A hidroterapia é a terapia física que se utiliza os efeitos físicos, fisiológicos e cinesiológicos, advindos da imersão do corpo em piscina aquecida, como recurso auxiliar da reabilitação ou na prevenção de alterações funcionais (Caromano et al. 2003). Devido à liberdade de movimento que a água oferece é possível a realização de exercícios aeróbios e saltos conciliados com resistência muscular simultaneamente (Baum, 2000). Este tipo de intervenção facilita o atendimento em grupos, permite a recreação e a socialização que, associados com melhoras funcionais, afetam de forma positiva a auto-estima e autoconfiança dos idosos (Caromano e Candeloro, 2001), tornando a hidroterapia um meio agradável na realização de exercícios físicos.
O treinamento no meio aquático, de modo geral, ajuda a prevenir as disfunções e beneficia o desenvolvimento, melhoria, recuperação ou manutenção da função
musculoesquelética, (incluindo força e resistência muscular, flexibilidade e mobilidade), neuromotora (coordenação e equilíbrio) e resistência cardiovascular (Bates e Hanson, 1998). No entanto, estas afirmações se baseiam em achados clínicos e não existem estudos demonstrando o efeito de diferentes programas de exercícios aquáticos.
Os exercícios de fortalecimento com paciente submerso estão fundamentado nos princípios físicos da hidrostática, que permitem gerar resistência multidimensional constante aos movimentos (Campion, 2000). Essa resistência aumenta proporcionalmente à medida que a força é exercida contra ela. A água permite uma maior resistência ao movimento que o ar de seis a quinze vezes (White e Smith, 1999). Acredita-se que o paciente seja capaz de fortalecer os músculos sem pressão da força da gravidade (White e Smith, 1999) gerando uma sobrecarga mínima nas articulações (Clarke, 1992).
No treinamento de força muscular na água permite progressões de exercício de um estágio inicial (somente a resistência da água, que é maior que do ar) ao estágio intermediário e final (uso de flutuadores como resistência), ao mesmo tempo em que oferece apoio a estruturas instáveis ou em restabelecimento (Candeloro e Caromano, 2004), que segundo Pickles (2000) a progressão dos exercícios de força é um fator fundamental no treinamento de força muscular em idosos.
A graduação da resistência da força muscular na água se dá de várias maneiras, incluindo aumento dos números de repetições ou séries, inserção e/ou tamanho de equipamentos aquáticos, aumento da velocidade dos exercícios mudança na posição do paciente ou profundidade de imersão do corpo (Ruoti et al., 2000; Candeloro e Caromano, 2006).
Estudo realizado por Ide (2004), mostrou que exercícios aquáticos respiratórios melhoram a força muscular dos músculos inspiratórios de idosos saudáveis. Entretanto, a
força muscular dos músculos expiratórios não sofreu alteração, nem nos exercícios aquáticos nem nos exercícios em solo.
Com base no exposto acima e, considerando-se a relevância de embasar o tratamento fisioterapêutico preventivo visando ganho de força na população idosa, este estudo teve como objetivo avaliar o efeito de um programa de hidroterapia elaborado para ganho de força muscular e flexibilidade para indivíduos idosos, previamente sedentários, na força muscular, mensurada por meio de miometria.
3. MÉTODO
3.1. Objetivo
O objetivo específico deste estudo foi avaliar os efeitos de um programa preventivo de treinamento de força muscular e flexibilidade nas respostas do sistema musculoesquelético em pessoas previamente idosas e sedentárias utilizando piscina terapêutica.
Para isto, foi necessário planejar e executar objetivos gerais ou intermediários como, considerados aqui como complementares, a saber:
- Elaboração, aplicação e avaliação de um programa de ensino de adaptação ao meio aquático para idosos (anexo III);
- Comportamento da pressão arterial e freqüência cardíaca durante um programa preventivo de hidrocinesioterapia para mulheres idosas (anexo IV);
- Relato verbal de idosas para geração de informações sobre as categorias usadas para auto-avaliação dos efeitos do tratamento hidroterapêutico (anexo V);
3.2. Sujeitos
A divulgação convocando voluntários, foi realizada por meio de cartazes nos locais da pesquisa. Responderam ao chamado 56 mulheres e 7 homens. Em função da prevalência da disponibilidade de pessoas do sexo feminino, optou-se por trabalhar com esta população. Após a avaliação, vinte e duas idosas iniciaram o programa. Concluíram o programa de exercícios propostos 16 mulheres. A idade das mulheres variou entre 65 e 70 anos. Participaram como grupo controle 15 mulheres, igualmente selecionadas, que foram atendidas em programa de hidroterapia no final da coleta de dados. Durante o período de
treinamento as mulheres do grupo controle participaram de aulas sobre cuidados gerais com a saúde, em períodos de tempo equivalentes. Os grupos foram definidos por sorteio.
Para fins de inclusão no estudo, as participantes deveriam ser destras, apresentar parecer do médico afirmando que estas estavam em condições clínicas para freqüentar programa de exercícios físicos de baixa a moderada intensidade, em imersão em água aquecida, constatando não serem portadoras de patologias limitadoras para a prática de hidroterapia e não fazer uso de medicamentos. A pesquisadora confirmou, via telefone, os encaminhamentos. As participantes também declararam não ter praticado qualquer atividade física específica ou caminhadas regulares (mínimo 30 minutos, pelo menos duas vezes por semana), caracterizando o estado de sedentarismo há pelo menos cinco anos (Caromano, 1999).
Foram critérios de exclusão a falta ao treinamento sem reposição na mesma semana e falta de interesse nas atividades física durante as aulas. Todas concordaram com os termos de consentimento pós-informado do estudo aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Processo n. 602/05).
3.3. Local
O estudo foi realizado no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento do Curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP e o treinamento de hidroterapia na Escola de Natação Pool Center em São Paulo.
3.4. Material
O treinamento foi realizado em piscina terapêutica com dimensão de 4 por 2 metros e profundidade de 1,3 metros, em temperatura média de 32,5°C. Para avaliação de flexibilidade utilizou-se máquina fotográfica digital, 3.0 pixels marca Casio, e software Auto Cad 2000. Para mensurar a força muscular foi utilizado um miômetro, marca Lafayette.
3.5. Procedimentos
A pesquisadora realizou treinamento de 23 horas para aperfeiçoar a habilidade de avaliação de flexibilidade e força muscular. A avaliação dos sujeitos se deu em dois momentos distintos, antes e após a intervenção, realizados pela manhã, pelo mesmo examinador.
Em geral, reconhece-se o jovem idoso, com idade variando entre 60 e 65 anos, sem nenhuma restrição à realização de atividade física; o meio idoso, com idade variando entre 65 e 80 anos, com leves restrições à realização de atividade física; e o velho ou muito idoso, com idade superior a 80 anos e restrições na mobilidade e deambulação, podendo apresentar problemas cardiovasculares ou mentais (Heckeler, 1985). Considerando-se estes critérios, optou-se por trabalhar com jovens idosas, direcionando a seleção de sujeitos.