• No results found

Responses from the project team

In document OR-49-95.pdf (3.428Mb) (sider 33-36)

Tanto a consciencialização linguística como o reconhecimento de multipalavras e a aprendizagem de novos itens se tornam infrutíferos se não existir constante recuperação ou revisão das unidades lexicais e dos seus significados ao longo da aprendizagem. Willis e Willis (1990:70) advertem para este facto, referindo que o professor deverá proporcionar aos alunos uma exposição repetida aos itens e padrões linguísticos, o que ao mesmo tempo os ajuda a desenvolver a curiosidade acerca da língua e a sua capacidade analítica.

A importância de atividades/exercícios centrados na recuperação/revisão de determinados itens já abordados prende-se com o facto de estar comprovado que para haver retenção é necessário efetuar-se a reciclagem (Lewis, 1997a:49), ou seja, os itens têm de ser «chamados à consciência» do aprendente para que não sejam esquecidos, pois «each time you meet a word in context and (at least partly) understand it, you understand more of its meaning, and graduall integrate it into your lexicon for immediate access.» (Lewis, 1997a:51). Contrariamente à ideia tradicional de que repetir o mesmo conteúdo duas vezes é um desperdício de tempo, as atividades/exercícios a desenvolver no sentido de recuperar aprendizagens são muito importantes para mobilizar esses itens, passando comummente pela leitura e pela compreensão oral. Neste âmbito, também cabe ao professor dinamizar outro tipo de atividades que podem consistir simplesmente em questionar o aluno acerca de algo ou pedir-lhe que conte determinado episódio em que os itens aprendidos sejam utilizados. Ainda com o mesmo objetivo, Lewis aconselha a utilização, por parte dos aprendentes, de um bloco de notas, de forma a personalizar a sua aprendizagem da língua. O mesmo conselho é dado por Schmitt e Schmitt (1995:134), referindo que o uso deste auxiliar «emphasizes the incremental learning of vocabulary, and different aspects of word knowledge». De uma maneira geral, é provável que grande parte dos alunos possua este instrumento, mas não o utilize da melhor forma, pois normalmente consiste numa lista de palavras e na sua tradução, de forma mais ou menos organizada, seja por ordem alfabética, por assunto ou por aula. Esta forma de “arquivar” vocabulário, à luz da abordagem lexical, é contraproducente e, por isso, Lewis (1997a) aconselha a adoção do que ele designa por «bloco-notas lexical» alertando para o facto de este registo não ocorrer sempre que

33 surge uma palavra nova, mas apenas quando o aluno, com o auxílio do professor, considere que voltará, posteriormente, a consultar e enriquecer o item registado.

O bloco-notas deverá ser organizado de maneira a poder receber diferentes tipos de itens lexicais. Em relação ao seu formato, Schmitt e Schimitt (1995) referem que é aconselhável utilizar um dossiê em que as folhas possam ser tiradas, mudadas de local e acrescentadas, permitindo a organização dos itens por grupos, a sua posterior reformulação e distribuição de acordo com os objetivos do aprendente. Os autores referem que o mais aconselhável é colocar no final as folhas com as palavras que já estão mais bem apreendidas e no início as que ainda são recentes. No seu bloco de notas o aluno poderá registar palavras - em número reduzido – colocações fortes, expressões fixas com os equivalentes em L1, combinatórias, expressões semifixas, exemplos gramaticais, opostos e outros aspetos por si descobertos que considere oportunos. Ao inserir os itens, o aprendente deverá ter o cuidado de os articular com outros já conhecidos que constem do bloco, numa linguagem que ele entenda (Schmitt e Schimitt, 1995), pois se proceder ao registo arbitrário criar-se-á uma espécie de «caos lexical» e será mais difícil para o aprendente reter esses itens. Estes poderão ser agrupados por ordem alfabética, por assuntos (por exemplo «Expressões Idiomáticas», «Expressões de Cortesia», «Expressões de Sentimentos»…) ou de acordo com outras etiquetas que o professor e o aluno considerem úteis. Seja qual for o formato escolhido, não deverá ser demasiado extenso ou redutor para que o aprendente possa registar e manusear a informação estritamente necessária. A partir do momento em que determinado item é colocado no bloco de notas, um conjunto de informações vai sendo adicionado, como por exemplo a sua tradução, alguns sinónimos em LE, as palavras mais comuns com as quais se combina. Para que esta tarefa seja mais fácil Schmitt e Schmitt (1995) aconselham a proceder a uma divisão da folha em secções para que o registo dos itens possa ser efetuado da forma (Anexo 6) mais adequada à retenção.

Tal como as outras estratégias que contribuem para a aquisição lexical, também a organização de um bloco-notas lexical proporciona ao aluno maior autonomia na aprendizagem. Sem a ajuda do professor, os aprendentes podem enriquecer com informação variada os itens lexicais registados através da procura de elementos quer nos dicionários, quer nos manuais ou trabalhando colaborativamente. As estratégias de enriquecimento dos itens lexicais podem variar de item para item ou aplicar-se todas ao mesmo elemento lexical, mas a sua realização deverá ocorrer em vários momentos para que os alunos sejam conduzidos à consulta frequente do seu bloco de notas. Em casos

34 específicos, em que os itens escolhidos apresentem certas particularidades linguísticas ou pragmáticas, o professor deve fornecer alguma informação, mas não em excesso.

Schmitt e Schmitt (1995:174) realçam a importância deste procedimento, mas ressalvam que os blocos de notas não substituem outras formas de aquisição de vocabulário, tais como a leitura extensiva, a aprendizagem implícita ou explícita através de tarefas, mas são um complemento que ajuda o aluno a concentrar-se num número limitado de itens. Estes deverão ser consultados frequentemente, cabendo ao professor promover tarefas que impliquem esse retorno, para que os alunos mantenham vivos na memória os itens aprendidos. Por outro lado, é também importante que os alunos vão registando os itens que foram descobrindo fora da sala de aula e os quais gostariam de explorar, sendo tarefa do professor estimular essa busca. McCarthy (1990:128) aconselha que os professores consultem ocasionalmente os blocos de notas dos seus alunos para verificarem se existe algum tipo de incorreção nos registos efetuados, o que simultaneamente contribui para o conhecimento do progresso e problemas linguísticos dos alunos.

Os processos apresentados são apenas alguns dos que podem contribuir para uma melhor e mais eficaz retenção dos itens lexicais (e tudo o que lhes está associado) no léxico mental. Em qualquer um dos aspetos abordados destaca-se a autonomia do aluno o qual deve ser impelido a envolver-se na aprendizagem da língua, o que lhe proporciona a oportunidade de descobrir novas estruturas através da repetição de sequências linguísticas, colmatando alguma falha que exista na memória de curto prazo, responsável pela capacidade de reprodução de sequências fonológicas, e o estabelecimento de uma afetividade maior no desempenho das tarefas, o que contribui para a retenção vocabular na memória de longo prazo. Cabe ao professor proporcionar as condições para que o aprendente possa iniciar o seu processo de aprendizagem, tendo a consciência de que «Accepting learner autonomy also means accepting that teachers cannot guarantee what is learned. The teacher must be content and fulfilled by the role of learning-manager» (Lewis, 1997a:38).

35

6. O ensino de línguas baseado em tarefas

In document OR-49-95.pdf (3.428Mb) (sider 33-36)