Hong e Thong (2013) realizaram um estudo com os objetivos de desenvolver uma conceituação integrada de IPC, realizada através da revisão da literatura prévia para identificar as dimensões de menor ordem, e validar a conceituação desenvolvida através de quatro estudos empíricos em grande escala, envolvendo cerca de 4.000 usuários de Internet, os quais são descritos no Quadro 4 a seguir:
Quadro 4 – Roteiro dos Quatro Estudos
Estudo 1 Estudo 2 Estudo 3 Estudo 4
1. Comparar a baseline de conceituação integrada de IPC contra duas conceituações populares na literatura.
2. Replicar estudos anteriores usando itens de instrumentos existentes
1. Examinar o impacto da formulação inconsistente de itens em instrumentos originais.
2. Validação cruzada dos resultados do estudo 1 usando uma nova amostra.
1. Resolver a formulação inconsistente de itens e adotar uma perspectiva comum na medição de IPC.
2. Avaliar as conceituações integradas alternativas de IPC com uma nova amostra.
1. Validação cruzada das conclusões do estudo 3, utilizando uma nova amostra.
2. Avaliar a validade nomológica do melhor modelo teórico adaptado de IPC identificado no estudo 3.
Fonte: Hong e Thong (2013)
Os autores afirmam ainda que IPC foi desenvolvido teoricamente para ter uma relação negativa com as crenças de confiança e uma relação positiva com as crenças de risco. Segundo os autores, indivíduos com maiores preocupações com a privacidade são menos propensos a confiar em websites no tratamento de suas informações pessoais e são mais propensos a achar que é arriscado fornecer informações pessoais para websites.
Segundo Hong e Thong (2013) IPC consiste em um fator geral de terceira ordem (IPC), com dois fatores de segunda ordem, quais sejam Gestão da Interação e Gestão da Informação e seis fatores de primeira ordem, que são Coleta, Uso Secundário, Erros, Acesso Indevido, Controle e Consciência. O componente Gestão da Interação é composto pelas dimensões Coleta, Uso Secundário e Controle, e descreve como um indivíduo gerencia a sua interação com os outros, enquanto o componente Gestão da Informação engloba as dimensões Erros e Acesso Indevido, e descreve como um indivíduo gerencia a sua informação pessoal. A dimensão Consciência está vinculada diretamente ao fator geral de terceira ordem IPC, mesmo sendo um fator de primeira ordem.
Os resultados confirmam que a conceituação de terceira ordem do IPC tem validade nomológica, conforme pode ser observado no Anexo C, que é o grau em que um construto comporta-se como predito dentro de um sistema de construtos relacionados, de acordo com Cronbach e Meehl (1955), e é um determinante significativo tanto nas crenças de confiança quanto nas crenças de risco (HONG e THONG, 2013). Os autores afirmam ainda que a pesquisa realizada ajuda a resolver inconsistências nas dimensões subjacentes chaves do IPC e na formulação dos itens originais em instrumentos anteriores de IPC. Segundo os autores, a pesquisa realizada contribui para uma melhor compreensão da conceituação do IPC, e forneceu um instrumento confiável e válido para a investigação sobre IPC. O instrumento desenvolvido por Hong e Thong (2013) foi criado com base no construto CFIP (Smith et al., 1996) e IUIPC (Malhotra et al., 2004), e é composto por seis dimensões conforme Quadro 5 a seguir:
Quadro 5 – Dimensões do construto de IPC
Dimensões Definição Fonte
Coleta Grau com que uma pessoa está preocupada com a quantidade de dados individuais específicos possuídas por outros, relativos ao valor dos benefícios recebidos (MALHOTRA et al., 2004).
Malhotra et al. (2004)
Uso secundário
A preocupação de que a informação é recolhida a partir de indivíduos para uma finalidade, mas é usado para outra finalidade, secundária (internamente ou compartilhadas com terceiros externos) sem a autorização dos indivíduos (SMITH et al., 1996).
Smith et al. (1996)
Erros A preocupação de que proteções contra erros deliberados ou acidentais em dados pessoais são inadequados (SMITH et al., 1996).
Malhotra et al. (2004).
Acesso indevido
A preocupação de que os dados sobre os indivíduos são facilmente disponíveis para as pessoas não devidamente autorizadas a exibir ou trabalhar com estes dados (SMITH et al., 1996).
Smith et al. (1996)
Controle Grau com que uma pessoa está preocupada em não ter o controle adequado sobre suas informações pessoais na Internet (MALHOTRA et al., 2004).
Smith et al. (1996)
Consciência Grau em que uma pessoa está preocupada em saber sobre as práticas dos sites relativas à privacidade das informações (MALHOTRA et al., 2004).
Malhotra et al., (2004)
Crenças de confiança
Grau em que o usuário confia nas empresas para as quais fornece informações na Internet.
Malhotra et al., (2004) Crenças de
risco
Grau em que um usuário percebe risco em suas atividades na Internet.
Malhotra et al., (2004) Fonte: Hong e Thong (2013)
No instrumento desenvolvido, que será utilizado para alcançar os objetivos da presente pesquisa, Hong e Thong (2013) utilizaram a mesma escala Likert de sete pontos, dos estudos de CFIP (SMITH et al., 1996) e IUIPC (MALHOTRA et al., 2004). A escala de IPC foi ajustada, mudando o termo “empresas” para “sites comerciais”, com o objetivo estar de acordo com o contexto da Internet. Para que fosse possível analisar IPC dentro de uma rede nomológica, foram adicionadas crenças de confiança e crenças de risco ao modelo (HONG e
THONG, 2013), da mesma forma como realizado por Malhotra et al. (2004) no IUIPC. Os resultados confirmaram que o conceito de terceira ordem do construto de IPC é váli do nomológicamente, bem como confirmaram que as preocupações com a privacidade na Internet (IPC) têm efeito significativo sobre as crenças de risco e sobre as crenças de confiança. Está análise fornece maior apoio para à conceituação de terceira ordem de IPC (HONG e THONG, 2013).