Chapter II: Background and literature review
2.6 Research on women who join ISIS
5.4.1. SNP-11377C>G
O SNP-11377C>G da região promotora do gene da adiponectina apresentou-se com maior freqüência de CC do que a observada em diversos estudos na literatura (66% vs 48 a 59%)157 158, estando, entretanto em Equilíbrio de Hardy-Weinberg na amostra estudada. Em nosso estudo a presença do alelo G foi associada a maior adiposidade abdominal tanto na totalidade dos indivíduos quanto nos obesos em que constatamos ainda uma associação do mesmo alelo a menores níveis de glicose. Não obstante, não encontramos alterações nas concentrações de insulina (p = 0,971), HOMA- IR (p = 0,786) ou índices de secreção de insulina (p = 0,833 para HOMA%ß e p = 0,550 para AUCins/AUCgli) no grupo com a presença do alelo G. Nossos resultados demonstraram ainda a associação do alelo G a maiores concentrações séricas médias de ácido úrico, porém a associação não se manteve quando utilizamos a análise de regressão múltipla ajustando a variável para grau de adiposidade.
A literatura demonstrou tanto associação do alelo C à maior adiposidade 103 em crianças francesas, quanto ausência de associação do SNP com a adiposidade nos estudos que envolvem indivíduos caucasianos diabéticos, cardiopatas ou obesos 102 110 111. Nossos resultados para as associações metabólicas neste SNP diferem dos observados na literatura que relatam a associação do alelo G a maiores níveis de insulina e HOMA- IR em crianças italianas obesas e sobrepeso, porém devemos salientar que as crianças avaliadas neste estudo apresentavam grau de obesidade muito maior que o observado na nossa amostra (ZIMC médio 1,94 ± 0,37 a 2,94 ± 0,57)85.
Pressupõe-se que esta região que contém o SNP-11377C>G não tenha domínios de ligação para fatores de transcrição como SREBP ou C/EBP. Postula-se que este SNP esteja em um local reconhecido por repressores nucleares que regulariam a atividade transcricional do gene da adiponectina 103. Apesar de alguns estudos em crianças obesas italianas e em diabéticos franceses terem demonstrado associação do alelo G a menores níveis de adiponectina, nosso estudo, assim como outros estudos nas populações koreana, francesa e suíça, não encontrou esta associação 109 110
. Não obstante, estudos funcionais desse SNP não conseguiram demonstrar alterações na transcrição do gene da adiponectina de acordo com a presença dos alelos 103 159.
Portanto no nosso estudo em crianças e adolescentes brasileiros, o SNP-11377C>G na região promotora parece estar associado à presença de obesidade e maior CA, podendo ser um SNP marcador que esteja em
desequilíbrio de ligação com um pool gênico responsável por favorecer maior grau de obesidade.
5.4.2. SNP+45T>G
Na avaliação do SNP+45T>G encontramos freqüência genotípica similar à descrita na literatura, próxima aquelas encontradas na população caucasiana 102 103 110.
A análise dos resultados das freqüências genotípicas em relação aos dados clínicos demonstrou associação do alelo G com maiores concentrações séricas médias de adiponectina, entretanto ao ajustarmos na análise de regressão múltipla para estadio puberal, adiposidade e resistência à insulina essa associação não mais existiu. Na literatura estudos diferem quanto a associação do SNP com as concentrações de adiponectina sérica. Em crianças obesas italianas, bem como em chineses Uygur o alelo G foi associado a menores níveis de adiponectina 111. Entretanto Vasseur et al., encontrou níveis de adiponectina mais elevados associados ao alelo G, evidenciando, portanto a ausência de um consenso para essa associação 102
.
Os estudos de associação clínica em relação ao SNP+45T>G têm demonstrado resultados divergentes 100 160 161. O alelo G foi associado a maior risco de DM2 em chineses Uygur e a maiores níveis de insulina e maior risco de desenvolvimento de hiperglicemia e aumento de peso em estudo prospectivo de 3 anos realizado em adultos franceses 108 111. Da mesma forma, Petrone encontrou níveis glicêmicos mais elevados em
crianças obesas na presença do alelo G, reforçamos que embora essas crianças tivessem idade semelhante ao do nosso grupo, seu grau de obesidade era mais elevado, motivo este que poderia explicar, em parte, as diferenças encontradas nos resultados 85. Por outro lado, o estudo realizado em franceses e suíços diabéticos com e sem doença arterial coronariana (DAC) demonstrou associação do genótipo TT a maior risco de doença arterial coronariana 110. Outros estudos realizados em crianças e adultos franceses obesos e em koreanos, da mesma forma que nosso estudo, não encontraram associação do SNP+45T>G com os parâmetros da síndrome metabólica.85 103 109.
Portanto o SNP+45T>G, cuja troca de base não leva a troca do aminoácido glicina na posição 45 do exon 2 do gene da adiponectina poderia ser um marcador de um pool de alterações metabólicas que seriam evidenciadas em adultos com o decorrer da idade e crianças na presença de um grau de obesidade maior do que o encontrado na nossa população.
5.4.3. SNP+349A>G
Nossos resultados mostraram maior freqüência de indivíduos AA do que o estudo de Vasseur et al. 102. Não encontramos associação do SNP+349A>G com parâmetros clínicos e metabólicos na amostra estudada.
5.4.4. Exon 3
A mutação G90S encontra-se na região conservada de repetições colágenas da adiponectina. A troca de um aminoácido glicina poderia
diminuir o número de repetições e reduzir a estabilidade da hélice colágena44. Além disso, essa porção colágena contém quatro resíduos lisina que são hidroxilados e glicosilados após a tradução da proteína, e que são necessários para a formação de multímeros45 162. Já foi demonstrado que na mutação G90S a formação de multímeros é deficiente o que poderia levar ao prejuízo da função hepática da adiponectina que é dependente da ação de multímeros maiores que trímeros44. Em nosso estudo, assim como já demonstrado na literatura, a variante G90S apresentou freqüência extremamente baixa (0,7%) e estava em forte desequilíbrio de ligação com os SNP-11377C>G e +45T>G REF. Os dois pacientes com esta variante eram obesos e apresentaram níveis de adiponectina baixos, no primeiro tercil. Entretanto mesmo na presença de obesidade, nenhuma alteração metabólica foi evidenciada. De modo semelhante, Vasseur, estudando 1989 indivíduos franceses, observou prevalência de 0,52% e associação com menores níveis de adiponectina, mas não com resistência à insulina102. Podemos inferir que na presença da mutação G90S em crianças e adolescentes obesos, mesmo com a estrutura funcional da proteína alterada a adiponectina circulante consegue manter sua ação metabólica.
Já a variante Y111H encontra-se na transição do domínio colágeno e globular e tem a formação de multímeros preservada44. Estudos mostram que a freqüência de variantes foi semelhante em obesos e não obesos (4,2%), entretanto foi encontrada associação com maior risco genético de
DM2102 107. No nosso estudo nenhum indivíduo sem obesidade apresentou a
séricas de adiponectina variáveis, hiperinsulinemia basal e baixas concentrações séricas de HDLC, inferindo que essa variante pudesse estar relacionada a maior resistência à insulina.
Não foram encontradas as mutações G84R, R92X, R112C, I164T, R221S, H241P já descritas na literatura em japoneses e caucasianos.
5.4.5. Haplótipos
O estudo de haplótipos é interessante por possibilitar um aumento na detecção de regiões de susceptibilidade, se estas forem responsáveis pela variação clínica ou estiverem em forte desequilíbrio de ligação com algum polimorfismo funcional.
Na avaliação dos haplótipos construídos a partir dos SNP-11377C>G, +45T>G e +349A>G, estudamos aqueles com freqüência maior que 5% na nossa amostra CTA (alelos dominantes), GTA (alelo recessivo do SNP- 11377 e dominantes dos +45 e +349), CTG (alelos dominantes dos SNPs - 11377 e +45 e recessivo do +349) e GGG (alelos recessivos).
Pudemos evidenciar que em comparação com o haplótipo dominante (CTA) a presença do alelo recessivo do SNP-11377C>G (GTA) foi importante na associação com a obesidade, entretanto a combinação deste alelo com os alelos recessivos dos SNPs +45T>G e +349A>G (GGG) anulou esta associação. Estes dados sugerem que a presença destes alelos poderiam estar em desequilíbrio de ligação com regiões de susceptibilidade que modulariam o desenvolvimento da obesidade. Colaborando com essa hipótese, a análise logística evidenciou que a presença do haplótipo CTA
(alelos dominantes dos SNPs) foi associada a maior proteção em relação à obesidade.
A presença do alelo recessivo do SNP+349A>G (CTG) foi associada à maior risco de hipertensão arterial, no entanto a presença dos outro dois alelos recessivos (GGG) reduziu essa associação. Interessante notar que o maior risco de hipertensão associado ao haplótipo CTG permaneceu mesmo quando o modelo foi ajustado para resistência à insulina e obesidade.
Petrone et al., estudaram quatro haplótipos estimados para os SNPs- 11391, -11377 e +45 em crianças italianas com sobrepeso e obesidade e observaram que a presença do alelo G do SNP-11391G>A era associada a maior resistência à insulina e menores níveis de adiponectina, e a adição do alelo C do SNP-11377C>G conferia além da maior resistência à insulina, maiores níveis plasmáticos de glicose, demonstrando o efeito individual de cada SNP na sua população 82. Vasseur et al. demonstraram importante associação do haplótipo dos SNPs-11391 e -11377 (GG) da região promotora com maior risco de DM2 em caucasianos obesos mórbidos, sugerindo que este haplótipo ou alguma variante funcional próxima em desequilíbrio de ligação levaria a diminuição das concentrações de adiponectina e sensibilidade à insulina 102. Outro estudo que avaliou 1003 mulheres inglesas analisou haplótipos compostos por 8 SNPs em relação as concentrações de adiponectina e observou que a presença do alelo A do SNP-11391 foi determinante para maiores concentrações de adiponectina 159
A comparação de nossos dados com a literatura é difícil na medida em que a população brasileira é bastante miscigenada. O fato da obesidade e resistência à insulina serem doenças complexas, dependentes de vários polimorfismos e de interação com meio ambiente também deve ser levado em conta nessa avaliação. Provavelmente a maioria dos SNPs estudados não é funcional, agindo como marcadores de locais de susceptibilidade relacionados à obesidade e doenças metabólicas.