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Os valores de PC foram encontrados para cada matéria-prima e para os briquetes. Os poderes caloríficos para a casca de coco e bagaço da cana sem umidade foram de 16,567 MJ/kg e 18,675MJ/kg, respectivamente. Com uma umidade de 11,35% e 10,89% o poder calorífico para o bagaço de cana e casca de coco foram de 14,554 MJ/kg e 10,157 MJ/kg, respectivamente. In natura, o bagaço da cana apresentou poder calorífico de 7,675 MJ/kg, enquanto que a casca de coco verde não iniciou combustão. Os poderes caloríficos para os briquetes foram de 16,495 MJ/kg para o briquete feito com 100% da casca de coco; 15,868 MJ/kg para o briquete feito com 100% de bagaço da cana; 16,236 MJ/kg para o briquete feito com 50% de bagaço de cana e 50% de casca de coco; 15,201

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MJ/kg para o briquete feito com 75% de casca de coco e 25% de bagaço de cana e 16,295 MJ/kg para o briquete feito com 75% de bagaço de cana e 25% de casca de coco.

Segundo Quirino (2011), o poder calorífico é a quantidade de calorias liberada por um material em sua combustão completa, dado normalmente em MJ/kg para os combustíveis sólidos, MJ/L para combustíveis líquidos e em MJ/m³ para os combustíveis gasosos. O poder calorífico é um parâmetro que mede a eficiência energética e serve como importante indicador, para se conhecer a capacidade calorífica de uma determinada espécie (OLIVEIRA, 1982). Os valores de PC encontrados mostraram-se bastante promissores quando comparados aos valores de outros tipos de biomassa citados na literatura, como por exemplo: arroz com 16,108 MJ/kg bagaço de cana com 17,317 MJ/kg (JENKINS, 1990) e palha do milho com 15,606 MJ/kg (QUIRINO et al. 2005). Os valores de umidade e poder calorífico obtidos no dia da coleta podem ser verificados na Tabela 4.

Tabela 4 - Poder calorífico e umidade

AMOSTRAS UMIDADE (%) PODER CALORÍFICO (MJ/kg)

BRIQUETE (100% COCO) 10,89 16,495

BRIQUETE (100% CANA) 11,35 15,868

BRIQUETE (50% COCO E 50% CANA) 11,12 16,236

BRIQUETE (75% COCO E 25% CANA) 10,99 15,201

BRIQUETE (25% COCO E 75% CANA) 11,23 16,295

Fonte: Autor.

Na Tabela 5 é apresentado o Poder Calorífico de algumas biomassas.

Tabela 5 – Poder calorífico de diversas biomassas.

BIOMASSA  PODER CALORIFICO (MJ/kg)        Bagaço de Cana  8,903  Lenha  12,958  Casca de Arroz  16,775  Eucalipto  18,420  Sabugo de Milho  18,972  Cascas de Castanhas  20,470  Carvão  30,900 

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Com base nos resultados de poder calorífico apresentados na Tabela 4, e fazendo uma comparação com os resultados do poder calorífico da Tabela 5, verificou-se que os briquetes feitos com os resíduos da casca de coco verde e bagaço da cana possuem um significativo potencial energético quando comparados às outras fontes de biomassa já existentes.

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6 CONCLUSÃO

A amostra do briquete feito com 100% da casca de coco apresentou o menor teor de cinzas (3,2%), o que a torna interessante para utilização como fonte energética em caldeirarias ou fornos industriais.

Os teores de voláteis foram de 77,84% para o briquete de feito com 100% da casca de coco; 75,76% para o briquete feito com 100% de bagaço da cana; 79,56% para o briquete feito com 50% de bagaço de cana e 50% de casca de coco; 78,96% para o briquete feito com 75% de casca de coco e 25% de bagaço de cana e 79,09% para o briquete feito com 75% de bagaço de cana e 25% de casca de coco, o que indica que as cinco amostras teriam a mesma facilidade para iniciar o processo de combustão.

O briquete feito com 100% da casca de coco apresentou um potencial energético melhor quando comparado aos demais briquetes, pois para um valor de umidade de 10,89% foi obtido um poder calorífico mais elevado.

As matérias-primas investigadas possuem significativo potencial energético e aplicabilidade como combustíveis sólidos quando comparadas às outras já existentes no mercado.

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