Nas empresas de fabricação de fio têxtil a maior parcela de custos está
relacionada com a aquisição de matéria-prima, daí a importância que assume a gestão
dos stocks de matéria-prima.
Uma das problemáticas deste tipo de indústrias é que a maior parte da matéria-
prima utilizada é um produto natural, como por exemplo a fibra de algodão na qual
nunca se consegue obter uma homogeneidade total das características. Assim, caso o
nível de stock baixe substancialmente irá provocar alterações nas misturas, originando
mudanças das características e tonalidades e consequente irregularidades e perdas de
qualidade do fio.
As fiações possuem características específicas, pois precisam de trabalhar
sempre com uma determinada quantidade de stock de matéria-prima, para manterem as
constituições de misturas, e para assim tentar manter a máxima qualidade e evitar falhas
na produção. Para tal, o aprovisionamento e gestão das matérias-primas é parte crucial
para a empresa. Na Somelos S.A. existem três armazéns de matéria-prima, em que no
armazém 1, são armazenadas as fibras sintéticas como Poliéster, Poliamida, Acrílico,
Elastano entre outras, fornecendo as três fiações. Já o armazém 2 acondiciona as ramas
de algodão, que podem ser de várias origens, como Egipto, Ganda, Burkina, Zimbabué,
que também fornece as três fiações.
Por fim o armazém 3 armazena as fibras artificias: Viscose Mat e Brilhante,
Modal, Lyocel e Cupro já tingidas. Acondiciona ramas de algodão tingidas em cor,
possui também alguns artigos já obsoletos. Este armazém é mais requisitado pela fiação
Fiafio.
De relembrar que estes três armazéns estão divididos fisicamente devido ao risco
de contaminação das fibras.
A gestão de stocks feita na empresa não é assente em nenhum modelo bem
definido, sendo que a maior preocupação que existe relativamente a esta área, é que o
stock de matéria-prima seja o suficiente para fazer face às encomendas.
O controlo e a gestão de stocks estão informatizados no sistema da Somelos Fios
S.A., que fornece dados dos stocks existentes em armazém. Permite também saber quais
as quantidades que entraram para as fiações. No entanto, estes dados não são
atualizados em tempo real, o que dificulta o planeamento da produção em relação às
quantidades de matéria-prima disponíveis em stock. É também possível saber qual o
fornecedor, o lote, e a classificação da MP. Toda essa gestão é feita pelo responsável de
armazém que tem de estar regularmente a visualizar as quantidades de stock no sistema
informático.
A filosofia que se tem tentado aplicar na empresa é o Just in Time (JIT), que
segundo o diretor produtivo tem sido difícil de implementar, quer pelo afastamento
geográfico de alguns fornecedores, quer pelo encurtamento do ciclo de encomendas,
que implica a existência de stocks mínimos em armazém capazes de responder às
necessidades dos clientes.
O facto de a matéria-prima por vezes chegar a níveis baixos ou mesmo escassear
não é vantajoso para este tipo de indústrias, pois como são matérias-primas de origem
natural, como é o caso do algodão, estes possuem características diferenciadas
consoante a região de produção, o armazenamento e o tempo de transporte. Se as
características das fibras estiverem com alterações muito significativas isso irá
influenciar diretamente a qualidade do fio produzido.
As matérias-primas são fundamentais para a qualidade final de um produto, de
tal forma que neste setor de fabrico requerem exigente classificação de vários fatores de
elevada importância nas diversas fibras, o que origina uma constante monitorização das
variáveis.
Aquando da entrada da matéria-prima na empresa, o responsável regista todas as
informações da nota fiscal do fornecedor como: origem, fornecedor, volumes de fardos,
tamanho dos fardos, números dos fardos e pesos originais contidos no documento da
carga.
Posteriormente, efetua-se a pesagem de cada fardo sendo retirada uma amostra
para classificação visual. Para auxiliar no processo de aquisição de matéria-prima, a
empresa possui no laboratório um aparelho para classificação de fibras denominado de
HVI (High Volume Instrument). Este equipamento possibilita a análise das seguintes
características de fibras: comprimento, uniformidade, finura (micronaire), resistência,
maturidade, classificação de cor e impurezas.
Com estas características é possível ao responsável de armazém classificar os
diversos fardos de um determinado lote com as letras A, B e C conforme a sua
qualidade. A letra A corresponde ao melhor e a C ao pior. Estas informações permitem
mais tarde poder programar a sua forma de consumo (misturas programadas), pois nas
salas de abertura das indústrias são utilizados fardos de diversos lotes, e ajustar as
máquinas.
Depois desta classificação apenas são impressas etiquetas de código de barras
para os fardos de algodão, sendo que as restantes fibras não possuem esse tipo de
identificação em etiqueta. Quando o fardo vai para o processo produtivo basta apenas
com a pistola de leitura de código de barras dar baixa.
A Somelos Fios trabalha com diversas fibras para conseguir desenvolver os
diversos tipos de fio. Como tal, nem todos os fardos de determinada matéria-prima são
consumidos na totalidade, pois existem composições de fio que levam diferentes
percentagens de matéria-prima. Este fator leva a que existam por vezes em armazém
pequenas quantidades de matéria-prima, o que requer um maior cuidado na gestão deste
stock, fazendo com que o respetivo armazém apresente uma menor rotatividade global.
De seguida apresenta-se imagens (figura 3.3) do armazém das matérias-primas da
empresa.
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Dokument 18 (2020–2021)
(sider 46-51)