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In document Research at NPUC 2017 (sider 58-61)

As particularidades próprias do ensino superior não podem ser ignoradas ou esquecidas quando se aborda a questão dos comportamentos de risco nos estudantes. Estudos revelam que os jovens que apresentam comportamentos de risco no ensino secundário apresentam mais comportamentos de risco no seu primeiro ano na universidade, com especial incidência no aumento de alguns comportamentos de risco como o número de parceiros sexuais e frequência do consumo de álcool e marijuana (Fromme et al, 2008).

Uma das principais particularidades do ambiente universitário é que permite um conjunto de experiências que, noutro período de vida do jovem, não conseguiria. Há pois como que uma cultura típica do estudante universitário em que o tempo passado na universitário é um conjunto de oportunidades que devem ser aproveitadas num contexto de liberdade e independência paternal.

Para Dinger e Waigandt (1997) a crescente autonomia e capacidade ou o poder da decisão nas escolhas que faz, são dois factores que permitem entender alguns estilos e comportamentos na vida dos estudantes. Esta liberdade e algum sentido de ausência de

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responsabilidades que é consciente nos estudantes, fazem com que, no entender de alguns autores, haja a noção de oportunidade única de viver momentos e se experimentem alguns comportamentos como o consumo de álcool, tabaco e drogas (Ravert, 2009). Estes comportamentos de risco são, para alguns estudantes, momentos de experimentar algo mas também é encarado – consciente ou não – como oportunidades de aprendizagem e crescimento como sejam o facilitar o estabelecer de relações com os seus pares, o que faz com que seja encarada como momento importante mesmo que possa ter consequências negativas (Dworkin, 2005).

O tempo de estudo na universidade é um tempo de descoberta e experiências, quase sempre acompanhadas pela restrição da novidade. Mas é também um tempo em que as tarefas desenvolvimentais do jovem podem ser cansativas e difíceis de conciliar. Os jovens estudantes – em especial os deslocados – deixam a segurança em casa, experimentam ganhos e perdas, sofrem do uso e abuso do consumo de álcool e drogas, apresentam desordens alimentares, problemas sexuais, dificuldades relacionais, acompanhado da dificuldade em acompanhar as metodologias de ensino e avaliação características do ensino superior.

Uma questão importante nos comportamentos de risco nos estudantes universitários é o estabelecimento do hábito da transgressão das normas. Os comportamentos de risco representam um atentado à saúde física e mental do indivíduo e também para os outros em seu redor. O risco aumenta quando os comportamentos com uma forte associação entre si, se tornam hábitos e essas condutas apresentam repercussões negativas. O hábito, uma vez adquirido, torna-se assim um estilo de vida do estudante podendo, inclusivamente, restruturar ou constituir valores, normas e crenças (Câmara, 2005). Os comportamentos de risco não são uniformes nos estudantes universitários, havendo estudos que atribuem pouca incidência de comportamentos de risco nos estudantes e outros estudos em que apontam um ou outro comportamento mas frequente. No entanto quase todos eles se englobam num mesmo grupo: segurança na condução, violência, tabaco e álcool, droga, comportamento sexual, alimentação, prática desportiva.

Estudos americanos apontam para o álcool como a droga mais consumada entre os jovens universitários e encontrada uma relação entre o consumo de álcool e o consumo de cigarros, marijuana e cocaína (Jones et al, 2001).

Barrios et al (2004), num estudo com estudantes universitários americanos observou uma relação entre comportamentos de risco (acidentes de trânsito, consumo de álcool e violência) e pensamentos suicidas.

Na Turquia, um estudo de Oksuz e Malhan (2005) mostra que os comportamentos de risco nos estudantes universitários de Ancara estão, na sua maioria, relacionadas com o baixo nível socioeconómico com excepção do uso de álcool, relacionado com grupos mais favorecidos.

No Brasil, Fiates e Salles (2001) num estudo sobre comportamentos de risco observaram uma maior susceptibilidade para perturbações alimentares entre as alunas – com particularidade de ser mais expressivo entre as alunas dos cursos de Nutrição, apesar dos conhecimentos adquiridos na formação.

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No Paraná, os comportamentos de risco no trânsito foram mais frequentes entre estudantes de medicina (n=309) que informaram conduzir após a ingestão de álcool (35%), estiveram envolvidos em acidentes de trânsito (62,7%) e não usar cinto de segurança nos bancos traseiros (90%) (Andrade et al, 2003).

Num estudo de Franca e Colares (2008), em que comparam comportamentos de risco entre estudantes universitários no início e no fim do curso, concluíram, entre outros, que o consumo de bebida alcoólica em condutores, o consumo de tabaco e o de drogas era maior nos estudantes finalistas. Para a actividade sexual havia diferenças significativas entre os dois grupos com especial evidência no uso de preservativos (nunca usava 19,3% dos estudantes finalistas e 12% dos estudantes do 1º ano; consumo de álcool antes da relação sexual 20,6% dos estudantes finalistas e 15,7% dos estudantes do 1º ano). Concluíram que, de uma maneira geral, havia maior percentagem de comportamentos nocivos entre os estudantes finalistas do que entre os estudantes de 1º ano.

Noutro estudo Pillon, O´Brien e Chavez (2005), com o objectivo de descrever a relação entre o uso de drogas e os comportamentos de risco entre 200 estudantes universitários brasileiros, mostraram haver uma relação entre o género e o uso de drogas assim como com outros comportamentos de risco: em todos os comportamentos os homens apresentavam uma maior frequência, com especial evidência para as bebidas alcoólicas assim como no comportamento sexual, em que tiveram maior número de relações que as mulheres com maior número de parceiros com menor protecção e sob efeito de álcool. Oliveira e Luís (2005) num estudo realizado com estudantes de diversas escolas, identificaram factores de risco para o consumo de álcool divididos em várias áreas: comportamento, saúde mental, habilidades sociais, família, escola, pares e diversão. Os resultados indicavam, como factor de risco para os consumidores de álcool, os factores socioeconómicos baixos. O grupo dos que não consumiram bebidas alcoólicas mostraram menor vulnerabilidade nas áreas do comportamento e na acticidade académica, sendo que a família funcionava, para este grupo, como factor protector.

Um estudo de Souza et al (2010), com o objectivo de avaliar a relação entre suporte familiar, saúde mental e comportamentos de risco em 766 estudantes universitários, concluíram haver uma relação significativa entre os comportamentos de risco e a saúde mental. A maior parte dos estudos indicam que o sair ou não de casa, a distância para onde foram ou o tipo de novo ambiente, interfere na intensidade com que são vividas as experiências. Os alunos não deslocados ao manterem maior contacto com a família, são mais influenciados pelas crenças e exigências dos pais ou, pelo menos, sentem-se mais obrigados a respeitá-los. A correlação entre o suporte familiar e a saúde mental indica a importância que a família tem enquanto sistema protector ou de ajuda perante as situações de crise ou problemáticas que resultam muitas das vezes de comportamentos de risco que se traduzem, por sua vez, em implicações sérias tanto na saúde física como na saúde mental (Silva e Deus, 2005).

No entanto os estudos sobre os comportamentos – quer de saúde quer de risco – entre a população geral e a população universitária são escassos (Santos, 2011) não permitindo haver comparações com os estudos internacionais. Dados do Ministério da Saúde, através do Plano Nacional de Saúde 2014/2010 e referentes a 1997/1998 e 2001, indicam que a percentagem de indivíduos entre os 15 e os 24 anos e que fumaram diariamente, é de

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25,8% para os homens e 10,5% para as mulheres; 12,9% dos indivíduos tinham consumido álcool várias vezes por semana nos últimos 12 meses; 45,5% dos homens e 64,4% das mulheres tinham a maior parte do seu tempo livre ocupado com actividades sedentárias e que 6,8% das mulheres tinham excesso de peso. Ainda assim têm surgido alguns estudos que visam especificamente os comportamentos de risco nos estudantes universitários: Loureiro (2006); McIntyre et al (2008); Ribeiro e Fernandes (2009); Santos (2011).

De qualquer forma é essencial, mais ainda nos tempos actuais, continuar a estudar as tendências dos comportamentos de risco nos estudantes universitários, quais os factores que influenciam quer por protecção quer por incentivo, tendo em conta as diferentes regiões geográficas e a multiplicidade doas características individuais. Estes estudos são importantes para a obtenção de resultados e dados o mais abrangentes possível por forma a realçar as práticas saudáveis através da promoção da saúde e combater os comportamentos de risco (Matos e Gaspar, 2005 citados por Santos, 2011).

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