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A relação entre acontecimento, fonte e notícia é fundamental “para a construção da realidade jornalística” (ALSINA, 2009, p. 162). Para definirmos o que é fonte nesse contexto, recorremos ao dicionário Aurélio o qual a conceitua como “documento (ou pessoa) de que (ou quem) se obtêm informação”. Ao observar a função das fontes na

confecção da notícia, Pena (2005, p. 61) expõe que elas interpretam subjetivamente um fato. Nesse sentido, embora acredite que haja pessoas que forneçam informações sem qualquer tipo de interesse, o autor alerta que as fontes podem “manipular o jornalista e agendar os meios de comunicação”.

Algumas categorias são apresentadas por determinados autores e corroboram para que compreendamos os diferentes tipos de fontes jornalísticas. Dentre tais classificações, encontramos as fontes oficiais, oficiosas e independente.

Os governos, os institutos, empresas e outras organizações integram o grupo das fontes oficiais (PENA, 2005). Segundo Lage (2006), essas não costumam ser citadas e exemplifica ao dizer que é comum jornalistas apresentarem dados de uma cidade e não mencionar que eles foram fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentre as três categorias, as oficiais são consideradas as mais confiáveis (LAGE, 2006). No entanto, Pena (2005, p. 62) afirma que essas fontes são também as mais tendenciosas, pois “têm interesses a preservar, informações a esconder e beneficiam-se da própria lógica do poder que as colocam na clássica condição de instituição”.

No que diz respeito às oficiosas, elas são, por exemplo, funcionários dos componentes da categoria anterior, mas que não estão autorizados a falar por eles.

Fontes oficiosas, expressando geralmente interesses particulares dentro de uma instituição, podem ser preciosas porque evidenciam algumas dessas manobras. No entanto, protegidas em regra pelo anonimato - o que dizem deve ser publicado off the record, isto é, sem menção da origem da informação -, são o veículo predileto para os balões de ensaio, anúncios feitos com o objetivo de medir reações e que, portanto, provavelmente não se confirmarão. Eventualmente, prestam-se também a veicular boatos, objetivando algum fim escuso: denegrir a imagem de uma pessoa, provocar o aborto de uma política em gestão, interferir numa decisão eleitoral (LAGE, 2006, p.65).

Por fim, as alternativas são as que “não tem nenhum vínculo direto com o assunto em questão” (PENA, 2005, p. 62). De acordo com Lage (2006, p.65), o jornalismo americano foi responsável por relacionar as fontes independentes às organizações não governamentais (ONGs). O autor afirma que seus membros são fortes defensores de suas causas e por isso “tal disposição coloca sobre suspeição os dados que fornecem, já que a nobreza do fim pode justificar, na representação de realidade deles, a falsidade dos dados”.

Além dessas categorias, as fontes ainda podem ser classificadas como primárias e secundárias. A primeira são as que fornecem fatos, versões e números para que os jornalistas se baseiem. A segunda são as fontes que colaboram para a contextualização da reportagem, ou seja, “consultadas para a preparação de uma pauta ou a construção das premissas genéricas ou contextos ambientais” (LAGE, 2006, p. 65-66).

Dentro da classificação primária encontramos as fontes testemunhais, as quais estão diretamente relacionadas com o fato. Pena (2005) ressalta que a testemunha não representa fielmente um fato, mas apenas uma perspectiva do assunto. Além disso, é preciso considerar que a fonte testemunhal tem como plano de fundo de seu discurso a sua emoção, os seus preconceitos, a sua memória e a sua linguagem.

Há ainda os experts, ou especialistas, que costumam ser fontes secundárias. Eles são procurados pelos jornalistas para interpretar e dar versões de eventos. Quando professores universitários, os especialistas sabem melhor como tornar sua explanação didática, caso contrário cabe ao repórter compreender minuciosamente o que é dito para explicar ao público de forma clara e objetiva. É recomendado que o jornalista ouça mais de um especialista e que os varie, pois podem abordar os fatos a partir de perspectivas individuais (LAGE, 2006).

Na concepção de Erbolato (2008) as fontes de informação estão divididas em dois grandes grupos: as fixas e as fora de rotina. O primeiro engloba as fontes que o jornalista costuma recorrer diariamente para averiguar a existências de possíveis notícias, como a polícia, o corpo de bombeiros, órgãos públicos, associações e hospitais. O segundo diz respeito às fontes excepcionais, ou seja, aquelas que são procuradas para esclarecer um determinado assunto. Além disso, Erbolato (2008, p. 184) classifica as

fontes como diretas, indiretas e adicionais:

Classificam-se de diretas as pessoas envolvidas em um fato ou ocorrência e também os comunicados e notas oficiais a respeito. Fontes indiretas são pessoas que, por dever profissional, sabem de um fato circunstancialmente. Da mesma forma são classificados os documentos ligados ao assunto coberto pelo jornal. Fontes adicionais - segundo Octavio Bonfim - são aquelas que fornecem informações suplementares ou ampliam a dimensão da história. Entre elas, citam-se os livros de referência, enciclopédias, almanaques, atlas e relatórios. Na mesma classificação são incluídas as pessoas que conhecem fatos passados, de qualquer forma ligados a acontecimentos atuais.

É possível observarmos familiaridades entre as classificações apresentadas por Lage (2006) e por Erbolato (2008), principalmente no que diz respeito às fontes primárias/secundárias e as diretas/indiretas.

Assim, ciente de tais conceituações, nos embasamos na conceituação de Erbolato (2008) para afirmar que a DW-Brasil constrói suas notícias utilizando fontes fixas e fora de rotina, bem como fontes diretas, indiretas e adicionais. Sobretudo, as fontes consultadas pela redação podem ser identificadas ao segmentarmos os diferentes processos de produção dos conteúdos veículos pela DW-Brasil.

O primeiro processo de produção se dá a partir das agências de notícias16. Os

conteúdos são fundamentados em informações de pelo menos duas ou mais agências. Dentre tais estão as agências norte-americanas Reuters e a Associated Press (AP), a francesa Agence France-Presse (AFP), e as alemãs Sport-Informations-Dienst (SID) e a

Deutsche Presse-Agentur (DPA).

A segunda maneira, pela qual se dá a construção dos conteúdos publicados pela DW-Brasil, é através da adaptação de textos em inglês e, principalmente, em alemão para o português. Por meio de um sistema interno, as diferentes redações da DW-World compartilham entre si o que produzem. A redação brasileira, por exemplo, pode receber uma notícia da redação chinesa que julgue importante veicular em português. Essa notícia chegará aos jornalistas brasileiros já adaptada para o inglês ou alemão. Em seguida, caberá a um redator adaptá-la para a língua portuguesa.

Por fim, a apuração e a pesquisa do repórter dizem respeito ao terceiro modo de construção. O que é produzido inteiramente pela redação brasileira também é oferecido às demais. Por esse motivo, há uma jornalista alemã na redação, a qual tem como função específica adaptar determinados textos em português para o alemão e, assim, compartilhá-los com os responsáveis pelos outros vinte e nove idiomas disponíveis no portal.

16As agências, quando assim consideradas, são internacionais, unicamente no que diz respeito à coleta de

notícias. Entretanto são empresas nacionais pelo seu capital, sua organização, grande parte da clientela, funcionários e necessariamente pelo seu espírito, pois elas jamais conseguiriam libertar-se, direta ou indiretamente, de imprimir, na maioria das vezes, ao seu noticiário, uma orientação favorável ao seu próprio país, levadas pelo patriotismo ou fidelidade ao regime (neste último caso, aos governos totalitários). (ERBOLATO, 2008, p. 203).