3 Metode
4.3.2 Resultatene i en bygningskontekst
O Modelo Fleuriet – MF foi especialmente desenvolvido para o contexto brasileiro de crescimento rápido conjugado com inflação crescente e apresenta-se mais dinâmico para gestão e análise financeira (FLEURIET, M; KEHDY, R; BLANE, G., 2003).
O modelo lançado em 1977 fez com que instituições financeiras como Banco Worms, Merryl Linch e HSBC modificassem o enfoque que norteava suas decisões para concessão de crédito e passassem, a partir de então, a prestar mais atenção à continuidade dos negócios de seus clientes (tomadores de empréstimos) do que minimizarem prejuízos diante de eventuais situações de iliquidez destes.
Trata-se de uma visão mais atenta por parte das instituições financeiras, procurando compreender melhor o contexto sobre o qual os negócios do pretendente ao crédito são conduzidos, avaliando-o sobre o enfoque da continuidade das operações de maneira sustentável. Pelo conceito estabelecido no MF, o Capital de Giro (CDG) passou a ser tratado como fonte de financiamento a longo prazo.
O MF mostra também como a variação da Necessidade de Capital de Giro - NCG vincula- se, pelo ciclo financeiro, ao Fluxo de Caixa Operacional e ao Lucro Bruto Operacional - LBO.
Ao invés do tratamento puramente contábil, através do qual o Capital de Giro é refletido pelos Ativos e Passivos de Curto Prazo, passa a ser considerado para dimensionamento dos investimentos, novos ou de expansão no negócio.
5 Alavancagem Financeira se dá quando uma empresa se utiliza de recursos de empréstimos e financiamentos para financiar a expansão de seus negócios.
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Os Professores Haroldo Vinagre Brasil e Haroldo Guimarães Brasil, pai e filho, escreveram que o insumo mais importante da empresa é o tempo (1993).
Eles utilizaram-se desta afirmação para explicar o impacto da diferença existente entre ciclo econômico e ciclo financeiro sobre a sustentabilidade da empresa.
O ciclo econômico começa com as compras das matérias-primas e termina com as vendas dos produtos ou serviços acabados ou entregues, havendo entre esses dois eventos vários outros, em função do tipo de negócio.
O ciclo financeiro começa com o pagamento dos fornecedores e termina com o recebimento das duplicatas, incluindo o intervalo vários outros desembolsos referentes a salários, impostos, encargos, etc.
Vê-se que os dois ciclos são defasados e, dependendo do setor de atividade ou do produto, podem ser, intrinsecamente, mais ou menos longos. Essa defasagem é fruto, por um lado, do processo de conversão de matérias primas em produtos ou serviços e, por outro lado, dos prazos de pagamento desses insumos e recebimento das faturas referentes a esses produtos.
O ciclo financeiro contém, pois, todos os componentes da Necessidade de Capital de Giro - NCG, ou seja, duplicatas a pagar e a receber, estoques e outras obrigações ligadas a salários, encargos, impostos etc.
De forma global, temos que:
Ciclo Financeiro = Prazo Médio dos Estoques de Qualquer Natureza + Prazo Médio de Recebimento de Duplicatas – Prazo Médio de Crédito dos Fornecedores
De modo geral, pode-se dizer que, quanto maior o ciclo financeiro da empresa, maior o seu risco nas crises e maior a necessidade de investimentos nos ativos operacionais, uma das parcelas do Ativo Econômico.
A NCG é, na maioria das vezes, um ativo operacional a ser administrado e resulta ele próprio, de um balanço entre contas cíclicas, fontes ou aplicações de recursos. Compõe uma parcela do ativo econômico da empresa com a característica de estar diretamente vinculada às operações e ao negócio da empresa.
Como só estão disponíveis com o fechamento da empresa, esses ativos operacionais são tão permanentes como os ativos fixos, tendo, no entanto, uma dinâmica especial por serem extremamente sensíveis às variações da conjuntura, inflação, crescimento, mudanças tecnológicas, etc.
A NCG sempre possui em sua composição uma parte conjuntural e outra estrutural, que um acompanhamento e uma análise mais fina podem explicar, com vantagens para sua administração.
A parte estrutural é fixa a longo prazo; a conjuntural reflete sazonalidades temporárias devido a flutuações de venda, aumentos eventuais dos níveis de estoques para se proteger de oscilações de fornecimentos, crises, reduções eventuais na demanda, etc. O ideal seria que a parte fixa ou constante da NCG fosse financiada com recursos do Capital de Giro (Longo Prazo) e a parte variável com recursos de curto prazo contidos no Saldo de Tesouraria.
O insumo mais importante e mais caro dentro das empresas é o tempo. Ele permeia todas as operações do sistema produtivo, estando distribuído ao longo da cadeia de valores agregados, balizada à montante pelos fornecedores e à jusante pelos clientes ou usuários.
Há consumo de tempo nos blocos e nos elos de ligação da cadeia produtiva, nas interfaces com os fornecedores e no percurso até os consumidores. Negociações de compra, transporte, entrega, controle de Qualidade, estocagem de matéria-prima e componentes, preparo e alimentação das máquinas, manutenção, transferência de semiacabados e sistemas de comunicação entre setores, controles de processo, novamente estocagem, transporte e entrega de produtos acabados, assistência pós- venda, todas essas fases são consumidoras de tempo.
Conseguir ciclos econômicos cada vez menores implica privilegiar os aspectos estratégicos e não apenas operacionais. Muitas vezes, esse esforço constitui-se em um fator-chave de sucesso de muitas companhias (BRASIL, H.V; BRASIL.H.G, Gestão
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Financeira das Empresas – Um modelo dinâmico, QualityMark, Rio de Janeiro, 1993, pp. 37 a 47).
A redução excessiva do ciclo financeiro pode facilitar, também, o ingresso de entrantes potenciais no ramo da empresa (Brasil e Brasil, 1993).
Muitas vezes, o fornecedor de matérias-primas tem um poder de barganha muito maior que a empresa. Assim, poderá existir uma pressão sobre o ciclo financeiro dessa empresa através de um “arrocho” nas condições de crédito na compra de matéria-prima (Brasil e Brasil, 1993).
Para Michael Porter (apud Brasil e Brasil, 1993), um grupo fornecedor é poderoso se: (a) é dominado por poucas companhias e é mais concentrado do que a indústria para a qual vende; (b) a empresa não é um cliente importante para o grupo fornecedor; (c) não está obrigado a lutar com outros produtos substitutos na venda para a indústria; (d) o produto dos fornecedores é um insumo importante para o negócio do comprador; (e) os produtos do grupo de fornecedores são diferenciados ou o grupo desenvolveu custos de mudança; (f) o grupo de fornecedores é uma ameaça concreta de integração para a frente.
Ocorre, também, que os clientes da empresa podem ser mais poderosos do que ela mesma. A pressão sobre o aumento da magnitude do ciclo financeiro se dá através do aumento forçado do “prazo médio de recebimento das duplicatas”. Michael Porter (apud Brasil e Brasil, 1993) considera que um grupo comprador é poderoso se: (a) é concentrado ou adquire grandes volumes em relação às vendas do vendedor; (b) os produtos que ele adquire da indústria representam uma fração significativa de seus próprios custos ou compras; (c) os produtos que ele compra da indústria são padronizados ou diferenciados; (d) ele enfrenta poucos custos de mudança; (e) ele consegue lucros baixos; (f) compradores que são uma ameaça concreta de integração para trás; (g) o produto da indústria não é importante para a Qualidade dos produtos ou serviços do comprador; (h) o comprador tem total informação sobre demanda, preços de mercado, condições de crédito etc.
Pressões sobre o ciclo financeiro ocorrem quando a empresa possui custos de armazenamento altos (custos fixos). Procurando aumentar o giro dos seus produtos, “alarga” as condições de crédito para os clientes.
Aqui se considera a importância que o administrador geral da empresa, se valha de indicadores financeiros que permitam ações, para enfrentar adequadamente as pressões que brotam do mercado, fornecedor e comprador.
O “dinheiro” tem valor diferente de acordo com o tempo em que se coloca disponível para os agentes.
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Se uma empresa busca vender seus produtos e para isso é pressionada a conceder prazos para seus clientes, é necessário que busque o financiamento em condições, de tempo e custo, suficientes a não comprometer o equilíbrio de seu fluxo financeiro e a lucratividade. Quando esse equilíbrio não acontece, amplia-se a necessidade de investimentos em capital de giro.
Dependendo do ramo de atividade da empresa, a facilidade de se conseguir crédito com fornecedores, pode implicar na elevação desnecessária de estoques, caso seus administradores não se atentem para esse nível de pressão ou não dominem adequadamente o fluxo financeiro do negócio.
Esta é mais uma competência que deve estar presente no processo decisório da empresa para que se evite o comprometimento de sua saúde financeira por fatores controláveis.