7.1 I MPLICATIONS FOR F IRM , P OLICY AND R ESEARCH ?
7.1.3 Further research
Os óleos essenciais (OE) são extraídos de plantas por meio da técnica de arraste a vapor e são compostos principalmente de mono e sesquiterpenos e de fenilpropanoides, metabólitos que conferem suas características organolépticas. O Brasil tem lugar de destaque na produção de OE, ao lado da Índia, China e Indonésia, que são considerados os quatro grandes produtores mundiais. A posição do Brasil deve-se aos OE de plantas cítricas, sendo a laranja a principal delas (BIZZO; HOVELL; REZENDE, 2009).
O gênero Citrus (Rutaceae) compreende árvores frutíferas de origem Oriental e são muito utilizados devido ao seu teor de óleo volátil, além de serem fontes de flavonóides, pectinas e cumarinas (KUSTER; ROCHA, 2003; ZUANAZZI; MONTANHA, 2003). Os registros de cultivos do Citrus, vem de uma cultura antiga, desde 2100 a.C. (MOORE, 2001).
Como exemplos do gênero Citrus podem-se citar: Citrus bergamia,
Citrus limonum, Citrus deliciosa, Citrus reticulada, Citrus sinensis, Citrus paradisi e Citrus aurantium L. (CiaL.).Alguns dos mesmos vem sendo utilizados na alimentação, medicamentos, indústria de cosméticos e aromaterapia (SAIYUDTHONG; MARSDEN, 2010).
Na aromaterapia, algumas pesquisas tem demonstrado atividade ansiolítica em estudos pré-clinicos do Citrus bergamia (SAIYUDTHONG; MARSDEN, 2010), assim como clínicos.
Um exemplo de estudo clínico foi o realizado por Lehrner et al. (2000) em que utilizou óleo essencial (Citrus sinensis), via inalatória, na sala de espera de um consultório odontológico, e avaliou a ansiedade traço-estado de 72 pacientes. Após a exposição, observou-se menor escore da ansiedade estado, principalmente em mulheres, quando comparadas com o grupo controle (grupo controle: 33,8 ± 6,3 homens/ 44 ± 12,7 mulheres; grupo de estudo: 37,7 ± 12,5 homens/ 38,3 ± 10,5 mulheres). Em 2005, Lehrner e colaboradores investigaram o efeito do óleo de laranja e de lavanda na ansiedade em duzentos pacientes na sala de espera de um consultório odontológico e comprovaram a eficácia do uso de odores na redução da ansiedade.
CiaL. é conhecido popularmente como laranja-amarga, laranjeira-azeda, laranjeira-cavalo e laranjeira de Sevilha. Seus frutos, flores e folhas tem sido usados na medicina popular para o tratamento de ansiedade, insônia e como anticonvulsivante (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002). Na região do Mediterrâneo, é usado desde os tempos medievais como estimulante cardíaco e vascular, digestivo, sedativo, tranquilizante, estimulante de apetite e tônico geral, além de antídoto contra venenos (ARIAS; RAMÓN-LACA, 2005). Na medicina tradicional chinesa, a laranja-amarga, que é conhecida como “zhi shi”, é usada como estimulante da função gastrointestinal e tônico geral (BOUCHARD et al., 2005).
No que diz respeito a sua composição, CiaL., alguns autores analisaram a casca da laranja e averiguaram a composição de hidrocarbonetos monoterpenos: o limoneno (96,86%), β-pineno (1,37%), (E)-β-ocimeno (0,31%), sabineno (0,28%) e α-pineno (0,27%), sendo os principais componentes. Linalol (0,17%) e verbenona (0,12%) foram os principais monoterpenos oxigenados encontrados. E os Hidrocarbonetos sesquiterpenos foram representados principalmente por α-humuleno (0,15%) e α-calacoreno (0,12%). O sesquiterpeno oxigenado foi o grupo menos representado dos componentes, sendo o α-ciperone (0,12%) o único composto detectado (HOSNI et al., 2010).
Outros estudos anteriores, realizados na Tunísia, Itália e Brasil, mostram que pode haver diferenças quanti e qualitativas na composição dos
constituintes do óleo da casca da laranja, dependendo do genótipo, estação, maturação e outros fatores climáticos. No entanto, a presença dos principais componentes como o limoneno em maior quantidade sempre foi uma constante (CACCIONI et al., 1998; BOUSSAADA; CHEMLI, 2007; MORAES et al., 2009).
Com relação a seus efeitos no SNC é popularmente utilizado para curar a insônia, tratar nervosismo, ansiedade e histeria, e as flores são utilizadas com fins sedativos (SANTOS; TORRES; LEONART, 1988; SANGUINETTI, 1989; VASQUEZ; SUAREZ; PEREZ, 1997; LEHRNER et al., 2000).
Pultrini, Galindo e Costa (2006) avaliaram dois modelos experimentais para o transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo compulsivo em camundongos, os quais foram tratados de forma aguda por via oral (dose única) ou uma vez por dia durante 15 dias (doses repetidas), antes dos procedimentos experimentais. Houve efeito ansiolítico apenas na dose aguda para o experimento (claro/escuro) e resultados mais consistentes para o outro experimento (marble-burying).
Leite et al. (2008) avaliaram doze ratos, previamente expostos à inalação do O.E. (CiaL.), nas concentrações de 1,0%; 2,5% e 5,0%, durante 7 minutos em caixas de acrílico. Os mesmos foram avaliados em dois modelos de ansiedade: labirinto em cruz elevado (LCE) e campo aberto. Observaram diminuição do grau de emocionalidade dos animais em ambos modelos experimentais, sugerindo assim uma possível ação central.
Outro estudo pré-clínico, utilizando diferentes preparações do OE de
CiaL., obtidas de diversas partes da planta, foram avaliadas quanto a sua potencial ação sobre o sistema nervoso central, em modelos para testar a atividade anticonvulsivante, sedativa-hipnotica e ansiolítica Esse trabalho demonstrou que o óleo obtido das cascas dos frutos foi capaz de aumentar o tempo de permanência dos animais sobre os braços abertos do labirinto em cruz elevado, sem apresentar qualquer comprometimento sobre o estado de atenção ou sobre a atividade motora dos camundongos, perfil comportamental que indica um potencial efeito ansiolítico (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002).
Compostos de fragrância pura e óleos essenciais tem vários efeitos em humanos e em outras espécies de mamíferos. O óleo essencial obtido das cascas das frutas de CiaL. apresenta propriedades ansiolíticas comprovadas em trabalhos anteriores (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002; PULTRINI;
GALINDO; COSTA, 2006), no entanto, ainda há escassez de estudos clínicos que comprovem esses dados.
Levantamentos etnofarmacologicos comprovam o uso popular do CiaL. como tratamento alternativo de distúrbios relacionado ao SNC. Um estudo realizado na Martinica comprova que a decocção das flores e folhas desta espécie vegetal tem efeito sedativo quando administrada oralmente (LONGUEFOSSE; NOSSIN, 1996).
Sendo assim, diante da constatação do efeito ansiolítico do CiaL. em estudo pré-clinicos, comprovação do mesmo efeito em estudos clínicos de outros exemplos do gênero Citrus e da escassez de respostas clínicas, faz-se necessário o investimento em estudos e pesquisas em humanos sobre o efeito do CiaL. na ansiedade.