Morfologia geral. As glândulas supralabiais se localizam lateralmente à cabeça, logo abaixo das escamas supralabiais e se estendem ao longo do osso maxilar, desde a região anterior da boca, logo atrás da glândula pré-maxilar até o nível do canto da boca. Nas espécies em que a glândula de Duvernoy está presente, a supralabial se dispõe em uma posição ventromedial em relação a ela e se estende além do seu limite posterior, o que foi claramente verificado, por exemplo, em Coniophanes fissidens (Fig. 20A). Nas serpentes onde as glândulas de Duvernoy não foram observadas, as supralabiais se estendem até o canto da boca, sem que tenham sido verificadas grandes alterações na sua forma. Em Sibynomorphus
mikanii, no entanto, uma espécie onde a glândula de Duvernoy não foi observada, verifica-se
um leve estreitamento dorsoventral da glândula supralabial, o qual se inicia no terço posterior da glândula, logo após a órbita e se estende até a sua porção final, no nível do canto da boca. Além disso, foi observada uma leve extensão do epitélio oral, que se dispõe além dos limites da boca e ocupa a região medial do terço posterior da glândula supralabial, ultrapassando a altura da própria glândula (Figs. 14A, C). Em Adelphicos quadrivirgatum observa-se a presença de uma glândula associada à superfície póstero-dorsal da glândula supralabial. Devido à presença desta glândula, torna-se difícil estabelecer por meio das observações macroscópicas, o limite posterior da glândula supralabial (Fig. 4A).
Diferente do verificado nas glândulas infralabias, as supralabias não apresentam grandes alterações na sua morfologia geral. Entre as espécies analisadas, as principais diferenças foram verificadas nas características histoquímicas dos grânulos, como descrito a seguir em maiores detalhes.
Histologia e histoquímica. Do ponto de vista histológico, as glândulas supralabiais se mostram bastante parecidas às infralabiais, sendo envoltas por uma fina camada de tecido conjuntivo, o qual emite septos para o seu interior, subdividindo o corpo glandular em lóbulos e envolvendo os ácinos e os dutos. O sistema de dutos das glândulas supralabiais, entretanto, ao contrário do observado nas infralabiais, não apresenta grandes variações. Nestas glândulas,
<B
este sistema mostrou ser composto por uma série de dutos curtos e individuais que se abrem de forma independente ao longo da boca das serpentes. Nas espécies analisadas, estes dutos se abrem dentro da boca, no interior de um canal/sulco formado na interface das escamas supralabiais com o epitélio oral, na lateral dos dentes maxilares, como previamente relatado por Taub (1966).
Em Atractus reticulatus, bem como em A. pantostictus, o epitélio secretor das glândulas supralabiais mostrou ser similar ao previamente descrito para as glândulas infralabiais dessas espécies. O epitélio se constitui por ácinos mistos, formados por células mucosas e seromucosas, sendo que as células mucosas são mais abundantes (Figs. 1B; 2D). Foram verificados diversos dutos curtos e mucosos que se distribuem ao longo de toda a glândula e se abrem diretamente na boca, no interior do canal/sulco formado no encontro das escamas supralabiais com o epitélio oral.
Em Adelphicos quadrivirgatum, a glândula supralabial mostrou ser similar ao previamente descrito para a glândula infralabial desta espécie. Os ácinos são constituídos por dois tipos de células mucosas, ambos fracamente corados pela hematoxilina-eosina e com núcleos basais e achatados (Figs. 4H, I). Os dois tipos de células mucosas podem ser distinguidos pelas suas diferentes características histoquímicas. O primeiro tipo é positivo somente à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5, enquanto que o segundo é fortemente positivo à reação histoquímica conjugada do alcian blue, pH 2.5 e PAS (resultados não mostrados). Na região póstero-dorsal da glândula supralabial verificou-se a presença de uma segunda glândula. Ambas são distinguidas pelas diferentes afinidades à hematoxilina-eosina. A glândula localizada na superfície póstero-dorsal da supralabial apresenta epitélio constituído por células mucosas, fracamente coradas pela hematoxilina-eosina, bem como células seromucosas, as quais coram mais intensamente por esta coloração (Figs. 4H, I). A glândula supralabial, como já mencionado, se constitui somente por células mucosas (Fig. 4I).
Em Chersodromus liebmanni, as glândulas supralabiais se constituem predominantemente por células seromucosas, embora também tenham sido observadas células mucosas no interior dessas glândulas (Fig. 5H). O epitélio secretor da glândula supralabial se mostra similiar ao observado nas glândulas infralabiais (Fig. 5C). Estas glândulas apresentam dutos curtos e formados por células mucosas, os quais se distribuem ao longo de toda a glândula e se abrem diretamente no interior da boca da serpente (Fig. 5F).
Em Ninia sebae, a glândula supralabial é constituída principalmente por células seromucosas, negativas à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5, enquanto que os dutos se constituem exclusivamente por células mucosas, positivas à esta reação (Fig. 7E).
<C
Em Dipsas indica, a glândula supralabial apresenta um epitélio parecido com o observado na il2 desta espécie. Esta glândula se constitui basicamente por células mucosas, fracamente coradas pela hematoxilina-eosina e células seromucosas intensamente coradas por esta coloração (Fig. 9C). A glândula supralabial é positiva à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5 (Figs. 8B, E). Diferentemente do observado para a il2, entretanto, a glândula supralabial apresenta uma série de pequenos dutos que se abrem ao longo de toda a boca da serpente.
Em Sibynomorphus mikanii, a glândula supralabial também apresenta um epitélio parecido ao previamente descrito para a il2 desta espécie. Esta glândula se constitui por células seromucosas, agrupadas em ácinos e, apesar das semelhanças com a il2, apresenta diversos dutos curtos, como previamente descrito para a il1, os quais foram observados ao longo de toda glândula, se abrindo diretamente na boca da serpente (Figs. 13D; 14E, F). Em
Sibynomorphus neuwiedi, a glândula supralabial se constitui por células moderadamente
coradas pela hematoxilina-eosina, enquanto que os dutos se mostram revestidos por células que apresentam uma coloração menos intensa ao método. Foram observados diversos dutos curtos que partem da glândula e se abrem ao longo de toda a boca da serpente (Fig. 15B).
Em Sibon nebulatus, a glândula supralabial é constituída por células mucosas e seromucosas, da mesma forma que o descrito para as glândulas infralabiais desta espécie (Figs. 16H, I). Estas células também se agrupam em ácinos ou túbulos como verificado nas glândulas infralabiais, entretanto, em contraste com o observado nestas últimas, as glândulas supralabiais não apresentam túbulos se distendendo longitudinalmente ao longo da glândula (Fig. 16F).
Em Tropidodipsas sartorii, a glândula supralabial se constitui basicamente por células mucosas, com núcleos basais e achatados (Fig. 17D). Estas células coram fracamente pela hematoxilina-eosina e foram observados diversos dutos curtos e também mucosos se abrindo no interior da boca da serpente (Fig. 17D).
Em Leptodeira annulata, a glândula supralabial se constitui basicamente por células mucosas, positivas à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5 e PAS e negativas ao azul de bromofenol (Figs. 18C, D). Foram observados pequenos dutos se abrindo no interior da boca, principalmente na região posterior da glândula, próximos à glândula de Duvernoy (Figs. 18B, D).
Em Imantodes cenchoa, a glândula supralabial também apresenta características similares às descritas para a glândula infralabial desta espécie, sendo constituída
=:
basicamente por células mucosas, com diversos dutos curtos e também mucosos se abrindo ao longo da boca (Fig. 19B).
Em Coniophanes fissidens, a glândula supralabial é formada por ácinos mucosos e positivos ao alcian blue, pH 2.5 (Fig. 20E). A região posterior da glândula mostra uma positividade mais intensa ao alcian blue, pH 2.5 do que a região anterior (Fig. 20E). Os ácinos no interior da glândula apresentam poucos espaços internos e se observam diversos dutos curtos e também mucosos, dispostos ao longo de toda a glândula, os quais se abrem diretamente na boca (Fig. 20F).
Em Tomodon dorsatus, a glândula supralabial mostrou ser constituída por células seromucosas, positivas ao PAS, bem como por células mucosas, positivas ao alcian blue, pH 2.5 (Fig. 24D). Assim como verificado nas glândulas infralabiais desta espécie, foram observados pelo menos três tipos de células mucosas no interior da glândula, os quais podem ser distinguidos por meio da sua positividade à reação histoquímica conjugada do alcian blue, pH 2.5 e PAS (Fig. 24D).