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4 Methodology

4.2 Research Site

Após ter pensado na realização de um trabalho empírico relacionado com este tema, iniciei de imediato a pesquisa bibliográfica. No decorrer da minha pesquisa tive algumas dificuldades devido à escassez de investigações, de trabalhos realizados no âmbito desta temática, pois a minha investigação debruça-se sobre educandos, crianças em idade pré-escolar.

Na realização da minha investigação considerei mais indicado o uso do “método qualitativo”, por se tratar de um tema como as estratégias educativas das famílias, ainda pouco explorado pela perspectiva sociológica.

Segundo Quivy (1998) o método qualitativo permite que o investigador seja mais generalista nas primeiras etapas da pesquisa. Aliás, ele pressupõe uma grande flexibilidade, ao ponto de não se considerar as categorias de análise como muito rígidas. Toda a pesquisa pode e deve ser orientada no sentido que parece ser o mais apropriado no momento, sem implicar uma fórmula previamente elaborada. Esta flexibilidade é usufruída pelo investigador, cuja perspectiva influencia de certo modo os elementos resultantes da pesquisa. Todavia, a qualidade dos dados, que permitem uma grande compreensão, compensam esse inconveniente.

Utilizando a tipologia de Greenwood (Almeida,1995) que considera três métodos fundamentais de investigação empírica, entendi que o método a utilizar é o “estudo de caso” ou a “análise intensiva” que pressupõe o estudo aprofundado de um número reduzido de pessoas anteriormente escolhidas com o intuito de perceber o fenómeno na sua totalidade. «Visa-se, assim contribuir para a elucidação daquilo em que consiste a singularidade do caso, em especial do que nela decorre daquela articulação especifica de dimensões, mas, também, para o esclarecimento dos modos, como, em algumas dessas dimensões, ele se relaciona com domínios sociais mais vastos» (Costa,1999:10). Este método é caracterizado pela intensidade e profundidade do estudo, pela grande quantidade de informação recolhida e finalmente, pela já mencionada flexibilidade.

«(...) Esta “arrumação” das estratégias de investigação sociológica mais praticadas é de natureza ideal-típica, tendo apenas intuitos clarificadores genéricos. É raro cada pesquisa concreta apresentar as características de um “tipo puro”. Muitas,

estruturando-se de maneira privilegiada segundo um deles, do qual retiram coerência metodológica, contêm também aspectos de outros» (Costa,1999:11).

«O interesse da tipologia está sobretudo na evidenciação das articulações lógicas (método-lógicas”) entre tipos de objectivos, tipos de procedimentos e tipos de resultados» (Costa,1999:11).

A técnica escolhida, por excelência, é a entrevista, técnica não documental que pressupõe uma observação não participante, «(...) os métodos de entrevista distinguem- se pela aplicação dos processos fundamentais de comunicação e interacção humana (...) Ao contrário do inquérito por questionário, os métodos de entrevista caracterizam-se por um contacto directo entre o investigador e os seus interlocutores e por uma fraca directividade por parte daquele» (Quivy,1998:191).

Privilegiei a “entrevista semidirectiva” ou “semidirigida” na medida em que ela não é totalmente aberta nem inteiramente orientada por um grande número de perguntas precisas; e a técnica snowball, na medida em que questionarei o meu entrevistado, do conhecimento de alguém na mesma situação, ou com situação familiar diversa. E é através dessa indicação que prosseguirei com as entrevistas.

Neste sentido, elaborei um “Guião de Entrevista” (Anexo I) com uma série de perguntas relativamente abertas.

O “Guião “ está divido em quatro blocos:

ƒ I - Perfil do Educador - questiono o n.º de filhos e suas idades, e os principais apoios e dificuldades encontradas na educação dos filhos.

ƒ II - Perfil Educativo da Família – pretendo saber quais os objectivos da família, as medidas e estratégias adoptadas, o quotidiano da criança antes da entrada (brincadeiras, tarefas, horários) e depois da entrada no jardim de infância (brincadeiras, tarefas, horários e a relação dos pais com o jardim de infância) e a relação da criança com a comunidade antes e depois de entrar no jardim de infância (apoio educativo, desportivo, cultural, religioso, amizades).

ƒ III - Expectativas em relação ao futuro da criança – questiono acerca das expectativas académicas, profissionais, sociais e aspirações.

ƒ IV - Elementos da caracterização social das famílias – recolho dados sobre a criança e sobre as pessoas com quem vive.

Contudo, apesar de dispor de várias perguntas-guia, não as coloquei necessariamente pela ordem proposta e sob a formulação prevista pois, «(...) tanto quanto possível deixará andar o entrevistado para que este possa falar abertamente, com as palavras que desejar e a ordem que lhe convier» (Quivy,1998:192). Mas, cada vez que o entrevistado se afastar dos objectivos da entrevista, o investigador deve esforçar- se por reencaminhar a entrevista e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não consegue chegar por si próprio no momento.

A amostra é “intencional”, uma vez que os entrevistados foram seleccionados de acordo com um perfil previamente definido: serem mães de crianças em idade pré- escolar (3-5 anos) e terem diferentes graus de escolaridade. A opção por entrevistar as mães (e não os pais) prendeu-se com o facto de serem normalmente estas que ficam em casa com as crianças até à entrada no jardim-de-infância e como se pretendia a comparação, a vários níveis, do que é anterior e posterior a essa entrada, considerei ser pertinente esta opção. No total, entrevistei 12 mães, 6 com uma escolaridade igual ou superior ao 11º ano e 6 com uma escolaridade igual ou inferior ao 6º ano.

Como pretendo saber se o género da criança influencia as estratégias educativas dos educadores, tive que controlar a amostra neste sentido, assim dentro de cada grupo de 6 mães, metade é mãe de meninas e a outra metade mãe de meninos.

Quadro I – Categorias Temáticas

Escolaridade da Mãe

Sexo do Educando Até o 6º ano Superior ao 11º ano Total

M 3 3 6

F 3 3 6

Total 6 6 12

No que concerne ao tratamento dos dados recorri à análise de conteúdo, através da construção de uma grelha de análise.