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GEBARA chama a atenção para a dimensão do poder e do não poder das mulheres nas estruturas religiosas, explicitando o sentido existencial do exercício do poder e as fragilidades do poder religioso, sobretudo, quando se trata da vida e do trabalho de categorias chamadas excluídas. Para ela trata-se de um paradoxo existencial que nos remete ao entendimento dos meandros do poder existentes nos diversos patamares estruturais das religiões e, nestas, a compreensão do papel das atividades das mulheres católicas empobrecidas.97 No catolicismo romano, como em quase toda religião nota-se, inclusa no exercício das funções entre os gêneros humanos, uma relação de poder simbólico-religiosa que denota paradoxalmente força e fraqueza entre as partes.

96 FOUCAULT,M. Microfísica do poder. p. 248

A autora diz que as mulheres criticadas, perseguidas, subjugadas, desprezadas e injustiçadas desde o passado, ainda hoje continuam marginalizadas das decisões e excluídas de certas relações e que aqui denominamos de micro-sistemas, ou seja, pequenos mecanismos ou estratégias de sobrevivência das funções exercidas em meio a conflitos gerados por um poder pré-estabelecido. São manobras de defesas, já experimentadas, legitimadas, que voluntariamente repetidas podem resultar em ações profícuas e eficazes, mesmo que em longo prazo, em meio a um status quo já estabelecido por um poder vigente. Hoje, as mulheres se abrem a outros trabalhos, sejam às novas perspectivas eclesiológicas a que são motivadas, sejam persistindo nas tarefas costumeiras ou insistindo nas propostas de suas autoridades hierárquicas. São também elas que nesses mesmos espaços compõem majoritariamente as estruturas eclesiais, mas, estão longe de participarem do potencial das relações de poder que configuram as decisões hierárquicas.

Essa condição para GEBARAé a essencial para pensarmos a respeito do nosso objeto central de estudo, pois abarca a condição positiva e negativa do poder. O “não poder” na produção da atividade simbólico-religiosa é que para nós configura e se transforma em poder vigente. Essa dialética é para nós, a maneira de compreender as insistentes atuações das mulheres na Igreja, mesmo após tantos séculos de marginalidade nos processos decisórios.

Por isso a autora diz que o “ter poder” parece estar misturado às coisas ruins existentes dentro dos ambientes eclesiásticos e, é por isso que, muitas vezes, preferimos dizer que algumas pessoas não têm poder. O poder não é detectado num primeiro momento, mas se constata muitas vezes pela via da sua negação. Após a inserção em meio às atividades de um contexto vital é que se comparam funções e positiva-se ou negativa-se certas autoridades. Ela diz que num olhar mais superficial, a negação do poder pode até representar uma atitude positiva, principalmente se tratar-se de exercício de generosidade de alguma pessoa.

Afirma ainda GEBARA: “à primeira vista a negativa de poder fica na apreciação positiva, quando este é exercido por bondade”. Essa característica aparece oculta no subjetivo de quem a pratica num exercício do poder e indica a necessidade de se mostrar um espaço ou uma atividade a ser resgatada num todo por quem a exerceu. O que muitas vezes deixa o exercício de poder mascarado ou velado por negativismos de pessoas e de lugares ameaçados, ou seja, existem pontos em que as ações e relações efetivamente estabelecidas há tempo representam ameaça e por isso é necessário negá-las ou mesmo fingindo que não existem, são negadas.

As relações de poder para GEBARA levam ou não as pessoas a compreender e interpretar um determinado lugar em que se estabelecem. Para ela, ter poder a princípio,

parece significar uma das atribuições utilizadas para diferentes finalidades, mas, que subseqüentemente, se direciona somente para atividades de comando ou organização.

Em geral, as reflexões de GEBARA principalmente para o que ela denomina “experiências do poder em meio às mulheres” são aquelas coletivas vividas em meio populares por todas presentes cotidianamente nos trabalhos das comunidades e por isso tiveram as experiências de serem comandadas nas suas relações. Isto se torna visível quando as mulheres são impedidas de viver o poder na sua forma mais positiva de exercício, principalmente nas estruturas eclesiais. Chamaria aqui de locus, pois qualquer que seja a participação das mulheres nunca ela é isolada ou localizada numa Igreja e isso implica sempre pensar numa ampla atividade, uma extensa estrutura espacial e conjuntural onde se dão as relações de poder. Aí, se explica também o negativismo citado anteriormente, pois uma vez negada a força das mulheres no ponto em que elas agem se desestruturam os interesses de quem as dirige e as autoriza, consequentemente desempoderam-se quem ali exerce poder de fato. Parece que esta discussão ainda tem muito o que pensar e ainda não chegou a provocar muitas mulheres nos interiores das Igrejas.

GEBARA buscou legitimidade e referências às suas teorias em FOUCAULT e mesmo que a princípio apareçam entre ambos nuances não concatenadas veremos que são consistentes para as nossas reflexões com outras autoras. Portanto, podemos aqui interpelar as causas de encontrarmos hoje homens também pensando a questão de gênero e o papel da liberdade das mulheres nas religiões. Não poderíamos dialogar apenas com mulheres? A escolha desse diálogo entre diferentes é importante e quando ligados à mesma epistemologia se torna fundamental para que a práxis aconteça. Ou seja, a teologia latino-americana e a “brasileira”, tem amplas e diversas razões para se utilizar da análise de questões98 de gênero

para a elaboração de seus textos doutrinais. Lembramos que escritos de BOURDIEU versam também sobre esse tema, em perspectiva diferente.99

Por isso, se os homens e as mulheres não assumirem a opressão feminina como uma realidade que deve ser revertida imediatamente e se ambos não se reconhecerem como cúmplices de uma ideologia patriarcal-machista que perpassa toda a sociedade e as Igrejas, jamais as mulheres sozinhas conseguirão se libertar de certas convicções já teorizadas, institucionalizadas e legalizadas. Esta amostra permite-nos refletir sobre o diálogo cúmplice

98 As obras de Michel Foucault são importantes e dizem respeito a esse assunto, mas nem por isso deixaremos de ter como fonte, outros autores. Ver resumos e críticas das suas obras que são abundantes para as pesquisas sob perspectivas feministas se torna relevante para este trabalho. Um de seus últimos textos: em MCNAY, Lois. Foucault and Feminism. Cambridge. Polity Press. 1992.

que deve existir entre homens e mulheres e que com suas especificidades, podem se encorajar mutuamente, com a reciprocidade podem se impulsionar na luta por uma libertação maior, que não é só de um gênero humano, mas de uma postura de exercício pleno da liberdade da humanidade.

GEBARA manteve diálogos com teólogos da libertação, mais sobretudo, com os escritos de Jon Sobrino, Leonardo Boff, Rubem Alves e José Comblin. Estes a ajudaram a perceber o sentido profundo da Encarnação de Deus na história humana e das conseqüências para a nossa liberdade e do nosso poder de mulheres construtoras em favor do Reino.100 Daí, o poder acontece quando a liberdade se exerce101. Veremos a seguir como se localiza o fenômeno da liberdade diante da condição em que as mulheres vivem nas Igrejas.

2 A dialética102 do poder. O não poder da maioria informal das mulheres

Trabalhar em favor de desfavorecidos seja material ou espiritualmente, tanto pode ser interpretado como algo positivo quanto negativo. Por isso falar de práxis de mulheres e liberdade é pensar numa complexidade de relações. Na tradição cristã reconhecemos a dificuldade que é tratar de certos assuntos, sobretudo aqueles cujos direitos e deveres tomaram condições adversas na práxis religiosa no decorrer dos séculos. Explicamos melhor: Algumas pessoas são privilegiadas em seus direitos e outras de forma cruel e sacrificial sofrem perdas danosas em função daquilo que determinaram como sendo seus deveres. Muitas delas percebem ser injustamente designadas nas funções das instituições e nas relações

100 TAMEZ, E. Teólogos da Libertação falam sobre a mulher. p. 129

101 Ivone Gebara relata essa e outras experiências em diversos escritos, artigos, prefácios e conclusões de discursos.

102 Como já nos referimos anteriormente ao poder dialético presente nas atividades das mulheres, queremos neste momento explicitá-lo. O conceito de dialética é utilizado por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma, assume um significado distinto. Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz de aproximação entre as idéias particulares e as idéias universais ou puras. É a técnica de perguntar, responder e refutar que ele teria aprendido com Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). Platão considera que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das idéias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade. Aristóteles define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. "Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres", diz o filósofo. O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica quando define a dialética como a "lógica da aparência". Para ele, a dialética é uma ilusão, pois baseia-se em princípios que são subjetivos. O método dialético possui várias definições, tal como a hegeliana, a marxista entre outras. Para alguns, ela consiste em um modo esquemático de explicação da realidade que se baseia em oposições e em choques entre situações diversas ou opostas. Diferentemente do método causal, no qual se estabelecem relações de causa e efeito entre os fatos (ex: a radiação solar provoca a evaporação da água, esta contribui para a formação de nuvens, que, por sua vez, causa as chuvas), o modo dialético busca elementos conflitantes entre dois ou mais fatos para explicar uma nova situação decorrente desse conflito.

de poder que alicerçam doutrinas. É o caso das mulheres que recorrem a sacrifícios na tentativa de se institucionalizarem e buscarem hoje os seus direitos para o exercício pleno de sua liberdade. GEBARA afirma:

pode-se perceber conquistas concretas de direitos, sobretudo na fundação de instituições capazes de criar condições para a solução de problemas concretos. Lembro-me do número imenso de ONGs feministas no Brasil e de sua atuação ante problemas concretos.103

Nas igrejas, ajudar concretamente as pessoas se tornou sinônimo de algo positivo e pode ser feito em nome de um sacrifício em favor de alguém. E essa postura de muitas mulheres é um comportamento livre e que deve ser louvado, porém, não deixa de ser perigoso, pois pode acontecer em meio de relações injustas. O sacrifício voluntário pelo bem do outro é algo ligado à liberdade, ou seja, a uma escolha pessoal de certos valores.

Portanto, o ato sacrifical de si mesmo é um meio utilizado pelas religiões e por muitas culturas para legitimar poder sobre as pessoas. Esse comportamento das mais diversas maneiras é tão antigo quanto a própria humanidade. Aqui poderíamos retomar a teologia da tradição paulina em que algumas correntes espirituais sublinharam o fato de que o sofrimento se configura e se acrescenta ao sofrimento de Cristo. Esse caminho ao mesmo tempo em que é livre, é responsável por conseqüências na vida das pessoas e das comunidades, mas se configura de diferentes maneiras, conforme os contextos e também os sexos das pessoas neles envolvidos.

Se viver conforme o sofrimento de Cristo é algo voluntário e prazeroso, isso desenvolveu na consciência de muitas mulheres que o prazer do sofrimento ou do sacrifício está ligado a uma forma de cumprimento de lei e de missão cumprida. Daí sofrer é uma condição divina, porque sem sacrifício nada se consegue!

Enfim sobre a experiência do mal e todos os sacrifícios exigidos entre homens e mulheres, a teóloga reflete ainda a questão do gênero e da teologia feminista. Essas duas categorias hermenêuticas repensam a complexidade do mal, que vai além de uma simples fenomenologia do mal no feminino. Diz GEBARA (2001):

Nessa perspectiva o sacrifício sob as mais diversas formas sempre foi utilizado como moeda de troca. Também usado pelos sistemas econômic os para obrigar pessoas a sacrificar-se pelo desenvolvimento ou para adquirir a riqueza prometida. É comum dizer no dia a dia: ‘Consegui isso com muito sacrifício’.

Dessa forma, para ela a reflexão sobre a liberdade, o sacrifício e o mal está ligada a contextos culturais e opções de vida que as pessoas livremente estabeleceram a si mesmas conforme as diversas visões de mundo que fizeram nas experiências vividas desde o nascimento, sejam elas biológicas, antropológicas, teológicas, filosóficas e outras. Dependendo da interpretação que se faça de qualquer um dos direitos fundamentais da humanidade, entre eles a liberdade, em nome de Deus é possível dominar e pode ser prazeroso ser dominado.

A reflexão feminista proposta por GEBARA quer mostrar que é possível o diálogo livre e plural no mundo de hoje e que de certa forma, quando buscamos a rica “mistura” do bem e mal, ultrapassamos as tradições culturais e religiosas. Sobretudo, a religiosa, que nos diz que primeiro foi o bem e depois veio o mal. Essa perspectiva dinâmica abre-se numa dimensão de que virá novamente o bem, insistindo no humano que é sempre divino em sua vocação. Pela reflexão da fenomenologia do mal se chega ao silêncio sobre um mistério que vai além, que invade e perpassa toda a vivência huma na, e nesta pesquisa no último capítulo, o mistério e a dialética do silêncio das mulheres poderá ser constatado.

3 A liberdade nas relações de poder

Liberdade é o poder que baseado na razão e na vontade exerce de forma plena a responsabilidade e toda forma de crescimento e maturidade diante da verdade, do bem e da dignidade da pessoa. Acontece da livre vontade e na capacidade de tomada de decisão, de poder optar, de escolher. Assim, acontece em meio às relações de poder em que as pessoas vivem em meio às diferenças religiosas.

Para os cristãos a verdadeira liberdade alcança seu fundamento pleno diante do ser humano que encontra Deus, em Jesus Cristo. Esse encontro, o qual se vive a verdade da nossa fé, torna-se perfeito quando, inteiramente responsável, a pessoa de todo gênero, se coloca a serviço do bem e da justiça. O poder da liberdade está em vivê-la legitimamente desde a sua origem, que enquanto divina, está para o bem de todas as pessoas, e quanto mais se praticar, mas livres seremos. E o direito e a busca da liberdade tornam-se um fato inegável na América Latina: a vocação dos/as cristãos/as mártires ou daqueles/as que sobrevivem diante dos

“martírios” diários. Estes são em sua grande maioria aqueles/as que souberam unir fé com justiça social104.

Vivendo o compromisso de fé e participando de algum modo no processo libertador das injustiças sociais latino-americanas e comprometidas com os oprimidos, essas pessoas souberam alimentar a sua utopia profética em meio a conflitos e conseguiram viver a plena vocação para a liberdade. E quantas mulheres participaram e persistem nessa luta do cotidiano contra a opressão.

Pessoas desinteressadas de seus particulares desejos observaram os anseios dos outros e puderam com práticas libertadoras responder à vocação profunda e irresistível do seu ser: a liberdade. Essa vocação é o atributo divino e verdadeiro de todos e, portanto todo o resto pressupõe desta premissa que é ativa. No agir complexo e continuado de uma práxis libertadora, se encontra primeiramente a liberdade da pessoa, que não se pode medir apenas pelo simples gesto do fazer algo livremente. Serviços muitas vezes voluntários podem exprimir pressão, coerção, cobrança e opressão.

Essa análise sobre liberdade é feita por COMBLIN um dos expoentes da Teologia da Libertação, hoje no Brasil. Inspirado pela fé e conhecedor da realidade latino-americana ele nos questiona: o desafio do século será descobrir a vocação pela liberdade a partir da saída da passividade? O mundo realmente ouviu o Evangelho, o apelo para a liberdade e quanto tempo as igrejas cristãs dedicaram para essa mensagem? Quantos têm hoje essa atividade ou na sua práxis são estimulados pela consciência crítica?105

Diante de um mundo diferente que se vive neste século, sobretudo nos continentes mais pobres, poucos souberam buscar a certeza da sua vocação cristã vivendo o evangelho como pressuposto da prática da liberdade. Liberdade que no território de mulheres paupérrimas não conseguiu ser vivida por não ser entendida? E quem teve a culpa dessa prática inconsistente? COMBLIN diz: “Todos e ninguém”.

É justamente no interior dessas reflexões e em meio aos conflitos vividos por todos e pela busca das verdades nas questões eclesiais, sociais, nos debates, nas estratégias políticas e nas proposições e doutrinas eclesiais que nascem novas reflexões sobre liberdade. É uma mensagem que deve ser dirigida primeiramente à maioria de pobres e não que os ricos não possam também recebê-la! Opressão qualquer que seja ela é a condição primeira e pode bem ser de ricos e dominadores, homens e mulheres.

104 BOFF,L. Novas Fronteiras da Igreja. O futuro de um povo a Caminho. p.171. 105 COMBLIN, José. Vocação para a Liberdade. p. 34-36

Vemos que a descoberta da liberdade das mulheres deve ser uma busca constante feita pelo rompimento dos poderes de opressão, e é o colocar-se ativamente na discussão de questões relevantes que interessam a todo gênero humano, e isso deve ir para além de “colocação estrutural” ou “coloração ideológica”106

COMBLIN dedica uma de suas mensagens sobre liberdade na Igreja cristã ao procurar justificar que o Espírito cristão age na liberdade das pessoas e nas suas escolhas diante das tarefas eclesiais. E para eles essas atitudes são explícitas pelas vontades de todo o gênero humano que optam pelas atividades da evangelização, que por si só é libertadora. Muitas vezes nós mulheres, mesmo sendo maioria nas assembléias, nos sentimos sozinhas diante da formalidade e impetuosidade de homens da hierarquia. Sentimos que poucos possuem razões e esquemas libertadores para que uma eclesialidade de mulheres aconteça.

Em pleno século XXI, se achando numa “vanguarda teológica” aterrorizam comunidades em nome de uma lei nada evangelizadora. Na verdade acabam com o exercício da liberdade das pessoas nas Igrejas e conseguem fazer discursos fundamentalistas, com ideologias opressoras, insistindo em se afirmar no status e no poder ilegítimo das estruturas hierárquicas. Esse é apenas um exemplo de empoderamento anti-evangélico e, portanto, nada libertador, e que anda trazendo repercussões drásticas para as atividades da Igreja relacionadas às doutrinas sociais, nas quais são articuladas a fé e a política.

Mas, diante das condições do mundo moderno, acrítico, burocrático, patriarcal e sexista, muita gente é convencida pelo discurso de quem o produz, a maioria pelos homens da hierarquia católica. Deparamos com muitos deles jovens, hoje avessos, por exemplo, a uma epistemologia teológica contextualizadora como a latino-americana, na qual a Igreja faz a sua opção preferencial pelos pobres. Achamos isso ser impensável porque os deslegitima no exercício da sua atividade eclesial e social, ou diante da prática do exercício do seu poder, que nada tem de pobres.

A teologia da libertação no final do século XX começou a pressionar Igrejas locais e a cúpula hierárquica quanto a sua obrigação de formar novas consciências e de fazer a sua inserção no mundo social. Essa ótica feita a partir do continente latino-americano colocou os poderes das instituições cristãs em conflito, pois seria uma teologia muito popular para uma Igreja tão triunfal. E vemos, infelizmente, muita gente sendo privada de sua liberdade diante desse contexto eclesial e entre essas pessoas, a maioria é de mulheres. E é aí em meio a essas

intensas relações que as mulheres insistem nas atividades que escolhem e se utilizam da liberdade do evangelho para mostrar o poder que possuem pelo menos de levarem adiante as tarefas de tantos séculos. Esse poder implícito nessa eclesialidade é dialético e muitas vezes antagônico, mas nem por isso deixa de ser poder, porque perpassa em meio das micro-