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1.4 Research Goals and Research Questions

1.4.2 Research Questions

A

marelo Manga produção esteticamente realista, de caráter de denúncia, produzida em

2002, e lançada nacionalmente em 2003, angariou uma variedade de prêmios. Mas atingiu o impacto social esperado? É pelo número de espectadores que conseguirmos dimensionar o impacto de uma obra ou é através de sua recepção? Somos levados a acreditar que o impacto social é motivado pelos levantes de discussões que uma obra fílmica pode propiciar a uma parcela da sociedade.

Observar Amarelo Manga como uma expressão sócio-histórica toca nos pontos de alienação e violência, adentrando em esferas do público e do privado, e como eles se mesclam na sociabilidade representada. Sendo de cunho autoral e politizado, Cláudio Assis toca em assuntos que são caros a nossa sociabilidade, através de um arranjo configurado entre o arcaico e o moderno, e o choque dessas duas esferas na representação fílmica.

Adianta-nos tocar que a questão de gênero que é um dos pontos de maior incidência pela crítica se curva diante das esferas entre a delimitação dos papéis sexuais, mas é imprescindível dimensionarmos que a violência de gênero é algo de um levante muito maior, somente há possibilidade da diminuição dessa violência, quando se lutar por uma violência maior, que é a violência do capital. Esse gera as demais violências e as demais expressões de alienação.

Por síntese, conseguimos entender a lógica que sem violência não há alienação, e sem alienação não há violência. Tanto a alienação quanto a violência são configuradas a partir das práticas de poder articuladas no campo social. Por isso, não chegamos no campo de abstração de Hannah Arendt para dissociar poder e violência, no filme poder e violência estão articuladas. E o poder somente se dimensiona enquanto violência através da alienação.

Ademais, diminui-se a violência ao mesmo tempo que diminui-se os processos de alienação, e como tais processos são diminuídos através da realização daquilo que podemos chamar de revolução, não através da luta armada, como já tivemos vários exemplos ao decorrer da História da humanidade, mas chegando próximo daquilo que Raymond Williams compreende como o descortinar dos processos de alienação, adensando através do progresso da humanidade, que o processo revolucionário se sedimenta através de ideias, partimos da máxima:

Vemos de fato uma certa inevitabilidade, de um tipo trágico, quando observamos a luta que almeja pôr fim à alienação produzindo as suas próprias

136 novas formas de alienação. Mas, à medida que acompanhamos toda a ação, também nos é dado ver, abrindo caminho em meio aos obstáculos, uma renovada luta contra essa nova alienação: a compreensão da desordem produzindo uma nova imagem de ordem; a revolução contra a rígida consciência da revolução; a atividade autêntica renascida e vivenciada de um modo novo. O que então conhecemos não é uma simples ação: a libertação heroica. E conhecemos também mais do que a simples reação, porque, se aceitamos a alienação em nós mesmos e nos outros como uma condição permanente, devemos saber que outros homens por meio do simples de viver, rejeitarão esse fato, transformando-nos em seus inimigos involuntários, e a radical desordem é então ratificada da maneira mais amarga.232

Recorrendo a filmografia de Cláudio Assis e compreendendo os seus outros títulos, sendo estes: Baixio das Bestas (2006), Febre do Rato (2011) e Big jato (2016) conseguirmos visualizar a projeção de um projeto estético e político no interior dessa linguagem cinematográfica, no qual Assis modela o seu cinema e coloca uma assinatura na sua prática fílmica, adentrando em assuntos de ordem representativo do choque entre o arcaico e o moderno, e da herança de cunho patriarcal.

Para tanto, almeja-se uma pesquisa de doutorado que venha estabelecer essa relação e validar a hipótese de um projeto estético e político no interior da linguagem cinematográfica do cineasta Claudio Assis, para isso há a necessidade de um estudo que venha suscitado em discutir a autoria no cinema233; a relação entre Estado e Cinema; o grupo de atores/profissionais de

232 WILLIAMS, Raymond. Tragédia moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. pp. 113-114.

233 Problemática existente na expressão Política de Autores, desenvolvida pelos Jovens Turcos233, conhecidos,

também, como integrantes do movimento cinematográfico Nouvelle Vague, no qual defendiam a importância de uma marca autoral no filme. A Política de Autores chamava atenção para “o autor, a contribuição “individual”, o “si mesmo”, a individuação pelo “estilo. Os Jovens Turcos assinalam que a Política dos Autores está além do campo cinematográfico europeu, campo este compreendido pela excelência do Cinema denominado de Arte, estando circunscrito fora dos cânones da indústria cinematográfica. Os Jovens Turcos ao abordarem que os cineastas norte-americanos, articulados à indústria hollywoodiana, possuíam elementos que lhe conferiam uma autoria no Cinema, emergem os seguintes nomes: Orson Weles, Hitchcock, Hawks, Nicholas Ray e outros. Como já pontuado, uma das problemáticas existente na noção Política dos Autores é a consideração de quem é o autor no cinema, já que o Cinema se trata de uma arte em equipe realizada na junção de inúmeras tarefas/ etapas sendo a autoria um aspecto problemático a ser definido com precisão. Nessa problemática, Bernardet pontua que a junção num único profissional das funções de roteirista/diretor e produtor é o alcance necessário para a consolidação da obra no sentido de uma unidade em sua feitura, conforme afirma: “A fusão das três funções é indispensável porque não é possível a três homens trabalharem como se fossem um só, porque lhes seria impossível alcançar a necessária unidade de espírito, a originalidade de visão, de sentimento e de estilo que deve possuir qualquer obra de arte.

Essa junção das três funções tornou-se o ideal do cinema de autor e do que conhecemos no Brasil como cinema independente.” (BERNARDET, Jean-Claude. O autor no cinema: a política dos autores: França, Brasil

anos 50 e 60. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 11). Nessa passagem, Bernardet assinala o que podemos considerar no Brasil como Cinema de Autor, compreendendo que a junção de três ou mais funções no cinema para um respectivo profissional o condiciona enquanto o autor da obra, consideração elaborada na datação do livro, ou seja, em 1992. É necessária uma análise detalhada das condições da atual formatação do cinema independente para manter-se nesse prisma, alterar ou adicionar elementos que venham frisar uma nova roupagem do cinema autoral.

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cinema e intelectuais de Pernambuco; uma análise que abarque a forma e o conteúdo, e um estudo sistematizado sobre os temas abordados nos respectivos filmes.

Por fim, esse trabalho dissertativo é o caminho de abertura para a validação de um estudo de maior magnitude, que tenha por hipótese a problemática é a validação da hipótese de um projeto estético e político presente nos quatros longas metragens do cineasta Claudio Assis. Tal hipótese apresenta-se como viável pela concepção de um cinema autoral e politizado presente na filmografia do respectivo cineasta.

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EFERÊNCIAS