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Para efeitos comparativos das abordagens dos trabalhos listados acima com a nossa, categorizamos as principais informações envolvidas nesses trabalhos na tabela abaixo. Os critérios utilizados estão de acordo com as necessidades primordiais enumeradas em [Mukerji e Miller, 2003], a qual são as exigências chave para o sucesso das abordagens orientadas a modelos, são eles: (i) rastreabilidade – que é a capacidade de traçar todo o histórico existente das transformções e poder informar que meta ou plano não foram atingidos através de informações previamente registradas; (ii) software de apoio – que é a forma de facilitar seu uso e consequentemente sua adoção pelos usuários; (iii) automatização – é o ato de automatizar o processo de transformação entre os modelos; (iv) completude – que é a qualidade ou estado do que é completo frente às transformações existentes; e (v) Extensível – que é a opção de tornar tanto o processo quanto a ferramenta de apoio de fácil extensão.

Tabela 5: Quadro comparativo das abordagens

Critérios Abordagens

Rastreabilidade Software

de apoio Automatização Completude Extensível

O modelo COBIT SIM SIM NÃO SIM SIM

O modelo ITIL NÃO SIM NÃO SIM SIM

Tomando decisões corretas de gerência de TI para resultados superiores [Weill e Peter, 2004]

SIM NÃO NÃO SIM SIM

Otimização do retorno dos investimentos relacionados a TI [Williams, 2005]

SIM NÃO NÃO NÃO SIM

Um modelo de contribuição para a melhoria dos processo de negócio da organização [Tonini, 2005]

SIM NÃO NÃO SIM SIM

O modelo de Henderson e Venkatraman [Henderson e

O modelo de Brodbeck

(Brodbeck, 2001) SIM NÃO NÃO SIM SIM

O modelo de Reich [Reich,

1992] SIM NÃO NÃO SIM SIM

Nossa Abordagem

SIM SIM SIM SIM SIM

A relação entre o COBIT e ITIL como modelos de governança de TI mostra que ambos contém meios de se obter o alinhamento estratégico. Outro detalhe também que deve ser mencionado é que eles são complementares, já que enquanto um foca seus processos para o que deve ser feito na governança de TI (COBIT), o outro foca em como devem ser implementados os processos operacionais de TI (ITIL). Um dos pontos negativos do seu uso é que eles não direcionam sua atençao somente no alinhamento estratégico, mas sim em todas as variáveis envolvidas em projetos de governança, tais como riscos de projeto, qualificação de fornecedores, realização de benchmarking, retorno de investimento e etc. Isso causa desconforto, já que ainda não fica claro como de fato obter o alinhamento. Uma recente pesquisa realizada pela ComputerWorld [COMPUTERWORLD, 2007] diz que caiu o percentual de executivos que acredita que o uso do COBIT e UTIL tem trazido benefícios reais aos seus negócios. Hoje, 32% daqueles que já o utilizam o vêem como muito crítico para o sucesso de suas metas, contra 43% com a mesma opinião em 2006, e 45%, em 2004. A consultoria sugere que as práticas britânicas possam ter chegado a um certo nível de saturação, mas afirma que a adoção dos modelos não tem surtido o efeito que essas companhias esperavam.

Nos trabalhos de [Weill e Peter, 2004] e [Tonini, 2005] por sua vez, é possível observar que ambos definem processos que conseguem alinhar o ciclo de vida de um alinhamento estratégico, porém não específicam quais ferramentas (se é que existem) devem ser utilizados como suporte. Além disso, também não dão suporte a automatização (como é o caso também de todas as outras propostas). Já o trabalho de [Williams, 2005], é centrado em assegurar que as organizações obtenham o máximo de retorno dos investimentos em TI para suporte ao negócio, a um custo razoável e com um nível de risco conhecido e aceitável. Por fim, os modelos conceituais encontram-se em um alto nível de abstração, não deixando claro que passos devem ser seguidos para efetuar a operacionalização do alinhamento. Além disso, como visto na Tabela 5, esses modelos não dispõem de ferramenta de software de apoio, tampouco automatização

para sua implantação. O termo automatização refere-se ao fato de se conseguir obter um modelo de processo de negócio a partir de um modelo de negócio.

É válido salientar que a maioria dos modelos aqui descritos podem ser aplicados em projetos de qualquer natureza, isso porque esses modelos abragem e tratam questões que não é focado apenas no alinhamento estratégico, tornando-os de certa forma genéricos. Em contrapartida, a nossa abordagem está completamente voltado ao alinhamento estratégico, podendo ser inserida em um contexto a qual as organizações percebem que a realização da estratégia de TI deve ser implementada a partir de iniciativas existentes e definidas na estratégia de negócio. Dessa forma, posiciona-se de forma completar aos modelos existentes provendo mecanismos concretos para auxiliar a obtenção do alinhamento estratégico tais como a rastreabilidade, completude e um software de apoio. Além disso, conta com mecanismos de automatização do processo de alinhamento através do formalismo MDA, o que a torna como diferencial frente às demais abordagens.

7. Conclusão

Conforme visto e discutido nesse trabalho, ainda existe hoje uma necessidade real das organizações buscarem por soluções que ajudem a diminuir a lacuna existente entre o mundo dos negócios e o mundo da tecnologia da informação, em outras palavras, a busca pelo alinhamento estratégico. Pesquisas e estudos de caso têm mostrado a importância desse alinhamento tanto para o executivo de negócio quanto para o executivo de TI. De fato, os executivos de TI têm considerado o alinhamento estratégico como um dos objetivos principais da área de TI pela possibilidade de identificação de novas oportunidades de negócios e obtenção de vantagens competitivas baseadas em soluções de TI. Diversas técnicas e modelos de alinhamento surgiram e continuam surgindo com o propósito de resolver esse problema ainda em aberto. Dentre as principais abordagens, destacam-se: (i) BPMN [BPMI, 2004]; (ii) COBIT [ISACA, 2000]; (iii) ITIL [OGC, 2002]; (iv) o modelo de Henderson e Venkatraman [Henderson e Venkatraman, 1993]; (v) o modelo de Brodbeck [Brodbeck, 2001]; e (vi) o modelo de Reich [Reich, 1992]. Contudo, pesquisas recentes realizadas por Volmer [Volmer, 2007] mostram que o número de organizações que ainda não obtveram sucesso com o alinhamento estratégico, mesmo com o uso de abordagens para esse propósito, ainda é alto.

Este trabalho surge com uma proposta de um processo de alinhamento prático e rastreável que toma como base para sua realização o uso de abordagens amplamente aceitas pelo mercado de TI e/ou pela literatura especializada, tais como: BSC [Kaplan e Norton, 2004], KAOS [Lamsweerde e Letier, 2003], BPMN [BPMI, 2004] e MDA [OMG, 2006a]. O processo proposto provê o alinhamento através da definição de diferentes níveis de modelos, os quais provêem uma transição continua desde a representação do conhecimento estratégico de uma empresa até a representação “operacional” das atividades de processos que visam atender a essa estratégia. O emprego de transformações MDA formaliza o processo de refinamento e provê mecanismos para garantir a restreabilidade dos elementos nos diferentes níveis de abstração, servindo, portanto, como uma peça fundamental para se obter produtividade e qualidade em uma organização. Acreditamos que ao propor esse processo de alinhamento, estamos dando nossa contribuição para o enrriquecimento prático do tema e saindo um pouco das questões filosóficas que o rondam. O processo de alinhamento é

apoiado por uma ferramenta implementada em Java que atende a todas as atividades do tipo User Task. Essa ferramenta provê um formulário de entrada para carregamento do mapa estratégico, scripts de transformações MDA entre o modelo CIM-1 e CIM-2, ambiente visual para interligar (mapear) as dependências dos elementos do CIM-2 com as metas do CIM-0 e, por fim, verificação de consistência entre os elementos mapeados. O trabalho aqui descrito apresenta as seguintes contribuições específicas:

• Definição dos meta-modelos BSC (Mapa estratégico), KAOS e BPMN em ecore;

• Especificação de regras de transformação entre os mapas estratégicos do BSC e entre os modelos KAOS e BPMN; juntamente com sua posterior implementação usando a linguagem ATL, permitindo com isso, um processo de automatização das transformações entre os modelos;

• Criação de uma ferramenta de software que apóia o analista a seguir fielmente o processo de alinhamento proposto e disponibilização de serviços para ajudar o analista a manter a rastreabilidade almejada entre os elementos dos modelos e criar elaborações dos modelos depois de terem sido gerados, sem o risco de perder essas alterações;

• Ajuda à tomada de decisões, graças ao serviço oferecido de verificar a consistência dos objetivos estratégicos;

• Independência de ferramenta CASE ou ambiente de desenvolvimento, o que permite a utilização do processo seja feita em conjunto com as ferramentas disponíveis no mercado, desde que tais ferramentas sejam capazes de exportar e importar seus modelos através de XMI. Esta característica permite que a abordagem possa ser utilizada em diferentes ambientes de desenvolvimento ecom diferentes versões dos mesmos. • A ferramenta permite sua extensão visando a definição de novas

transformações, graças à sua implementação baseada em JMI;

Essas características permitem que a abordagem atenda ao objetivo do trabalho descrito na Seção 1.2. Porém apesar dos benefícios acima apresentados existem algumas limitações que devem ser tratadas em trabalhos futuros. Dentre essas limitações pode-se destacar:

• Uso de outros repositórios, além do Eclipse EMF, para armazenamento e manipulação do modelos;

• Apesar de se usar o padrão XMI como entrada e saída das transformações existentes, a ferramenta desenvolvida para apoiar o processo de alinhamento não suporta alguns formatos de arquivos XMI de ferramentas de modelagem para representar Diagramas de Classes como, por exemplo, a MagicDraw [MagicDraw, 2009]. Como conseqüência, não se consegue transportar somente a representação gráfica do diagrama de classes, sendo nesse caso necessário redesenhar o modelo de classes. Por exemplo, em um diagrama de classes feito no MagicDraw, todo o posicionamento dos elementos para renderização da imagem é mapeado no arquivo XMI usando o mecanismo de extensão e com isso MagicDraw utiliza tags específicas, as quais não são esperadas pela transformação;

• Definição e implementação de regras de transformação inversa (das atividades dos processos de negócio para as iniciativas dos objetivos estratégicos);

• As definições das transformações são especificadas diretamente em arquivos XML. A utilização de uma notação gráfica exigiria a implementação de um ambiente de modelagem para a definição das transformações de forma visual, o que não é objetivo deste trabalho. No entanto, seria necessário estender a ferramenta para manter os analistas centrados em uma única ferramenta;

• Uso desse processo em um projeto e organização real a fim de testar sua eficácia frente ao alinhamento estratégico;

A ferramenta implementada para esse trabalho encontra-se disponível no repositório http://labdist.dimap.ufrn.br/svn/repos/mapeamento_estrategia/ sob login “guest”.

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