3 Resultater
3.2 Resultat av behandling
A perspectiva do institucionalismo e as práticas institucionais podem ser identificadas nos escritos de Dimaggio e Powell (2005), que explicam a crescente homogeneidade cultural e de formas e práticas organizacionais a partir do conceito de isomorfismo. O isomorfismo, para estes autores, reflete o entendimento das forças que pressionam as organizações em direção a uma adaptação ao mundo exterior. Segundo Carvalho Ferreira et al. (2001),
Esta teoria põe em evidência o conceito de isomorfismo para descrever as semelhanças estruturais das organizações; questiona- se sobre a homogeneidade e não sobre a variação, como tipicamente preocupara os estudiosos desta área do saber; e, do mesmo passo, avança a tese de que as organizações, por se encontrarem profundamente imbuídas no ambiente institucional, são resposta e reflexo das regras e padrões legitimados e não apenas cálculos em termos de eficiência (p. 146-147).
Observa-se então, que o entendimento sobre as estruturas organizacionais semelhantes está relacionado com a compreensão das regras e padrões que moldam as organizações. Nesta perspectiva, Dimaggio e Powell (2005) identificam três mecanismos por meio dos quais ocorrem mudanças isomórficas: isomorfismo coercitivo, isomorfismo mimético e isomorfismo normativo.
O isomorfismo coercitivo decorre de influências políticas e de problemas relacionados com a legitimidade. Esse tipo de isomorfismo caracteriza-se não somente por “pressões formais e informais” sobre as organizações, como também “pelas expectativas culturais da sociedade em que as organizações atuam”. Essas pressões são encaradas pelas organizações como “coerção, como persuasão ou como um convite a se unirem em conluio” (DIMAGGIO e POWELL, 2005, p. 77).
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Tais pressões podem ser exemplificadas através da identificação dos momentos em que as mudanças organizacionais decorrem, por exemplo, em função de um atendimento direto às ordens governamentais, como é o caso do uso de novas tecnologias de controle de poluição, que passaram a ser adotadas em decorrência das regulamentações ambientais. Exemplos desta natureza levam a conclusão de que
(...) a existência de um ambiente legal comum afeta diversos aspectos do comportamento e da estrutura das organizações (...). Como resultado, as organizações se tornam cada vez mais homogêneas dentro de determinados domínios e cada vez mais organizadas em torno de rituais em conformidade com as instituições maiores (DIMAGGIO e POWELL, 2005, p. 77-78).
Identifica-se, então, que a homogeneização das estruturas organizacionais decorre do fato de existir um isomorfismo coercitivo, ou seja, todo um aparato formal/legal que impõe às organizações uma moldagem semelhante. Todavia, para além dos aspectos formais, o isomorfismo coercitivo pode também se apresentar de uma forma mais sutil e menos explícita, decorrente de pressões informais e/ou culturais das sociedades nas quais estão inseridas.
De acordo com Dimaggio e Powell (2005), o isomorfismo mimético ocorre em função das incertezas ambientais ou quando as metas estabelecidas são ambíguas, o que faz com que as organizações assumam modelos de outras. Nessas situações, a organização mimética passa a copiar e utilizar práticas administrativas desenvolvidas por organizações diversas, que por estarem “dando certo” naquelas poderão “dar certo” também nas imitadoras. E é dessa maneira que ocorre o processo de homogeneização das organizações.
A homogeneização decorrente das forças miméticas é originada do fato de as organizações em sua maioria, especialmente as comerciais, enfrentarem grande incerteza. Os executivos percebem que uma inovação em uma empresa, geralmente vista como bem sucedida, é plausível de ser copiada. Essa adoção de modelos é efetuada sem nenhuma prova clara de que o desempenho será melhorado.
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Os processos miméticos explicam por que manias e modas ocorrem no mundo dos negócios, a exemplo das técnicas como gestão da qualidade total que foram adotadas sem evidência clara da eficiência ou eficácia. O único benefício certo é que as sensações de incerteza da gerência serão reduzidas e a imagem da empresa será melhorada porque ela é vista como utilizando as mais recentes técnicas gerenciais.
Similarmente, esta idéia de mimetismo foi desenvolvida, também, por Schumpeter (1982, p. 43-66) ao desenvolver sua teoria do desenvolvimento econômico, na qual aparece a figura do empresário inovador enquanto agente econômico que “traz novos produtos para o mercado por meio de combinações mais eficientes dos fatores de produção, ou pela aplicação prática de alguma invenção ou inovação tecnológica”. Esta situação impulsionaria o desenvolvimento e a lucratividade para a sua organização até o momento em que outros empresários começassem a imitá-lo e passassem a produzir de forma homogênea.
Assim, segundo Dimaggio e Powell (2005, p. 79),
Boa parte da homogeneidade nas estruturas organizacionais deriva do fato de que, apesar de haver considerável busca de diversidade, há relativamente pouca variação a ser selecionada. As novas organizações tomam como modelo organizações mais antigas, que já existiam na economia, e os administradores procuram ativamente modelos nos quais se basear.
Os modelos perseguidos são aqueles que demonstrem serem mais legítimos ou bem-sucedidos. Assim, o isomorfismo mimético resulta em padronização das organizações.
Já o isomorfismo decorrente das pressões normativas, ocorre principalmente em função da profissionalização. Segundo Dimaggio e Powell (2005, p. 79), a profissionalização pode ser entendida como sendo “a luta coletiva de membro de uma profissão para definir as condições e os métodos de seu trabalho, para controlar a „produção dos produtores‟ e para estabelecer uma base cognitiva e
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legitimação para a autonomia de sua profissão”. De acordo com Carvalho Ferreira et al. (2001, p. 148),
(...) as expectativas culturais via profissionalização do saber-fazer. Este processo de “produção de produtores” é garantido não só pela padronização legitimada dos conhecimentos e práticas transmitidas via sistema de ensino ou formação, como também pela existência de associações profissionais que constituem uma importante rede de difusão de informação, inovações, novos modelos organizacionais e mobilização de recursos.
Assim, os métodos de trabalho padronizados tornar-se-iam os padrões do isomorfismo decorrente das pressões normativas, ou seja, as formas comuns de interpretação e de ação frente aos problemas que se põem em evidência na vida organizacional, proporcionam o isomorfismo normativo. A profissionalização decorrente do fato de se ter uma ocupação leva ao compartilhamento de normas e conhecimentos com outros indivíduos, caracterizando-se como uma das formas mais frequentes de pressão normativa, implicando em certa tendência isomórfica das organizações.