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Chapter 7: Discussion

7.1 Responding to the first research question

No trecho seguinte, assistido pelo professor, Teresa reproduziu a canção Total Eclipse of

the Heart pelo seu celular. A canção não era conhecida pelo professor Wallace, sendo assim, ele

pareceu estar pensando e percebendo sonoramente sobre como executar a canção. Este momento caracteriza o início de uma construção sobre um momento indeterminado (Schön, 2000) - no caso saber executar a canção. Como a canção, inicialmente, está no centro tonal de si bemol menor, Teresa utilizou o capo tasto para evitar a utilização de acordes com pestana:

-W: Bota junto com a gravação aí [Teresa pega o seu celular e reproduz a canção, enquanto isso o professor Wallace olha para folha e arpeja o acorde de si menor]. Depois, a gente vê como é que faz a [Na reprodução da canção Wallace arpeja cada acorde e Teresa acompanha a canção cantando](Professor Wallace, 07/06/2011).

Quando a canção chega ao acorde de ré bemol maior, o professor aconselha interromper para reproduzir novamente. O diálogo, a seguir, demonstra uma surpresa para o professor no momento da aula - as digitações de m.e. perante a transposição de acordes com a utilização do

capo tasto. Neste ponto, é possível notar a reflexão do professor para solucionar esta área

indeterminada (Schön, 2000):

-W: Beleza! Tem como voltar ali? [Teresa interrompe a reprodução]. Deixa eu ver uma coisa. Tá um tom acima...

-T: Voltar da onde? [Professor Wallace olha para folha e pensa]

-W: Espera aí. Bota do começo de novo [Teresa reproduz novamente a canção]. Deixa eu ver uma coisa nesta harmonia ali [durante a reprodução, o professor Wallace arpeja os acordes, novamente,

e Teresa canta]. Ah tá [Teresa pega o celular para interromper]. Não, peraí, pode deixar [Professor Wallace olha para a folha e pensa sobre os acordes]. Tá, beleza, entendi [Teresa interrompe a reprodução]. Eu pulei um acorde [Professor Wallace aponta para a folha].

-T: É, eis a questão. Aqui? [Teresa posiciona o acorde]

-W: Tá, até aqui, beleza, e aí? [Teresa arpeja o acorde de ré bemol maior para si bemol maior]. -T: É? (Professor Wallace e Teresa, 07/06/2011).

Ao chegar a uma solução para raciocinar as digitações, imaginando como se não estivesse o capo tasto, o professor não entregou a solução direta a Teresa, mas a faz pensar sobre o problema e chegar ao mesmo raciocínio (Hallam, 1998):

-W: Como é que tu lê este acorde? -T: Lá sustenido.

-W: Então, como é que tu faz?

-T: Tá sustenido já, porq...[Teresa olha para sua m.e.] -W: Não, não, não. Esquece que tá o teu capo aí. -T: Tá, então o lá tava.

-W: Não, esse tu tem que pensar, esquece que tu tá com o capo tá? Esse é o teu lá, que é o lá sustenido.

-T: Aqui? [Teresa posiciona o acorde de si bemol maior]

-W: Pestana na primeira casa [a primeira casa, na realidade, é a segunda casa]. -T: Aqui? [Teresa posiciona a pestana na segunda casa]

-W: Na primeira casa, pestana [Teresa posiciona corretamente e arpeja o acorde de si maior]. Aí! Tá? Aí tá? [Professor Wallace aponta para folha e Teresa arpeja o acorde de ré bemol maior para si maior]

-T: Não é assim, né? [Teresa posiciona outro acorde] -W: Tá, faz em outro lugar isso.

-T: Aí acaba, eu achei que era na quinta, e ele era assim, pra fazer ele sustenido, eu faço aqui. -W: É, é sustenido.

-T: Esse é sustenido? [Teresa aponta para o acorde que posicionou]. -W: Não, esse ali é ré.

-T: Então, como é que faz?

-W: É, na verdade, como tu estás com o capo, esse é o teu ré [Professor Wallace aponta para o braço do violão de Teresa], então, sustenido vai ser meio tom acima [Teresa arpeja o acorde de mi maior].

-T: Tá! [Teresa conta com o dedo as casas até onde posicionou a pestana]. Na sétima casa, então. (Professor Wallace e Teresa, 07/06/2011).

Percebendo que Teresa esteve com dificuldades em raciocinar as transposições dos acordes, imaginando sem a utilização do capo tasto, e assim realizar as novas digitações para a m.e., o professor recomendou uma execução posterior sem a utilização do capo tasto. Em seguida, ele percebe que facilita o raciocínio considerando a presença do capo tasto, equivalendo a posição das cordas soltas do violão:

-W: Ó, depois a gente vai sem o capo, tá? -T: Aí o si e sol é aqui. Aqui?

-W: Sol sustenido. -T: É?

-W: Não! -T: Aqui?

-W: É tem que pensar que tu tá com o capo. Então, onde é que seria o teu sol. -T: Aqui? [Teresa posiciona o acorde de sol maior]

-W: Não, aí seria o sol maior sem o capo. Sobe uma [Teresa posiciona uma casa a frente]. Aí! Na terceira, aí faz sustenido. (Professor Wallace e Teresa, 07/06/2011).

A transposição dos acordes somente na forma escrita também foi percebida pelo professor ao procurar uma solução que facilitasse o raciocínio com a utilização do capo tasto, sendo assim escreveu, na folha, os acordes transpostos meio tom abaixo:

-W: Ó, é que isso aqui, na verdade, teria que ser isso [Professor Wallace escreve sobre a folha]. Teu acorde, não vai afetar no teu acorde, só na maneira de escrever, tá?

-T: Ah, eu já fiz isso.

-W: Tá. Aí, aqui, vai ficar mais fácil, faz aqui [Teresa posiciona o acorde fá menor, no entanto, o professor Wallace raciocina como se o capo traste não estivesse]. Isso! Mi menor.

-T: É?

-W: É! [Teresa executa a sequência de acordes arpejando fá menor, ré bemol maior, mi bemol maior e lá bemol maior]. Beleza!

-T: Tá

-W: Fica mais tranquilo [ambos olham para folha]. Ah, aqui que eu te falei ó [Professor Wallace olha para folha e pensa], aí, depois, eu tenho que ouvir de novo para ver isso aí. Então, vamos ver o começo de novo? Ah, tá, não, essa parte aqui ó, de novo [Professor Wallace aponta para folha e Teresa olha e posiciona o acorde]

-T: Aqui? -W: Isso!

-T: É assim e vem assim? [Teresa arpeja dois acordes seguidos].

-W: É, o baixo tá aqui [Professor Wallace aponta para o braço do violão de Teresa]. -T: Daí, eu venho pra cá [Teresa posiciona o acorde e arpeja].

-W: É, aí é pestana na sexta. [Teresa corrige o posicionamento] Isso! Tá, vamos tentar fazer até aí pra ver se pegas os acordes? [Professor Wallace aponta para o celular e sugere a reprodução da canção]

-T: Da música? [Teresa pega o celular e inicia a reprodução]

-W: É! [durante a reprodução Teresa canta e arpeja cada acorde](Professor Wallace e Teresa, 07/06/2011).

O raciocínio para Teresa executar o trecho com os acordes transpostos foi o seguinte:

Teresa encontrou dificuldades no momento de executar o acorde com pestana de Bb e saber a sua posição correta. Ao chegar à execução do acorde, o professor auxiliou a aluna demonstrando o posicionamento:

-W: Não, aqui [Professor Wallace demonstra o posicionamento do acorde] -T: Aqui?

-W: Pausa, pausa. [Professor Wallace solicita a Teresa para interromper a reprodução da canção]. Si bemol.

-T: Si bemol é o que tava junto antes ai. -W: Aquele que tu fez antes, esse aqui. -T: Aqui?

-W: É!

-T: É? Ahh, tá certo, agora, eu lembrei.

-W: Eu só mudei o nome, mas estava lá sustenido né? [Teresa pega o celular para reproduzir a canção]. Tá, é bota ali [inicia a reprodução da canção]. Ah, tá um pouco mais rápido, beleza (Professor Wallace e Teresa, 07/06/2011).

A utilização do celular constituiu um recurso utilizado para auxiliar o ensino do professor. Este auxílio está caracterizado no fornecimento de um modelo sonoro (Lehamnn; Sloboda; Woody, 2007) como referência sobre como executar a canção. Entretanto, o próprio professor demonstrou não conhecer a canção, ocasionando, assim, indeterminações (Schön, 2000) a serem solucionadas sobre a referida canção, tais como acordes utilizados, sequências de acordes, acompanhamento rítmico e linhas melódicas.