4.3 To hovedveier til økt lønnsomhet
4.3.1 Resultatgrad
Para se discutir sobre o que seria o termo letramento digital, faz-se necessário que seja abordado propedeuticamente o que é letramento. Em sua obra, Magda Soares trata das consequências sociais e culturais que a escrita proporciona, tanto a um grupo social quanto ao próprio indivíduo que dela fazem uso. Segundo a autora, “letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita” (SOARES, 2006, p. 18).
Quanto melhores e mais abrangentes forem as habilidades de leitura e escrita, em determinados contextos sociais, maiores serão as exigências de avaliação do letramento dessa população. Com o advento das TIC, novas oportunidades de letramento surgem a cada momento e elas devem estar disponíveis a toda população. A esse respeito, Magda Soares (2006) ressalta que “o letramento é, sem dúvida alguma, pelo menos nas modernas sociedades industrializadas, um direito humano absoluto, independente das condições econômicas e sociais em que um dado grupo humano esteja inserido” (SOARES, 2006, p. 120).
Este é um tema amplo que, além do uso dos equipamentos da TIC, envolve a questão do direito ao acesso à educação, à alfabetização e ao letramento, agora também digital. Vera Masagão Ribeiro, Sérgio Haddad e outros consideram que o processo de aquisição do código escrito é, antes de tudo,
“um processo de conhecimento por parte do sujeito que aprende, portanto
uma aquisição cognitiva, novas condutas metodológicas são indicadas [...] como recomendações que: [...] se reconheçam a capacidade real do adolescente/adulto alfabetizando, capacidade esta de reconhecer a escrita a partir do contexto extra-escolar [...]; que sejam os mais variados de maneira a incentivar a leitura e a escrita desde o início do processo; que se desenvolvam habilidades e hábitos escolares (atenção, concentração, capacidade de anotar, expressão verbal, uso de régua, recortar e colar, utilizar biblioteca, entre outras) com o sentido de auxiliar o desempenho e garantir autonomia do alfabetizando.” (RIBEIRO et al., 1992, p. 85-86).
Os hábitos e práticas escolares descritos acima podem ser realizados também meio de programas de computador.
Conforme nos aponta Rachel Barker e Joe Gardiner (2007), as TIC aplicadas à educação são vistas como formas de derrubar algumas barreiras educacionais, promover transformações ao ensino e à aprendizagem e ajudar àqueles que lutam contra algumas formas tradicionais de aprendizagem.
Ao analisar os conceitos de alfabetização e letramento em nossa sociedade, Roxane Rojo (2010) destaca que, no Brasil, os problemas em relação ao letramento dos atuais educandos são maiores do que em relação à sua alfabetização. Por isso, existe a necessidade de se criar na escola os eventos de letramento que insiram seus estudantes em práticas letradas da contemporaneidade e que busquem desenvolver neles as competências e capacidades atuais de leitura e escrita. A autora relata que isso decorre em função da chegada, em grande número, da camada popular à escola somente nesses últimos vinte anos. Porém, o nível de letramento exigido nesse período também aumentou. Como exemplo, ela cita a capacidade de interpretação dos textos e das informações da sociedade atual.
Na primeira metade do século XX, considerava-se alfabetizado aquele que soubesse apenas assinar o próprio nome, conforme pesquisou Rojo (2010). Porém, no início da segunda metade do século passado, essa capacidade já era considerada insuficiente e considerava-se nessa condição aquele conseguisse ler, escrever e compreender um pequeno enunciado que fosse ligado ao seu cotidiano. Já no final dos anos 1970, uma pessoa seria considerada alfabetizada, conforme avaliação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), se ela tivesse a capacidade de se engajar nas atividades da vida e da cultura de seu grupo ou de sua comunidade, em que se fossem requeridas as práticas de numeramento, leitura e escrita (ROJO, 2010). Um exemplo de acompanhamento a essas exigências da sociedade contemporânea pode ser visto na entrevista da educanda Letícia e outros entrevistados, no capítulo 5 desta pesquisa.
Atualmente, quase tudo que se vive em nossa sociedade urbana envolve, de alguma forma, a cultura escrita, independente se as pessoas que nela residem são alfabetizadas ou não. Hoje, “é possível participar de atividades e práticas letradas sendo analfabeto: analfabetos tomam ônibus, olham os jornais afixados nas bancas e retiram o Bolsa Família com cartão magnético” (ROJO, 2010, p. 81). Contudo, ressalta a autora, a participação dos indivíduos em determinadas esferas em que se exige uma prática letrada mais avançada, como na escola, na imprensa jornalística
impressa, na literatura e na burocracia, exige que se tenha uma maior desenvoltura em seu nível de alfabetismo. Por isso, “é tão importante que a escola se torne uma agência de democratização de letramentos” (ROJO, 2010, p. 81). São tantas as práticas e os eventos de letramento em nosso cotidiano que essa autora passa a usar o termo letramentos ao invés de letramento.
Também podemos encontrar essa discussão em outro trabalho, o de Magda Soares (2002), em que ela constrói um conceito de letramento digital:
“No contexto de uma diferenciação entre a cultura do papel e a cultura da
tela, ou cibercultura, o artigo busca uma melhor compreensão do conceito de letramento, confrontando tecnologias tipográficas e tecnologias digitais de leitura e de escrita, a partir de diferenças relativas ao espaço da escrita e aos mecanismos de produção, reprodução e difusão da escrita; argumenta que cada uma dessas tecnologias tem determinados efeitos sociais, cognitivos e discursivos, resultando em modalidades diferentes de letramento, o que sugere que a palavra seja pluralizada: há letramentos, não letramento.” (SOARES, 2002).
As alterações que ocorreram na materialidade textual, causadas pelo formato eletrônico digital, “rompeu com as possibilidades de identificação das unidades textuais a partir da forma, passando a exigir novas habilidades tanto para construir os discursos quanto para assimilá-los.” (MOURA, 2009b, p. 28).
O uso dos hipertextos na informática possibilitou a evolução das TIC e contribuiu para o estabelecimento de uma nova relação com o mundo cibernético. Assim, cada vez mais os horizontes do letramento, da leitura e da escrita estão se ampliando: “com a ordem estabelecida pelo computador, o hipertexto altera a ordem que caracteriza os textos tradicionais. A interação entre leitor e autor é bem mais complexa e dinâmica, enriquecendo a aprendizagem” (PAIS, 2008, p. 141). Sobre essa importância dada à tecnologia por quem já está alfabetizado e começa a ser incluído em uma nova linguagem, a digital, Beatriz Bretas (2006) defende que o educando “precisa ser capaz de ler este mundo virtual, no sentido da leitura preconizada por Paulo Freire, e de se expressar nas linguagens multimidiáticas de base digital” (BRETAS, 2006, p. 210); Sobre o exercício da cidadania cultural e o compartilhamento de informações e conhecimentos, Bretas (2006) sugere que “a apropriação de práticas comunicativas na Internet pelas comunidades pode converter-se em inclusão digital e em possibilidades de participação social” (BRETAS, 2006, p. 223). Sobre a possibilidade de se promover o letramento digital através da escola, Fernando Costa (2004) nos revela que:
“No caso concreto das novas tecnologias de informação e comunicação
são curiosamente os próprios alunos quem mais partido tira, em muitos casos de forma independente, dos recursos tecnológicos que as escolas já possuem. Quando directamente inquiridos sobre o assunto, os alunos são, aliás, particularmente críticos sobre o papel da escola e dos professores pelo menos em termos de facilitação do trabalho com o computador.”
(COSTA, 2004, p. 25-26).
Pereira (2008) destaca que a escola pode contribuir para que o nosso educando esteja se comunicando com outras pessoas pela Internet, neste mundo em que agora se começa a exigir que o sujeito se torne letrado digitalmente. Hoje, vivemos em uma sociedade que “demanda competências específicas aos sujeitos, nas quais se incluem apropriações tecnológicas e de linguagens necessárias para dar visibilidade e engendrar tais processos” (BRETAS, 2006, p. 208).