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Chapter 7 - Energy consumption minimisation

II. Optimized process parameters

3. Results analysis

Nos séculos XVIII e XIX o gerenciamento da qualidade baseava-se fundamentalmente em dois princípios, a inspeção do produto pelo consumidor e o conceito de artesanato; onde os compradores confiavam nas técnicas e reputação de artesãos treinados e experientes. Com a expansão do comércio além dos limites das aldeias, assim como o desenvolvimento das tecnologias e a necessidade de peças intercambiáveis, surgem à necessidade de uma inspeção formal (Juran 1990; Garvin, 1992).

Em 1956, divulgou-se a filosofia do Controle Total da Qualidade (Total Quality Control) por Armand Feigenbaum quem defendia a idéia de que a responsabilidade pelo controle da qualidade não devia ser somente do departamento de controle da qualidade, mas devia ser compartilhada entre todos os departamentos de uma organização. Desde então, a qualidade passou a ter implicações mais amplas no gerenciamento, passando de funções restritas à produção e operações fabris para funções diversificadas como compras, engenharia e pesquisa de marketing. Assim, os instrumentos utilizados para o controle da qualidade expandiram-se além da estatística, passando do conceito de controle da qualidade para gestão da qualidade (Marquesini, 1995; Garvin 1992).

Finalmente nas décadas de 70 e 80, surge um novo movimento na tentativa de modificar a visão negativista na qual postulava-se que se deixada de lado, a qualidade poderia prejudicar uma organização. Assim a qualidade passou a ser vista como uma oportunidade para vencer a concorrência, deste modo desenvolveu-se o conceito da gestão estratégica da qualidade, na qual os aspectos da qualidade foram reconhecidos e incorporados em toda a organização de maneira abrangente,

passando a ser considerada como uma arma competitiva para ganhar e manter os clientes através de atividades de desenvolvimento e melhoria estratégica (Garvin, 1992; Aravindan e Devasan, 1996).

De acordo com Fragata (2001), tomando como referencial a Economia da Qualidade Agroalimentar da Escola Francesa, tem-se a convenção como mecanismo de desenvolvimento desses instrumentos de controle de qualidade, que busca estabelecer, não uma qualidade padronizada, mas estabelecida pela convenção de atores sociais locais, ou regionais.

A qualidade agroalimentar deve ser repensada, pois é um conceito que se ampliou com a incorporação de inovações tecnológicas na agricultura e o comércio global. Hoje não se refere somente ao produto, mas leva em consideração as exigências do cliente ou consumidor e a coordenação que deve ser realizada ao longo de toda a cadeia produtiva Valceschini, E.; Nicolas, F. (1995).

A evolução histórica da qualidade demonstra o momento em que a qualidade passou de uma função isolada, independente e dominada por técnicos especialistas para ser considerado dentro do sistema empresarial como um todo. Deste modo surge a necessidade da criação de estruturas para a tomada de decisões e resolução dos problemas envolvendo vários setores da organização Garvin (1992).

O termo Gestão da Qualidade está relacionado com o conceito proposto Pelo mesmo autor, segundo o qual é essencial o estabelecimento de um sistema claro e bem estruturado para a identificação, documentação, coordenação e manutenção das atividades necessárias que garantam resultados de qualidade durante todo processo. Trata-se da implementação de normas para a execução e o aprimoramento contínuo da forma de realizar as atividades. Um SQ melhora e

mantém a qualidade de processos e produtos e enfatiza a busca pela realização dos objetivos e dos desejos dos clientes.

Outra manifestação sobre a qualidade foi a de Toledo (1997, p. 439) a qual menciona que: a qualidade tem duas dimensões: “Uma dimensão objetiva, ou qualidade primária, que se refere à qualidade intrínseca da substância – ou seja, dos aspectos relativos às propriedades físico-químicas – impossível de ser separada desta e independente do ponto de vista do ser humano. Uma dimensão subjetiva, ou qualidade secundária, que se refere à percepção que as pessoas têm das características objetivas e subjetivas, ou seja, está associada à capacidade que o ser humano tem de pensar, sentir e de diferenciar em relação às características do produto”.

A palavra qualidade é usualmente utilizada de forma genérica para referir produtos, processos e organizações, sem que isso fique explícito. Isto sugere uma ampla abrangência de conceitos os quais podem assumir diferentes significados para diferentes autores, situações e mesmo para cada área de uma empresa Marquesini (1995).

De acordo com CASTILLO (2006) o termo qualidade da carne é um conceito bastante amplo, complexo e ambíguo, que envolve diversos aspectos inter- relacionados, englobando todas as etapas da cadeia agroindustrial desde o nascimento do animal até o preparo para o consumo final da carne in natura e de produtos cárneos processados. O conceito em si varia conforme as regiões geográficas, as classes sócio-econômicas, as diferentes visões técnico-científicas, industriais e comerciais, questões culturais entre outros aspectos. Oscila também de acordo com as características próprias de cada consumidor e com suas preferências individuais, possuindo dessa forma muitas variáveis.

Já para CAMPOS (1999) produto ou serviço de qualidade é aquele que atende perfeitamente (projeto perfeito), de forma confiável (sem defeitos), de forma acessível (baixo custo), de forma segura (segurança do cliente) e no tempo certo (entrega no prazo certo, no local certo e na quantidade certa) às necessidades do cliente.

O fato de se ter como exemplo o sistema de identificação dos países europeus evidencia que tal sistema não é transferível ao Brasil. No caso da Europa a rastreabilidade pode ser discutida apenas como uma questão reflexiva, pois houve questões sanitárias relevantes que trouxeram riscos à população e desencadearam a necessidade de sua implementação.

No Brasil a implantação do SISBOV ocorreu especificamente para atendimento a mercados com países que passaram a exigir a rastreabilidade. Países estes onde boa parte dos mesmos tiveram ocorrência de algum desafio sanitário, como o da vaca louca e, nestas condições a rastreabilidade passou a ser um meio de controle de multiplicação da doença.

Assim, no Brasil o SISBOV teve início para controlar o transito e o sistema de produção e alimentação dos bovídeos, de certa maneira com alguma preocupação na prevenção da multiplicação de passíveis doenças, mas não em decorrência de casos efetivos de doenças animais, pois nunca houve questões sanitárias reais e de relevância atreladas ao SISBOV. Isto explica a ocorrência de resistência por parte dos produtores em adotá-lo como um Sistema obrigatório como foi previsto em 2002. Também merece ser destacado que o enforcement de uma medida muitas vezes só é possível em determinadas culturas e tradições. A experiência da indiferença das grandes redes de supermercados existentes no país com esta pesquisa demonstra a falta de enforcement para o fortalecimento do SISBOV.

Hoje os supermercados já respondem por cerca de 70% da distribuição de carne bovina no País e algumas redes já utilizam de estratégias para controlar fornecedores e seus sistemas de produção. Entretanto nenhuma delas utiliza o SISBOV como instrumento de controle, criam seus próprios procedimentos e isto certamente contribui para o enfraquecimento do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina que mantem todo um procedimento de controle e certificação oficial.

Isto demonstra a necessidade de futuras pesquisas para analisar os motivos que levaram estas redes a criarem seus próprios sistemas de garantias de origem, e porque nenhuma delas adotou as regras do SISBOV como regra de controle dos fornecedores e do sistema de produção da carne bovina.

Por outro lado também merece serem pesquisados os motivos que levam, tanto o consumidor interno quanto os importadores, a aceitarem regras de certificação de produção totalmente privadas e sem a chancela ou a certificação oficial do governo nos sistemas adotados.

No Brasil a preocupação maior é a de qualidade e não a de risco, e com não teremos um sistema como a UE, resultando em sistemas isolados de redes varejistas ou de frigoríficos. Com isto surge a base teórica para estudos futuros que é a da economia das convenções ao invés da economia da regulação.