Este apêndice reúne questões elaboradas por Cintia Alves da Silva ao editor Caio Ramacciotti, do Geem – Grupo Espírita Emmanuel, de São Bernardo do Campo, SP – acerca das cartas fami- liares psicografadas por Chico Xavier. As respostas foram obtidas por e-mail, nos meses de junho de 2011 e janeiro de 2012.
1. Entre as compilações epistolares do Chico, quais dos livros edi- tados pelo Geem atingiu a maior tiragem? Li que o Jovens no além (1975) poderia ser considerado um best-seller entre os livros de cartas. Essa informação confere? Gostaria de saber, por ordem, quais os livros de gênero epistolar com as maiores tiragens (os três títulos mais importantes).
R: Mais vendidos:
1) Jovens no além – 173 mil exemplares. 2) Somos seis – 124 mil exemplares.
3) Empatados: Adeus solidão, Viajaram mais cedo e Vida no além, entre 35-36 mil exemplares.
Os livros de familiares têm boa aceitação, variando a tiragem conforme o ano de edição, estando os outros entre 20 e 30 mil exemplares.
No site nosso www.geem.org.br, no menu, você encontrará em Livros uma tentativa de ordenação. Os que no momento lhe interessam mais estão na “coleção Jovens no além”.
2. O Sr. saberia me responder se há alguma lista com a classifi- cação de “gêneros” da obra psicográfica do Chico Xavier? Uma das maiores dificuldades para a pesquisa das obras do Chico Xavier se dá pela falta de uma definição dos tipos de texto que cada livro abarca (considerando a extensão de sua obra, o que torna inviável a aquisição de todos os exemplares para a conferência de seus respectivos gêneros textuais). Essa classificação de gênero (carta, conto, romance, poesia etc.), consta das sinopses ou das fichas catalográficas dos livros (re) editados pelo Geem?
R: Acho que falta essa classificação a que você se refere. Posso dar uma tentativa de minha parte, sem me deter com mais profun- didade. A obra do Chico é polimorfa, tendo como pano de fundo a divulgação da mensagem de Jesus na roupagem espírita. É composta de romances históricos (Emmanuel), rigorosos nas informações his- tóricas e doutrinárias.
Temos os romances de André Luiz, que falam da vida de relação plano físico-plano espiritual, com a vivência prática dos pilares dou- trinários: reencarnação, vida após a morte e consequências diretas do nosso comportamento, dentro do livre arbítrio, que acaba gerando o remorso ou as conquistas espirituais, o que define de certa forma o nosso futuro, através das vivências reencarnatórias.
Há livros de perfil científico (André Luiz), de crônicas, magistral- mente escritas por Humberto de Campos, livros que discutem à luz da doutrina os problemas da atualidade (coleção Chico-Herculano Pires), de estudo do evangelho, da mediunidade e obras voltadas ao consolo e que nos chama à ponderação sobre nossas responsabili- dades espirituais (são os livros de mensagens). O lado poético está presente de forma clara no Parnaso e outros livros e na trova que traz
vivências práticas. Também a poesia, assinada por vates incontestá- veis, vem travestida dos conceitos espíritas.
3) Qual a importância das cartas familiares na obra de Chico Xavier?
R. Quanto à importância das cartas, devo dizer-lhe que entre- vistei nos idos de 70 e 80 mais de uma centena de familiares, muitos dos quais expressaram seu depoimento nos livros de nossa “coleção
Jovens no além”, além de ter testemunhado recepção de mensagens
pelo Chico, que estão em livros de outras editoras, e, em sua maioria, perderam-se no anonimato.
Vi familiares sorrirem e vi muitas vezes o Chico chorar.
A atuação do Chico, como medianeiro, a inumeráveis famílias é incomensurável. O tempo, ao sedimentar com mais detalhes a atuação do grande amigo, observará que Chico Xavier foi o missio- nário de Jesus no século XX, uma fusão de exemplos do passado, transmitidos pelos discípulos de nosso Mestre, que iluminaram a Terra, através dos tempos.
4) Nos comentários dos livros Jovens no além e Somos seis, não encon- trei uma informação que gostaria muito de saber: os jovens Jair e Augusto se comunicavam, de acordo com as famílias, com o vocabulário que apresen- tavam nas cartas (uso de gírias, expressões informais etc.)? Nas entrevistas com os familiares, você chegou a questionar se havia semelhança entre os estilos desses jovens nas cartas e nas suas formas de dizer enquanto vivos?
R: Do Jair não me lembro. Particularmente achei o linguajar de ambos oportuno e interessante para os jovens.
Telefonei agora para a D.Yolanda, mãe do Augusto, e ela me disse que não era hábito do filho falar em gíria. Perguntou ao Chico, na época do lançamento de Falou e disse, e ele explicou que o Augusto, por orientação espiritual, se dirigia, com aquele jeito de falar, de modo especial, aos jovens envolvidos com droga, atendendo assim a orientação dos Benfeitores.
Há outros livros do Augusto em que ele se expressa sem gíria, de maneira reconhecida pela D. Yolanda, como seu modo habitual de expressar-se.
Editamos do Augusto, além de Jovens no além e Somos seis (com outros jovens): Augusto vive, Falou e disse, Fotos da vida, Presença de luz.
[...] Quanto ao Laurinho, conheci sua mãe, a Priscilla, mas não foi por nós editado. Esses livros com mensagens só do Augusto somam uma tiragem de 80.500 exemplares. O Falou e disse é o mais vendido deles com mais de 35 mil exemplares, o que atesta que o linguajar caiu bem...
5) Como era o procedimento de transcrição das cartas familiares?
R: Em nossos contatos, os familiares me entregavam o original de que tirava xérox (por vezes, gentilmente já traziam, com o original, uma cópia).
O texto sempre foi, para mim, de fácil entendimento. Raríssimas dúvidas eram esclarecidas, pois o familiar se lembrava da leitura feita pelo Chico na reunião em que a(s) mensagem(s) foram psico- grafadas. Eu mesmo as datilografava e quando, às vezes, já estavam datilografadas, eu conferia com o original.
6) Em relação ao processo de edição: quais eram os tipos de inter- venção mais comuns nos textos psicografados? Quais eram os critérios para a correção ou substituição de palavras nos textos? Em que casos poderia haver a exclusão de trechos ou informações contidas nas cartas?
R: Não ocorreram esses problemas. A única revisão feita era sobre pontuação, para eventuais acertos de vírgulas ou abertura de parágrafos longos, sempre sob a minha responsabilidade. Um fato diferente que ocorreu foi com o Somos seis, em que a genitora de um dos autores, o Wilson Willian Garcia, jovem falecido no incêndio do Joelma, muito chocada pela extrema dor, pediu que não colocássemos a foto do filho no livro. Em respeito a essa nobre senhora, muito atenciosa e prestativa conosco, não colocamos fotos de nenhum autor no livro.
No início, eu visitava os familiares em suas casas: estive em Perus, em Santa Rita do Passa Quatro, em Santos, visitei muitas famílias na capital. Posteriormente, devido a dificuldades de tempo, passei a recebê-los aqui no Geem.
Foi uma experiência muito sofrida em que conheci pessoas extraordinárias.
[...] Como curiosidade, a pedido meu, o Chico revia-me os textos e, muitas vezes, com a educação e fineza de trato que o caracteri- zava, sugeria modificações, atenuando construções complexas ou trocando palavras que o tempo desgastou ou pareciam inadequadas. Orgulho-me muito da confiança e da paciência que ele demonstrava em nossos contatos.