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4 The methodological considerations of this study

4.4 Research method, data collection and the analytical process

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu em 06 de julho de 190722, na cidade mexicana de Coyoacán, distrito residencial próximo aos arredores da Cidade do México, mais conhecida como DF: Distrito Federal. Filha de um húngaro-alemão e uma mexicana, Guillermo Kahlo e Matilde Calderón de Kahlo, respectivamente, Kahlo era a terceira filha de um total de seis mulheres – tinha duas meias-irmãs, frutos do casamento anterior do seu pai.

Guillermo Kahlo – cujo nome verdadeiro era Wilhelm - nasceu em 1872, e pertencia a uma família judia abastada que imigrou da Hungria para Alemanha, precisamente para a cidade de Baden-Baden. Filho de Jakob Heinrich Kahlo - joalheiro, ourives e comerciante de suprimentos fotográficos - e Henriette Kaufmann Kahlo, o jovem judeu teve a oportunidade de estudar em uma universidade da cidade de Nuremberg, porém sua carreira acadêmica foi acabada prematuramente em 1890. Depois de ter sofrido uma queda, Guillermo apresentou sinais de lesões cerebrais e em consequência destas passou a ter ataques epiléticos. Devido a sua frágil saúde, retornou para casa de seus pais, mas não passou muito tempo na mesma.

Em 1891, após o falecimento de sua mãe e um novo casamento de seu pai, Guillermo conseguiu dinheiro suficiente e comprou uma passagem para o México. Nunca mais retornou ao seu país de origem. Recém chegado à cidade do México conseguiu emprego como caixeiro, vendedor de livros e por último como vendedor em uma joalheria. Casou-se quatro anos depois com uma mexicana, contudo em 1894 ficou viúvo, pois sua esposa não resistiu ao parto da segunda filha do casal. Mais ou menos no mesmo período, começou a se relacionar com sua antiga colega de trabalho, que viria a ser sua futura esposa: Matilde Calderón.

Matilde nasceu em 1870, na cidade de Oaxaca, México. Era a filha mais velha de um total de doze do casal Isabel González y González e Antonio Calderón. Apesar de sua inteligência, nunca recebeu educação formal, era analfabeta. Após ter uma grande desilusão amorosa - seu primeiro namorado se suicidou na sua frente - se casou com Guillermo e com ele teve quatro filhas, dentre elas Frida Kahlo.

22 Por razões políticas, Kahlo afirmava em seus escritos que nasceu em 1910, data da eclosão da Revolução Mexicana.

Figura 8 – Casamento de Guillermo e Matilde, 21 de fevereiro de 1898. Foto: Fotógrafo desconhecido.

Devido à frágil saúde de sua mãe, logo após seu nascimento, Kahlo foi alimentada por uma ama de leite indígena por certo período. Viveu sua infância e diversos períodos da sua vida na Casa Azul – atual Museo Frida Kahlo. A casa foi construída por seu pai na época em que era um respeitado fotógrafo, e que tinha como função principal, a serviço do governo do ditador Porfirio Díaz, registrar a herança cultural e a arquitetura do povo mexicano.

Segundo Hayden Herrera, o sucesso profissional do pai de Kahlo estava relacionado ao fato dele ser

[...] um técnico obstinado, com um ponto de vista teimosamente objetivo acerca daquilo que via; em suas fotografias, assim como nas pinturas de sua filha, não há lugar para truques, efeitos nem ofuscações românticas. Ele tentava transmitir o máximo possível de informações sobre a estrutura arquitetônica do lugar que registrava com suas lentes, selecionando cuidadosamente seu ponto de observação usando sombra para delinear a forma. (HERRERA, 2011, p. 21)

Em 1910, com a eclosão da Revolução Mexicana, a situação financeira da família Kahlo caiu em profundo declínio. Guillermo não tinha mais trabalho, já que não recebia encomendas do governo deposto, e Matilde era obrigada a economizar nas despesas domésticas. O casal se viu obrigado a hipotecar a casa, vender grande parte da mobília, demitir funcionários e alugar alguns quartos para desconhecidos.

Passada a tormenta no cenário político mexicano, Kahlo, que até então era uma criança saudável, com seis anos de idade contraiu uma doença que a deixou enclausurada por nove meses em casa: poliomielite23. A patologia a deixou com sequela, sua perna direita ficou atrofiada, e por conta disto o médico recomendou, aos pais, que a menina praticasse exercícios físicos para se fortalecer. Kahlo passou a praticar vários esportes e atividades físicas, como andar de bicicleta, subir em árvores, natação, futebol, boxe e luta greco-romana.

A poliomielite, e consequentemente as sequelas presentes no corpo, foram determinantes na vida de Kahlo. Após os nove meses de recuperação, retornou às aulas. A menina extrovertida, em decorrência das estigmatizações praticadas pelos colegas de escola que a chamavam pelo apelido “Frida perna de pau”, passou a ser uma criança extremamente introvertida. Na tentativa de fugir dos estigmas, diariamente disfarçava sua diferenciação corporal usando quatro meias sobre a perna atrofiada e sapato com salto embutido no pé direito.

23 A poliomielite é uma doença infectocontagiosa viral aguda, tendo como uma de suas características, os seus diferentes tipos de manifestação, como, por exemplo: febre sem causa aparente, infecções, meningite asséptica, paralisia e óbito. Acomete geralmente os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido. Pode ser prevenida a partir da vacinação.

Com quatorze anos de idade, conseguiu ser aprovada no exame de admissão da Escola Nacional Preparatória, a melhor instituição de ensino do país. Saindo da proteção exacerbada da família, a jovem adolescente teve a oportunidade de entrar em contato e participar da efervescência sociopolítica e cultural na capital da nação.

Diferente das outras meninas, que gostavam de ficar fofocando nos corredores da instituição de ensino, Kahlo preferia participar das atividades elaboradas pelos diferentes grupos estudantis presentes na Escola Nacional Preparatória. Mas o grupo que mais gostava era os Cachuchas. Na companhia dos oito estudantes, sete homens e uma mulher - José Gómez Robleda, Jésus Ríos y Valles, Augustín Lira, Carmen Jaime, Miguel N. Lira, Alfonso Villa, Alejandro Gómez Arias e Manuel González Ramírez –, gostava de subverter toda autoridade, principalmente a da escola, passar horas lendo e discutindo sobre livros. Os Cachuchas, mesmo não se comprometendo com a política partidária, tinham como ideologia uma combinação dos preceitos do nacionalismo e do socialismo.

Kahlo namorou com Alejandro Gómez Arias, líder dos Cachuchas. A relação dos dois a princípio era só de amizade, mas com passar do tempo se apaixonaram e tiveram de manter- se na clandestinidade, pois as famílias de ambos eram contra o relacionamento.

Por conta da dificuldade que tinham para se encontrar, ela escrevia cartas quase que diariamente para Alejandro. Herrera sobre estas cartas afirma:

[...] elas propiciam um retrato de sua vida, e revelam seu desenvolvimento e transformação de menina em adolescente e, finalmente, mulher; mostram também sua compulsão para contar detalhes de sua vida e seus sentimentos, necessidade que por fim a impeliria a pintar principalmente autorretratos. Ela escrevia com uma sinceridade emocional surpreendente para uma adolescente, e sua característica impulsividade se mantém no ritmo de sua linguagem; o jorro de palavras raramente se deixa comedir por vírgulas, períodos ou parágrafos, mas ganha vida por meio de desenhos e caricaturas. Frida ilustrava as coisas que aconteciam a ela – uma briga, um beijo, ela doente e acamada. (Idem, p. 52 –53)

Junto a Alejandro, Kahlo vivenciou o episódio que transformou para sempre sua vida: a colisão entre o ônibus em que estavam e um bonde. Em seu diário ela relata este fato:

Pouco depois que entramos no ônibus houve a colisão. Antes disso, tínhamos subido em outro ônibus, mas como eu tinha perdido minha sombrinha, descemos para procurar e foi por isso que acabamos entrando no ônibus que

me destruiu. O acidente aconteceu numa esquina em frente ao mercado de San Juan, exatamente em frente. O bonde veio se aproximando devagar, mas nosso motorista era jovem e nervoso. Quando o bonde fez a curva na esquina o ônibus foi prensado na parede. [...] Eu era uma menina inteligente, mas muito pouco prática, apesar de toda a liberdade que eu tinha conquistado. Talvez por causa disso, não avaliei a situação nem o tipo de ferimento que eu tive. A primeira coisa em que pensei foi em um balero [...] com cores bonitas que eu tinha comprado naquele dia e que eu estava carregando comigo. Tentei procurar o brinquedo, achando que o que tinha acontecido não teria maiores consequências. [...] É mentira que a pessoa tem consciência da batida, é mentira que a pessoa chora. Em mim não houve lágrimas. A colisão nos jogou para a frente e um corrimão de ferro me varou do mesmo jeito que uma espada rasga a carne do touro. Um homem me viu tendo uma tremenda hemorragia. Ele me carregou e me deitou em cima de uma mesa de bilhar até que a Cruz Vermelha chegasse. (KAHLO apud Ibidem, p. 68)

No hospital, Kahlo foi diagnosticada com três fraturas na região lombar da coluna, fraturas na terceira e quarta vértebras, clavícula quebrada, luxação no cotovelo esquerdo, onze fraturas no pé esquerdo, pélvis quebrada em três lugares, peritonite aguda, cistite e ferimento profundo no abdômen, devido a barra de ferro que entrou no quadril esquerdo e saiu pela vagina, dilacerando o lábio esquerdo.

Os médicos não sabiam se Kahlo conseguiria suportar a gravidade dos ferimentos, no entanto após a cirurgia que reconstruiu seu corpo, ela sobreviveu. Ficou durante um mês imobilizada em uma estrutura em formato de caixa, deitada de costas e com um colete de gesso colocado na região torácica. Enquanto esteve hospitalizada, recebia visitas frequentes dos amigos e dos Cachuchas, e era cuidada pela sua irmã Matilde, pois seus pais não tiveram condições psicológicas de irem visitá-la, visto que estavam traumatizados com o acidente.

Mas o sofrimento de Kahlo intensificou ainda mais sua solidão, e isto fica mais evidente na carta do dia 13 de outubro de 1925 endereçada ao seu namorado:

Alex de mi vida, você sabe melhor do que ninguém como tenho estado triste neste maldito hospital. Deve imaginar, ou talvez o pessoal já lhe tenha dito. Todos me falam para não perder a paciência, mas eles não sabem o que significa para mim ficar de cama por três meses. É como tenho que estar [de cama] depois de ter sido uma verdadeira errante das ruas a vida inteira. Mas o que se há de fazer? Pelo menos la pelona não me levou [...]. Certo? (KAHLO, 2011, p. 22)

Figura 10 - Coletes de gesso e couro usados por Kahlo expostos no Museo Frida Kahlo. Foto: Profa. Dra. Nara Salles.

Um mês depois do acidente, Kahlo recebeu alta e foi para casa, onde, por recomendações médicas teria que ficar deitada por três meses, porém ficou reclusa por nove meses24. No período em que esteve acamada, começou a pintar quadros por várias horas. Para isto acontecer, sua mãe teve que colocar um espelho em cima do dossel de sua cama, o que a possibilitou tornar modelo de si mesma e produzindo diversos autorretratos25. A este respeito observa-se a seguinte constatação:

Os autorretratos feridos de Frida eram uma espécie de grito silencioso. Em imagens de si mesma descalça, sem cabeça, rachada, aberta, sangrando, ela transformava a dor nas imagens mais dramáticas possíveis, de modo a imprimir nos outros a intensidade de seu próprio sofrimento. E, ao projetar para fora de si e para dentro das telas a sua dor, ela também a extirpava de seu corpo. Os autorretratos eram réplicas fixas e imutáveis de sua imagem refletida, e nem os reflexos nem as telas sentiam dor. [...] Como antídoto para a dor, os autorretratos feridos podem ter tido outra função. Podemos pensar na experiência de vislumbrar um reflexo num momento de angústia física ou emocional. A imagem do espelho é assombrosa – ela se parece conosco, mas não partilha da nossa dor. A disjunção entre a nossa percepção de nós mesmos sentindo dor (percebida de dentro para fora) e a evidência superficial, oferecida pelo espelho, de um eu aparentemente desprovido de dor (visto de fora para dentro), pode funcionar como influência

24 Há documentos no Museu Frida Kahlo que afirmam que muitos dos tratamentos médicos e fisioterapêuticos oferecidos à Kahlo, após as primeiras cirurgias, ao invés de diminuírem suas dores, as potencializava.

25 Sob influência de seu pai, adquiriu um gosto pela arte de modo geral: com ele aprendeu a fotografar e começou a pintar, sobretudo paisagens próximas à sua casa.

estabilizadora. A imagem refletida faz com que evoquemos nosso eu físico, a instância íntima com que estamos familiarizados, proporcionando uma sensação de continuidade. Se Frida se sentia atraída pelos espelhos porque eles a comportavam dessa maneira de tornar permanente essa imagem tranquilizadora. Assim, os autorretratos podiam servir como instrumentos para amparar a objetividade ou a dissociação. Ademais, contemplando seu próprio eu ferido em suas pinturas, Frida podia sustentar a ilusão de ser a observadora forte e objetiva de seu próprio infortúnio. (HERRERA, 2011, p. 420 – 421)

Como passava horas na cama, estudava diversas áreas do conhecimento, mas no que tange à arte, tinha como predileção ler livros sobre a História da Arte, principalmente os da pintura renascentista italiana. Seu primeiro quadro considerado importante para os estudiosos foi Autorretrato con Traje de Terciopelo (1926), um presente oferecido ao seu namorado na época.

Gostava de retratar em suas obras tudo o que a cercava: seus animais, seus amigos, seus parentes e a si mesma. Todavia, em toda sua carreira não conseguiu pintar sobre seu acidente, dizia que era um fato complexo e não seria possível reduzi-lo a uma imagem.

Ao observar minuciosamente as suas pinturas, é possível afirmar que essas aludem a aspectos intrinsecamente ligados a sua intimidade, e isto fica mais evidente em seus autorretratos. Kahlo dizia que pintava a si mesma porque cotidianamente estava quase sempre sozinha, bem como era o assunto que mais conhecia.

As dores e a solidão de Kahlo são constantemente relatadas em várias cartas para seu namorado:

Ontem estive muito doente e muito triste; você não imagina o nível de desespero a que se pode chegar estando doente assim. Sinto um mal-estar pavoroso, que não consigo descrever, e, além disso, às vezes sinto uma dor que nada é capaz de eliminar. [...] Não posso escrever muito, porque mal consigo me curvar; não posso andar, porque minha perna dói terrivelmente. Já estou cansada de ler – não tenho nada de bom para ler -, não consigo fazer nada senão chorar e, às vezes, nem isso. Nada me diverte; não tenho uma única distração – apenas tristezas – e todas as pessoas que me visitam me chateiam muito. [...] Você não imagina o quanto estas quatro paredes me exasperam. Tudo! Não tenho como lhe descrever meu desespero. (KAHLO, 2011, p. 30)

[...] Como eu gostaria de poder explicar-lhe, minuto a minuto, meu sofrimento! Desde que você se foi, piorei, e nem por um momento consigo consolar-me ou esquecê-lo. Na “sexta-feira” eles me puseram o gesso e, desde então, tem sido um verdadeiro martírio, que não se compara com coisa alguma. Sinto-me sufocada, meus pulmões e minhas costas inteiras doem terrivelmente; nem sequer consigo tocar em minha perna. Mal posso andar, muito menos dormir. Imagine, eles me penduraram pela cabeça por duas horas e meia, e depois fiquei na ponta dos pés por mais de uma hora, enquanto secavam [o gesso] com ar quente; mas quando cheguei em casa, ainda estava completamente úmido. [...] Enfrentarei este martírio por três ou quatro meses e, se não ficar boa com isso, sinceramente quero morrer, porque não agüento mais. Não é só o sofrimento físico, mas é que também porque não tenho a mínima diversão. Nunca saio deste quarto, não posso fazer nada, não posso andar. Fico completamente desesperada e, acima de tudo, você não está aqui. (Idem, p. 31 – 32)

Figura11 – Kahlo pintando em sua casa, com Miguel Covarrubias, ao seu lado. Foto: Nickolas Muray.

Por intermédio da fotógrafa ítalo-americana Tina Modotti reencontrou o homem que se tornaria o maior amor de sua vida e também o responsável, direta e indiretamente, pelas suas dores: Diego Rivera. Considerado um dos maiores artistas mexicanos, e responsável por diversos murais que enalteciam o povo e a cultura mexicana, Rivera na época em que conheceu Kahlo já era um artista em ascensão.

Logo depois que se reencontraram, começaram a namorar. Kahlo, durante o namoro recomeçou a pintar com mais vigor e confiança, isto porque seu namorado era, em sua opinião, o maior pintor do mundo e ao produzir pinturas, apesar de sentir fortes dores, pensava sobre o fato de que Rivera sentiria enorme prazer em apreciá-las. Durante este período, ela costumava dizer às pessoas mais próximas que pintava as coisas que seu

namorado gostava, pois passou a perceber que a partir deste momento em diante ele começou a admirá-la e amá-la mais intensamente.

Rivera lhe dava conselhos acerca de suas pinturas, mas não aceitava assumir o papel de professor, pois acreditava que se fizesse isto acabaria lhe impedindo de desenvolver sua própria expressão artista. Entretanto, Kahlo não aceitou apenas receber conselhos de seu namorado e passou a considerá-lo seu mentor, uma vez que tinha prazer em passar horas observando-o pintar seus vários murais.

Na medida em que a relação dos dois foi se tornando mais concreta, pode-se observar que especialmente no período de 1928 e 1929, a influência de Diego Rivera nas pinturas de Kahlo passou a ser mais perceptível. Contudo, a diferença entre as suas pinturas reside no fato de que o muralista operava por temáticas sociais e históricas, sobretudo com características comunistas, que contemplavam diretamente fatos oriundos da realidade, enquanto Kahlo preferia pintar a vida das pessoas, em especial as suas experiências vividas.

Mesmo contra a vontade de Matilde, que considerava o genro ateu, gordo, feio e indigno de ter qualquer tipo relação com sua filha, em 21 de agosto de 1929, Rivera e Kahlo se casaram em uma cerimônia civil. Certamente, Guillermo aprovou o pedido de casamento não somente por ter uma relação estável com Rivera, mas porque tinha consciência de que o genro podia arcar com as despesas médicas e o tratamento vitalício de Kahlo, uma vez que ele e sua mulher já estavam idosos e não tinham dinheiro suficiente sequer para quitar a hipoteca da Casa Azul e pagar as despesas cotidianas.

Como Rivera – contra vontade – pediu para ser exonerado do Partido Comunista Mexicano26 e começou a trabalhar nos murais com mais tenacidade a fim de custear seus gastos e os de sua esposa, durante os primeiros meses do casamento é perceptível que Kahlo pouco produziu, visto que preferiu viver integralmente em função do marido. Todos os dias levava as refeições de Rivera e seus ajudantes, passava horas observando-o em seu processo criativo e quando era solicitada criticava de forma branda as pinturas.

Entretanto, o casamento não era parecido com os outros, pois Kahlo e Rivera, nomeados como O Elefante e a Pomba, era um casal bastante transgressor para os costumes da época. Rivera tinha diversas relações extraconjugais, mas Kahlo também tinha, inclusive com homens e mulheres. Rivera até permitia e incentivava as relações homossexuais, mas não gostava e tinha ciúmes se soubesse que sua esposa estivesse se relacionando com outros homens.

Em meados de 1930, algum tempo depois do casamento, em virtude de compromissos profissionais, Rivera e Kahlo se mudaram para os Estados Unidos. Em terras estadunidenses, Kahlo fez pouquíssimas amizades e, posteriormente, alcançou o reconhecimento artístico de suas pinturas.

Primeiramente foram para São Francisco, onde Rivera foi contratado para pintar murais na Escola de Belas-Artes de São Francisco e na Bolsa de Valores de São Francisco. Kahlo por sua vez conheceu e começou a se tratar com Dr. Leo Eloesser, famoso cirurgião ortopédico e seu melhor amigo nos anos seguintes. Em dezembro do mesmo ano, Dr. Eloesser diagnosticou que Kahlo tinha achatamento de um disco da coluna vertebral, produzido em decorrência da escoliose congênita severa e o atrofiamento acelerado do pé direito.

Devido às fortes dores que sentia na coluna e no pé direito, Kahlo ficava confinada durante dias em seu apartamento e para não ficar ociosa, retornou ao seu ofício com mais