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Reseptintervensjoner Omfang av reseptintervensjoner

4.2 Diskusjon av hovedfunnene

4.2.1 Reseptintervensjoner Omfang av reseptintervensjoner

As principais questões que nortearam esta pesquisa foram: como são constituídos e mobilizados os saberes da professora em sala de aula? Considerando a inclusão em sala de aula de alunos que apresentam deficiência mental, como a professora mobiliza seus saberes para trabalhar com essas crianças? Como a professora reorganiza sua prática e seus saberes?

De acordo com essas questões, o nosso interesse pela temática da constituição dos saberes docentes justifica-se pela perspectiva de tentar compreender o processo de mobilização e constituição do saber da professora no cotidiano de uma sala de aula de alfabetização, em que

se encontram alunos que apresentam deficiência mental; analisar como a professora mobiliza seus saberes, considerando as condições do seu trabalho e as relações que ela estabelece com seus pares e com seus alunos, pois a docência é compreendida por Tardif e Lessard (2005, p. 8. Grifo do autor) como “[...] uma forma particular de trabalho sobre o humano, ou seja, uma atividade em que o trabalhador se dedica ao seu “objeto” de trabalho, que é justamente um outro ser humano, no modo fundamental da interação humana.” Os autores evidenciam as condições, as tensões e os dilemas que fazem parte desse trabalho feito sobre e com outrem, pois entendem que é, na ação e na interação dos atores escolares, que se estrutura a organização do trabalho na escola.

Tardif e Lessard (idem) afirmam que o estudo da docência, entendida como um trabalho, continua negligenciado, pois muitas vezes são desconsiderados os fenômenos que influenciam o trabalho do professor, como o tempo de trabalho, o número de alunos, suas dificuldades e diferenças, a relação com os colegas de trabalho e com especialistas, entre outros.

Neste sentido, alguns critérios foram estabelecidos para a escolha da escola e da sala de aula em que pesquisaríamos: o primeiro foi o de realizar a investigação na região do Sudoeste da Bahia, mais precisamente na cidade de Itapetinga, pelo vínculo e compromisso político- profissional que temos com a região, pois já havíamos desenvolvido projetos de pesquisa e extensão voltados para a proposta de inclusão escolar nessa cidade; de acordo com o segundo critério, a escola deveria ter em sua matrícula alunos que apresentassem deficiência mental, por considerarmos como a mais complexa entre todas as deficiências.

Atendidos esses critérios, partimos para desenvolver o trabalho de campo12, e o nosso primeiro passo foi encontrar essas escolas. Para isso, entramos em contato com a Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE) e com a Secretaria Municipal de Educação (SME). Para nossa surpresa, a APAE não tinha o registro dos alunos matriculados, em turno oposto, em escolas comuns. A coordenadora pedagógica nos informou alguns nomes que, provavelmente, freqüentavam as escolas regulares.

Assim como a APAE, a Secretaria Municipal de Educação não tinha o controle de matrículas dos alunos com deficiência em sua rede de ensino. Essa situação reforça as constatações apresentadas por Mendes (2006), de que, no âmbito dos sistemas municipais, nota-se a ausência de procedimentos de avaliação, o que compromete o processo de implementação de uma educação inclusiva. A autora afirma que, muitas vezes, os sistemas

12 Segundo González Rey (2002, p. 101), “o trabalho de campo permite integrar informação procedente de fontes

e contextos diversos e fazer construções que seria impossível edificar sobre a base de dados comprometidos com uma lógica linear”.

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não complementam seus estudos com descrições de quem é esse alunado e de como está sua situação educacional. Obtivemos da Secretaria Municipal de Educação, por intermédio de uma coordenadora pedagógica, a referência de uma única escola com matrícula de aluno com deficiência. Foi com esta referência e com informações de alguns profissionais que trabalham com a educação especial que chegamos a duas escolas: uma particular e a outra da rede pública municipal.

Entramos em contato com essas escolas e explicamos à direção, coordenação e professores os objetivos da pesquisa e suas etapas metodológicas. Nesse primeiro momento, os objetivos foram os de estabelecer um ambiente de confiança e familiaridade entre pesquisador e escola; conhecer a realidade dessas escolas e as suas concepções sobre a inclusão escolar; conhecer o processo de formação do professor e sua compreensão sobre a educação inclusiva.

Nesta etapa, íamos duas vezes por semana às escolas. Nessas visitas, foram realizadas entrevistas reflexivas com diretores, em que buscávamos informações sobre a escola, seus aspectos físicos e organizacionais, e com os professores. Além disso, foram feitas observações iniciais nas turmas, para definição da sala que promovesse a realização da segunda fase da pesquisa, pois precisávamos decidir um único local para fazer as observações, uma vez que não tínhamos a intenção de estabelecer comparações, mas compreender a constituição dos saberes do professor frente à inclusão de alunos com deficiência mental no ensino comum. Na escola particular, visitamos a turma do Jardim 2, que era freqüentada por uma aluna com síndrome de Down, de sete anos de idade. Na escola municipal, a turma era de alfabetização e lá estudavam dois alunos com deficiência mental, ambos também com sete anos de idade.

Apesar da receptividade dos professores e das turmas constituírem ambientes propícios para o desenvolvimento da segunda fase da pesquisa, a questão da freqüência dos alunos com deficiência mental em sala foi determinante para a escolha da turma. Na instituição particular, a aluna com síndrome de Down tinha uma saúde frágil, por isso se ausentava da escola por semanas, e isso tornava inviável a realização da segunda fase nesta instituição, pois o principal locus da investigação era a sala de aula e era fundamental a presença do aluno com deficiência mental neste espaço. Portanto, a escola pública municipal, da turma de alfabetização, configurou-se como o melhor ambiente para desenvolver a pesquisa, pois não havia problemas em relação à freqüência dos alunos.

Definida a turma, o foco da investigação foi voltado para o contexto sala de aula. Foram feitas observações semanais e o respectivo registro dessas observações. Foram realizadas três sessões de observação por semana, chegando a um total de vinte observações. Para cada dia

de pesquisa na sala de aula, foi elaborada uma nota de campo. O Apêndice I apresenta a nota de campo n.º 08 como exemplo. As sessões duravam de três a quatro horas e, em todas elas, o registro era feito de imediato. As notas de campo foram realizadas no período de março a julho de 2007, e, nesses registros, constavam as descrições do espaço físico da escola e da sala de aula, das atividades realizadas em sala, das relações e dos diálogos estabelecidos entre os sujeitos da pesquisa, além de observações reflexivas do pesquisador.

Durante nossa freqüência à instituição, entrevistamos a diretora, da qual obtivemos informações sobre a organização da escola, como número de funcionários, número de alunos matriculados, dados sobre o Projeto Político-Pedagógico da escola. Entrevistamos, também, a professora para conhecermos sua formação e experiência docente, carga horária de trabalho, avaliação do desempenho da turma e a sua relação com a família dos alunos com deficiência mental.

Na medida em que realizávamos as observações, aproveitávamos para esclarecer pontos de dúvidas, mediante conversas informais com a professora. Ao todo, fizemos três entrevistas com a professora; a última foi realizada no mês de novembro de 2007, depois de nos afastarmos do contexto da sala de aula, pois necessitávamos de esclarecimentos a respeito das observações feitas.