A Escola de Informática e Cidadania está localizada em Vila dos Cabanos - Barcarena - Pa, município de Belém, especificamente na Rua Antônio Manoel Meninéia – Q113 L1. É uma escola de porte pequeno (unidades que contam com número entre 2 e 5 salas de aula). Possui na sua estrutura física: 1 (uma) sala da Diretoria com 1(um) banheiro, 1 (uma) sala da Secretaria, 5 (cinco) salas de Informática, 1 (uma) sala de professores (com 1 banheiro feminino e 1 banheiro masculino), 1(um) refeitório e banheiros (1 masculino e 1 feminino)
para os alunos. Não há biblioteca para consultas a livros ou para pesquisas. Em relação aos recursos humanos, a unidade de ensino conta, atualmente, com o quadro de funcionários abaixo indicado.
Quadro 7: Profissionais que atuam na Escola de Informática e Cidadania - 2010 Cargo Número de Profissionais por área
de atuação Diretora 01 Vice-diretora 01 Professor (a) 08 Secretária 01 Auxiliares de Secretaria 02 Auxiliares de serviços básicos 03 Auxiliar pedagógico 01
Total de Funcionários que atuam na EIC
17
Fonte: O autor
De acordo com Valente e Almeida (1999) a adequação do espaço físico e equipamentos disponíveis nas escolas têm relação direta com o nível de aprendizagem e de motivação dos alunos. No caso da Escola de Informática e Cidadania, detectou-se que as condições de funcionamento são consideradas relativamente adequadas e em conformidade com o que o projeto pretende atender, ou seja, o prédio é limpo, com serviço de manutenção periódica, equipado de recursos materiais e pedagógicos, como aparelhos de vídeo, televisão e computadores, refeitório mobiliado, salas de aulas arejadas com o mobiliário em condições relativas de uso e em número suficiente.
A Escola funciona com atendimento a adolescentes, jovens e adultos. Em relação ao número de alunos, contava, em março de 2010, com 85 alunos matriculados, distribuídos nos níveis dos cursos promovidos pela mesma. No que concerne à administração, ressalte-se que é feita por meio de gestão compartilhada entre direção, auxiliares pedagógicos e de serviços.
A direção da unidade vem tentando abrir espaço para maior participação da comunidade local, por entender que esse é o melhor caminho para que a população usuária se sinta envolvida com as propostas de trabalho em conjunto que podem se estabelecer, fazendo com que os pais se interessem pela vida escolar e profissional dos filhos e passem a ter a Escola como um ponto de referência e de apoio. Além disso, aproveita a situação para envolver a comunidade em outros Projetos como ―Driblando a Exclusão Social‖, ―Educação- Concientização-Empreendedorismo‖ e outros.
Em entrevista informal e assistemática com a diretora, a mesma menciona que até a sua chegada ao cargo da direção geral, a Escola era mais distante da comunidade e que foi a atual gestão que promoveu essa abertura que ainda se mostra tímida, mas, aos poucos vem tendo receptividade das pessoas da comunidade, pois, ao encontrarem um ambiente acolhedor, passam a ―ver a escola com outros olhos‖. Essa é uma situação que sinaliza uma atuação democrática e aberta da direção da unidade que adota um modelo de gestão que tenta beneficiar a população local, como também incentivar o desenvolvimento das atividades escolares da própria instituição. Desta maneira, ganham a Escola, a comunidade e os alunos, já que, ao se aproximarem em busca de apoio, foram auxiliados por profissionais que lá atuam.
O esforço da gestão traduziu-se em resultados positivos para a Escola. Por esse motivo se tornou referência na comunidade e passou a oferecer aos alunos a possibilidade de crescimento e perspectivas de futuro, antes inimagináveis. Desta forma, foi interessante estabelecer uma parceria com a comunidade local e, principalmente, com os pais, ação que pode fazer a diferença no resultado do rendimento escolar dos alunos e na importância da instituição como ponto de apoio e referência para a população do entorno.
Quanto às instalações da Escola, constatou-se que a empresa mineradora fornece computadores, maquinários, móveis e equipamentos já usados, assim como incentiva a participação do jovem da comunidade, nos cursos pela ação do ―apadrinhamento‖, ou seja, funcionários da empresa se responsabilizam pelo curso de alunos mediante uma taxa que é paga para a Escola com a finalidade de custear os gastos, patrocinando, então, este aluno. Esta ação não é obrigatória, mas, sim voluntária. Observou-se que vem acontecendo com frequência esse ato. Os cursos de informática custam em média R$ 50,00 e R$ 60,00 para quatro meses de curso. Na maioria das vezes, o aluno não tem essa quantia para pagar, desta forma, a diretoria da Escola conjuntamente com seus assessores vão em busca de recursos para ajudar jovens necessitados e sem condições financeiras.
Ficou evidente, também, que a empresa apoia a Escola com maquinários usados e alguma ajuda de custo, como é o caso da ação do ―apadrinhamento‖; porém, a mesma precisa se sustentar, tendo que buscar outras maneiras de obtenção de recursos para ajudar jovens sem condições de pagar o curso, sendo assim, o discurso da Responsabilidade Social já vai ficando enfraquecido, uma vez que se distancia do conceito de Responsabilidade elaborado por Benthan (1995 apud Cherques, 2003) quando afirma que responsabilidade é a obrigação de responder pela própria conduta. Ainda, é o que torna pessoas passíveis de sanção, castigo, reprovação e culpa e sujeitos e objetos da ética, do direito, das ideologias e da fé. Então, a
responsabilidade social deve compreender ao dever de pessoas, grupos e instituições em relação à sociedade como um todo, ou seja, em relação a pessoas, grupos e instituições.
As informações colhidas sinalizam que as condições pedagógicas do Projeto não são boas. Verificou-se que os alunos conseguem ter uma aula razoavelmente interessante, com conhecimentos não muito diversificados e metodologias pouco atraentes. Além disso, reconhecem que os computadores são ultrapassados, daí ocorrerem algumas vezes problemas técnicos ou operacionais. Mesmo assim, os alunos não inibem a vontade de estudar e aprender, suas dificuldades parecem ser superadas com a vontade de sonhar, crescer e vencer, uma vez que passaram ou passam por situações difíceis, e, desta forma, cada oportunidade parece ser a última. Esses argumentos ficam evidenciados nas falas dos alunos abaixo:
Olha, está bom, mas, não tão bom, pode melhorar mais. Não está bom porque às vezes um computador dá problema, mas tudo bem. (aluno 1)
É bom porque muita gente não tem esse lugarzinho pra treinar no computador, eu acho bom, está legal. (aluno 2)
Alguns computadores não estão funcionando, aí tem dias que um não vai com a minha cara de vez em quando. Vou aprender muito ainda, aqui é bacana tem ar condicionado a gente não fica no calor, o ambiente é muito bom, só às vezes que o computador fica preguiçoso, se tivesse que melhorar, só outro aparelho né, mas está bom. (aluno 3)
A gente tem um pouco de dificuldade com relação às nossas máquinas, mas a gente tem a ajuda de pessoas que ajudam a EIC e ajudam a gente, mas levamos com todas as dificuldades. (aluno 4)
Em relação aos monitores, vejo que alguns são lentos, mas é muito legal ele, não é por causa disso que vou deixar de aprender. (aluno 5)
Não é excelente, mas é bom, o mais importante é aprender. (aluno 6)
Eu gosto daqui eu mexo num computador, coisa que eu não tenho em casa e não tenho dinheiro pra comprar, aqui também tem um espaço bem calmo e tranquilo, eu gosto. (aluno 7)
Os computadores dão problemas às vezes, mas eu gosto daqui. (aluno 8)
Está bom, acho maravilhoso, acho legal o computador o rapaz que dá aula, é maravilhoso. (aluno 9)
Tudo bom porque cada um fica com um computador, não tem duas pessoas no computador, até agora está tudo ok. (aluno 10)
Os educadores e egressos corroboram com essa opinião. Além disso, estar nesse momento com os alunos parece ser um aprendizado mais para si próprio do que para eles. A sensação de compartilhamento de aprendizagens e experiências certamente é a força motriz desses encontros. Essa constatação fica evidenciada nas falas dos entrevistados abaixo:
O Projeto é bem abrangente, objetivo onde busca fazer a inclusão social e busca incluir as pessoas daqui da comunidade. O local ainda é carente devido os computadores serem reciclados, são melhorados e depois reutilizados ajudando as pessoas a aprenderem a informática, então computadores que iam para o lixo, hoje ajudam as pessoas a crescerem na informática. (educador 1)
Para mim é bom, porque é uma maneira da gente está incluindo a comunidade em uma era digital, porque hoje em dia é muito difícil para você ter uma quantia para pagar um curso. A gente faz pesquisa na comunidade e vê que é um custo muito alto. Já com as instalações da escola, não, ela é vinculada especialmente para a comunidade e para os menos favorecidos. Pela aparência dos computadores estão mais ou menos acabados, só que através do conteúdo que tem dentro deles, os programas são bons e não excelentes, isso é o principal, você pode achar que isso é uma carroça mais temos o Pentium 4, é bem legal. (educador 2)
O Projeto tem que avançar e melhorar em termos de tecnologia, temos que pegar computadores melhores, é um Projeto que tem bastante ênfase na comunidade e esse é o principal objetivo. O foco do Projeto não está nos computadores, mesmo assim, precisamos de computadores de melhor qualidade, às vezes o mouse dá problema. (educador 3)
A gente pode perceber que falta bastante coisa, mas a sala é bastante climatizada para os alunos que vem de longe e tal e como a gente sempre conversa com os alunos a capa do computador em si não é aquilo que agente procura, mas sim os programas e o que está dentro dele, é que nem o ser normal, a gente não deve olhar o físico, mas sim o interior dele. (educador 4)
No tempo que eu estudei na EIC tinha os computadores doados e reaproveitados, mas os computadores são de bom tamanho, dá para manuseá-los. (egresso 1) O fato de apoiar com maquinários usados e ajudas de custo não garante que a empresa se preocupa efetivamente com o social. A política da Responsabilidade Social seria reconhecida se a empresa, de fato, se responsabilizasse pela vida de cada aluno, ou seja, seu desenvolvimento pessoal, econômico, profissional. Aliás, esse termo, Responsabilidade Social, vem sendo utilizado de maneira equivocada. Para Schommer (2000) o termo filantropia significa amor ao homem ou à humanidade, pressupondo uma ação altruísta e desprendida. É também relacionada à caridade, uma virtude cristã. A ação filantrópica empresarial pode ser caracterizada como uma ação social de natureza assistencialista, caridosa e predominantemente temporária. A filantropia empresarial é realizada por meio de doações de recursos financeiros ou materiais à comunidade ou instituições sociais.
Para Tenório et al (2006) a expressão cidadania empresarial é utilizada para demonstrar o envolvimento da empresa em programas sociais de participação comunitária, por meio do incentivo ao trabalho voluntário, do compartilhamento de sua capacidade gerencial, de parcerias com associações ou fundações e do investimentos em Projetos sociais nas áreas de saúde, educação e meio ambiente.
Nos dias de hoje, o conceito de voluntariado empresarial começa a ser utilizado como se fosse sinônimo de cidadania empresarial. É importante destacar que o voluntariado é uma forma de atuação específica da empresa junto à comunidade, enquanto o conceito de cidadania empresarial representa uma atuação social bem mais ampla, ou seja, a ação voluntária contribui para a cidadania empresarial, assim define o papel do voluntariado. ( Szazi apud Fernando Tenório 2006, 30).
Atualmente, a literatura a respeito da responsabilidade social corporativa sugere interpretações distintas para esse conceito. Em visão mais simplificada, pode significar o cumprimento das obrigações legais e o comprometimento com o desenvolvimento econômico e social da comunidade, concepção essa não utilizada pela empresa.
Os computadores doados são máquinas que não mais servem para o uso da empresa. Quando encontrados nessa situação, são enviados para a manutenção, e posteriormente, remetidos para a Escola. Fica explicitado na fala do educador 3 que o foco do Projeto não está nos computadores, porém, é relevante ressaltar que a empresa poderia fornecer computadores novos, não necessariamente de ponta, pois os cursos não necessitam de máquinas com alta potência, mas de máquinas que possam durar mais tempo para serem valorizadas pelos professores, alunos e egressos.
É perceptível o desgaste dos computadores. Além disso, muitas vezes, eles ficam subutilizados por não funcionarem e por ser dificultosa a logística para o conserto. Esses computadores também apresentam problemas com acesso à internet, o que é mais um agravante para o usufruto dessas máquinas.
As salas de aula são pequenas, com 4 , o que não parece ser problema para eles, uma vez que não foi mencionado nas falas. Talvez o uso do condicionador de ar, como é mencionado na fala do aluno 3, compense essa observação por ser um aparelho que poucas famílias possuem, desta forma, a utilização do mesmo na Escola pode passar a sensação de conforto.
A questão da infraestrutura deve ser relevada, porque é a imagem da empresa que está sendo exposta também e não somente da Escola. Se a visão do aluno é relativamente favorável, deve-se lembrar que a maioria não tem condições de ter um computador ou sequer pagar um curso, desta forma, o que vier para ele será lucro. A visão dos responsáveis pelo Projeto deve ser diferenciada, principalmente da empresa que lucra bilhões de dólares por ano, portanto, contribuir com equipamentos novos e de qualidade seria o mínimo a ser feito para pessoas que fazem parte de uma região tão explorada por esta empresa, quando o interessante seria o acompanhamento do aluno em seu crescimento pessoal e profissional.
4.3 LINHAS E DIRETRIZES DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DO CURSO