4.1 Main experiment on image 1
4.1.4 Results of image 1 in terms of rotational invariance
No modelo da Figura 9 o construto existência de um EP-TI é uma variável binária, podendo assumir dois valores:
a) Existe um EP-TI, fruto de uma decisão cujo contexto interessa compreender; b) Não existe um EP-TI, fruto de um contexto que interessa compreender..
Embora a variável pareça simples, pode-se imaginar casos de empresas em que haja dúvida sobre a existência ou não de um EP-TI. Dai e Wells (2004, p. 524, tradução nossa) referiram-se a um estado intermediário entre a existência e a inexistência da entidade definida na seção 4.3. Este estado foi chamado de “presença de EP” e representa situações em que não há EP formalmente estabelecido, mas há recursos provendo à empresa funções e serviços típicos de um EP. Na mesma linha, Rad (2001, p. 3) afirma que as capacidades atribuídas a um EP podem existir na organização separadamente ou agregadamente. Logo, surge um problema: caso as funções exercidas pelo EP-TI estejam distribuídas entre algumas entidades organizacionais da área de TI, existe ou não existe EP-TI ?
Durante os estudos de casos realizados na fase 1 desta pesquisa, constatou-se que algumas funções atribuídas normalmente ao EP podem ser realizadas por meio de arranjos
organizacionais que prescindem a presença formal da entidade. Por exemplo, foi relatado pelas Organizações A e B que antes da constituição formal do EP-TI foram formados grupos para estudar as melhores práticas de mercado em gerenciamento de projetos visando adaptá- las às respectivas organizações. Desses grupos, posteriormente, originou-se um EP-TI. Portanto, é lícito indagar: durante o período de tempo em que grupos trabalharam para criar uma metodologia de gerenciamento de projetos, havia ou não havia EP-TI nas organizações ? Outro exemplo foi encontrada na Organização D. Nessa empresa, foi apurado que antes da criação de um setor formal denominado PMO – equivalente ao EP-TI – foi criado um setor que reunia os gerentes de projeto sob uma liderança comum. Na opinião de seu líder, esse setor desempenhava muitas das funções de um EP-TI. Portanto, é lícito também perguntar: esse setor constituía ou não um EP-TI ?
Nesta pesquisa, considera-se que existe EP-TI somente quando houver dentro da área de TI uma entidade organizacional formalmente criada que centraliza e coordena os projetos da área, desempenhando uma ou mais das funções identificadas no estudo de Hobbs e Aubry (2007). Ou seja, essa entidade deve estar representada no organograma oficial da área de TI, não importando seu nome, número de funcionários, tempo de existência, autoridade, ou outra característica qualquer.
Aplicando esta definição aos casos encontrados na fase 1 da pesquisa, conforme descrito em parágrafo anterior, conclui-se que a existência de grupos trabalhando na criação de uma metodologia não constitui um EP se esses grupos não fizerem parte de um setor formalmente criado para esta finalidade. Portanto, as Organizações A e B não tinham EP-TI naquele momento. Por outro lado, a existência de um setor em TI reunindo os gerentes de projetos constitui um EP-TI, independentemente da existência ou não dentro desse setor de uma entidade chamada EP-TI, ou algo equivalente. Portanto, a Organização D tinha um EP- TI.
Embora a definição ajude a identificar o grupo a que pertencem as empresas em situações pouco típicas, há casos de empresas em que a aplicação da definição de forma rigorosa parece levar a escolhas erradas. Por exemplo, encontrou-se uma empresa em que a área de TI está estruturada em 5 setores: 1 voltado às operações, incluindo infra-estrutura, e 4 voltados a dar suporte a diferentes áreas de negócios. Em cada um dos 5 setores existe um gerente de projetos dedicando 90% do seu tempo a gerenciar os projetos do setor. Esses gerentes de projetos seguem uma metodologia definida pela área de TI, que eles mantém e desenvolvem em comum acordo. Cabe a eles reportar ao CIO a situação dos projetos de TI das respectivas áreas de negócio. A estrutura é do tipo matricial equilibrada, portanto não há
uma liderança comum para os gerentes de projetos, segundo o CIO porque a alta direção vetaria o aumento do número de funcionários. Embora os profissionais exerçam a função de gerentes de projetos, eles não têm esse cargo, pois a presença da palavra gerente no cargo poderia fazer com que eles se sentissem no direito de ter benefícios incompatíveis com a função. Aplicando a definição ao pé da letra, a empresa não tem EP-TI, mas pensa-se que na verdade a empresa possuí 5 mini EP-TI. A falta de formalização deve-se mais a uma estratégia de redução de custos do que à falta de valorização pela direção da empresa da competência em gerenciar projetos. Nesse caso, optou-se por classificar a empresa como possuidora de um EP-TI.
Uma outra situação encontrada no levantamento e que causou dúvida é o das empresas em transição, em que o EP-TI ainda não foi criado, mas sua criação já foi aprovada pela direção da empresa. Nesses casos, a entidade ainda está sendo estruturada, com recursos sendo providenciados e políticas de atuação sendo elaborados. Nesses casos, considerou-se que a empresa possui um EP-TI, apesar da entidade ainda não estar operando normalmente no momento da realização da entrevista, pois o contexto da empresa certamente é o de uma empresa que cria um EP-TI.
Assim, dada a criticidade desta definição para a validade dos resultados da pesquisa, na primeira seção do instrumento de coleta de dados (ver Anexos C e D para uma visão completa do instrumento) apresentamos nossa definição da entidade EP-TI, conforme segue: --- Definição: um Escritório de Projetos (EP), também conhecido como Project Management Office (PMO), é uma entidade organizacional a quem são atribuídas diversas responsabilidades relacionadas a centralizar e coordenar o gerenciamento de projetos sob seu domínio. Algumas das funções geralmente atribuídas ao EP são as seguintes:
1. Monitorar e controlar o desempenho dos projetos;
2. Desenvolver competências e metodologias de gerenciamento de projetos; 3. Gerenciar múltiplos projetos (programas);
4. Apoiar a direção da empresa no desenvolvimento e implantação de seu plano estratégico no referente a projetos;
5. Estimular o aprendizado organizacional em gerenciamento de projetos
Caso exista esta entidade em sua empresa, talvez seu nome não seja nem EP nem PMO. Ademais, talvez nem todas as funções acima sejam atribuídas a ela. Mas se existe uma entidade organizacional formalmente estabelecida cujas principais responsabilidades são centralizar e coordenar o gerenciamento de projetos da área de TI, considere que existe um EP na área de TI de sua empresa.
A primeira pergunta do questionário aborda diretamente a existência ou não da entidade definida acima, conforme segue:
--- Sua empresa possui um EP conforme definido acima? Note que esse EP deve dedicar-se quase que exclusivamente aos projetos de TI.
( ) Sim. Há EP formalmente criado na área de TI conforme definido acima
( ) Não. Não há EP formalmente criado na área de TI conforme definido acima
--- Analisando-se cada um dos possíveis valores para a variável dependente (Sim ou Não), conclui-se que cada valor pode abranger situações bastante distintas das empresas que devem ser consideradas diferentemente na construção do modelo discriminante. Por exemplo, para a resposta “Não”, podemos imaginar 4 variantes:
a) Não há EP na área de TI, mas se está considerando criá-lo; b) Não há EP na área de TI, mas já houve no passado e foi fechado; c) Não há EP na área de TI; a empresa já pensou no assunto e desistiu; d) Não há EP na área de TI, mas a empresa nunca pensou no assunto. Por outro lado, para a resposta “Sim”, podemos imaginar duas variantes:
e) Há EP na área de TI e não se pensa em fechá-lo; f) Há EP na área de TI, mas se pensa em fechá-lo.
Naturalmente, o problema que se coloca agora é considerar se estas diferentes situações podem afetar ilegitimamente a determinação do modelo discriminante. Uma análise mais aprofundada indica que isto pode ocorrer nos casos a), d) e f). De fato, devemos tomar empresas na situação descrita em a) como um “Sim” ou como “Não” ? E como considerar as empresas na situação descrita em d) ? Elas podem ter as características de empresas que criam EP-TI, mas simplesmente a direção da empresa ainda não está bem informada sobre o conceito EP. Tratar estes casos como um “Não” pode distorcer o modelo e diminuir sua eficiência preditiva. No caso f), se a empresa pensa em fechar o EP-TI é possível que a decisão de criá-lo tenha sido equivocada. Portanto, deve-se considerar a empresa como um “Sim” ou “Não” ? Dado o potencial de distorção nos resultados, esses casos serão tratados da seguinte forma:
• Caso a): se a empresa demonstra intenção maior ou igual a 6 de criar um EP-TI (em escala de 1=sem intenção a 10=muita intenção), o não será convertido para sim, caso contrário, será mantido o não; isto aconteceu com 2 empresas da amostra;
• Caso d): pode ser que a empresa não pensou no assunto porque não conhece o conceito de EP-TI, ou porque não crê que a empresa tenha a necessidade de pensar no assunto. Esse último caso é legítimo para os interesses desta pesquisa, interessando portanto entender o contexto destas empresas. O primeiro caso, por outro lado, indica empresas que não servem para a finalidade da pesquisa, pois se o respondente não está familiarizado com o conceito de EP ele não está apto a responder ao questionário. Nestes casos, excluiu-se a empresa da amostra. Isto ocorreu com apenas 1 das empresas contatadas;
• Caso f): se a empresa demonstra intenção maior ou igual a 6 de fechar o EP-TI (em escala de 1=sem intenção a 10=muita intenção), o sim será convertido para não, caso contrário, será mantido o sim. Esta possibilidade não ocorreu com nenhum caso da amostra.
Em face do exposto, foram incluídas questões no questionário visando discriminar estas empresas. As empresas que têm EP-TI responderam ainda a seguinte pergunta:
--- Considerando a situação atual, avalie seu grau de concordância com as afirmações a seguir:
√ A direção da empresa pensa em fechar o EP-TI.
Discordo inteiramente (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)(8)(9)(10) Concordo inteiramente
√ A direção da empresa está satisfeita com o EP-TI.
Discordo inteiramente (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)(8)(9)(10) Concordo inteiramente
--- Cabe esclarecer que o destaque dado à expressão “situação atual” deve-se ao fato de que as perguntas para as empresas que respondem “Sim”, referem-se ao contexto da empresa no momento da criação do EP-TI. Portanto, é uma pergunta sobre o passado, ao passo que a pergunta acima se refere a uma situação do presente.
As empresas que não têm EP-TI responderam ainda a seguinte pergunta:
--- Avalie seu grau de concordância com as afirmações a seguir:
√ A direção da empresa está considerando a criação de um EP-TI.
Discordo inteiramente (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)(8)(9)(10) Concordo inteiramente
√ A direção da empresa nunca considerou a criação de um EP-TI.
Discordo inteiramente (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)(8)(9)(10) Concordo inteiramente
--- Para exaurir a análise das possibilidades acima, os casos b) e c) apontam decididamente para as empresas que não têm características para manter um EP-TI, ao passo que o caso e)
aponta exatamente para o lado oposto, isto é, empresas que têm características para manter um EP-TI. Portanto, são as situações mais favoráveis para os objetivos da pesquisa e, portanto, não causam preocupação.