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3.1.LOCALIZAÇÃO

A mina de Gongo Soco está localizada no município de Barão de Cocais, na região central do Estado de Minas Gerais entre as coordenadas 43o35’00” e 43o37’30” de longitude oeste e 19o56’00” e 19o59’00” de latitude sul (Figura 3.1). A partir de Belo Horizonte, o acesso à área da mina é feito pela BR-262, sentido de Vitória, até o entroncamento desta com a rodovia estadual MG-435, e, então, até a cidade de Caeté. De Caeté à Gongo Soco, são mais 14 km em estrada não pavimentada.

Figura 3.1 - Localização da mina de Gongo Soco.

3.2.HISTÓRICO DA MINA DE GONGO SOCO

A mina de Gongo Soco teve seu início no século XIX, durante o ciclo do ouro, da chegada dos ingleses e mecanização das minas no Brasil. Entre os anos de 1824 e 1856. Gongo

Soco tornou-se mundialmente conhecida pela alta tecnologia aplicada para a época, com extração subterrânea e auge de produção de 12.887 kg de ouro. Este período foi marcado pela forte presença de capitais de companhias inglesas em Minas Gerais, sendo que a mina de Gongo Soco pertencia à “Imperial Brazilian Mining Association”, companhia de capital e administração inglesa, que se utilizava mão-de-obra escrava em suas atividades mineiras. De acordo com Burton Richard. F. (1821-1890) em seu livro “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho” tradução de David Jardim Júnior (2001) – Coleção: O Brasil visto por estrangeiros, em seu capítulo XXX (Viagem para Gongo Soco e Fábrica da Ilha), descreve...”separado pela lavagem, sem dificuldade, e purificado com ácido nítrico. Não vale a pena remover todo o corpo do filão, sendo preferível, portanto, o trabalho em galerias subterrâneas. As linhas e veios podem ser acompanhados com picaretas, não se fazendo mister as explosões. O conteúdo fornece um minério de ferro macio e pulverizável que exige pouco trabalho para britagem e pulverização, e o “ouro de linha” assim encontrado é de qualidade superior. Muitas vezes, seguindo os filamentos que se irradiam para todas as direções, vindos de um centro comum, os mineiros encontram um núcleo ou pepita de grande tamanho, mas inferior, em qualidade, ao ouro de linha e perdendo mais na fusão. O ouro em Gongo Soco era de 19 a 20 quilates. Alguns descrevem o ouro como amarelo-escuro com paládio, outros dizem que muito tingido pelo ferro e de cor semelhante à do chumbo. Vi algum cor de bronze brilhante e, às vezes, vermelho- pardacento, como cobre trabalhado e não polido”.

O mesmo autor escreve em sua obra o seguinte trecho: “Naquela mina, porém, o ouro era livre e o furto era enorme.... Conta-se de mineiros que saíam aos domingos levando espingardas cheias de minério furtado, e de latas de biscoito que entravam vazias na mina e, às vezes, saíam levando quinze quilos do precioso pó. Há ainda muito tesouro oculto, e, de vez em quando, os que têm sorte encontram pequenas fortunas em potes e garrafas...”. Ainda, Burton também explica a origem do nome da mina: “Explica-se que Gongo Soco significa: o gongo, ou a campainha, que não toca. Os brasileiros traduzem por: Esconderijo dos Ladrões”.

A mina de Gongo Soco tornou-se célebre por volta de 1830 pelo seu minério aurífero de alto teor. “A Imperial Brazilian Mining Association, lavrou estreitos veios auríferos

entremeados concordantemente ao minério de ferro brando de alto teor da formação ferrífera Itabira (FFI), paleoproterozóica, do Quadrilátero Ferrífero. Os corpos auríferos, conhecidos como “Jacutinga”, eram compostos de hematita especular, talco, caulinita e óxido de manganês, e lineação de estiramento com caimento para leste” (Raphael, 1996). “Os relatos históricos registram que, no ano de 1856, a mina subterrânea de ouro foi inundada e todas as atividades interrompidas, iniciando-se a fase decadente da produção de ouro em Gongo Soco. Poucas décadas depois, o explorador inglês W. J. Henwood divulgou um relatório, enfatizando a riqueza desta região em rochas ferríferas com alto teor aurífero. Pouco se sabe da atividade minerária em Gongo Soco após este período até o ano de 1960, quando a empresa São Carlos Minérios, de capital americano, estudou a formação ferrífera e, em 1967, avaliou as reservas de minério de ferro. Os direitos minerários da São Carlos Minérios foram posteriormente arrendados pela Mineração Socoimex Ltda que iniciou, em 1989, a operação de lavra da mina de Gongo Soco, com a instalação de britagem e peneiramento do minério de ferro” (Innocentini, 2003).

A mineração em Gongo Soco é histórica, sendo cronologicamente apresentada da seguinte maneira: 1760 a 1800 – Início da produção de ouro em Gongo Soco com o Barão de Catas Altas; 1800 a 1820 – Entrada do capital inglês no Brasil para produção de ouro; 1824 -

Imperial Brazilian Mining Association adquire Gongo Soco; 1871 - W.J. Henwood publica

o primeiro trabalho geológico sobre Gongo Soco; 1967 - A São Carlos Company (USA) inicia a pesquisa para minério de ferro; 1986 – O Grupo Santa Inês adquire da São Carlos a mina de Gongo Soco; 1987 – Início da produção de minério de ferro; 1998 – Início das pesquisas para ouro. Em 11/05/2000 - A Vale adquire Gongo Soco do Grupo Santa Inês/Mineração Socoimex; 2001 – Paralização das pesquisas para ouro com focalização para a exploração de minério de ferro.

3.3.MÉTODO DE LAVRA

Os dados apresentados a seguir referem-se ao planejamento da mina para um horizonte de 8 anos, de 2007 a 2014. Parte do conteúdo descrito neste capítulo foi extraído do estudo ambiental de ampliação da cava de Gongo Soco – EIA/RIMA elaborado pela Lume Estratégia Ambiental Ltda em 2006. Ressalta-se que o autor desta dissertação atuou como

coordenador técnico deste estudo ambiental.

A lavra de minério de ferro de Gongo Soco é conduzida a céu aberto descendentemente, em bancadas subverticais sucessivas, com altura de 13 metros, em encosta e em cava fechada, utilizando-se o uso de perfuração e desmonte por explosivos para as litologias mais duras e desmonte mecânico com auxílio de trator de esteira, escavadeira e retroescavadeira, para o material mais friável. O desenvolvimento da lavra de Gongo Soco pode ser observado na Figura 3.2.

Porção / parede Norte

Porção Leste

Porção Sul

Porção Oeste ,

Figura 3.2 - Foto aérea da mina de Gongo Soco. Fonte: VALE/2005

No ano de 2007, o “botton pit” (fundo da cava) de Gongo Soco alcançou a elevação – EL. 875 m. Neste ano lavrou-se 8,5 milhões de toneladas (8,5 Mt) de ROM gerando um montante de 22,9 Mt de estéril, produzindo uma relação estéril/minério de 2,67. A Figura 3.3 ilustra o desenvolvimento da lavra (4o trimestre de 2007).

Com o avanço da lavra em direção a porção sudoeste, haverá necessidade de remanejamento do ramal ferroviário da mina de Gongo Soco. Com o corte do talude a ser formado será necessário uma desmobilização das estruturas existentes (escritório de operação da mina, laboratório, área para restaurante, prédio da administração, almoxarifado, oficina, posto de abastecimento, dentre outras). As edificações serão relocadas para o platô final da pilha de disposição de estéril Sudeste – PDE SE. Com

exceção do posto de abastecimento, as demais estruturas a serem relocadas ocuparão área útil inferior a 5 ha. Conforme Deliberação Normativa – DN 074/2004 do COPAM o empreendimento fica dispensado de licenciamento ambiental, estando sujeito apenas à Autorização Ambiental de Funcionamento – AAF.

O desenvolvimento da lavra nos três primeiros trimestres de 2008 se dará na porção noroeste. No final do terceiro trimestre o “botton pit” projetado terá cota na elevação – EL. 868 m. Em 2008, serão lavrados 8,5 Mt de ROM gerando um montante de 25,7 Mt de estéril. A relação estéril/minério global é da ordem de 3,01 (Figura 3.3)

Em 2009 será lavrada a porção noroeste (Figura 3.4). Neste ano serão lavrados 8,3 Mt de ROM e 27,2 Mt de estéril, perfazendo uma relação estéril/minério de 3,29. Em 2010 a lavra irá avançar em direção as porções norte e sul. Neste ano, estima-se uma produção de ROM da ordem de 6,7 Mt e 28,6 Mt de estéril (RE/M = 4,26). Em 2010, o “botton pit” projetado da cava estará na elevação EL. 844 m (Figura 3.4). A Figura 3.5 ilustra o desenvolvimento da lavra nos anos de 2011 e 2012. Foram planejadas plataformas em diversas elevações da porção norte da cava, tendo como objetivo atuar como bermas de segurança. O mesmo acontece no plano de lavra para 2012, diferindo-se apenas na elevação – EL. 945 m. Em 2012 o “botton pit” estará na elevação – EL. 844 m (desnível topográfico em relação à porção norte da cava de 500 m). Em 2011 serão lavrados 5,9 Mt de ROM com uma relação estéril/minério de 4,14, totalizando, portanto, um montante de estéril da ordem de 24,5 Mt. Em 2012, ocorrerá uma redução da produção de ROM (hematita + itabirito) totalizando 5,2 Mt, sendo 4,6 Mt de hematita e 0,6 Mt de itabirito. Neste ano, a relação estéril/minério é ordem de 4,49, ou 23,3 Mt de estéril.

A Figura 3.6 mostra o desenvolvimento da lavra em 2013 e 2014. Em 2013 a lavra irá avançar em direção a porção noroeste. Em 2014, a cava terá a conformação final com desnível topográfico da ordem de aproximadamente 500 m (ELSuperior – porção norte = 1332 m - ELBotton Pit = 832 m). Na porção sul o desnível topográfico chegará a 180 m (EL Superior = 1012m - ELBotton Pit = 832m). Em 2013 serão lavrados 4,7 Mt de ROM, gerando 19,8 Mt de estéril. Em 2014, a produção de ROM será de 3,7 Mt (3,3 Mt de hematita e 0,4 Mt de itabirito). A relação estéril/minério neste ano será a mais elevada (4,80), totalizando uma movimentação de 17,6 Mt de estéril.

3.4.MOVIMENTAÇÃO DE MINÉRIO BRUTO (ROM)

A movimentação de minério bruto (ROM) prevista para o período de 2007 a 2014 na mina de Gongo Soco é mostrada na Tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Produção de ROM e de Estéril - Mina de Gongo Soco.

2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 TOTAL Hematita Mt 6,0 5,5 6,0 5,5 5,2 4,6 4,4 3,3 40,50 Itabirito Mt 2,5 3,0 2,3 1,2 0,7 0,6 0,3 0,4 11,00 Minério Total Mt 8,5 8,5 8,3 6,7 5,9 5,2 4,7 3,7 51,50 Estéril Mt 22,9 25,7 27,27 28,6 24,5 23,3 19,8 17,6 189,67 RE/M t/t 2,7 3,02 3,28 4,27 4,15 4,48 4,21 4,76 3,68 Fonte: Gerência Geral de Planejamento e Engenharia de Minas – GEPMS/VALE

Gerência de Planejamento Longo Prazo – GAPLS/VALE. Agosto/2006.

Serão movimentados 51,5 Mt de minério ROM, sendo 40,5 Mt de hematita e 11 Mt de itabirito. A Figura 3.7 ilustra a produção estimada de ROM/ano (hematita + itabirito) no período considerado. (Mt) Evolução/ano ! " # $ % $& ' ( ) * # Hematita Itabirito

Figura 3.7 - Evolução da produção de hematita e itabirito - mina de Gongo Soco.

3.5.RELAÇÃO ESTÉRIL/MINÉRIO

A movimentação de ROM na mina de Gongo Soco será da ordem de 51,5 Mt (Tabela 3.1). Para lavrar o minério será necessário remover um montante de 189,67 Mt de estéril. Sendo assim, a relação estéril/minério – média global é (RE/M = 3,68), expressiva se comparada com outras minas inseridas no Quadrilátero Ferrífero.

A Figura 3.8 ilustra a relação estéril/minério. A Figura 3.9 ilustra a evolução da produção de ROM e de estéril no período de 2007 a 2014.

+ + 0 5 0 10 0 15 0 20 0 Mt 1 , - . ,/ $. # $ % $& ' ( Estéril (Mt) Minério (Mt) Figura 3.8 - Relação Estéril/Minério – (2007 a 2014).

- , - . , # $ % $& ' ( # ) * # 8,5 8,5 8,3 6,7 5,9 5,2 4,7 3,7 22,9 25,7 27,2 28,6 24,5 23,3 19,8 17,6 "

Figura 3.9 - Evolução da Produção de ROM e de Estéril.

Com o aprofundamento da mina ocorrerá a diminuição gradativa do montante de minério a ser lavrado, aumentando a relação estéril/minério.

3.6.DISPOSIÇÃO DE ESTÉRIL

Grupo Nova Lima; filitos, itabiritos carbonáticos e silicosos da Formação Cauê; dolomitos e filitos dolomíticos da Formação Gandarela, na condição de solo à rocha alterada. Devido aos estados de alteração em que esses litotipos são encontrados na mina, o estéril gerado é caracterizado por um solo de textura silte-arenoso pouco argiloso com pedregulhos e esparsos matacões métricos.

Gongo Soco conta com 04 pilhas de disposição estéril – PDE´s (PDE Sudeste, Sudoeste, Correia e Nordeste). As PDE’s Sudoeste (Figura 3.10), Correia (Figura 3.11) e Sudeste (Figura 3.12) já esgotaram sua capacidade de disposição. Desta forma, somente a PDE Nordeste é que recepcionará o estéril gerado até 2014.

PDE Sudoeste

Figura 3.10 - Vista parcial da PDE Sudoeste com alteamentos projetados em 2006. Pilha com capacidade de disposição de estéril esgotada.

Fonte: Foto NETO, S.E. – LUME – Agosto/2006. Imagem Fonte: VALE/2006

Figura 3.11 – PDE Correia com capacidade de disposição de estéril esgotada.

1 2

3

Em que: 1 – Instalações de Beneficiamento; 2 – Porção Norte da Cava de Gongo Soco e 3 – Platô (elevação) final da PDE Sudeste.

1 2

Em que: 1 – PDE Sudeste já recomposta e 2 – Barragem Sul Superior.

Figura 3.12 - PDE Sudeste com capacidade de disposição esgotada.

Fonte: Fotos NETO, S.E. – NICHO – Out./2005.

Já a PDE Nordeste foi projetada em 2005 para dispor 68 Mt de estéril ou 34 Mm3 (Tabela 3.2).

Tabela 3.2 - Cubagem da PDE Nordeste (vida útil projetada até 2008).

NÍVEL VOLUME (m3) Massa (t) Acumulado (t) 1180 4.920.462 9.840.925 68.308.557 1170 4.858.992 9.717.985 58.467.632 1160 4.781.842 9.563.684 48.749.647 1150 4.636.489 9.272.978 39.185.963 1140 4.323.482 8.646.965 29.912.985 1130 3.753.692 7.507.384 21.266.020 1120 2.725.959 5.451.918 13.758.637 1110 1.903.282 3.806.564 8.306.719 1100 1.372.121 2.744.242 4.500.155 1090 713.848 1.427.696 1.755.913 1080 164.108 328.217 328.217 Total 34.154.278 68.308.557

A Figura 3.13 mostra uma foto retirada em agosto de 2007 da PDE Nordeste em plena operação.

Figura 3.13 - Vista parcial da PDE Nordeste em operação - Agosto de 2007.

Fonte: Foto NETO, S.E. – LUME - Agosto/2007.

Conforme sequenciamento de lavra (Tabela 3.1) a previsão de estéril a ser gerado em Gongo Soco até 2014 é de 189,67 Mt. Desta forma, a PDE Nordeste não comportará todo o montante de estéril da mina. Sendo assim, em 2009, haverá necessidade de um novo projeto de ampliação desta pilha. A configuração projetada para ampliação da PDE Nordeste é apresentada na Figura 3.14.

Tabela 3.3 - Principais características construtivas das PDE’s.

CARACTERÍSTICAS

CONSTRUTIVAS PDE SUDESTE PDE SUDOESTE PDE NORDESTE

PDE NORDESTE (Projeto de Ampliação

2009 – 2011) Projetos da PDE´s de

acordo com ABNT NBR 13029/93 NBR 13029/93 NBR 13029/93 NBR 13029/2006

Capacidade de Disposição de Estéril 24 Mt (a partir do projeto de ampliação) 19 Mt 65,72 Mt 54,2 Mt Vida Útil 2006 2006 2008 2011

Altura da Pilha 130 m 90 m 100 m 210 m (considerando os 100 m da PDE já existente)

Largura das Bermas 7,5 m 7,5 m 7,5 m 7,5 m

Ângulo Geral de

Talude (22o) 1V:2H (21o) 1V:2H (21o) 1V:2H (21o) Ângulo do Talude de

Banco) 1V:2H (26,5o) 1V:2H (26,5o) 1V:2H (26,5o) 1V:2H (26,5o)

Dreno de Fundo SIM SIM SIM SIM

Drenagem Superficial

e Periférica SIM SIM SIM SIM

Estabilidade da Pilha Talude Geral: 22o FS = 1,385 Talude de Banco: 26,5o FS=1,37 Talude Geral: 22o FS = 1,384 Talude de Banco: 26,5o FS=1,364 Talude Geral: 21o FS > 1,408 Talude de Banco: 26,5o FS=1,364 FS superiores a 1,436 para condição mais severa (NA acima do

normal)

Monitoramento

Qualidade de água a jusante dos diques de contenção de finos

Medidores de vazão (vertedouros), Marcos superficiais, Medidores de N.A. e Piezômetros Inspeções periódicas (auditorias internas e externas) - verificação da estabilidade das PDE’s

Monitoramento do desenvolvimento da vegetação protetora

Fonte: Tabela elaborada a partir dos projetos conceituais e executivos das PDE’s – RIDZ Projetos Ltda sendo: Projeto Executivo da PDE Sudoeste – Agosto/2002, PCA de Ampliação da PDE Sudeste – Outubro/2002, Projeto Conceitual da PDE Nordeste – Junho/2003 e Projeto Executivo de Ampliação da PDE Nordeste – Março/2007. *Obs.: 54,2 Mt ≈ 26,6 Mm3. A partir de 2011 haverá necessidade de novo projeto de ampliação visando dispor mais 33,4 Mm3 ≈ 71 Mt.

26,6 26,6 26,6 26,6 MmMmMmMm3333 33,4 Mm 33,4 Mm 33,4 Mm 33,4 Mm3333 34,0 Mm 34,0 Mm 34,0 Mm 34,0 Mm3333 PDE NE projetada em PDE NE projetada em PDE NE projetada em PDE NE projetada em 2014 2014 2014 2014 Vol. projetado = 94 Mm Vol. projetado = 94 Mm Vol. projetado = 94 Mm Vol. projetado = 94 Mm3333 Cava Projetada em 2014

Cava Projetada em 2014Cava Projetada em 2014 Cava Projetada em 2014 PDE SW PDE SWPDE SW PDE SW PDE SE PDE SE PDE SE PDE SE PDE Correia PDE CorreiaPDE Correia PDE Correia

Figura 3.14 - Configuração em 3D da PDE Nordeste projetada para 2014. Fonte: VALE/2006.

As análises de estabilidade da ampliação da PDE Nordeste foram realizadas utilizando-se o

software SLIDE v.5.0 da empresa canadense Rocscience Inc. O SLIDE v.5.0 é um software

que utiliza a teoria do equilíbrio limite para o cálculo do fator de segurança em taludes de solo e/ou rocha. Foram pesquisadas superfícies circulares de ruptura adotando-se o método de Bishop, que admite o equilíbrio de momentos em relação ao centro do círculo. Foram analisados em todas as seções círculos críticos passando pelo aterro, bem como pela fundação. Para realização dos estudos em questão foi utilizada como referência a NBR 13029/2006.

Os parâmetros de resistência ao cisalhamento, coesão (c’) e ângulo de atrito (Φ’) assim como os pesos específicos (γ) dos materiais utilizados nas análises de estabilidade, foram estabelecidos com base nos ensaios de laboratório, provenientes de blocos indeformados retirados da fundação e do estéril a ser disposto, ver Tabela 3.4 e Tabela 3.5.

Adotou-se como fator mínimo de segurança 1,50 para uma condição normal (superfície freática normal) e 1,30 para a condição severa (superfície freática crítica) conforme recomenda a NBR 13029/2006 para estruturas desta natureza. A geometria da PDE Nordeste obteve fator de segurança mínimo de 1,436 na condição de severidade (nível freático 10m acima do normal) e 1,534 na condição normal (nível freático normal).

Tabela 3.4 - Classificação geomecânica de Bieniawski, 1976.

CLASSE I II III IV V VI

RMR 100 - 80 80 - 60 60 – 40 40 – 30 30 – 0 -

TERMO Muito bom Bom Regular Pobre Muito pobre Solo coesivo

DESCRITIVO Very good Good Fair Poor Very poor Stiff soil

Tabela 3.5 - Parâmetros geotécnicos adotados para cálculo da estabilidade da PDE Nordeste.

Parâmetros de Resistência ao Cisalhamento

Material Classe Peso Específico

γnat (kN/m3) c’ (kN/m2)

Φ (o)

Estéril 19,50 5,00 30,00

Meta Básica (MB) 19,70 5,00 18,00

Xisto Nova Lima (XNL) 19,50 12,00 28,00

Formação Ferrífera 27,00 250,00 35,00

Talus 16,20 0,00 17,00

Gnaisse

VI

19,30 15,00 25,00

Fonte: RDIZ – Projeto Executivo – Ampliação da PDE Nordeste – Março/2007.

3.7.RESERVAS E VIDA ÚTIL

Os tipos de minério e estéril utilizados no modelamento geológico da jazida de Gongo Soco são apresentados na Tabela 3.6.

Tabela 3.6 - Tipos de minério e estéril existentes na mina de Gongo Soco.

T

TiippoossddeeMMiinnéérriiooss

H

HFF -- HHeemmaattiittaa FFrriiáávveel - material desagregado, granulado ou xistoso, contendo em torno de l

20% de massa maior do que 8 mm. A espessura dos corpos varia de poucos centímetros a até 100m. Os teores de ferro são altos, em média 66,62%.

H

HCCTT--HHeemmaattiittaaCCoonnttaammiinnaaddaa - Material rico em ferro, friável, usualmente com altos teores de manganês (acima de 1%).

I

ITT--IIttaabbiirriittoo - itabirito silicoso, desagregado, contendo em torno de 30% de massa acima de 8mm e Ferro de aproximadamente 49,52%. A espessura dos corpos varia de poucos metros a até cerca de 150m.

T

TiippoossddeeEEssttéérriil l

I

IDDOO––IIttaabbiirriittooDDoolloommííttiiccoo– Itabirito pobre, limonítico, com altos teores de fósforo. – I

ICCTT––IIttaabbiirriittooCCoonnttaammiinnaaddoo– Itabirito pobre, contendo altos teores de manganês e fósforo. – I

INN––RRoocchhaassIInnttrruussiivvaass–– rochas básicas metamorfisadas

T

THHXX––TTaallccoo--HHeemmaattiittaa--XXiisstto – itabiritos contendo bandas de talco intercaladas com bandas de o

hematita.

X

XII––XXiissttoossddooGGrruuppooNNoovvaaLLiimmaa- Quartzo-xistos e clorita-xistos. - C

CGG –– CCaannggaa – depósitos superficiais formados por fragmentos de itabirito e hematita, cimentados por goethita.

Fonte: VALE (2003) e RCA/PCA – Ampliação da Cava de Gongo Soco (2003-2006) – NICHO, 2003.

sendo 81,2 Mt de hematita e 46 Mt de itabirito. As reservas geológicas remanescentes na jazida de Gongo Soco até o final de 2006 eram da ordem de 91,2Mt.

Conforme a Gerência Geral de Planejamento e Engenharia de Minas – GEPMS/Vale e a Gerência de Planejamento Longo Prazo – GAPLS/Vale em agosto de 2006, a movimentação prevista de ROM de 2007 a 2014 será de 51,5 Mt (reserva lavrável). Portanto a reserva geológica remanescente é de aproximadamente 39,7 Mt. Deve-se destacar quanto à diferença de reserva geológica e lavrável. A reserva lavrável distingue da geológica quanto aos aspectos econômicos e operacionais, ou seja, reserva economicamente e tecnicamente viável para ser explotada.

Considerando-se os próximos 8 anos de produção de ROM (51,5 Mt) e as reservas remanescentes (39,7 Mt) a vida útil do empreendimento minerário de Gongo Soco seria da ordem de 14 anos, considerando-se a média de produção de ROM/ano de 2007 a 2014 que é de 6,44 Mt.

Como o horizonte desta dissertação é até o ano de 2014, subtende-se que as reservas remanescentes não serão contabilizadas, ou seja, não são tecnicamente viáveis para serem explotadas por razões de ordem técnica, viabilidade econômica e/ou por questões operacionais (segurança - estabilidade física da cava). Dois fatores limitantes importantes são:

A porção norte projetada da cava terá um desnível topográfico de 500 metros em 2014; A elevada relação estéril/minério (RE/M).

De acordo com Innocentini (2003), os estudos de engenharia para projetos mineiros tendem a se tornar cada vez mais especializados devido à necessidade de exploração de depósitos com teores cada vez mais baixos. Isto requer uma avaliação mais detalhada dos fatores que influenciam os aspectos econômicos, tais como a qualidade do minério, o preço do metal, os custos de investigação, desenvolvimento e construção, custos de transporte, etc. Segundo este mesmo autor, em termos das escavações de taludes em rocha e sua estabilização, as aplicações de maior impacto ocorrem exatamente em minas a céu aberto, que requerem taludes de grande altura e com fatores de segurança relativamente baixos quando comparados com as demais obras de engenharia. O dimensionamento destes

taludes deve estar bem fundamentado, pois, além de oneroso, pode acarretar prejuízos numa eventual ruptura de um talude existente. O profissional, ao projetar os taludes de uma mina, deve ter como objetivo principal a otimização da extração do bem mineral com o menor custo possível, mediante a adoção de fatores de segurança satisfatórios.

Hoje a engenharia geotécnica é uma ferramenta fundamental para os empreendimentos mineiros, pois fornece soluções tecnicamente viáveis atendendo as exigências ambientais e legais do ponto de vista de segurança e de qualidade.

Caso Gongo Soco não paralise suas atividades extrativas em 2014, deverá analisar a possibilidade econômica e técnica para lavrar o montante das reservas remanescentes (geológicas), transformando-as em reservas lavráveis e economicamente viáveis.

3.8.PORTE DO EMPREENDIMENTO

A atividade desenvolvida na mina de Gongo Soco é a minerária com explotação e beneficiamento de minério de ferro (hematita com teor médio de 66,62% de Fe e itabirito com teor médio de 49,52% de Fe).

O beneficiamento do ROM é realizado nas instalações de tratamento de minérios