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estar imaginando que a questão é muito

mais séria do que uma simples brincadei-

ra. Se você pensou assim, acertou.

Representação da cobertura original da Mata Atlântica.

  Representação da cobertura atual da Mata Atlântica. Fonte: SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem, Curitiba/PR. www.spvs.org.br

O que aconteceu com o bioma Mata Atlântica? Houve a necessidade disso ter acontecido? O que fazer para controlar esta situação?

A situação da Mata Atlântica, hoje, poderia ser diferente?

O Bioma “Floresta Atlântica” é composto por um conjunto de for- mações florestais tipo Ombrófilas: aberta, densa e mista, além de man- guezais, restingas, campos de altitudes e brejos que abrigam a maior diversidade de espécies por hectare entre as florestas tropicais brasilei- ra. Devido sua grande biodiversidade, é considerado um ecossistema de enorme importância para o nosso planeta.

Um patrimônio rico em espécies animais e vegetais sendo que algu- mas são únicas no mundo, o que contribui para que o Brasil seja consi- derado titular da maior Biodiversidade do planeta. Essa riqueza de for- mas de vida fez com que a UNESCO declarasse a Mata Atlântica como “Reserva da Biodiversidade e Patrimônio da Humanidade”.

Em razão disto, em 1999, o dia 27 de maio foi escolhido como o Dia

Nacional da Mata Atlântica por ter sido nesta data, no ano de 1560, que o Padre Anchieta assinou a carta de São Vicente (atual cidade de São Paulo). Foi o primeiro documento que tratou da biodiversidade das matas brasileiras.

“...Anchieta trata das coisas peculiares da terra (scribit de rebus terrae peculiaribus), abrangendo situação, estações do ano, ventos, tempesta- des, sol, chuva e duração dos dias, o peixe boi, a pesca, a cobra sucuriju- ba, lagartos, a capivara (locus, tempora anni, venti, tempestates, sol, pluvia, et dierum spatia, boves marinus, piscatus, angues “sucuriuba”, lacerti, ani- mal “capivara” dictum) e, mais, ainda: as lontras (lutrae, a Lontra paranensis Rengger, existente no Brasil Sul), o caranguejo e a cura do câncer (cancri animalia, et sanatio a cancro morbo), as cobras jararaca, cascavel e outras (colubres “iararaca”, “cascavel”, aliique)”... Epistola Rerum Naturalium do ir- mão José de Anchieta (GOMES, 2003).

O Mico-leão-dourado

(Leontopithecus rosalia) é um pri- mata encontrado originariamen- te na Mata Atlântica, no Sudeste brasileiro. Encontra-se em estado de conservação crítico. Fonte: IBAMA - Instituto Brasilei- ro de Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renováveis, MMA - Ministério do Meio Ambiente.

BIODIVERSIDADE pode ser entendida como a grande variedade de

espécies de seres vivos da terra. Portanto biodiversidade é o conjunto de toda a vida no nosso planeta com todas as espécies de vegetais, animais, microrganismos, bem como, toda variabilidade genética dentro das espé- cies (genes) e toda a diversidade dos ecossistemas, tanto de espécies sil- vestres como domesticadas pelo homem.

O ambiente diversificado da Mata Atlântica favorece a existência de aproximadamente 2.100 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. As estimativas apontam que a Mata abriga mais de 10.000 es- pécies de plantas sendo que muitas delas são endêmicas.

Uma espécie endêmica da Mata Atlântica, presente no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina e nas maiores altitudes dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, é o pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro ou Araucaria angustifolia. Esta espécie apresenta uma copa em for- ma de cálice o que caracteriza a paisagem da Mata Atlântica nas Regi- ões Sul e Sudeste do Brasil.

ESPÉCIE

Grupo de seres vivos gene- ticamente semelhantes entre si e capazes de se reproduzir e dar origem a descenden- tes férteis e isolados repro- dutivamente de outros se- res vivos.

ESPÉCIES ENDÊMICAS

Espécies encontradas ape- nas numa certa região.

A Araucaria angustifolia ou Pinheiro-do-Paraná é a única es- pécie do gênero encontrada no Brasil e cuja ocorrência no- meou a cidade de Curitiba. Fonte: http://paisagensbrasileiras. fateback.com

Um exemplo da influência desta espécie, foi o nome da- do à cidade de Curitiba. Uma das versões aceita hoje, é a dos índios tupi-guarani (Tu- pi, Jê e Guarani) que usaram a expressão coré (pinhão)

etuba (muito) para identificar a área onde hoje se encon- tra esta cidade. Outra versão, também em guarani, combina

Kurit (pinheiro) e Yba (gran- de quantidade).

QUEBRANDO MITOS

O principal disseminador de sementes da Araucaria é a gralha-azul, con- siderada a ave símbolo do Estado do Paraná. Esta ave faz seu ninho no pi- nheiro e, ao contrário do que diz a crença popular, ela não enterra a semen- te no solo para não ficar exposta aos seus predadores. Como raramente ela come o pinhão no local onde o encontra, acaba perdendo algumas semen- tes durante o vôo, contribuindo com a sua disseminação.

Gralha azul (Cyanocorax caeruleus) é uma ave passeriforme da fa- mília dos Corvídeos, com aproximadamente 40 cm de comprimen- to, de coloração geral azul vivo e preta na cabeça, na parte frontal do pescoço e na superior do peito. No folclore do Estado do Paraná atri- bui-se a formação e manutenção das florestas de Araucária a este pássaro, como uma missão divina, razão porque as espingardas ex- plodiriam ou negariam fogo quando para elas apontadas. Talvez por esta razão a Lei Estadual n. 7957 de 1984 a consagra como “ave símbolo” do Estado do Paraná. Fonte: IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, USP. Universidade de São Paulo.

Na época do descobrimento do Brasil, a Mata Atlântica estendia-se do Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte até as Serras Herval e Tapes, no Rio Grande do Sul. A Mata era mais exuberante e com maior número de espécies do que a Floresta Amazônica. Ela desenvolveu- se sobre uma extensa cadeia montanhosa, ao longo do litoral brasilei- ro, onde os ventos que sopram do mar garantem a umidade necessá- ria que resulta em chuvas constantes na região (NEIMAN, 1989).

Nas lutas entre os índios e os colonizadores, a condição atmosfé- rica de muita umidade da mata virgem, impedia o funcionamento das armas de fogo dos europeus, os quais se convertiam em vítimas fáceis para os indígenas, que, com apenas arco e flecha, os “trucidava sem dó nem piedade” (HOLANDA, 2001).

A Mata Atlântica compreende um conjunto de formações vegetais presentes em 17 Estados brasileiros, com maior ou menor área flores- tal, considerada o segundo ecossistema mais ameaçado de extinção do mundo. Isso vem acontecendo desde o século XVI, com a coloni- zação européia que tinha como objetivos apenas a exploração de su- as riquezas.

Foi nos domínios deste Bioma, originalmente com 1,3 milhões de quilômetros quadrados, que também começou a história da formação do território que originou o Brasil. Hoje, aproximadamente 120 mi- lhões de habitantes estão distribuídos por cidades e povoados presen- tes nesta área. Essa ocupação histórica levou ao desmatamento sem controle da Mata Atlântica, e teve como conseqüência a fragmentação dos habitats e a redução da sua biodiversidade.

Guerrilhas, gravura de Johann Oritz Rugendas (1802 - 1858). Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais, www.itaucultural.org.br

Pintura de Jean-Baptiste Debret (1768 - 1848). Fonte: GNU Free Doc License, www.wikipedia.org

Para aprofundar seus conhecimentos sobre a formação do território brasilei- ro, leia o Folhas “O Brasil podia ser diferente?” no Livro Didático Público de Geografia.

FRAGMENTAÇÃO

É todo processo de origem antrópica que provoca a divi- são de áreas de matas natu- rais contínuas em partes me- nores.

A fragmentação da Mata Atlântica é um dos principais problemas que afeta e ameaça a preservação das espécies e a sustentabilidade da sua biodiversidade. As principais causas da fragmentação foram o au- mento do número de áreas urbanas, agrícolas, minerações, barragens, aterros, estradas e outras construções.

A Mata Atlântica foi considerada a segunda maior floresta brasileira estando hoje com cerca de 7% da sua área primitiva. Em algumas regi- ões não há vestígios da Mata, como, por exemplo, no Rio Grande do Norte. Avalia-se que 80% da Mata remanescente encontram-se em pro- priedades particulares e apenas 2% fazem parte das Unidades de Con- servação, instituídas pela Lei N° 9.985 de 18 de Julho de 2000 e regu- lamentadas pelo Decreto 4.340/2002 (PEIXOTO, 2004).

Crítico do papel desempe- nhado pelos bandeirantes, João Capistrano de Abreu (1853 - 1927), historiador brasileiro, deu ênfase às vio- lências por eles praticadas contra as reduções jesuíti- cas e as populações indíge- nas, episódios que Debret e Rugendas recriaram em seus

Representação da distribuição original da Mata Atlântica no Brasil. Fonte: SOS Mata Atlântica - www.sosmataatlantica.org.br

Representação da distribuição atual da Mata Atlântica no Brasil. Fonte: SOS Mata Atlântica - www.sosmataatlantica.org.br

Muitas regiões da Mata Atlântica estão inalteradas por estarem em locais de difícil acesso o que vem garantindo o abrigo de animais, a contenção das encostas, o banco de espécies da exuberante flora, e os mananciais hídricos que abastecem mais 70% da população brasileira.

Se a Mata Atlântica ocupou uma área estimada de 1,3 milhões de km2 e hoje existem apenas 7%

de sua área primitiva, então qual é a sua área atual?

Que fatores humanos contribuiram no processo de fragmentação e de redução da área primitiva?

ATIVIDADE

Você já ouviu falar em unidades de conservação?