6. Årsregnskap
6.5. Resultatregnskap og balanse
Ao falarmos anteriormente do conceito de “normalidade” e de patologia, remete- nos de imediato para a “tarefa” da reorganização psíquica dos adolescentes. Assim, no processo adolescencial, as reorganizações psíquicas significativas têm como consequência uma vulnerabilidade relativa do equilíbrio psicoafectivo, que permite uma gradual e particular forma de funcionamento psíquico. Com tal, o conceito de reorganização psíquica também é útil para compreender melhor a psicopatologia na adolescência, bem como, para tentar perceber melhor a antiga noção de “patologia reactiva”. Contudo, o termo “perturbação reactiva” é utilizado com mais frequência para a criança, apesar de os factores do ambiente (externos) serem considerados muitas vezes como elementos de incitação aos vários comportamentos desviantes do adolescente (Marcelli & Braconnier, 2005). Neste sentido, parece-nos que, embora com alguma cautela, poderemos pensar em situações ambientais propícias ao desenvolvimento desviante ou desequilibrado do próprio adolescente, nomeadamente, interacções relacionais com a sua própria família entre outros elementos do seu contexto. Desta forma, muitos autores tentam associar a psicopatologia do indivíduo a determinantes ambientais, seja a família ou o espaço social mais próximo. Assim, para Jeammet existe um “espaço psíquico alargado”, pois este afirma que, o adolescente abandona algumas pessoas do seu ambiente, uma parte das suas instâncias psíquicas procurando obter, por intermédio do exterior, satisfações pulsionais ou, de forma oposta, limitações superegóicas que não pode autorizar ou impor-se a si mesmo. Para este autor, esta passagem para o exterior é diferente da identificação projectiva porque é mais global e mais superficial, mas torna o adolescente simultaneamente mais dependente e mais vulnerável às condições do ambiente. Atendendo à natureza específica dos vínculos que o adolescente estabelece com o seu ambiente, torna-se particularmente dependente e sensível às pressões e mudanças que esse ambiente pode então provocar, nomeadamente, a perda deste vinculo de complementaridade pode provocar uma quebra no desenvolvimento e danos extremos. Assim, torna-se particularmente difícil a divisão simplista dos factores do ambiente e da psicologia ou psicopatologia individual. De
acordo com Ladame, a patologia do adolescente deve ser compreendida segundo duas perspectivas: por um lado, esta está muitas vezes relacionada com vicissitudes do primeiro desenvolvimento, por outro, a actualização dessa patologia na adolescência revela os defeitos do presente ambiente. Este autor refere-se a um exemplo desta abordagem dinâmica: a tentativa de suicídio corresponde a um momento particular marcado pela associação entre os movimentos psicoafectivos internos e as presentes condições ambientais. Ou seja, a ligação entre “o dentro e o fora” (cit in Marcelli & Braconnier, 2005). Segundo estes últimos autores, verifica-se através destes exemplos o risco de uma excessiva generalização do conceito de patologia reactiva. A consideração das condições externas poderá servir para compreender a escolha deste ou daquele comportamento sintomático, não descurando a distinção dos diversos patamares que intervêm na sua génese. Assim, distinguem três níveis essenciais, são eles: Factores psicopatológicos particulares, dizem respeito às primeiras relações de objecto sobre a organização específica do indivíduo, a natureza destas primeiras relações de objecto influi sobre o tipo actual de relação de objecto que o adolescente estabelece com o seu meio ambiente. Dando um exemplo, pode-se considerar que o comportamento toxicomaníaco está associado a uma relação de objecto precoce marcada pelo registo da dependência, enquanto o comportamento psicopático remete para relações de objecto precoces marcadas pela projecção e o comportamento suicida, para relações precoces marcadas pela ambivalência e pelo retorno sobre si da agressividade; Factores de risco gerais, definem-se por situações reforçadas pelos inquéritos epidemiológicos que levam a um aumento das taxas de morbilidade: nível socioeconómico, estrutura legal da família (presença de dois pais, ou falecimento de um dos pais, ou divorcio...), doença física ou mental de um dos pais, entre outros. Estes comportamentos de risco gerais têm um papel evidente para a psicopatia e os comportamentos suicidas, e um papel talvez menos relevante para os comportamentos toxicomaníacos; Factores facilitadores ou factores de incitação, estes referem-se às condições externas temporárias que, na altura da adolescência podem provocar ou, por outro lado, contrariar algumas tendências do indivíduo. Segundo A. Freud “os desejos sexuais e agressivos outrora recalcados vêm à superfície e são realizados, desenrolando-se a acção fora da família, num horizonte
mais amplo. Que essa passagem ao acto ocorra num plano inofensivo, idealista, associal ou mesmo criminal dependerá antes de mais dos novos objectos aos quais o adolescente se vinculou. De um modo geral as aspirações de um líder do grupo de adolescentes ou do gang são adoptadas com entusiasmo e sem crítica” (1958, cit in Marcelli & Braconnier, 2005, p. 450). Desta forma, a unificação do bando pode promover a expressão de alguns comportamentos nos indivíduos que não as teriam exteriorizado noutras condições. Pode-se então considerar que os factores de incitação revelam os comportamentos toxicomaníacos ou psicopáticos, pois a possibilidade de obter droga com bastante facilidade é um factor de incitação que envolve o adolescente predisposto (aquele cuja a estrutura psíquica está organizada em torno da relação de dependência), mas que também pode induzir um consumo de droga naquele que evolui num meio de riscos (factores de risco gerais). Também um contexto social facilitador (subúrbio urbano, bando de adolescentes que não trabalham e marginais) poderá induzir comportamentos delinquentes. É também possível que, na ausência de factores de incitação, a tentativa de suicídio pode representar o modo de agir do indivíduo exposto apenas a factores de risco gerais. Estes autores consideram três níveis de factores: 1- Factores psicopatológicos, internos e individuais; 2 - Factores de risco gerais, familiares e socioeconómicos; 3 - Factores de incitação, ambientais e actuais. Esta organização permite uma compreensão mais rigorosa e progressiva das relações entre o sujeito e o seu ambiente, do que a noção de perturbação reactiva, que se afigura muito vaga e extensiva. Por outro lado, segundo Martins (2005), existem factores de protecção externos relativamente ao perfil da resiliência dos jovens, nomeadamente, o envolvimento familiar, boas relações afectivas com os pais ou substitutos, apoio emocional e relacionamentos com outros familiares significativos para o jovem. Assim, podemos pensar na existência de factores de risco e de factores protectores (externos), ou seja, em recursos familiares protectores e recursos familiares vulneráveis ou de risco para o desenvolvimento psicológico das crianças e jovens.