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Resultater fra byggesakseksempelstudiet

4. Faktadel om området, forvaltningen, byggesakseksemplene, aktører og planene

5.4 Resultater fra byggesakseksempelstudiet

A Bíblia ao tratar da origem do povo de Israel menciona que são descendentes diretos dos patriarcas do Primeiro Testamento, Abraão, Isaac e Jacó e depois das doze tribos de Jacó, chamado de Israel: que já sabemos não se tratar de uma perspectiva histórica.

Como abordamos anteriormente, essas narrativas são lendas, mitos teológicos ou fantasias e anseios de um povo, em um determinado tempo e lugar que acabaram fazendo parte da tradição do povo de Israel. “Não existe nenhuma analogia histórica de um caso em que um povo fosse descendente de um único homem. Isso significa que toda essa tradição de um Israel composto por doze tribos é uma ficção teórica ou uma construção genealógica”73.

Mas então quem são as pessoas que deram origem a esse importante povo? Como surgiram e como se estabeleceram nas terras dos cananeus? Em pouco menos de um século, a contar do final da Idade do Bronze posterior, seria o suficiente para mudar todo panorama da região de Canaã com problemas internos no sistema feudal cananeu.

O Egito não figurava mais como a grande potência que dominava toda região, os grandes países vizinhos não eram mais uma estrutura considerada ou mesmo até apagada da memória, os grandes e importantes portos da costa do Mediterrâneo de Canaã haviam sido destruídos, e até mesmo grandes cidades do interior do país estavam abandonadas e em ruínas, o poder das cidades portuárias e das planícies férteis agora estava nos povoados das montanhas.

72 Antonius H.J.Gunneweg, História de Israel, p.71. 73 Antonius H.J. Gunneweg, História de Israel, p. 83.

39 Sabemos da existência de um grupo ou povo chamado Israel vivendo em Canaã por volta de 1207 a.C. pela estela de Merneptah74, “e que poucos historiadores bíblicos e também arqueólogos duvidavam que os israelitas fossem um povo de imigrantes que entrou em Canaã vindos de terras estrangeiras, pelo sul”.75

Os arqueólogos encontraram acima das camadas de destruição das cidades da Idade do Bronze posterior, fossos espalhados ao acaso e a presença de cerâmica grosseira, bem diferente das cerâmicas mais refinadas dos cananeus e que os arqueólogos interpretaram como sendo acampamentos dos seminômades, o que os especialistas dizem se tratar de movimentação de massa de habitantes que se deslocaram do deserto para uma terra já povoada e iam se instalando e, aos poucos, adotando uma vida sedentária.

Esse parece ser o caso dos israelitas e confere com a descrição de Albrecht Alt que cita sobre a infiltração pacífica em que “os israelitas eram pastores que perambulavam com seus rebanhos em migrações sazonais fixas, entre as margens do deserto e as terras povoadas. Em algum momento perto do final da idade Bronze posterior – por razão que a ele não estavam inteiramente claras – os israelitas começaram a se estabelecer nas regiões montanhosas pouco povoadas de Canaã”.76

O Bíblico Albrecht Alt afirma que no começo esse processo foi gradual e bem pacifico, eles teriam derrubado florestas, fizeram terraços, limparam áreas para praticar a agricultura sazonal de pequena escala ainda junto à criação do gado miúdo de cabras e carneiros.

Só com o passar do tempo vão mudando a forma de viver e adotando a vida sedentária agrícola e formando vilas permanentes:

... escavações em antigas vilas israelitas dessas, com as cerâmicas, casas e silos de grãos, podem nos ajudar a reconstruir o dia-a-dia de suas vidas e relações culturais. E, surpreendentemente, a arqueologia revela que o povo que vivia nessas aldeias era formado de habitantes nativos de Canaã, os quais só aos poucos desenvolveram a identidade étnica que pode ser denominada israelita.77

74 Pedra de granito encontrada nas ruínas do templo funerário do faraó Merenptah (236 - 1223 a.C.) em

Tebas Ocidental, onde estava grafada uma descrição sobre a construção de vários templos em honra do deus Amon-Rá. É a única referência do nome de Israel em documentos referindo-se ao povo israelita.

75 Israel Finkelstein, Neil Asher S., A Bíblia não tinha razão, p. 145. 76 Israel Finkelstein, Neil Asher S., A Bíblia não tinha razão, p.145. 77 Israel Finkelstein, Neil Asher S., A Bíblia não tinha razão, p. 140.

40 Somente quando o número desses assentamentos aumentou muito e a necessidade de mais terras e água cresceu foi que o conflito com os cananeus aconteceu e que, possivelmente ,tenha dado a base para os vários conflitos narrados no livro dos Juízes.

O bíblico George Mendenhall. o historiador bíblico Norman Gottwald, e o biblista Milton Schwantes sugerem que os israelitas na verdade não eram invasores que atacavam de surpresa e nem nômades que se infiltraram em terras estrangeiras, mas na verdade camponeses empobrecidos que se rebelaram contra as fracas cidades de Canaã pela extrema exploração na cobrança de tributos e da corvéia e sem encontrar outra solução, abandonaram suas casas e fugiram para as florestas das montanhas despovoadas, onde criaram uma sociedade mais igualitária, menos rígida em contraposição aos egípcios e aos cananeus, se transformando nos israelitas.

Norman Gottwald78 tem ainda uma sugestão muito interessante na qual a ideia de igualdade deve ter vindo de um pequeno grupo de pessoas vindas do Egito, que se estabeleceram nas montanhas e se tornaram o núcleo em torno do qual se formaram os assentamentos das montanhas.

O crescimento da ideia e dos assentamentos se deu à medida que se juntaram a eles as pessoas com poucos direitos, fugidas das cidades cananéias e que tinham em comum a oposição ao sistema de nobreza feudal das cidades, isso pode, de certa forma, explicar a identificação e a formação da tradição central israelita em torno da história do êxodo, já que a saída de suas terras, fugindo da exploração de elites dominantes, aconteceu também entre os cananeus.

“O aparecimento do antigo Israel foi, portanto, uma revolução social dos desprivilegiados contra os seus senhores feudais, estimulada pela chegada de nova visão visionária”.79

Isso significa, finalmente, que Israel se formou não apenas de imigrantes, mas, em parte, de cananeus, ou seja, que o próprio Israel era, em parte cananeus, embora seja impossível identificar o tamanho dessa parte. Portanto, a pré-história de Israel ocorreu não apenas no Egito, no deserto, nas montanhas, e na estepe, mas também em Canaã. Embora muitos dados fiquem incertos e muitas questões possam ser resolvidas apenas hipoteticamente, as fontes se valem do nome ”Israel” para designar, de modo inequívoco e nítido, a totalidade dos clãs, grupos, e tribos que passam pela sedentarização e consolidação em solo cananeu. 80

78 Norman Gottwald, As tribos de Iahweh - Uma sociologia da religião de Israel liberto, p. 547. 79 Israel Finkelstein, Neil Asher S., A Bíblia não tinha razão, p. 149.

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A descoberta de remanescentes de uma densa rede de aldeias nas regiões montanhosas – todas aparentemente estabelecidas num espaço de tempo de poucas gerações – indicou que houve dramática transformação social na área central montanhosa de Canaã, por volta de 1200 a.C. Não existem sinais de invasões violentas ou mesmo de uma infiltração de um grupo étnico definido. Ao contrário, parece ter sido uma revolução no estilo de vida. Das regiões montanhosas de Judá, ao sul, às colinas da Samaria, ao norte, antes com povoamento disperso, longe das cidades cananéias que estavam em processo de colapso e desintegração cerca de 250 comunidades se instalaram repentinamente nas colinas. Esses foram os primeiros israelitas. Embora não seja possível saber se nessa época formaram-se por completo identidades étnicas, identificamos essas vilas diferenciadas nas montanhas como israelitas, porque muitas delas foram ocupadas sem interrupção até o período das monarquias, época da qual temos fontes abundantes, bíblicas e extra-bíblicas, que testemunham que esses habitantes se denominavam intencionalmente, israelitas. 81