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RESULTATER OG DISKUSJON

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Morais (2010) refere que a avaliação incide sobre as dimensões textual/sequencial, discursivo-pragmática e semântico-cognitiva, chamando a atenção para o facto de um Enunciado Narrativo (EN) poder ser uma narrativa ou um relato de acontecimentos, sendo, em qualquer dos casos, um ato complexo que integra uma determinada intencionalidade comunicativa e que se inscreve num modelo composicional socioculturalmente definido. Sendo um segmento discursivo autónomo, o EN pode ser considerado uma unidade textual inserida no continuum conversacional em que surge, por atualizar um modo de enunciação específico, o modo narrativo, adquirindo o seu sentido e pertinência nas relações que estabelece com o cotexto e o contexto em que é inserido. Enquanto o relato de acontecimentos é uma narrativa em que existe um encadeamento temporal, o que acontece, por exemplo, na descrição de rotinas do quotidiano em que se verifica uma ausência de um processo transformacional provocado por um acontecimento inesperado (a que Adam (2011b) se refere como Nó Desencadeador), a narrativa propriamente dita (a que Adam (2011b) se refere como récit) resulta de um ato volitivo determinado pela intenção da sua produção numa situação comunicativa específica, sendo os seus constituintes encenados segundo a finalidade pragmática subjacente. Ao contrário do que acontece no relato de acontecimentos, a narrativa não é apenas uma sequência de acontecimentos, existindo aqui, tal como aponta Adam (2011b), um processo transformacional e uma orientação para um desfecho.

Para se perceber a intenção comunicativa do narrador, a razão pela qual ele introduz um EN no continuum conversacional, há que conhecer a avaliação final desse

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EN, tendo em atenção as marcas textuais que nos orientam para essa avaliação e que o narrador pretende que o leitor/ouvinte leia/ouça. Essas marcas traduzem-se em indícios textuais, propositada, mas subtilmente inseridos na narrativa, através dos quais o narrador conduz a nossa opinião/avaliação relativamente aos factos narrados, obtendo a ratificação do ato comunicativo que executou. Estas marcas textuais são transversais a todo o texto e é através destes elementos avaliativos que o narrador vai dando pistas quanto ao sentido que pretende ver co-construído pelo interlocutor, afastando possíveis leituras contrárias à sua intenção narrativa.

Referindo Labov (1972), Morais (2010) reforça a importância da avaliação, mencionando que esta engloba tudo aquilo que não faz parte da sequência estrutural de frases narrativas (frases unidas por elos temporais que asseguram a dimensão sequencial e referencial do EN) à(Morais 2010: 60), mas que lhe atribui um valor ilocutório. São modos explicitamente avaliativos o Resumo (que serve para despertar o interesse pela narrativa, respondendo à questão qual o assunto? ), a Avaliação Final (para promover a compreensão do sentido final, e que responde à questão o que é que isso me interessa? ) e a Coda (que finaliza a narrativa, transportando o interlocutor de volta ao continuum conversacional). A avaliação será, contudo, uma função transversal a toda a narrativa, envolvendo não apenas os módulos avaliativos como também todas as estratégias avaliativas com as quais o narrador constrói o sentido que pretende dar ao seu EN e que constitui a razão de ser do seu enunciado (Morais 2010). Relembrando a noção da avaliação externa e interna, proposta por Labov (1972), Morais (2010) refere ainda que são várias as técnicas utilizadas na integração da avaliação num texto, a saber as falas das personagens ou do próprio narrador, a complexificação do material sintático, bem como alguns intensificadores comparativos, repetições, expressões fixas e/ou frases explicativas, entre outros. Morais (2010) apresenta uma análise das narrativas conversacionais que dá conta da forma como as estratégias avaliativas surgem configuradas nas narrativas.

Morais (2010) refere ainda que numa perspetiva da dimensão textual/sequencial, há que ter em conta a sucessão de ações/experiências, que se apresentam de uma forma lógica e que são orientadas para um desfecho. Quanto à

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dimensão discursivo-pragmática, é determinante perceber a intenção da produção narrativa, pelo que, para além da sequência de acontecimentos, há que ter em mente a finalidade dessa produção. Qual o objetivo do narrador quando produz determinado texto? De que modo os objetivos que o movem marcam o seu discurso? Qual a forma adotada para levar o alocutário a chegar às conclusões a que ele, locutor, pretende que se chegue? Não é por acaso que o narratário subscreve a perspetiva do narrador – existem marcas discursivas através das quais, muito subtilmente, este último encaminha a opinião do primeiro. Relativamente a esta última dimensão, Morais (2010) propõe a sua subdivisão em dimensão interacional e configuracional. A primeira tem a ver com todos os elementos através dos quais o narrador interage com o narratário, num ato compromissivo no qual o primeiro anuncia que irá narrar algo, tentando levar o segundo a aceitar as suas ideias/afirmações. No que diz respeito à dimensão configuracional, prende-se com todas as marcas através das quais o narrador tenta envolver o narratário no seu discurso e na interpretação do mesmo. No tocante à dimensão semântico-cognitiva, que diz respeito à narração enquanto organização de memórias e experiências pessoais, prende-se com a construção da identidade pessoal e da imagem social do narrador. Quando a memória se coloca ao serviço da narrativa, aquilo que é reativado no reconto pode divergir do que foi inicialmente armazenado, o que remete para a fragilidade da retenção de pormenores da experiência pessoal. Por outro lado, a narrativa pode ser um meio de construção da identidade do narrador, através da transmissão de experiências pessoais, por meio da qual o narrador procura a solidariedade do(s) interlocutor(es) ou a sua autonomia relativamente a ele. Situando-se na perspetiva do narrador, a narrativa pode ter como função construir a imagem pessoal e/ou fazer uma catarse; situando-se na perspetiva do interlocutor, pode ter como objetivo informar, divertir, ironizar e/ou emocionar; voltada para o cotexto, pode ser uma narrativa argumentativa e ter o objetivo de ilustrar uma determinada situação, justificar uma avaliação ou uma atitude e/ou comprovar algum erro na avaliação de terceiros; sendo relativa ao referente, o EN pode pretender (des)construir a imagem de outrem. Contudo, a maioria dos EN tem várias funções comunicacionais.

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Em suma, segundo Morais (2010), as estratégias avaliativas constituem instrumentos que permitem ao narrador posicionar-se face aos acontecimentos que pretende narrar, dando, ao mesmo tempo, pistas de leitura aos seus interlocutores, por forma a condicionar a co-construção de sentidos, tentando, tanto quanto possível, aproximar a sua narrativa da intencionalidade que subjaz à narração. É através destas estratégias avaliativas que o narrador revela a sua perspetiva relativamente ao mundo representado, focalizando ou desfocalizando a atenção do interlocutor para determinados elementos da narração, expressando o envolvimento afetivo com a história recontada. O narrador é a Fonte Responsável pelo enunciado e faz saber qual o seu pensamento, crença ou atitude face ao conteúdo do que narra. Estas estratégias, conforme referido, são transversais a toda a narrativa, encontrando-se presentes nos vários momentos que a configuram. Morais (2010) agrupa as estratégias avaliativas em seis classes distintas, a saber: a atribuição da responsabilidade dos Enunciados Narrativos, estratégias de focalização e desfocalização da informação, estratégias de modificação, expressões de modalização afetiva interpessoais, expressões e nominalizações avaliativas e encenação de acontecimentos.

No Quadro 4 apresenta-se esquematicamente a categorização proposta pelo autor, sendo apresentados os exemplos de recursos linguísticos que servem cada estratégia, dados por Morais (2010).

O trabalho de Morais (2010) vai ao encontro da acima exposta teorização de Adam (2011b) – tanto um como outro referem a transversalidade da avaliação. Adam (2011b) apresenta a avaliação como uma das partes da estrutura interna da narrativa, enquanto o estudo de Morais (2010) desenvolve a questão da avaliação, incidindo especificamente sobre as estratégias avaliativas de que o narrador se serve para fazer valer a sua avaliação, que transparece ao longo de todo o texto e através das quais o locutor/enunciador pretende dar pistas para a interpretação do seu texto.

49 Quadro 4 – Estratégias avaliativas (Morais 2010)

Estratégia Definição Exemplos de recursos Atribuição da responsabilidade dos EN Diferentes expressões de subjetividade que veiculam diferentes pontos na apresentação dos eventos.

Pronome sujeito de autorreferência (eu), verbos modais que implicam uma fonte para a atitude proposicional que veiculam (tem de ,à e osà deà pe eç oà o oà si to ,à e osà declarativos introdutores de diferentes formas do discurso relatado, verbos de perceção e de movimento (ver, voltar-se), verbos e perífrases verbais com valor modal epistémico (julgar a ha ,àdep ee de à…

Estratégias de focalização e desfocalização da informação

Expressões que realçam elementos, dependendo da importância que se lhes pretende conferir (focalização).

Topicalização explicativa elíptica (para isso é que, para que), reforço informativo (não é verdade?), formas verbais no imperativo (olha, repara), articuladores textuais e estruturas de encapsulamento (foi o seguinte), anteposição do rema ao tema. Expressões ou omissões que levam ao apagamento de elementos, através do recurso a expressões de

linguagem vaga, para

apagar deliberadamente

informação desnecessária (desfocalização).

Usoà deà li guage à aga:à tal ,à oà seià oà u ,à oà seià

ua tos . Formas explícitas de avaliação e estratégias de modificação Recursos focados na expressão de juízos de valor sobre o conteúdo semântico dos elementos que se tem por escopo.

Afixação avaliativa, adverbiais de intensificação (muito, tanto,

sempre); modalizadores epistémicos (nitidamente,

exatamente), modalizadores deônticos (forçosamente, por força, religiosamente); modalizadores avaliativos (realmente,

abertamente, absolutamente, claro), marcadores de

imprecisão para reduzir o comprometimento. Expressões de modalização afetiva interpessoais Recurso à interpelação do alocutário de forma a envolvê-lo no que vai ser dito.

Expressões construídas a partir de verbos factivos e de acontecimento; apartes, que visam criar expetativa.

Expressões e nominalizações

avaliativas

Expressões de

sentimentos sobre algo ou

alguém acabado de

referir.

Interjeições de emoção, nominalizações avaliativas com valor de distanciação, fraseologias variadas, marcação de distância em relação ao referente, marcação de proximidade em relação ao referente, personagens, objetos e/ou acontecimentos, hiperónimos avaliativos, nomes de evocação simbólica, recursos fraseológicos de cariz hiperbólico, expressões avaliativas externas ou internas, expressões avaliativas interjetivas com função interativa ou conjuratória, expressões vagas de categorização ou de modalização epistémica. Encenação de

acontecimentos

Expressões que

presentificam o

acontecido através da sua recriação dialógica.

Presente do indicativo, verbos de perceção, de movimento; representação icónica dos acontecimentos, simulação do oral; marcadores conversacionais, vocativo, formas pronominais de interpelação, focalização.

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Secção I) – Género textual conto tradicional multicultural

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