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Oliva (2003) propôs e testou, em sua dissertação de mestrado, um roteiro metodológico baseado em princípios técnicos e científicos, visando à delimitação da zona de amortecimento de Unidades de Conservação de Proteção Integral. O trabalho foi um estudo de caso no Parque Estadual Xixová-Japui, de São Paulo. O roteiro teve êxito e se mostrou apto a ser implementado e testado em outros parques estaduais e até mesmo nacionais, já que, a partir da avaliação da execução do trabalho e dos resultados obtidos, foi possível, além de criar uma referência concreta para a discussão e o aprimoramento dos procedimentos que podem ser utilizados na delimitação e na gestão da zona de amortecimento, verificar que a metodologia empregada gerou padrões consistentes. Ressalte-se, entretanto, que um processo de zoneamento écomplexo e dinâmico e, por isso, apesar dos padrões consistentes gerados no trabalho da autora, é preciso testá-los em outras Unidades de Conservação para a sua validação.

Hauff e Milano (2005) levantaram e discutiram as opiniões de funcionários de parques brasileiros sobre ações de manejo em localidades rurais situadas no seu entorno e interior. Analisaram as ações de manejo e extensão desenvolvidas em localidades rurais existentes dentro e no entorno de seis Unidades de Conservação brasileiras manejadas como parque e as opiniões de seus funcionários. Foi aplicado, junto aos funcionários, questionário para identificar as atividades de moradores dessas localidades, as ações desenvolvidas e as opiniões sobre seus resultados.Após a aplicação, os dados foram analisados por Unidade de Conservação, de forma global e por comparação entre elas. Segundo os funcionários, os moradores praticam atividades agropecuárias e extrativistas, bem como foram desenvolvidos sete tipos de ações de manejo e extensão pelas administrações. As ações de controle foram as mais citadas e avaliadas com melhor resultado. Os resultados positivos dessas ações foram relacionados, principalmente, ao medo da fiscalização e punição, e os negativos, à falta de condições de trabalho na Unidade. A maioria das Unidades estudadas apresentou reduzido número de funcionários, alguns dos quaisdemonstraram conhecimento ou concepções inadequados sobre a categoria parque.

Vivacqua e Vieira (2007) discutiram os conflitos socioambientais em Unidades de Conservação e concluíram que as dificuldades de equacionamento de conflitos socioambientais em áreas protegidas têm indicado a necessidade de se rever o modelo de gestão dos recursos naturais adotado pelas agências governamentais em nosso país. Para tanto, impõe-se o desenvolvimento de pesquisas que tenham como foco a gestão de conflitos. O enfoque patrimonial oferece subsídios importantes para a construção de um sistema de gestão norteado pela busca de soluções negociadas, mediadas por um ideal- regulativo que privilegia a transmissão intergeracionalde um patrimônio comum a todos os atores sociais envolvidos.

O livro de Morsello (2001), intitulado Áreas protegidas públicas e privadas: seleção e manejo, da editora Nobel,aborda os aspectos teóricos e a prática brasileira relativa aos processos de escolha ou criação dessas áreas e, posteriormente, de sua manutenção ou manejo. Os temas no livro são abordados de forma multidisciplinar em seus aspectos ecológicos, econômicos e politico-institucionais. Tanto o conceito quanto a importância das Unidades de Conservação são bastante discutidos na obra, e também se ressaltam as diferenças entre as Unidades de Conservação administradas pelo setor público e as geridas pelo setor privado. Resumindo: o livro, além de apresentar ao leitor conceitos básicos sobre as Unidades de Conservação, também expõe as dificuldades de aplicação prática dos conceitos teóricos nele introduzidos.

Anaya, Barbosa e Sampaio (2006) discutiram em artigo o reconhecimento do homem como principal elemento na natureza que causa e propicia mudanças no uso da terra.

Traduz, também, a necessidade da inclusão do estudo da dimensão humana e social na construção de conhecimento científico em florestas tropicais secas. Os autores argumentam que, ao considerar o forte impacto antrópico, nesse tipo de bioma, a preocupação atual dos conservacionistas, dos cientistas sociais e dos tomadores de decisão se pauta sobre os componentes ecológicos e sua articulação com odesenvolvimento sustentável das populações que dependem dos recursos naturais de florestas tropicais secas. O Parque Estadual da Mata Seca, área de estudo da rede de pesquisa Tropi-Dry, foi descrito nesse trabalho, no contexto da transformação antrópica no norte de Minas e da discussão sobre meio ambiente, sustentabilidade e território.

Artaza-Barrios e Schiavetti (2007) elaboraram um estudo que avalia a efetividade do manejo de duas Unidades de Conservação localizadas no litoral sul da Bahia: Área de Proteção Ambiental da Costa de Itacaré – Serra Grande e área de proteção ambiental de Caraíva – Trancoso. O estudo partiu da hipótese de que somente as APAs que sejam efetivamente implantadas e manejadas podem colaborar para a proteção da biodiversidade local. A metodologia empregada no estudo avaliou as condições de manejo através de quatro âmbitos fundamentais para a sustentabilidade, em longo prazo, das Unidades de Conservação: ambiental; social; econômico; institucional. Os resultados apontaram que a APA Costa de Itacaré – Serra Grande se encontra numa situação de manejo regular, atingindo um grau de efetividade de 61,6% do seu nível ótimo de manejo, enquanto a APA de Caraíva― Trancoso se encontra numa condição de manejo extremamente precário, alcançando apenas 18,5% da sua situação ótima. Como conclusão, observaram que essas Unidades de Conservação não estão contribuindo de maneira efetiva para a conservação dos recursos naturais, tampouco para a melhoria da qualidade de vida da população local. Dessa forma, os autores colocaram que os objetivos de manejo para os quais essas Unidades foram criadas não seriam atingidos em médio e longo prazos.

Zeller (2008) discutiu, em sua dissertação de mestrado, que, para superar as adversidades e manter as qualidades únicas dos parques nacionais, surgiu a ideia do planejamento para o manejo e, consequentemente, os planos de manejo. O autor argumenta que, atualmente, o planejamento já é um meio consolidado para auxiliar na implementação dos parques brasileiros e que várias unidades contam com algum tipo de plano.Afirma que a função dos planos é a de amparar as decisões dos administradores para que compreendam o contexto da área e as alternativas de manejo, seguindo prioridades e rumos específicos, mas que na literatura há várias críticas aos planos e que muitos deles parecem não cumprir o papel para o qual são elaborados. Nesse contexto, o autor avalia a qualidade da informação contida em planos de manejo e documentos correlatos de oito parques nacionais quanto a sua aplicação prática, na busca de um aperfeiçoamento dos processos de planejamento. Foram selecionados e avaliados, para sua dissertação, oito

parques nacionais e diferentes tipos de planos, desde os mais antigos, produzidos pelo IBDF na década de 1980, até os mais atuais, totalizando 14 planos.A dissertação se sustentou basicamente em entrevistas realizadas com os funcionários das unidades, totalizando 47 pessoas. De acordo com as entrevistas realizadas, os planos não são usados como deveriam, seu uso é aleatório, não há um acompanhamento da execução das propostas e o grau de execução das atividades previstas é baixo para todos os documentos. Boa parte das informações descritivas contidas nos planos é diferente daquelas que os técnicos atestam precisar, sendo difícil visualizar até um aproveitamento das informações obtidas nas recomendações dos planos.

Zeller(2008) também afirma que o zoneamento e os objetivos do manejo, que são partes comuns dos planos, são confusos quanto a sua aplicação prática.Segundo ele, as propostas dos planos, frequentemente estruturadas por temas ou programas (proteção, áreas degradadas, entorno, por exemplo), também são incompletas em termos de informação ou, até, contraditórias e indesejáveis. Pelo conjunto de resultados obtidos, notaram-se desvios claros nos processos de planejamento e, mais ainda, que vários princípios básicos discutidos na literatura são ignorados. Uma das causas centrais dessa situação deve ser a contratação integral do planejamento, que é realizado por empresas de consultoria, culminando em propostas dissociadas das possibilidades institucionais, entre outros problemas. Concluiu, assim, o autor, que os planos não são efetivos em relação ao papel que deveriam cumprir e não estão ajustados à conjuntura para a qual foram preparados. Na realidade, os documentos ou seu uso não implicam rumos específicos para os parques, sendo necessário revê-lospara que se prepare um plano de manejo e do que se espera do planejamento de Unidades de Conservação, pois o planejamento, tal qual ocorre, não se justifica.

Caribé (1992), em artigo que teve como objetivo identificar diretrizes que poderiam ser seguidas pelo Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente (Sinima), analisou os fatores contextuais que influenciariam a tomada de decisão e a demanda informacional da população que cumpre os objetivos e executa as atividades inerentes à área ambiental. A metodologia utilizada pela autora foi a de levantamento (survey), e o caminho teórico seguido, o do enfoque sistêmico. A coleta de dados consistiu de análise da literatura disponível, análise documentária, diagnóstico da infraestrutura existente nas unidades de informação dos órgãos estaduais de meio ambiente e estudo do usuário ― técnicos de nível superior que atuavam na Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema). A conclusão do estudo foi de que a área de meio ambiente possui características próprias, que influenciam as necessidades de informação dos usuários e, consequentemente, deverão modelar o sistema de informação, que as unidades de informação dos órgãos responsáveis pela gestão ambiental no Brasil não contam com infraestrutura adequada para atender às

necessidades de informação e que o usuário não conhece e não utiliza os serviços de informação que lhe são oferecidos. Constatou, também, que as diretrizes para o planejamento de um sistema de informação podem ser elaboradas a partir da análise desses dados.

Para Vieira (1986), a atuação do bibliotecário nesse processo se dá, principalmente, por meio do serviço de informação especializada, que consiste no ato de o profissional da informação disponibilizar para apesquisa a informação ambiental de maneira sistematizada e, principalmente, atualizada, tendo em vista sua importância, pois serve

Para conscientizar e dar poder ao cidadão, à comunidade, aos grupos profissionais e, por extensão, à sociedade como um todo, a fim de pressionarem os governos no sentido da adoção de políticas humanas e sociais justas e orientadas pelo respeito às salvaguardas ecológicas. (VIEIRA, 1986, p. 204)

Foi importante, também, para a presente tese, a revisão da dissertação de mestrado de Coelho (2009), que realizou um estudo no assentamento Chico Mendes II. O objetivo do trabalho da autora foi incentivar a conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida da população residente no assentamento, através de um programa de educação ambiental. Foram realizados diagnósticos participativos, com o objetivo de levantar os problemas da área. A partir dos resultados, durante um ano, foram realizadas várias atividades com a participação dos assentados. Tais atividades foram: seis oficinas (Sanidade de Cultivo e de Solos, Conservação de Solos, Conservação da Água, Fauna e Flora da Mata Atlântica, Adubação Verde e Lixo), uma saída de campo para o Perd, uma feira para troca de sementes e uma palestra proferida pelo administrador do parque. No estudo, os assentados demonstraram ter ampliado os seus conhecimentos sobre o funcionamento dos ecossistemas; no entanto, segundo conclusão da autora, na prática, poucas mudanças foram observadas. Ainda segundo a conclusão de Coelho, provavelmente porque mudanças de hábitos, muitos deles passados por várias gerações, levam algum tempo.

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