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In document Dokument 18 (2020–2021) (sider 46-51)

Nas empresas de fabricação de fio têxtil a maior parcela de custos está

relacionada com a aquisição de matéria-prima, daí a importância que assume a gestão

dos stocks de matéria-prima.

Uma das problemáticas deste tipo de indústrias é que a maior parte da matéria-

prima utilizada é um produto natural, como por exemplo a fibra de algodão na qual

nunca se consegue obter uma homogeneidade total das características. Assim, caso o

nível de stock baixe substancialmente irá provocar alterações nas misturas, originando

mudanças das características e tonalidades e consequente irregularidades e perdas de

qualidade do fio.

As fiações possuem características específicas, pois precisam de trabalhar

sempre com uma determinada quantidade de stock de matéria-prima, para manterem as

constituições de misturas, e para assim tentar manter a máxima qualidade e evitar falhas

na produção. Para tal, o aprovisionamento e gestão das matérias-primas é parte crucial

para a empresa. Na Somelos S.A. existem três armazéns de matéria-prima, em que no

armazém 1, são armazenadas as fibras sintéticas como Poliéster, Poliamida, Acrílico,

Elastano entre outras, fornecendo as três fiações. Já o armazém 2 acondiciona as ramas

de algodão, que podem ser de várias origens, como Egipto, Ganda, Burkina, Zimbabué,

que também fornece as três fiações.

Por fim o armazém 3 armazena as fibras artificias: Viscose Mat e Brilhante,

Modal, Lyocel e Cupro já tingidas. Acondiciona ramas de algodão tingidas em cor,

possui também alguns artigos já obsoletos. Este armazém é mais requisitado pela fiação

Fiafio.

De relembrar que estes três armazéns estão divididos fisicamente devido ao risco

de contaminação das fibras.

A gestão de stocks feita na empresa não é assente em nenhum modelo bem

definido, sendo que a maior preocupação que existe relativamente a esta área, é que o

stock de matéria-prima seja o suficiente para fazer face às encomendas.

O controlo e a gestão de stocks estão informatizados no sistema da Somelos Fios

S.A., que fornece dados dos stocks existentes em armazém. Permite também saber quais

as quantidades que entraram para as fiações. No entanto, estes dados não são

atualizados em tempo real, o que dificulta o planeamento da produção em relação às

quantidades de matéria-prima disponíveis em stock. É também possível saber qual o

fornecedor, o lote, e a classificação da MP. Toda essa gestão é feita pelo responsável de

armazém que tem de estar regularmente a visualizar as quantidades de stock no sistema

informático.

A filosofia que se tem tentado aplicar na empresa é o Just in Time (JIT), que

segundo o diretor produtivo tem sido difícil de implementar, quer pelo afastamento

geográfico de alguns fornecedores, quer pelo encurtamento do ciclo de encomendas,

que implica a existência de stocks mínimos em armazém capazes de responder às

necessidades dos clientes.

O facto de a matéria-prima por vezes chegar a níveis baixos ou mesmo escassear

não é vantajoso para este tipo de indústrias, pois como são matérias-primas de origem

natural, como é o caso do algodão, estes possuem características diferenciadas

consoante a região de produção, o armazenamento e o tempo de transporte. Se as

características das fibras estiverem com alterações muito significativas isso irá

influenciar diretamente a qualidade do fio produzido.

As matérias-primas são fundamentais para a qualidade final de um produto, de

tal forma que neste setor de fabrico requerem exigente classificação de vários fatores de

elevada importância nas diversas fibras, o que origina uma constante monitorização das

variáveis.

Aquando da entrada da matéria-prima na empresa, o responsável regista todas as

informações da nota fiscal do fornecedor como: origem, fornecedor, volumes de fardos,

tamanho dos fardos, números dos fardos e pesos originais contidos no documento da

carga.

Posteriormente, efetua-se a pesagem de cada fardo sendo retirada uma amostra

para classificação visual. Para auxiliar no processo de aquisição de matéria-prima, a

empresa possui no laboratório um aparelho para classificação de fibras denominado de

HVI (High Volume Instrument). Este equipamento possibilita a análise das seguintes

características de fibras: comprimento, uniformidade, finura (micronaire), resistência,

maturidade, classificação de cor e impurezas.

Com estas características é possível ao responsável de armazém classificar os

diversos fardos de um determinado lote com as letras A, B e C conforme a sua

qualidade. A letra A corresponde ao melhor e a C ao pior. Estas informações permitem

mais tarde poder programar a sua forma de consumo (misturas programadas), pois nas

salas de abertura das indústrias são utilizados fardos de diversos lotes, e ajustar as

máquinas.

Depois desta classificação apenas são impressas etiquetas de código de barras

para os fardos de algodão, sendo que as restantes fibras não possuem esse tipo de

identificação em etiqueta. Quando o fardo vai para o processo produtivo basta apenas

com a pistola de leitura de código de barras dar baixa.

A Somelos Fios trabalha com diversas fibras para conseguir desenvolver os

diversos tipos de fio. Como tal, nem todos os fardos de determinada matéria-prima são

consumidos na totalidade, pois existem composições de fio que levam diferentes

percentagens de matéria-prima. Este fator leva a que existam por vezes em armazém

pequenas quantidades de matéria-prima, o que requer um maior cuidado na gestão deste

stock, fazendo com que o respetivo armazém apresente uma menor rotatividade global.

De seguida apresenta-se imagens (figura 3.3) do armazém das matérias-primas da

empresa.

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