• No results found

Por intermédio do modelo, verifica-se o desempenho da produtividade potencial nas 16 estações avaliadas (Figuras 4 a 19). Como a simulação dos resultados foi realizada a partir de dados descendais, a partir de 1 de outubro até 11 de dezembro, verifica-se que a produtividade de grãos média, para todas as datas de semeaduras em cada localidade variou de 13.322 kg.ha-1, em

Cruz Alta, até 15.472 kg.ha-1, em Taquari.

Apesar de Cruz Alta ser localizada numa área produtora de milho, e os resultados serem os mais baixos para a produtividade potencial, deve-se observar que as produtividades potenciais nas 8 datas de semeadura, iniciam-se elevadas, nas primeiras datas de semeadura e a partir de novembro apresentam uma queda acentuada.

Outra localidade que esse fato ocorre é Caxias do Sul. Porém, não de forma tão acentuada. No restante das localidades, a amplitude entre a maior e a menor produtividade potencial não é tão evidenciada (em cada localidade entre as épocas de semeadura). As diferenças de produtividades potenciais médias podem criar regiões distintas para condições de produtividade potencial (cultura irrigada).

Em condições sem estresse hídrico, normalmente, pode-se semear em qualquer uma das 8 épocas indicadas, devido o desempenho praticamente homogêneo da produtividade entre as épocas de semeadura. Ocorrendo esse fato, fica evidente que as semeaduras precoces possuem vantagens no que diz respeito ao sistema de produção, pois minimiza a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, além de disponibilizar a área para o cultivo do milho safrinha, melhorando assim, a eficiência do uso de insumos e de mão-de-obra.

Assis (2004) obteve como produtividades potenciais para a cultura do milho, considerando as mesmas épocas desse estudo, valores variando de 17.500 a 18.500 kg.ha-1, porém o autor utilizou um modelo estocástico de estimativa de produtividade potencial, para a cidade de Piracicaba. Em relação ao modelo citado anteriormente, apesar de ter sido realizado um tratamento estocástico dos dados, e as estimações serem diárias em oposição as estimações decendiais, o presente modelo apresenta uma maior número de parâmetros que é capaz de descrever mais completamente os acréscimos e perdas de fitomassa seca da planta.

Dentro dessa mesma linha de pesquisa, Dourado Neto et al. (2004) apresentaram um modelo determinístico para várias regiões do Brasil. Esses autores tiveram os objetivos de estimar

a assimilação de dióxido de carbono, por intermédio de dados gerados por Heenst (1986), estimar os coeficientes para estimação da radiação solar por intermédio do dados de Doorenbos; Kassan (1994) e estimar a produtividade potencial para a cultura do milho. Ambos os modelos (ASSIS, 2004; DOURADO NETO, 2004) utilizam parâmetros empíricos. Porém, no presente modelo as questões empíricas também estão contempladas, mas em menor quantidade que nos modelos citados anteriormente.

Na realidade, a maioria dos modelos de simulação de culturas é uma mistura de empirismo e mecanicidade. Mesmo os modelos mais mecanísticos utilizam empirismo em algum nível hierárquico. De acordo com Monteith (1996), os pesquisadores se preocupam em demasia com rigorosas calibrações e testes, e não ficam atentos ao conhecimento dos processos físicos e biológicos que estão envolvidos no desenvolvimento das culturas é incipiente.

Além disso, a estimação da produtividade deplecionada em função da precipitação pluvial não está contemplada pelos modelos de Assis (2004) e de Dourado Neto (2004). Neste modelo já é possível estimar a produtividade deplecionada em função de parâmetros como chuva e índice de sensibilidade da cultura ao estresse hídrico. Porém para a cultura da soja, já existem estudos que relacionam as condições diárias de chuva, estimando assim as produtividade deplecionada. Onde nesse caso estimou-se as produtividade potencial e deplecionada para soja para 28 localidades do estado de São Paulo, utilizando metodologia semelhante indicada pelo fator de estresse hídrico da cultura (MARTIN, 2007).

A produtividade deplecionada, que envolve o risco climático por depender das condições de chuva, para a condição de estudo, verificou-se que houve uma tendência não tão clara como na estimação da produtividade potencial. Nesse caso, formou-se situações distintas que muitas vezes é difícil agrupar locais semelhantes.

Esse desempenho de deferentes produtividades deplecionadas é devido a diversidade ambiental que ocorre no estado do Rio Grande do Sul. Para a localidade de Caxias do Sul, a produtividade deplecionada resultou em valores semelhantes para as oito datas de semeadura, variando de 6.000 a 8000 kg.ha-1, porém esse desempenho não se repetiu para as localidades de São Gabriel, Júlio de Castilhos, Santa Maria e Cruz Alta. Nesse caso, a produtividade deplecionada aumenta de acordo com o atraso da data de semeadura, indicando assim um melhor desempenho no período de 15 a 30 de novembro, resultado em maiores produtividades. Isso certamente ocorre devido às condições de precipitação que ocorrem nos períodos mais críticos da

cultura semeando-se nessas datas. Nas outras cidades, o padrão não está caracterizado tão facilmente. Porém, em linhas gerais, deve-se realizar semeaduras precoces (Outubro) para atingir boas produtividades.

Comparando os resultados obtidos neste estudo com os resultados obtidos na literatura, observa-se no trabalhos de Lima (1995), Gadioli (1999), Forsthofer (2002) e Pioneer (2002), que tanto os valores estimados quanto os observados, referem-se à produtividade potencial (DE WIT, 1965) da cultura de milho, em condições de adequado suprimento de água e de nutrientes e sem sofrer injúrias por pragas e doenças, e sem competição por água e nutrientes com plantas daninhas. Os valores observados, por exemplo, por Forsthofer (2002), em Porto Alegre-RS, variaram de 7.446 até 11.100 kg.ha-1. Dessa forma, os valores gerados por intermédio do modelo determinístico são adequados quando se compara com os valores apresentados na realidade.

8000 9000 10000 11000 12000 13000 14000 15000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 4 – Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Caxias do Sul, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 8000 10000 12000 14000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 5 – Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Cruz Alta, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 6 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a Erechim, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 6000 7000 8000 9000 10000 11000 12000 13000 14000 15000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 7 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Iraí, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

0 4000 8000 12000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 8 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Júlio de Castilhos, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 6000 8000 10000 12000 14000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 9 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a Maquiné, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

6000 7000 8000 9000 10000 11000 12000 13000 14000 15000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 10 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Passo Fundo, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 0 4000 8000 12000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 11 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Santa Maria, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 12 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Santa Rosa, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 0 4000 8000 12000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 13 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a São Borja, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

0 3000 6000 9000 12000 15000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 14 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a São Gabriel, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 6000 7000 8000 9000 10000 11000 12000 13000 14000 15000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 15 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a São Luiz Gonzaga, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

0 4000 8000 12000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 16 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Taquarí, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 17 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a Uruguaiana, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12

0 4000 8000 12000 16000

01/out 11/out 21/out 31/out 10/nov 20/nov 30/nov PP PD

Figura 18 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1),

referentes a Vacaria, para as 7 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11 e 01/12 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000

01/out 21/out 10/nov 30/nov

PP PD

Figura 19 - Produtividade potencial (PP, kg.ha-1) e produtividade deplecionada (PD, kg.ha-1), referentes a Veranópolis, para as 8 datas de semeadura: 01/10, 11/10, 21/10, 01/11, 11/11, 21/11, 01/12 e 11/12