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8. Conclusion

8.3 Further research

Essa seção terá como objetivo mostrar dados que lancem luz sobre a trajetória do aluno como bolsista e também suas motivações para entrar no programa. A Tabela 3 traz essas informações.

Tabela 3

Histórico dos bolsistas respondentes

n %

Exercia atividade como voluntário antes de ser bolsista?

Sim 62 59,6

Não 42 40,4

Como foi selecionado para ser bolsista?

Convite 60 57,7

Processo seletivo 44 42,3

Total 104 100

Principal motivação para ser bolsista

Interesse em pesquisa científica em geral ou em seguir

carreira acadêmica 73 70,2

Interesse no tema estudado pelo professor orientador 23 22,1

Financeiro 7 6,7

Outras 1 1

Total 104 100

Tempo em que é/foi bolsista em faixas

1 a 12 meses 46 45,1 13 a 24 meses 48 47,1 25 a 36 meses 6 5,9 37 a 48 meses 2 2,0 Total 102 100 Não respondeu 2 Total 104

Participa de grupo de pesquisa

Sim 82 79,6

Não 21 20,4

Total 103 100

Total 104

De acordo com os dados acima, 60% dos bolsistas exerciam atividades como voluntário antes de receber a bolsa, o que permite inferir que esses alunos já tinham um interesse na atividade científica, antes mesmo de entrarem oficialmente no PIBIC. É comum que os alunos sejam voluntários, inclusive, nunca chegando a serem bolsistas, uma vez que o número de bolsas é muito pequeno em relação ao número de alunos da graduação. É importante ver esse dado de duas formas: uma delas é o voluntariado como primeiro passo para entrar no programa, a fim de conhecer o funcionamento, entrar em contato com a temática pesquisada, com o mundo da pesquisa em geral. Com isso, diminuindo desistências no meio do período da bolsa e situações desagradáveis para o bolsista e para o orientador, uma vez que ambos já estarão cientes de como será a relação, direitos e deveres, entre outros. A outra forma de ver é pelo ângulo que mostra o pequeno número de bolsas no país, que faz com que seja necessário muitas vezes que o aluno que se interessa por pesquisa científica tenha que ser voluntário e não conte com nenhum auxílio, dificultando sua participação e desenvolvimento como futuro pesquisador. Nesse sentido, faz-se necessário uma averiguação mais profunda, por exemplo, de pesquisas que mostrem quantos alunos desistem do programa por não serem bolsistas.

A forma de ingresso por convite pode sugerir que o aluno já tinha algum contato com o professor orientador, como voluntário, por exemplo. O ingresso por processo seletivo (como entrevista, análise de currículo, entre outros) pode de alguma forma democratizar o acesso, a partir do momento em que a vaga de bolsa é divulgada para todos os alunos e não fica restrita àqueles que já estão em contato com o orientador (por exemplo, participando do grupo de pesquisa como voluntário). No entanto, esta

forma é mais suscetível a desencontros de interesses, uma vez que aumenta a possibilidade de alunos que ingressam no programa com interesse apenas (ou principalmente) no auxílio financeiro.

Como principal motivação para entrada no programa, 70% afirmam ter sido o interesse em pesquisa científica em geral ou em seguir carreira acadêmica, 22% responderam ser o interesse no tema estudado pelo professor orientador, 6,7% dizem ser a motivação financeira e 1% respondeu outros motivos. Os dados sobre o principal motivo para entrar no programa podem ajudar a traçar um “perfil” de um bolsista que teria maior probabilidade de obter sucesso durante a bolsa (por exemplo, exercer todas as atividades designadas pelo orientador, participar de todas as etapas da pesquisa, publicar seus resultados, etc.). Isso porque ao ter um interesse prévio infere-se que o bolsista irá se empenhar mais do que outros que tenham apenas interesse financeiro. O retorno financeiro como principal interesse pode não representar motivação suficiente para manter o aluno no programa, uma vez que os encargos e atividades podem de alguma forma sobrecarregá-lo na vida acadêmica, ou até mesmo privá-lo de outras experiências, como estágios extracurriculares. No entanto, essa discussão precisa ser relativizada, pois pautar o desempenho do aluno somente pela intenção anterior à entrada no PIBIC não é suficiente. Desconsidera-se, nesse caso, o desenvolvimento de afinidades e interesses durante o andamento das atividades como bolsista. Portanto, a discussão sobre a motivação para o ingresso do aluno no programa de bolsas de pesquisa pode servir apenas como um indicativo, e não determinante, do perfil do aluno.

Todavia, esse dado pode também ser relevante para discutir o sucesso do programa em gerenciar o ingresso dos bolsistas, favorecendo o ingresso de alunos com o perfil ideal. Entretanto, quando se discute a abrangência e a importância do programa para os alunos como um todo, é importante que se dê oportunidade para o maior número

possível de alunos, para que todos possam ter o contato com a pesquisa científica. E com isso, todos vivenciem a formação propiciada pelo PIBIC e que possam transpor o que for aprendido na bolsa para outras áreas de atuação.

Trabalhos sobre o tema (Bettoi, 1995; Bridi, 2004; Cabrero, 2007) apontam que a remuneração financeira não consta como principal motivação para entrada em programas de IC, exemplo que constata esse indicativo é o número de alunos que se dedicam às atividades de pesquisa como voluntários, mostrando o mesmo empenho dos bolsistas. No entanto, o financiamento via bolsa é muitas vezes determinante para que o aluno possa se dedicar exclusivamente à atividade de pesquisa. Fava-de-Moraes & Fava (2000) discutem a importância da remuneração para a manutenção do bolsista, aquisição de livros e participação em eventos.

Sobre o tempo na bolsa: 45,1% possuem entre 1 e 12 meses, 17,6% possuem menos de 12 meses, 47,1% têm entre 13 e 24 meses, 7,9% mais de 25 meses (Média=16,68; Moda=12 meses).

A participação em grupo de pesquisa é apontada por Simão (1996) como de grande importância para a formação do aluno IC, possibilitando a interação com pessoas diferentes, de níveis acadêmicos distintos, que estariam lidando com problemas semelhantes e poderiam contribuir de maneiras diversas para o mesmo fim. De acordo com as respostas obtidas, 79,6% dos alunos participam de grupo de pesquisa e teriam, dessa forma, a possibilidade de uma formação mais completa.