12. Resultat og diskusjon
12.3. Resultat partikulært fluorid
As infecções nosocomiais associadas aos cuidados de saúde é o maior problema de segurança para o doente, devendo a sua redução e prevenção ser a principal prioridade nas instituições. Estas apresentam enorme impacto nos países de todo o mundo, devido ao prolongamento dos dias de internamento, incapacidade prolongada, aumento das resistências dos microorganismos aos anti-microbianos, incapacidade financeira, elevados custos para as famílias e aumento da taxa de mortalidade (WHO, 2009 (82)).
Segundo a OMS, as estimativas apontam que mais de 1,4 milhões de doentes em todo o mundo são afectados a qualquer hora.
Infecção nosocomial, infecção cruzada ou infecção adquirida pelos cuidados de saúde é uma infecção associada à prestação de cuidados de saúde que ocorre durante o internamento e que não está presente no momento da admissão hospitalar. O Centro de Controlo de Doenças e Prevenção (Centers of Disease Control and Prevention, (82)) define infecção nosocomial como uma condição localizada ou sistémica que resulta de uma reacção adversa à presença de um ou mais agentes infecciosos ou toxinas, que ocorre durante o internamento, não existindo evidência que estivesse presente ou em incubação no momento da admissão e corresponde às definições de infecção específica quanto à localização.
Segundo o estudo efectuado em 114 hospitais do país e publicado no Relatório do Inquérito Nacional de Prevalência de Infecção, 2009 (8), constituído por 80% de
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hospitais públicos e 34% de hospitais privados, a prevalência de infecções nosocomiais no país é de 9,8%, comparativamente com os restantes países europeus em que a mesma taxa de prevalência varia entre 5-10%, sendo alarmante a situação. Assim, aproximadamente estima-se que cerca de 5 milhões de infecções adquiridas em meio hospitalar sejam contraídas anualmente nos hospitais europeus, representando cerca de 25 milhões de dias extra de internamento e correspondendo a perdas económicas na ordem dos 1324 mil milhões (WHO, 2009 (82)). Na generalidade, a mortalidade atribuída a infecções nosocomiais na Europa é estimada em 1% (50 000mortes/ ano), mas as infecções nosocomiais contribuem para pelo menos 2,7% dos casos de morte, isto é 135 000 mortes/ ano (OMS, 2009 (82)).
Apesar de todos os esforços, a incapacidade resultante das infecções adquiridas pelos cuidados de saúde na Europa é elevada, sendo cerca de 37000 mortes/ ano (WALTER, Z., 2014 (76)).
Os três microorganismos mais frequentes identificados em Portugal foram: Staphylococcus aureus meticilina resistente (MRSA), Eschirichia coli e Pseudomonas aeruginosa.
Na generalidade dos países industrializados, o tipo de infecção nosocomial mais frequente é a infecção do tracto urinário (36%), seguido por infecções pós-cirúrgicas (20%), infecções generalizadas do sangue e pneumonia (ambos 11%). Contudo, há infecções com maior impacto e maior risco de mortalidade, com custos extra associados, é o caso das taxas de mortalidade atribuídas a infecções do sangue e pneumonias associadas ao uso de ventilador, estimadas em 16-40% e aumentando o número de dias de internamento entre 7,5 a 25 dias, verificando-se um aumento gradual das infecções e resistências aos antibióticos (WHO 2009 (82)).
O risco de transmissão está presente em todos os momentos da prestação de cuidados de saúde, especialmente em doentes com imunossupressão, idade avançada, co-morbilidades associadas e em doentes submetidos a técnicas invasivas. A sobrelotação actual dos hospitais, o défice de recursos humanos na saúde, as transferências frequentes de doentes entre serviços/ unidades hospitalares e o
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internamento em unidades de cuidados intensivos, são factores que contribuem fortemente para o aumento do risco de transmissão cruzada, sendo este aumento uma tendência mundial, não apenas verificada em Portugal.
Existem factores intrínsecos e extrínsecos que interferem no aparecimento de infecções nosocomiais, segundo o Inquérito Nacional de Prevalência de Infecções 2009 (8), como factores extrínsecos obtiveram-se os seguintes resultados: catéter venoso periférico (70%), cirurgia (28%), catéter urinário (27%), alimentação entérica (9%), catéter venoso central (8,7%) e ventilação assistida (2,1%). O mesmo estudo nacional constatou que nos hospitais mais pequenos, e consequentemente com menos camas, as taxas de prevalência são menores. Relativamente aos serviços com maior prevalência, os resultados foram as unidades de cuidados intensivos e unidades de queimados.
Os agentes patogénicos associados aos cuidados de saúde podem ser transmitidos não apenas por feridas infectadas ou exsudativas, mas também e frequentemente de áreas da pele íntegras colonizadas. As regiões como áreas perineais ou inguinais são as mais colonizadas por microorganismos, mas também a região axilar, pescoço e extremidades, como as mãos. Como tal, todo o ambiente do doente encontra- se contaminado, como a roupa, mobiliário e objectos do doente. Se a higienização das mãos pelos profissionais de saúde falha no contacto entre doentes, microorganismos são transferidos (WHO 2009 (82)). No sentido de evitar a contaminação por transmissão cruzada é fundamental a higienização das mãos sempre que necessário, cumprindo os 5 momentos preconizados pela OMS, mas também a utilização da técnica adequada, durante o tempo recomendado (20 segundos com solução alcóolica e 40 segundos com água e sabão) e com quantidade de agente alcóolico que cubra na totalidade a pele das mãos (observar figura 4, representativa da transmissão cruzada).
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Figura 13:Esquema representativo da transmissão cruzada, adapatado da OMS 2009 (82).
No estabelecimento de prioridades nas estratégias de intervenção é importante compreender os benefícios e eficácia das medidas de prevenção, os grupos de risco, os métodos que demonstram serem mais eficazes com base na evidência científica e os custos associados à prevenção.
Uma outra consequência grave das infecções nosocomiais é o risco de resistências microbianas aos antibióticos disponíveis no mercado, sendo fundamental um trabalho consistente e rigoroso de políticas, apoios, campanhas de sensibilização e formação de equipas de controlo de infecção nas unidades de saúde, sabendo-se que se pode prevenir até 30% dos casos totais de infecções nosocomiais.
Relativamente à prescrição de antibióticos em Portugal e com base no Inquérito Nacional de 2009 (8), os serviços que registaram maior prescrição foram os serviços de doenças infecciosas, unidades de cuidados intensivos e unidades de transplantes.
Os antibióticos foram um marco importante na história da saúde, ao permitirem a cura de muitas doenças infecciosas, no entanto e após apenas algumas décadas da descoberta da penicilina (1928) já tinham sido identificadas betalactamases em bactérias, caracterizando a resistência adquirida aos antimicrobianos, o que constitui um problema grave e global. Na sequência do seu interesse para outras investigações científicas e dado a sua relação com a redução das infecções nosocomiais, o Projecto OSYRISH, onde se encontra inserido o presente estudo, possui outros núcleos de
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investigação a desenvolver outros trabalhos científicos na área de antibioterapia, já com algumas publicações na comunidade científica, como o artigo “Policy paper - Guia Prático para a Implementação de Programas de Gestão de Utilização de Antibióticos”.
Desta forma, o consumo de antibióticos nos hospitais é muito elevado e de largo espectro, em particular nas unidades de cuidados intensivos (Inquérito Nacional de Prevalência de Infecção, 2009 (8)). A inadequação e recurso excessivo à antibioterapia associado à falta de critérios na escolha do tratamento empírico são factores determinantes e que nos devem levar a reflectir sobre as actuais práticas hospitalares e o surgimento de diversos microorganismos resistentes, constituindo um risco de saúde pública.