Segundo Maringe & Carter (2007), a tomada de decisão é um processo complexo e com múltiplas etapas realizado de forma consciente ou inconsciente pelos estudantes que tencionam frequentar o ensino superior, sendo composto por várias etapas influenciadas por uma variedade de fatores envolvendo as características dos estudantes, informação obtida, as iniciativas das IES, as suas características e cursos pretendidos (Kallio, 1995; Briggs, 2006).
O conceito associado à escolha é tanto um resultado como um processo pelo qual uma decisão se torna concretizada a qualquer momento no processo de tomada de decisão (Maringe & Carter, 2007). Assim, e ainda segundo estes autores, os dois conceitos não podem estar dissociados um do outro. O resultado da tomada de decisão é uma escolha e ambos são fruto da influência de um conjunto de fatores na qual a decisão é tomada. Moogan & Baron (2003) reforçaram esta ideia indicando que a escolha de uma Instituição é racional, pragmática, multifatorial e um processo altamente complexo que pode ser
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influenciado pelos custos, informação, acesso, objetivos académicos e a experiência escolar e de vida. Selecionar uma IES é, de facto, uma decisão que pode moldar não só a vida do estudante e o sucesso da sua carreira como igualmente a das suas famílias (Padlee et al., 2010). A necessidade de compreender como é que os estudantes tomam decisões relativamente à escolha de uma IES (de forma a que as Instituições possam delinear as suas estratégias de marketing mais orientadas para as necessidades dos estudantes), tem conduzido ao desenvolvimento de diversos modelos de comportamento de estudantes. Vários autores (Payne, 2003; Perna, 2006; Vrontis et al., 2007) agruparam o processo de escolha de uma IES numa das três seguintes categorias:
1) Modelo Económico/ Econometria: modelo que refere que os estudantes são altamente racionais, sugerindo que as escolhas resultam do cálculo dos custos e benefícios percebidos de cada instituição;
2) Modelo baseado na Obtenção de Status/ Sociologia: modelo que tem em consideração as variáveis sociológicas que contam para o contexto da tomada de decisão. Assim, a escolha dos estudantes por uma IES estrangeira é influenciada pela interação das variáveis comportamentais e da influência da família, amigos e motivações pessoais. Assim, este modelo considera que a participação e progressão dos estudantes no ensino superior não resulta de uma escolha racional (Maringe, 2006);
3) Modelos combinados: modelo alicerçado na combinação da abordagem económica e sociológica, proporcionando assim uma melhor compreensão da tomada de decisão. Refira-se no entanto que, face à maior complexidade de escolha por parte dos estudantes internacionais, estes modelos apresentaram algumas limitações, pelo que vários estudos tentaram preencher esta lacuna através da criação de modelos de escolha destinados especificamente a estudantes internacionais. Descrevem-se de seguida alguns exemplos dos modelos de escolha citados na literatura.
Chapman (1986), por exemplo, desenvolveu um modelo baseado em cinco fases inter- relacionadas, a saber: a) comportamento pré-pesquisa; b) processo de pesquisa; c) decisão de candidaturas; d) escolha; e) matrícula.
21 Um dos modelos mais citados, proposto por Kotler & Fox (1994), e que vem na sequência do modelo anteriormente referido, é o que ficou conhecido como o modelo dos cinco estágios e que refere que o “processo de compra” percorre cinco etapas: 1) reconhecimento da necessidade; 2) Procura de informações; 3) Avaliação das alternativas; 4) Decisão; 5) Implementação dessa decisão e a avaliação.
Segundo Moogan et al. (1999) os candidatos seguem as seguintes etapas sequenciais: 1. Reconhecimento do problema; 2. Procura de informação; 3 Avaliação de alternativas, com base na influência da família, amigos e professores; 4. Compra; 5. Pós-compra e Avaliação. Foi ainda identificado um "gap" entre as necessidades dos estudantes por informações e as que são prestadas pela IES (que não são satisfeitas).
Há igualmente outra pesquisa que refere que há uma ordem sequencial na decisão do estudante estudar numa instituição estrangeira: a primeira decisão a tomar prende-se com a opção em estudar fora em vez de estudar no país de origem; a segunda com a seleção do destino e, por fim, com a seleção da IES de destino (Mazzarol & Soutar, 2002).
Já Maringe (2006) define três níveis de análise no âmbito da investigação nos modelos de escolha e tomada de decisão em ensino superior: a) Nível global, no qual procura compreender as razões que levam os estudantes a escolher estudar fora do seu país; b) Nível nacional, no qual se foca sobretudo na escolha de uma IES; c) Nível do projeto de ensino, no qual analisa a escolha de um curso específico por parte do estudante.
Vrontis et al. (2007) propõem por sua vez um modelo para países desenvolvidos identificando diversos fatores influenciadores da decisão de um estudante ingressar no ensino superior, partindo dos seguintes determinantes: i) Determinantes individuais (comportamento, atitudes e valores); ii) Determinantes ambientais (fatores económicos e demográficos e influências); iii) Determinantes institucionais (características das instituições e ações implementadas).
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terceiros adicionando os fatores push e pull 11que atuam como força negativa do país de
origem e como força positiva do país de destino. Este modelo apresenta, por sua vez, três fases (correspondentes às etapas “reconhecimento da necessidade”; “procura de informações”; “avaliação das alternativas” e “Decisão”, do modelo de Kotler & Fox, 1994):
1. A fase de predisposição, na qual os estudantes avaliam as suas necessidades pessoais, recolhem informações sobre estudar no estrangeiro e optam por fazê-lo.
2. A fase de pesquisa / seleção / candidatura, na qual os estudantes estudam e recolhem informações sobre as alternativas disponíveis, tomam uma decisão e candidatam-se a uma ou mais instituições.
3. A fase de escolha, na qual os estudantes, depois de receberem a notificação de que foram admitidos na(s) Instituição (Instituições) de Ensino Superior para as quais se candidataram, reconsideram as alternativas disponíveis e tomam uma decisão final. A presente investigação basear-se-á no modelo de Kotler & Fox (1994) e de Chen (2007).