6. DISCUSSION AND ANALYSIS
6.2 Research Question 2
Caso a cidade não existisse (uma simplificação às vezes necessária, porém
perigosa !), os atributos predisponentes associados aos movimentos de massa
gravitacionais seriam por si só maestrados pela geologia regional e local, e em segundo plano, pelas características pedológicas, hidrogeológicas, da drenagem e geomorfológicas.
3.1.1.1 – GEOLOGIA
A composição de mapas geológicos representa, em planta, a posição e a extensão dos afloramentos das formações rochosas existentes da área em estudo, sendo que os corpos geológicos muitas vezes apresentam estruturas complexas e relações espaciais diversas.
A carta geológica adotada neste trabalho (Figura 3.1) foi originalmente contruída por Silva et al. (1995), em que realizaram ampla pesquisa bibliográfica sobre o tema, incluindo mapeamentos geológicos anteriores realizados pela Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Instituto de Geociências Aplicada (IGA-MG) e Instituto de Geociências da UFMG (IGC-UFMG), fotointerpretação geológica, análise de relatórios de sondagem e trabalhos de campo com levantamento de perfis geológicos e outros.
Ainda, sobre a carta da Figura 3.1, citam-se Viana (2000), Carvalho (2001), Costa (2002) e Parizzi (2004) que reafirmam o bom conhecimento da geologia da capital mineira, e indiretamente ratificam a qualidade dos dados produzidos por Silva et al. (1995).
Os materiais que ocorrem à superfície e subsuperfície do município de BH são heterogêneos e diversificados em composição, estado de alteração, estrutura e idade, tornando necessário agrupá–los segundo critérios geológicos e adequados à escala da carta. Desta forma, considerando a boa consistência dos dados geológicos analógicos obtidos por Silva et al. (1995), restou a digitalização e revisão deste original cartográfico.
Na Figura 3.1, tem-se a Carta Geológica de Belo Horizonte e na Figura 3.2, têm-se as seções transversais A-A’ e B-B’, destacadas da Figura 3.1.
Entretanto, destaca-se a atenção para a digitalização das feições de interesse (pontos, linhas e polígonos), considerando que a carta em questão possui simbologias próprias à Cartografia Geológica e de alguma forma, para futuras aplicações em Análises Espaciais no SIG e geração de cartas temáticas em CAM’s, os arquivos de dados-fonte gerados devem estar bem estruturados.
Concordando com Marques (2007), preocupou-se na interpretação e composição do mapa geológico do município, uma vez que se devem considerar os conhecimentos geológicos da área, implícitos na carta através dos símbolos das litologias e sedimentos inconsolidados, bem como das informações sobre a presença de estruturas geológicas: discordâncias, dobras, falhas, intrusões, etc. Com relação à litoestratigrafia de Belo Horizonte, duas unidades se destacam, e se acham presentes (Tabela 3.1):
a) Domínio do Complexo Belo Horizonte;
b) Domínio das Sequências Metassedimentares do Supergrupo Minas. Além destas, em menor proporção, têm-se:
c) Rochas Intrusivas; d) Formações Superficiais.
Tabela 3.1 – Unidades estratigráficas locais.
Idade Supergrupo Grupo Formação Litologia
Cenozóico Formações Superficiais (Qal, TQca, TQi) Depósitos aluviais, coluviais, canga Cauê
(PPmic) Itabirito e filito e dolomito subordinado Itabira
(PPmi) Gandarela
(PPmig, ita e dol) Dolomito, filito dolomítico e itabirito dolomítico Cercadinho
(PPmpc) Quartzito ferruginoso, filito ferruginoso Fecho do Funil (PPmpf) Filito Taboões (PPmpt) Quartzito fino Piracicaba (PPmp) Barreiro
(PPmpb) Filito carbonoso e filito sericítico
Pro te ro zó ic o Minas
Sabará (PPms) Xistos e filitos
Pré -C am bi an o
Arqueano Complexo Belo Horizonte (Agm, gng, ml) Gnaisses, migmatitos e granitóides Rochas intrusivas (idade não determinada) básicas, ultramáficas e Rochas metabásicas, granitóides diversos Fonte: Adaptado de Silva et al. (1995).
a) Complexo Belo Horizonte
O Complexo Belo Horizonte representa cerca de 70% da extensão do município e corresponde ao substrato pré–cambriano mais antigo da região. Observe que este se apresenta com maior extensão ao norte do Ribeirão Arrudas (Figuras 3.3.a e 3.3.b). A litologia presente é um gnaisse cinzento com bandamentos composicionais e feições de migmatização e é denominado de Gnaisse Belo Horizonte (Figura 3.3).
a – Vista aérea oblíqua da área do Complexo Belo Horizonte (região ao norte de BH). Fonte: Adaptado de Google Earth (2008).
b – Gnaisse do Complexo Belo Horizonte. Fraturas pouco resistentes e foliação bem marcada. Fonte: Adaptado de Costa (2002).
Complexo BH
N
Hipercentro
No mapeamento da Figura 3.1 diferenciou–se, para a escala de 1:25.000, as variações litológicas de granulação grossa a muito grossa (gng) e os gnaisses e migmatitos milonitizados (ml).
Observa-se que essas litologias se diferenciam pela maior resistência à decomposição e erosão, permanecendo como cristas quase desprovidas de solo de cobertura, com elevada declividade e ensejando a abertura de um grande número de pedreiras no passado.
As litologias do Complexo Belo Horizonte se alteram, em geral, com relativa facilidade, originando solos areno–argilosos. Os solos residuais apresentam espessura variada, sendo delgado a ausente nas áreas de exposição dos maciços rochosos (parte das regiões Nordeste e Leste), a espesso, maturo e silto-argiloso nas áreas de relevo suave, que podem alcançar espessuras profundas, superiores a 50 m. As maiores espessuras do manto de intemperismo encontram-se na região da Pampulha, atingindo valores superiores a 100 m.
Em média, esses solos apresentam uma condutividade hidráulica de 1,1 x 10–4
cm/s, que pode ser considerada relativamente elevada para esses tipos de solo (Costa, 2002).
Viana (2000) reafirma que a homogeneidade litológica do Complexo Belo Horizonte é sustentável apenas para observações em escalas médias (1:25.000 ou menores). Ainda, apesar de estudos com certo grau de detalhe mostrarem um domínio de rochas gnáissicas e migmatíticas de composição granítica latu sensu, a ocorrência de variações texturais e estruturais são frequentes, constituindo muitas vezes, fatores predisponentes aos processos erosivos.
Segundo Carvalho (2001), apesar da diferença petrográfica deste Complexo, estas podem ser consideradas relativamente homogêneas do ponto de vista geotécnico, podendo–se adotar soluções e análises padronizadas em amplas áreas.
b) Sequência Metassedimentar
Esta formação ocorre na extremidade sudeste do município ao longo da crista local da Serra do Curral e constitui 30% restante da área do município (Figura 3.1). As rochas da sequência metassedimetar apresentam comportamentos diferenciados em termos de natureza e espessura do solo, propriedades
hidrogeológicas e características de resistência conforme o arranjo estrutural das rochas.
Segundo Carvalho (2001), a característica geral deste agrupamento é a constituição de rochas de origem sedimentar, submetidas a metamorfismo de grau baixo a moderado. Desta forma, não houve em igual medida o surgimento de minerais novos e a recristalização foi moderada, ocorrendo uma diversidade de comportamentos geotécnicos, inviabilizando a adoção de soluções padronizadas para extensas áreas.
A característica geral deste domínio é a diversidade litoestrutural e morfológica. Este se subdivide em agrupamentos menores, que são, da formação mais antiga para a mais nova: (b.1) Grupo Itabira (PPmi), (b.2) Grupo Piracicaba (PPmp) e (b.3)