As questões aplicadas aos entrevistados permitem que através da interpretação criteriosa dos aspectos mais relevantes verificados nas mesmas sejam avaliadas as hipóteses enunciadas.
Relativamente à hipótese H1 “Os instrumentos de controlo da actividade policial são
meios imprescindíveis à acção de comando” verificou-se através das respostas de todos
os entrevistados à questão 9 que, se confirma totalmente esta hipótese. Na análise desta questão, todos os entrevistados corroboraram quanto à importância da necessidade de instrumentos de controlo da actividade policial como meios imprescindíveis para a acção de comando. Os instrumentos de controlo assumem cada vez mais, capital relevância, no desenvolvimento da actividade policial das subunidades e unidades Territoriais. Como tal, cabe aos comandantes, conhecer esses instrumentos e saber exactamente qual o objectivo de cada um, para melhor exercerem a acção de comando e para controlar toda a actividade desenvolvida, sendo assim, decisivos para uma intervenção eficiente e para um melhor processo de tomada de decisão. Por conseguinte, teremos que considerar os instrumentos de controlo da actividade policial como elementos determinantes na aplicação do controlo, uma vez que sem estes, não teríamos um controlo adequado, limitando desta forma, a avaliação da actividade policial e posteriormente a introdução das correcções necessárias, de forma a melhorar o desempenho dos militares. Sem a aplicação dos referidos instrumentos, seria impossível controlar o desempenho dos militares e consequentemente a aplicação da acção de comando seria insustentável.
No que respeita à hipótese H2 “Os instrumentos de controlo da actividade policial são
determinantes no processo de controlo organizacional”, as respostas às questões 4 e 5
realizadas aos entrevistados corrobora totalmente com o facto dos instrumentos de controlo da actividade policial serem determinantes no processo de controlo organizacional. Na análise destas questões, os entrevistados consideram que, os instrumentos de controlo da actividade policial produzem o efeito desejado e são eficazes. Contudo, estes devem ser rentabilizados e potencializados, pois em certas áreas ainda existem algumas lacunas, sendo apresentadas inúmeras alterações a serem feitas, como por exemplo, a
Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações
implementação do SIIOP em todo o território nacional, para que os instrumentos de controlo se tornem mais eficazes. Deste modo, no seio de qualquer organização deverá sempre existir uma estrutura ou instrumentos que exerçam o controlo interno, pois sem estes não haverá forma de aferir se existem desvios ao que é esperado, planeado e exigido aos seus subordinados. Esta questão assume maior relevância quando falamos de uma organização policial, como a GNR, em que o seu âmbito de actuação é por inerência susceptível de ferir direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, visto que os seus elementos estão investidos de poderes de autoridade.
Quanto à hipótese H3 “Todos os comandantes, aos vários escalões do Comando Territorial, têm a noção exacta dos instrumentos de controlo da actividade policial, a que podem recorrer” verifica-se através das respostas dos entrevistados à questão 2 que,
confirmam totalmente esta hipótese. Na análise desta questão, grande parte dos entrevistados refere que, ao iniciar o seu percurso como comandante não tinham a noção exacta dos instrumentos de controlo da actividade policial aos quais poderiam recorrer. Porém, em virtude da experiência de comando, e dos vários anos de serviço que já desempenharam como comandantes, neste momento, já têm conhecimento dos instrumentos a que podem recorrer. Utilizam os que estão institucionalizados e através da sua iniciativa e criatividade, estabelecem novos instrumentos para lhes facilitar o controlo da actividade policial da respectiva subunidade ou unidade.
No que concerne à hipótese H4 “Os instrumentos de controlo da actividade policial devem estar directamente ligados às novas tecnologias de informação” esta é
totalmente confirmada, através das respostas dos entrevistados às questões 1, 6 e 7. Na análise destas questões, os entrevistados referem que, um dos instrumentos de controlo mais importante, imprescindível e que tiveram necessidade de criar/implementar são os sistemas de informação, por exemplo, as bases de dados. Na GNR os instrumentos de controlo disponíveis deveriam ser maximizados, aproveitando as potencialidades dos sistemas de informação, que hoje em dia se encontram presentes em inúmeras instituições públicas, permitindo a criação de bases de dados e sistemas informáticos de partilha de informação até ao escalão posto, que permitam um fácil acesso a informações necessárias à tomada de decisão e ao registo de toda a actividade policial da subunidade ou unidade. Com a aplicação das novas tecnologias todas a acções de controlo desenvolvidas pelo comandante seriam facilitadas. As acções correctivas demonstram-se insuficientes nas organizações mais desenvolvidas, como tal, os sistemas de controlo mais avançados são os que prevêem e evitam eventuais erros ou desvios comportamentais que possam acontecer, apoiando-se, para tal, nos sistemas de informação.
Relativamente à hipótese H5 “Os instrumentos de controlo da actividade policial são bem aceites pelos militares que, desempenham funções em toda a estrutura do Comando Territorial” verifica-se através das respostas dos entrevistados à questão 8 que,
Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações
entrevistados confirmam que os instrumentos de controlo da actividade policial são bem aceites pelos militares sob o seu comando. Contudo para que os instrumentos de controlo da actividade policial sejam aceites, existe um conjunto de técnicas que visam a sua aceitação por parte dos militares. Estas técnicas passam por fazer com que o subordinado perceba a função e os objectivos de cada instrumento de controlo, fazendo com que estes se sintam um factor importante na solução dos problemas. Apesar de por vezes os militares não serem receptivos à aplicação de instrumentos de controlo, cabe ao Cmdt criar condições, para que estes sejam aceites e se revelem eficazes aquando a sua aplicação, por exemplo, explicar ao militar que determinado instrumento de controlo é não só uma mais-valia para o comandante como também para os próprios militares (ex. Livros de registo).