uma alfabetização cultural de acordo com os quais o ser humano é um ser histórico — ou seja, um ser que faz a sua história e, como tal, tem o direito de apropriar-se do que é dito e registrado sobre ele.

Diante disso, o maior diferencial oferecido pela Educação Patrimonial é o resgate e/ou o reforço da auto-estima das pessoas e das comunidades envolvidas através da valorização da diversidade cultural.

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