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Os fatores internos, para Empresa 1, influenciaram a adoção das práticas de GSCM, já que, por exemplo, a empresa buscou a certificação ambiental mesmo ainda não sendo uma grande exigência do mercado. Com isso, verifica-se que isso faz parte da missão ambiental da empresa e da sua estratégia de inovação. A empresa busca ainda pela eliminação de materiais contaminantes na sua produção para atingir a melhoria do desempenho ambiental e/ou econômico.

As entrevistadas da Empresa 2 acreditam que existe uma missão ambiental. A empresa foi fundada reciclando os solventes contaminados comprados de outras empresas. Então, diferentemente de apenas cumprir com as legislações ambientais, a empresa inovou ao verificar uma oportunidade com um resíduo. Enquanto todas as empresas descartavam seus solventes usados e contaminados, a empresa buscou fazer de sua reciclagem um negócio.

Os fatores internos são motivadores para a Empresa 3, pois, o gerente geral juntamente com os dois sócios, veem a necessidade de preocupações ambientais. As questões ambientais foram incluídas, então, na filosofia da empresa. Hoje a empresa tem uma estratégia de inovação de melhorar seus produtos pra que sejam menos impactantes ambientalmente. O entrevistado acredita que isso trará uma grande vantagem competitiva no futuro e que também é uma questão de sobrevivência da humanidade.

A assessora de diretoria, responsável pelas práticas ambientais da Empresa 4, acredita que não existia uma missão ambiental na empresa. Contudo, essa cultura ambiental foi trazida por ela e pelo estagiário que estão no departamento ambiental. Diferentemente de apenas cumprir com as legislações ambientais, os dois tentam implantar essa conscientização na empresa. Assim, analisam sempre maneiras de gerar menos impactos ambientais, por exemplo, a melhor forma de destinar todos resíduos da empresa. Porém, sempre existiu uma preocupação ambiental nas decisões da empresa da alta administração. Muitos investimentos têm sido feitos nessa área, como a contratação e alocação de funcionários para gerenciar essas práticas.

O Quadro 5.11 apresenta resumidamente as pressões para a adoção de práticas de GSCM das empresas pesquisadas de acordo com as categorias retiradas da literatura (fatores externos: regulamentação, mercado, concorrência, fornecedores e sociedade; e fatores internos).

Buscando uma melhor mensuração das pressões de GSCM por e entre casos foi adotada uma escala que variou de 0 (pressão inexistente ou não citada pelo entrevistado), 1

(baixa ocorrência ou pressão sentida), 2 (média ocorrência ou pressão sentida) e 3 (alta ocorrência ou pressão sentida). A mensuração baseou-se apenas nas respostas dos entrevistados. Não foram realizadas visitas técnicas nos casos estudados e tampouco foram obtidos documentação interna comprobatória das práticas citadas pelos entrevistados. A Tabela 5.3 ilustra a mensuração das práticas de GSCM nos casos estudados.

Quadro 5.11 – Resumo das Pressões para a adoção de práticas de GSCM das empresas pesquisadas

Tabela 5.3 – Mensuração das pressões para a adoção de práticas de GSCM das empresas pesquisadas

Fonte: Dados da pesquisa.

Constata-se, com a análise dos casos, que uma maior pressão para a adoção de práticas de GSCM verifica-se na Empresa 3. Isso deve-se ao fato de que além de sofrer pressão de regulamentações, como todas as outras empresas, esta empresa, que encontra-se no segmento de fertilizantes, recebe pressão também do mercado. A pressão do mercado é inerente ao segmento de fertilizantes, já que os clientes buscam por produtos mais eficientes e, por consequência, menos impactantes ambientalmente. Além disso, os concorrentes também influenciam, sendo que também estão buscando desenvolver produtos desejados pelos clientes e com a mesma finalidade, alta eficiência e baixo impacto. Com isso, essa

Pressões Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Empresa 4 Total %

Regulamentação

Regulamentos ambientais nacionais (tais como geração de resíduos,

produção mais limpa etc.). 1 1 1 1 4 33%

Regulamentos ambientais regionais (tais como geração de resíduos,

produção mais limpa etc.). 3 3 3 3 12 100%

Total 4 4 4 4

(%) 67 67 67 67

Moda - - - -

Mediana 2,0 2,0 2,0 2,0

Mercado

Consciência ambiental dos consumidores/clientes (cultural, 2 2 2 2 8 67%

Estabelecimento da imagem verde da empresa 3 1 1 2 7 58%

Vantagem relativa do produto verde em relação ao modelo anterior 1 0 2 1 4 33%

Total 6 3 5 5

(%) 67 33 56 56

Moda - - 2,0 2,0

Mediana 2,0 1,0 2,0 2,0

Concorrência

Estratégia ambiental dos fabricantes do mesmo produto 0 0 1 0 1 8%

Estratégia ambiental dos fabricantes de produtos substitutos 0 0 1 0 1 8%

Atividades profissionais do grupo industrial 0 0 2 0 2 17%

Total 0 0 4 0

(%) 0 0 44 0

Moda 0,0 0,0 1,0 0,0

Mediana 0,0 0,0 1,0 0,0

Fornecedores

Parceria ambiental com fornecedores 1 2 1 2 6 50%

Total 1 2 1 2

(%) 33 67 33 67

Fatores Internos

Missão ambiental da empresa 2 1 2 1 6 50%

Estratégia de inovação 2 0 2 1 5 42%

Responsabilidade para eliminação de materiais perigosos 2 3 2 2 9 75%

Melhoria nos desempenhos ambiental e/ou econômico 2 1 2 2 7 58%

Total 8 5 8 6

(%) 67 42 67 50

Moda 2,0 1,0 2,0 -

Mediana 2,0 2,0 2,0 1,5

Total das Empresas

Total 19 14 22 17

(%) 49 36 56 44

Moda 2,0 0,0 2,0 2,0

Mediana 2,0 1,0 2,0 1,0

necessidade de melhoria ambiental dos produtos já faz parte da inovação dos negócios da empresa e da sua missão. A Empresa 1, em segundo lugar, tem pressão das legislações, do mercado e dos fatores internos, mas não sente pressão da concorrência. Assim como a Empresa 4 que posiciona-se em terceiro. Ademais, essa empresa recebe influencia de alguns fornecedores, que realizam auditorias na empresa. E, por último, a Empresa 2, sente influência das legislações, do mercado e dos fatores internos, porém menos que as outras empresas. Contudo, assim como a Empresa 4, recebe influência de alguns fornecedores, que realizam auditorias na empresa.

Verifica-se na uma análise intercasos, que a maior pressão para a adoção de práticas de GSCM foi a Regulamentação, chamada também de pressão Coercitiva (LIN; LAN, 2013; ZHU; SARKIS, 2007; ZHU, SARKIS, LAI, 2011, ZHU, SARKIS, LAI, 2013). A Regulamentação já havia sido listada e verificada na revisão da literatura (DIABAT; GOVINDAN, 2011; LIN; LAN, 2013; LU; WU; KUO, 2007; SARKIS, 1998; WALKER; DI SISTO; MCBAIN, 2008; ZHU; SARKIS, 2007; ZHU; SARKIS; GENG, 2005; ZHU; SARKIS; LAI, 2007; ZHU; SARKIS; LAI, 2011; ZHU; SARKIS; LAI, 2013) e, como constatado nas empresas estudadas, a Regulamentação também foi uma das principais pressões identificadas por Beamon (1999), Green, Morton e New (1996), Holt e Ghobadian (2009), Walton et al. (1998) e Zhu et al. (2005). Esse fato pode ter relação com a forte regulamentação, tanto nacional tanto regional, existente para o setor químico, o que força as empresas a buscarem as licenças ambientais necessárias para atuarem no setor.

Em segundo lugar encontram-se os fatores internos, os quais também foram retirados da literatura (DIABAT; GOVINDAN, 2011; CARTER; ELLRAM; READY, 1998; CARTER; KALE; GRIMM, 2000; GREEN et al, 1996; HANDFIELD et al., 1997; LU; WU; KUO, 2007; SRIVASTAVA, 2007; TESTA; IRALDO, 2010; VACHON, 2007; WALKER; DI SISTO; MCBAIN, 2008; ZHU; COTE, 2004; ZHU; SARKIS, 2004; ZHU; SARKIS; LAI, 2007). Na pesquisa de Holt e Ghobadian (2009), os fatores internos também encontraram-se em segundo lugar das principais pressões para a adoção de práticas de GSCM. Sendo assim, percebe-se uma motivação internas nas empresas de quererem implementar as atividades ambientais ou melhorar as que já foram adotadas.

A pressão do Mercado ou Normativa (LIN; LAN, 2013; ZHU; SARKIS, 2007; ZHU, SARKIS, LAI, 2011, ZHU, SARKIS, LAI, 2013) ficou em terceiro lugar. Essa pressão já havia sido detectada pela literatura estudada (DIABAT; GOVINDAN, 2011; LIN; LAN, 2013; SARKIS, 1998; TESTA; IRALDO, 2010; WALKER; DI SISTO; MCBAIN, 2008; ZHU; COTE, 2004; ZHU; SARKIS, 2006; ZHU; SARKIS, 2007;ZHU; SARKIS; GENG,

2005; ZHU; SARKIS; LAI, 2007; ZHU; SARKIS; LAI, 2011; ZHU; SARKIS; LAI, 2013). Todavia, mesmo havendo a existência de influência dos clientes que estão exigindo ações ambientais de seus fornecedores, ainda há a necessidade de uma melhor conscientização dos mesmos para aceitarem e entenderem a importância de produtos menos impactantes ou que venham de empresas que tem uma filosofia ambiental, sendo que muitas vezes esses produtos apresentam um custo mais elevado. Assim, espera-se não apenas uma exigência das licenças legais e por produtos menos impactantes, mas que os clientes aceitem pagar um pouco a mais em troca desses benefícios ambientas.

Em quarto lugar ficou a pressão de fornecedores, que por uma questão de segurança e pelo motivo da corresponsabilidade pelos produtos, exigem certas licenças ambientais ou fazem auditorias com requisitos ambientais em seus clientes. Sendo assim, ainda não há, nas empresas estudadas, uma prática de pesquisa e desenvolvimento em conjunto com os fornecedores na busca por produtos ou embalagens menos impactantes ambientalmente (CARTER; KALE; GRIMM, 2000). Contudo, essa pressão foi verificada também nos artigos estudados (CARTER; KALE; GRIMM, 2000; DIABAT; GOVINDAN, 2011; KLASSEN; VACHON, 2003; SRIVASTAVA, 2007; TESTA; IRALDO, 2010; THEYEL, 2001; VACHON, 2007; WALKER; DI SISTO; MCBAIN, 2008; ZHU; COTE, 2004; SARKIS; LAI, 2007; ZHU; SARKIS; GENG, 2005).

Em quinto lugar, está a pressão da Concorrência ou Mimética (LIN; LAN, 2013; ZHU; SARKIS, 2007; ZHU, SARKIS, LAI, 2011, ZHU, SARKIS, LAI, 2013) que foi pouca citada, mas foi identificada nos artigos da literatura por muitos autores (GONZALEZ- BENITO; GONZÁLEZ-BENITO, 2005; LIN; LAN, 2013; RAO; HOLT, 2005; SARKIS, 2003; WALTON et al., 1998; ZHU; SARKIS, 2007; ZHU; SARKIS; GENG, 2005; ZHU; SARKIS; LAI, 2007; ZHU; SARKIS; LAI, 2011; ZHU; SARKIS; LAI, 2013). Essa pressão, todavia, pode estar relacionada com a de mercado, então, a pressão da concorrência pode ser uma consequência da pressão de mercado. Como apenas uma empresa citou a pressão da concorrência como uma influência e esta empresa é a de fertilizantes, em que seus clientes já pressionam para tornar seus produtos menos impactantes (pressão de mercado), o que pode implicar na criação de um mercado com uma melhor conscientização ambiental e, assim, partir para uma nova pressão que é a da concorrência, sendo que todos já estão buscando maior eficiência ambiental.

A pressão da sociedade, apesar de não ter sido considerada por nenhum dos casos, foi identificada na literatura pesquisada (WALKER; DI SISTO; MCBAIN, 2008; ZHU; SARKIS; GENG, 2005), mas em menor número de estudos que as outras pressões.

Com isso, não percebe-se, até então, a sua importância na influencia na adoção de práticas de GSCM nas empresas estudadas. Essa pressão ainda não é observada pelos entrevistados, pois talvez as PMEs não sejam, ainda, o foco de comunidades e grupos de defesa ambiental, como por exemplo, ONGs. Esses grupos podem estar se concentrando em influenciar apenas grandes empresas de setores diferentes ou iguais ao estudado. Além disso, todas as empresas afirmaram nunca terem sofrido grandes acidentes que causassem impactos ambientais, apenas a empresa 4 sofreu um acidente de média proporção dois meses antes da realização da entrevista e, mesmo assim, trabalhou junto com a CETESB para diminuir os impactos ambientais que poderiam ocorrer. Com isso, percebe-se que muitas vezes a sociedade não faz pressão sob as empresas, pois não veem os potenciais impactos que aquela empresa pode causar. Se houvesse um maior conhecimento da população sobre esses impactos, talvez as pessoas ficariam mais atentas às atividades, aos efluentes, às emissões e aos resíduos da empresa.

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