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Resultater og forventninger fra optimeringen

6. Resultater

6.1 Resultater og forventninger fra optimeringen

O Estado japonês apresenta desde o final da Segunda Guerra Mundial uma linha de atuação internacional peculiar caracterizada pela abdicação ao emprego do uso da força no plano internacional. Dada a impossibilidade do emprego de forças armadas em questões internacionais, a importância política do Japão foi minimizada. Por outro lado, o Japão apresentou notável crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico, alcançando o patamar de grande potência econômica. Tornou-se ao longo da segunda metade do século XX a segunda maior economia do globo, e no final da década de 1980, o maior credor. Esse forte contraste gerou analogias caricaturais nas quais o Japão era descrito como um “gigante econômico”, mas um “anão político”.

A política externa hoje desenvolvida pelo Japão teve suas bases alicerçadas no final da Segunda Guerra Mundial. Derrotado com a capitulação oficializada em 1945, o Japão viu a implantação de uma Força de Ocupação Aliada chefiada pelo general norte-americano Douglas MacArthur. O objetivo dessa ocupação norte-americana era promover reformas como meio de rechaçar qualquer possibilidade de retorno ao imperialismo militarista e nacionalista japonês observado na primeira metade do século XX.

Inicialmente, os planos norte-americanos para a Ásia frente ao cenário da Guerra Fria consistiam em “estabelecer uma estrutura de paz sustentada por uma China unificada, democrática e aliada” (UEHARA, 1995: 6). Porém, a proclamação da República Popular da China, em 1949 e sob uma aliança sino-soviética, levou à inversão da política de contenção. Os norte-americanos voltaram-se ao Japão com o objetivo de conter os ímpetos chineses, fornecendo apoio militar e auxílio ao desenvolvimento japonês com a finalidade de fazer frente à União Soviética.

São evidentes as influências do contexto da Guerra Fria no processo de recuperação econômica e de formação da política externa japonesa da segunda metade do século XX. Nas palavras de Hobsbawm:

How fast would the Japanese economy have recovered, if the U.S.A. had not found itself building up Japan as the industrial base for the Korean War and again the Vietnam War after 1965? America funded the doubling of Japan`s manufacturing output between 1949 and 1953, and it is no accident that 1966-70 were the years of peak Japanese growth – no less than 14.6 per cent per annum. (1996: 276)

Com a recuperação de sua soberania em 1952, oficializada pela assinatura do Tratado de Paz de São Francisco em 1951, o Japão voltou legalmente às relações internacionais sob os auspícios norte-americanos. Num primeiro momento, desenvolveu-se uma política de alinhamento ao Ocidente. Na primeira edição do Diplomatic Bluebook50, publicada em 1957, foram elencados três princípios que deveriam reger a política externa japonesa: (1) norteamento da política externa pelas Nações Unidas; (2) cooperação com as democracias liberais; (3) fortalecimento do status do Japão como país membro da Ásia (SHIN’ICHI, 1995). Apesar de não citado, o fator que realmente norteou a política externa japonesa foi o relacionamento com Estados Unidos.

Durante a década de 1950, o primeiro ministro Yoshida Shigueru aplicou uma política que possuía como foco o desenvolvimento econômico japonês. “Esse primeiro-ministro descobriu que o Japão não tinha necessidade de esforçar-se para garantir sua segurança nacional no sentido tradicional – via força militar –, pois os EUA estavam prontos para isso” (UEHARA, 2003: 83). Sem a necessidade de preocupação com a segurança militar, todos os esforços foram canalizados para o processo de desenvolvimento econômico. Essa linha de atuação da política externa japonesa ficou conhecida como Doutrina Yoshida, e foi aplicada ao longo do notável processo de crescimento econômico.

Com essa diretriz norteando a política externa, a posição japonesa no plano internacional evoluiu concomitantemente ao seu crescimento econômico. Entre meados da década de 1960 e meados da década de 1970, o mundo observou a ascensão do Japão como potência econômica. Durante os anos 1970, a diplomacia japonesa apresentou uma postura multilateral e, ao longo dos anos 1980, foi perceptível um alcance de maturidade política no plano internacional. Apesar de intensificada, a atuação internacional do Japão priorizou as

50 Consiste em um relatório anual publicado pelo Ministério dos Negócios Exteriores do Japão com informações

vias econômicas. E nessa lógica, o relacionamento com os Estados Unidos, que eram os aliados incondicionais garantindo a segurança nacional japonesa e permitindo a canalização dos esforços para o processo de desenvolvimento econômico51, permaneceu como tema central da política externa japonesa.

De acordo com Inoguchi e Bacon (2006) não existe outro país no leste asiático com o qual os Estados Unidos poderiam contar para a manutenção da estabilidade regional. De acordo com os autores, a China não compartilha com os norte-americanos os mesmos valores (valores ocidentais, que correspondem a democracias liberais), a Coréia é muito pequena, e a ASEAN não só é pequena como também fragmentada e vulnerável.

No final da década de 1980 e início dos 1990, o colapso da União Soviética e a grande euforia em torno da ascensão econômica japonesa apontavam para um papel de grande importância política que poderia ser exercido pelo Japão. Aventou-se até mesmo a possibilidade de um novo conflito entre Japão e Estados Unidos em razão do choque de interesses (FRIEDMAN; LEBARD, 1993). Nesse momento, duas posturas distintas para o Japão foram sugeridas: assumir o papel de um Estado pacífico com atuação internacional economicista ou buscar uma posição de liderança assumindo maior responsabilidade na manutenção da segurança, o que deveria ser acompanhado pela flexibilização dos constrangimentos aos recursos militares japoneses.

Com o passar dos anos, o posicionamento japonês nas relações internacionais permaneceu obscuro. Apesar da enorme força econômica, o Japão não assumiu um papel de liderança internacional. Uehara (2003) aponta como uma das causas para isso o foco economicista, pois com interesses econômicos e comerciais o país evitava tomar posições firmes no plano internacional. Evitando gerar atritos que eventualmente poderiam mitigar oportunidades econômicas, o Japão evitou confrontos diretos no plano internacional.

Num primeiro momento, a ênfase nos assuntos econômicos foi refletida na ajuda externa japonesa. Como observamos no capítulo anterior, a ODA japonesa foi instrumentalizada de acordo com finalidades econômicas até a década de 1970, quando os japoneses começaram a tomar consciência do papel estratégico que poderia ser desempenhado pela ajuda.

51 O Artigo V do Tratado de Segurança Japão-EUA responsabiliza os Estados Unidos pela defesa do Japão, e o